Parábola dos Talentos

Parábola do Talentos

Um Estudo de Mateus 25:14-30


Por Hugo Martins

Hugo Martins Miniatura

Hugo Martins  é Bacharel em Teologia pela Universidade Adventista de São Paulo, colaborador na Comunidade Judaico-Adventista de Campinas e estudante do Período do Judaísmo  do Segundo Templo.


Introdução

A Parábola do Talentos é uma das parábolas mais estudadas dos Evangelhos. Conta-nos a estória de um senhor que saiu de viagem e confiou bens a três de seus servos. Dois deles receberam o elogio “servo bom e fiel” e um fora tido como “servo mau, ” “inútil” e destinado as “trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”.

Ellen White tratou com importância o estudo desta parábola. Dissera ela:

“A parábola dos talentos deve ser objeto do estudo mais cuidadoso e devoto; pois tem aplicação pessoal e individual a todo homem, mulher e criança que possua as faculdades do raciocínio.”[1]

Diferentes interpretações têm surgido ao longo do tempo. Joaquim Jeremias entendera que a parábola dizia respeito aos escribas, que tinham retido “de seus companheiros uma quota devida do dom de Deus”; [2] Tom Finley afirmara que “a punição do servo infiel aplica-se aos crentes infiéis.”[3]

O Texto

Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu. O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois. Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles. Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei. Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei. Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste, receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu. Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez. Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.

O Talento

O Talento, em grego τάλαντον (talanton), em latim talentum, é uma medida de peso que fora largamente usada nos tempos antigos pelos egípcios, babilônios, gregos e outros. Entre os citados anteriormente, seu peso variava de 26 a 33 kilogramas. Já o Talento, nos tempos de Jesus, descrito na parábola pesa cerca de 59 kilogramas.[4]

O valor de um Talento era relativamente alto; equivalente a 6000 denários,[5] sendo este referente a diária de um operário comum, que trabalhando 5 dias por semana, levaria um pouco mais de 23 anos para produzir 1 único Talento!

Análise do Texto

A parábola começa assim: “Pois será como um homem que, ausentando-se do país…” Viagens no mundo antigo eram muito longas; como referência, lembremos que Esdras levou 4 meses da Babilônia para Judá (Ed 7:9).

Confiando a um 5 Talentos (115 anos de um salário mínimo), a outro 2 Talentos (56 anos de um salário mínimo) e ao último 1 Talento e sendo este senhor um homem de negócios, podemos inferir que para confiar tal quantia a seus servos ele levaria muito, mas muito tempo fora negociando valores ainda maiores.

Os servos, ditos bons, a quem foram a eles confiados 5 e 2 Talentos, negociaram e, quando o seu senhor retornou, dobraram a quantia inicialmente confiada a eles.

Já o servo, dito mau, a quem fora confiado 1 Talento “abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor.” Esconder tesouros e grandes quantias de dinheiro era, e, é até hoje, uma prática amplamente disseminada. Quando o senhor retornara, este servo devolvera o Talento que lhe fora confiado; todavia recebeu a seguinte sentença: “servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.” Entretanto quais os fatores que resultaram nesta sentença?

Como já mencionado anteriormente, embora não tenhamos precisão, certamente este senhor passou um longo tempo distante de suas terras, provavelmente vários anos. Considerando tal quantidade de tempo, o fato de meramente enterrar o dinheiro e a colocação do proprietário que este deveria então ter entregado o “dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu,” percebe-se que o servo vivera em negligência e descompromissadamente.

Comentários de Ellen White

Estudem todos a parábola dos talentos, e compreendam que Deus deu a cada um a sua obra – a todo homem Ele confiou seus talentos, para que, exercitando sua capacidade, aumente a própria eficiência. Não deveis sentar-vos quietamente, sem nada fazer na obra de Deus.[6]

Na parábola dos talentos temos duas classes. Uma classe representada pelo servo diligente, e a outra pelo mau e infiel servo. Ambos receberam dinheiro em confiança de seu senhor. Um sai a ganhar com dedicação, buscando oportunidades de usar seu confiado dom e de tal maneira atua que outros são abençoados e beneficiados. Não vive simplesmente para agradar a si mesmo, para conseguir benefícios próprios, para se deleitar em prazeres e divertimentos, buscando satisfazer os deleites carnais, com o pensamento de que seja este o objetivo da vida; mas pensa sobriamente e lembra-se que sua vida religiosa é curta.[7]

Foi-me mostrado que a parábola dos talentos não tem sido plenamente compreendida. Esta importante lição foi dada aos discípulos para benefício dos cristãos que viveriam nos derradeiros dias. E estes talentos não representam meramente a capacidade de pregar e instruir pela Palavra de Deus. A parábola aplica-se aos recursos temporais que Deus confiou a Seu povo. [8]

A parábola dos talentos deve ser explicada a todos. Faça-se compreender aos membros da igreja que eles são a luz do mundo, e que segundo suas várias habilitações, o Senhor espera que iluminem e beneficiem outros. Quer sejam ricos ou pobres, quer grandes ou humildes, Deus os chama para servi-Lo ativamente. [9]

Conclusão

A parábola tem como objetivo fazer-nos entender que Deus nos confiou seus bens, por meio de dons e recursos, para que empreguemo-los com diligência na obra de resgatar almas para o Seu reino.

[1] Review and Herald, 1º de maio de 1888

[2] Joachim Jeremias, The Parables of Jesus, Scribner, 1954

[3] Tom Finley. The Parable of the Talents and the Parable of the Minas. Disponível gratuitamente, online, em http://www.seekersofchrist.org/TALENTS/talents.pdf

[4] “III. Measures of Weight:”, JewishEncyclopedia.com.

[5] Arland J. Hultgren, The Parables of Jesus: A Commentary, Eerdmans Publishing, 2002, pp. 271-281.

[6] Ellen White, Evangelismo, p. 653

[7] Ellen White, The Youth’s Instructor, 8 de junho de 1893

[8] Ellen White, Testemunhos Seletos Vol. 1, p. 68

[9] Ellen White, Testemunhos Seletos Vol. 3, p. 65

2 comentários

    • Hugo Martins Autor do postResponder

      Caro Guilherme,

      Obrigado pelo seu feedback. Pela graça de Deus continuaremos a trazer bênçãos por meio deste website.

      Abraço fraternal

      Hugo Martins

      estudosadventistas.com.br

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