Evidências das Celebrações do Sábado na História da Igreja Cristã e da Luta “Ímpia” contra O Sábado
Este artigo, de Richard Müller, intitulado “Zeugnisse der Sabbatfeier in der Geschichte der christlichen Kirche und der „gottlose“ Kampf gegen den Sabbat”, foi publicado pela primeira vez em maio de 2018 na revista BWgung (5/2018), o boletim informativo da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Baden-Württemberg.
Tradução: Hugo Martins
Queimado na fogueira em Moscou
Estamos na Praça Vermelha1 de Moscou. É 27 de dezembro de 1504. Neste dia, o sacerdote e teólogo da Igreja Ortodoxa, Ivan Karitsyn, será queimado publicamente na fogueira preparada para o evento. Por quê? Porque ele celebrou o sábado. Se ele próprio pudesse testemunhar naquele momento, poderia ter sido assim:
“Eu sou Ivan Karitsyn, um cristão. Eu oro para que tenha forças para uma morte honrosa. Eu estou morrendo pela minha fé. Morrerei porque acreditei e ensinei o que as Sagradas Escrituras contêm, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento. Eu morrerei hoje porque celebrei o sétimo dia da semana, o santo sábado de Deus. Como isso aconteceu? Eu tinha tanta esperança e tanta visão de que toda a Igreja Russa seria despertada e renovada de acordo com o Evangelho. Mas agora tudo está chegando ao fim.”2
Um Celebrador do Sábado no Trono do Czar (quase)
Ivan e outros padres formaram o núcleo de um movimento sabático, também chamado de “Subbotniki” ou “Movimento Novgorod-Moscou”, fundado no final do século XV.
Ivan III, ou “o Grande”, que assumiu o título de czar, foi inicialmente favorável ao movimento Subbotniki. Ele até chamou dois sacerdotes celebrantes do sábado de Novgorod, onde o movimento começou, para Moscou, para serem sacerdotes-chefes em duas catedrais famosas. Sua nora, Elena, também guardava o sábado. Da mesma forma, seu neto, Dimitri, filho de Elena e filho falecido de Ivan, guardava o sábado. Ivan, o Grande, nomeou até mesmo seu neto, Dimitri, como seu sucessor. Se isso tivesse acontecido, então haveria um czar forte no trono da Rússia que teria celebrado o sábado.
Mas, então, as coisas mudaram. Ivan III se casou pela segunda vez após a morte de sua primeira esposa. Sofia, uma princesa grega criada como católica praticante na Itália, foi escolhida. Roma esperava que, por meio desse casamento, Moscou pudesse se aproximar de Roma. Sofia odiava os sacerdotes que celebravam o sábado, Elena e seu filho, Dimitri. O arcebispo de Novgorod, Gennadiy, os apoiou. Ele era um opositor fanático desse movimento. Esta “seita judaica”, como foi chamada, que rejeitava até mesmo o Deus Trino, como os seus oponentes falsamente acreditavam, deve ser erradicada.3 Em conexão com o Concílio de Moscou em 1490, o movimento do sábado foi condenado como heresia. Descrevemos as consequências disso no início. Não era o neto que celebrava o sábado, como originalmente prometido pelo czar, que ascendeu ao trono após a sua morte, mas seu filho com Sofia, Basílio III.
A História do Sábado Começa com Adão e Eva
Na verdade, temos que começar a nossa história do sábado em outro lugar. Exatamente como sugerido no título, com Adão e Eva. De acordo com a Sagrada Escritura, o sábado remonta ao relato da criação. O próprio Deus, diz-nos o texto bíblico, descansou no sétimo dia, após seis dias de criação. Se houvesse um verbo (palavra de ação) em alemão derivado do substantivo (palavra principal) sábado, então diria: “e ele sabatizou no sétimo dia.” O sétimo dia também recebeu o nome desta raiz linguística, nomeadamente “sábado”, que ainda pode ser reconhecida no nome do dia da semana em português “sábado”. Cada vez que dizemos “sábado”, estamos, na verdade, dizendo “Sabbat”, a derivação linguística em português.
É claro que quando Deus “descansou” no sábado, não foi porque Deus se cansou e suas forças falharam. Deus criou o mundo para as pessoas e mostrou às pessoas como deveriam dividir o seu tempo e, acima de tudo, que nunca deveriam esquecer que Deus é o nosso criador e nós somos suas criaturas. Deus não queria que eles se tornassem ímpios, ou seja, ateus. É extremamente importante notar que, imediatamente após a criação pela mão de Deus, o homem não deve começar a trabalhar, mas deve primeiro celebrar Deus como o Criador, adorá-lo, alegrar-se e regozijar-se com o dom da criação. As prioridades foram definidas desde o início. Nosso valor e dignidade como seres humanos não residem na nossa criação e trabalho, como é o caso no nosso mundo de trabalho impulsionado pela economia, mas na consciência de que viemos das mãos de Deus e que somos suas criaturas. O sábado deve sempre nos lembrar de onde viemos e quem é o nosso Deus.
A partir desta pré-história, poderíamos então traçar a história do sábado na Bíblia até os nossos dias. Não necessariamente perfeita. Muitas vezes o povo de Deus esqueceu o sábado ou foi forçado a trabalhar como escravo no sábado. Mas Deus sempre garantiu que o sábado da criação não fosse esquecido para sempre. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, há muitos testemunhos da celebração do sábado. E ninguém pode provar que Jesus, os apóstolos ou a igreja primitiva, cuja Sagrada Escritura era o Antigo Testamento, aboliram o sábado e o substituíram por outro dia. Esta evidência não existe.4
Por que o sábado foi rejeitado e o domingo foi estabelecido?
Se não há nenhuma evidência no Novo Testamento para mudar o dia de descanso, por que um novo dia foi estabelecido como dia de adoração e, mais tarde, como dia de descanso? Existem algumas razões para isso que não podemos responder adequadamente neste capítulo. Isso é material para um novo artigo. Em meu novo livro sobre o sábado, “O Tempo Esquecido”, descrevi os motivos com mais detalhes.5 Aqui só podemos listar os motivos em marcadores:
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A Influência da Adoração do Sol
A pesquisa histórica moderna mostrou que a adoração do sol era difundida no Império Romano na época de Cristo. O sol não era apenas adorado como uma divindade no dia a dia, mas também especificamente no dia do sol.6
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A Interpretação Alegórica do Antigo Testamento
O relato da criação e muitas outras passagens do Antigo Testamento não foram entendidos literalmente, mas simbolicamente, figurativamente, como metáforas. Por exemplo, já no século II, as pessoas tinham a ideia de que um dia da criação equivale a 1000 anos.
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Tendências Antijudaicas
Existe uma vasta literatura que descreve as tendências antijudaicas.7 Encontramos esse antissemitismo tanto nos autores romanos pagãos e em seus legisladores quanto nos primeiros autores cristãos, a partir de meados do século II.
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A Celebração Anual da Páscoa É Transferida para O Primeiro Dia da Semana: Domingo
Segundo a Bíblia, a Páscoa não cai em um dia específico do ano, mas ocorre em uma data específica: o 14º dia de Nisã, ou seja, o 14º dia do primeiro mês do calendário religioso judaico. Isso foi mudado, mas não sem uma disputa (pascoal ou quartodecimana) entre o Oriente e o Ocidente, na segunda metade do século II, e foi transferido para um domingo específico do ano.
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A Celebração Anual da Páscoa Passou a Ser Celebrada como Um Evento Semanal
A “Páscoa” passou, então, a ser celebrada todos os domingos. Mas o domingo ainda não era um dia de descanso. Os cristãos ainda eram uma minoria perseguida que, muitas vezes, celebrava a comunhão em segredo, de manhã cedo ou à noite.
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O Jejum Sabático Foi Introduzido
Para se preparar para a Páscoa, as pessoas jejuavam na sexta-feira, dia da morte de Jesus. Agora, também se deve jejuar semanalmente no sábado, em memória do descanso de Jesus na sepultura e para poder aguardar ainda mais o dia da ressurreição, o domingo, quando havia abundância de comida. O jejum era visto como uma obrigação cumprida com ressentimento. Dessa forma, o jejum de sábado e o próprio sábado foram entendidos como algo negativo. Este jejum sabático foi inicialmente introduzido apenas em Roma e Alexandria e nunca nas chamadas Igrejas Orientais. Posteriormente, falaremos mais.
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A Influência do Tão Falado Reformador Marcião (ca. 85–160)
Embora Marcião tenha sido rejeitado pelos pais da igreja e também excluído da comunidade romana, ele continuou a ter certa influência no pensamento das comunidades próximas a ele. Ele rejeitou veementemente o Deus do Antigo Testamento. Ele criou seu próprio cânone do “Novo Testamento”, que consistia no Evangelho de Lucas e em dez cartas de Paulo, todas “purificadas” de ideias do Antigo Testamento.
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A Legislação Dominical Civil do Imperador Constantino
Esta lei não era uma lei eclesiástica. Constantino ainda não era cristão nesta época. Ele foi batizado pouco antes de sua morte em 337. Em 321, Constantino promulgou sua famosa lei dominical para declarar o dia do sol (sol Invictus, o sol invencível) como dia de descanso. Com esta mudança, ele conseguiu fazer um grande favor tanto aos pagãos quanto aos cristãos, que, de qualquer maneira, celebravam em grande parte a “Páscoa” semanal no domingo, e foi capaz de uni-los e dar a ambos os grupos um dia de descanso comum. Isso significava que o sábado estava comprometido e em uma situação delicada. Afinal, quem, entre as pessoas comuns, era suficientemente rico para não trabalhar por dois dias?Como Constantino e seus sucessores emitiram um decreto, não era permitido trabalhar aos domingos. Então, se tinha que descansar no domingo. Aqui, o curso foi definido para a legislação civil e eclesiástica dominical posterior.
O Sábado Sobreviveu
Não será fácil descrever os muitos testemunhos da observância do sábado em poucos parágrafos no restante deste artigo. A lista deles é muito extensa. À minha frente está um livro de Willy Rordorf, um teólogo suíço: “Sábado e Domingo na Igreja Primitiva.” Este é um manual com mais de 230 páginas, contendo citações relativas ao sábado e ao domingo de autores cristãos dos primeiros 500 anos, no original (grego e latim), com tradução em alemão.8 Ao lado está uma cópia de um documento datilografado de meu ex-professor de história da igreja, Dr. Mervyn Maxwell, filho do conhecido Arthur Maxwell, de 1000 páginas. Maxwell também coletou citações sobre o sábado e o domingo. Sua coleção cobre toda a história da igreja. Diante de mim, também está um livro sobre a história do sábado, escrito por especialistas (professores) da Universidade Adventista Andrews, com quase 400 páginas.9 Ao lado está o trabalho clássico sobre este tema com mais de 700 páginas: L. R. Conradi, A História do Sábado e do Primeiro Dia.10
Listo este material aqui para mostrar quão difícil é coletar amostras das muitas evidências da observância do sábado ao longo de dois milênios. Mas vamos começar com outra demonstração do amplo conhecimento do sábado.
As Línguas do Mundo não Enganam
Em conexão com minha pesquisa para minha tese de doutorado na Universidade de Lund (Suécia),11 na biblioteca do Museu Britânico, em Londres, me deparei com um trabalho de pesquisa muito interessante escrito por um Batista do Sétimo Dia, William M. Jones. Ele examinou 160 línguas, antigas e modernas, compiladas em todo o mundo.12 Ele queria descobrir como a “semana”, unidade de tempo de sete dias, era chamada em diferentes idiomas. Como é chamado cada dia da semana em diferentes idiomas e como é nomeado o último dia da semana, o sétimo dia.
É fascinante notar que a unidade semanal é quase universal em todo o mundo. De onde vem a unidade de tempo de sete dias chamada semana? Existem diferentes teorias. Mas nenhuma é satisfatória para mim. Apenas o relato bíblico nas primeiras páginas da Sagrada Escritura. Dia, mês e ano têm a ver com o ciclo da Terra e do Sol. Mas não a semana. Como unidade de tempo, está presente em quase todo o mundo. Em muitos idiomas, você conta apenas os dias de 1 a 7. Outros adotaram nomes latinos para os dias da semana: do dia do Sol, o primeiro dia, ao dia de Saturno, o sétimo dia. Agora vem o mais interessante: metade dos idiomas que o Dr. William M. Jones lista são 80 idiomas em sua lista de 160 que contêm a palavra “sábado” ou uma palavra que remonta à sua origem. Este é um testemunho mundial e uma prova de que Deus cuidou deste dia. Mesmo em países onde as pessoas lutaram contra esse dia e o odiaram como um dia de descanso, ainda não conseguiram bani-lo da língua. Aqui, estou pensando não apenas na poderosa igreja, com grande influência política na Idade Média, mas também na ditadura de Adolf Hitler, na qual os judeus foram cruelmente perseguidos e o sábado foi ridicularizado como “judeu”. O mesmo poderia ser dito da mais recente pré-história comunista-ateia, na qual, por exemplo, a antiga União Soviética tentou mudar a unidade da semana e, portanto, os dias da semana.
Mesmo em línguas como o árabe e o persa (língua falada no Irã), em que os dias são contados, os números param na sexta-feira e chamam-na de “dia de reunião”, porque é o dia em que as pessoas se reúnem na mesquita. Agora, a parte mais interessante: no sétimo dia, você não volta ao número sete, mas o chama de “sábado”. Mesmo no Irã, onde a elite religiosa e política condena Israel à morte.13
Algumas línguas também nomeiam os dias da semana com nomes de planetas; por exemplo, nas línguas do sul da Europa ou românicas, a semana planetária é interrompida quando se chega ao último dia da semana, que não é chamado de “dia de Saturno”, mas de “sábado”.14 Podemos ver isso até na língua alemã. Lá encontramos os nomes do sol e da lua e nomes de deuses germânicos/nórdicos — com exceção da quarta-feira — mas com o nome “sábado” para o sétimo dia, voltamos ao “sábado” bíblico.Um maravilhoso testemunho do sábado.
Os Primeiros Exemplos Indiretos da Observância do Sábado no Final do Primeiro Século e do Segundo Século
Algumas igrejas antigas afirmam que foram fundadas pelos apóstolos ou por seus companheiros imediatos. Alguns exemplos: a Igreja Católica Romana refere-se a Pedro e Paulo; a Igreja Copta no Egito destaca o evangelista Marcos como seu fundador; os cristãos indianos acreditam que foi o apóstolo Tomé quem trouxe o Evangelho para a Índia; e a Igreja Armênia acredita que recebeu as boas novas dos apóstolos Bartolomeu e Tadeu. Como Jesus, seus discípulos e os primeiros cristãos eram todos judeus ou eram dos “tementes a Deus” (não-judeus que, por exemplo, celebravam o sábado), eles celebravam o sábado. Eles não sabiam mais nada. O sábado foi destacado nos Dez Mandamentos, honrado por todos. O Antigo Testamento era A Escritura Sagrada deles. Algumas destas igrejas antigas mantiveram grande respeito pelo Sábado da Criação ao longo dos séculos, mas outras posteriormente rejeitaram-no como “judaico” e proibiram os seus membros de descansar nesse dia, como veremos em breve. Seria necessário, aqui, conscientizar as igrejas sobre suas próprias raízes — que elas valorizam muito — e sobre o fato de que uma dessas raízes era a celebração do Sábado da Criação.
Um Segundo Testemunho Indireto da Transmissão da Celebração do Sábado
Papias (ca. 70–163), sobre quem não temos nada registrado no sábado, é um testemunho indireto da transmissão do sábado. Ele é uma das pessoas geralmente chamadas de “Pais Apostólicos”, ou seja, autores cristãos que tiveram contato direto com os apóstolos ou com seus sucessores diretos. Papias foi bispo em Hierápolis (Frígia), que hoje se chama Pamukkala, localizada na Turquia. O termo “bispo” não acende um sinal vermelho logo de início. Em primeiro lugar, é um termo que encontramos frequentemente no Novo Testamento e, em segundo lugar, estamos falando de um “ancião da igreja”, talvez de uma pequena igreja local. Foram tempos de perseguição. O cristianismo não foi oficialmente reconhecido como uma religião “permitida” até 311 ou 313. O que sabemos sobre Papias é que ele era um “ouvinte” do Apóstolo João e, portanto, o conhecia pessoalmente e, em vista disso, também conhecia o sábado que João celebrava. Papias escreveu cinco livros sobre “Explicações das Palavras de Jesus”. Infelizmente, não existem cópias desses livros. Apenas se conhecem fragmentos de outros autores da época. Papias tinha interesse em se conectar com pessoas que conheciam pessoalmente os discípulos de Jesus. Ele queria que as muitas palavras de Jesus que ele tinha ouvido e coletado fossem verificadas e confirmadas.
Papias tinha um colega chamado Policarpo (ca. 69–155, ou melhor, 166), que era bispo em Esmirna (na atual Turquia). Policarpo era discípulo do apóstolo João, que teria sido até nomeado líder da comunidade (bispo). A propósito, no tratado “O Martírio de Policarpo” (ver “Pais Apostólicos”) são mencionados tanto a sexta-feira, como dia de preparação, quanto o grande sábado.
Alguns dos fragmentos de Papias estão contidos nos escritos de outro autor cristão, Irineu (ca. 142–200). Irineu foi um líder comunitário ou bispo em Lyon e Vienne (sul da França). Ele também é considerado um dos primeiros apologistas cristãos, ou seja, uma pessoa que defendeu a fé cristã contra as heresias. Irineu foi aluno de Policarpo em sua juventude. Ele é originário da Ásia Menor (Turquia). Irineu tinha uma visão muito positiva do sábado bíblico. Por exemplo, em seus cinco livros “Contra As Heresias,” ele escreve o seguinte sobre o sábado. O contexto são as curas de Jesus no sábado:
“[Cristo] não fez nada contra a lei quando curou no sábado. A lei não proibia curar pessoas no sábado.” Posteriormente, ele acrescenta: “Porque ele [Cristo] não aboliu a lei, mas cumpriu-a. . .”15
Esta informação sobre Papias, Policarpo e Irineu pretende ilustrar a estreita ligação dos apóstolos com a geração seguinte de cristãos. Sem dúvida, os apóstolos também transmitiram o seu entendimento dos Dez Mandamentos e sua relevância para a vida diária. Como consequência completamente natural, isso também deve ter incluído a celebração do sábado.
Um Manual da Comunidade Primitiva Testifica A Importância da Celebração do Sábado
As Constituições Apostólicas são um tipo de regulamento eclesiástico ou manual comunitário que foi criado no final do século IV (375–380). Esta ordem comunitária consiste em oito partes ou livros e é baseada em ordens comunitárias anteriores, como o Didaquê (ca. 100), a Didascália (ca. 230–250) e uma ordem eclesiástica apostólica anterior do século III. Observe que esta ordem da igreja vem do período pós-Constantiniano, no qual a lei dominical civil (321) já existia há 50 anos. Estes regulamentos comunitários tratam de muitos tópicos: nomeação de bispos (anciãos da igreja), jejum, oração, o cotidiano dos cristãos etc. A importância dos Dez Mandamentos é frequentemente destacada. Encontramos até instruções para recitar (dizer) esses mandamentos nos cultos da igreja.
Encontramos neles também algumas declarações sobre o sábado. Pede-se ao líder comunitário (bispo) que reúna diariamente os membros de sua comunidade para as orações da manhã e da noite e, depois, diz: “. . . mas (eles deveriam se reunir) principalmente no sábado.” E o texto, então, continua: “E no Dia da Ressurreição do Senhor, que é o Dia do Senhor, reúnam-se diligentemente para louvar a Deus, que criou o universo através de Jesus, enviou-o a nós, fez-o sofrer e ressuscitou-o dos mortos.”16 Encontramos também a declaração: “. . . Lembre-se sempre dos Dez Mandamentos . . . Guardarás o dia de sábado . . .”17 No sétimo livro deste código da comunidade encontramos outra declaração interessante: “O sábado, é claro, e o Dia do Senhor, observem com alegria, pois um [dia] é uma comemoração da criação e o outro uma comemoração da ressurreição.”18 Então, nesta constituição eclesiástica, enfatiza-se que o jejum não deve ser realizado no sábado, como prescrevem as igrejas ocidentais [Roma]. O sábado é destacado como um dia de festa. Apenas um sábado deve ser jejuado, nomeadamente o sábado de Páscoa, quando Jesus foi enterrado por nós. Então, no oitavo livro, surge uma declaração surpreendente a respeito do sábado: “Eu, Paulo, e eu, Pedro, decretamos que os escravos trabalharão cinco dias. No sábado e no Dia do Senhor, eles deveriam ter tempo para instrução na fé, pois o sábado tem seu fundamento na criação, o Dia do Senhor na ressurreição.”19 Esta ordem eclesial, que via o sábado como uma ordem de criação, era muito comum nas igrejas orientais, mas não tanto na parte ocidental do Império Romano, que estava sob a influência do Bispo de Roma, mais tarde Patriarca de Roma.
Sínodo Rigoroso da Igreja contra Descanso Sabático
Um sínodo local em Laodiceia (Ásia Menor/Turquia) que ocorreu por volta de 360 E.C. foi realizado, e decidiu no cânon 29:
“Os cristãos não devem viver como os judeus e não fazer nada no sábado, mas (os cristãos devem) trabalhar nesse dia. Eles deveriam preferir o domingo, se possível, e não fazer planos. Por outro lado, se eles se comportarem como judeus [e observarem o sábado e não trabalharem], serão excluídos de Cristo.”20
Ouvimos, aqui, sons completamente diferentes. Ao mesmo tempo, é a prova de que muitos cristãos daquela época ainda guardavam fielmente o sábado e não trabalhavam nesse dia; caso contrário, este sínodo ou concílio não se manifestaria tão claramente contra a celebração do sábado. Aqui você descobre a primeira decisão que vai diretamente contra a ordem de Deus. Deve ser classificado como uma decisão antidivina se as pessoas são forçadas, contrariamente à clara vontade de Deus, a trabalhar neste dia designado pelo próprio Deus para descanso.
Dois historiadores da igreja primitiva atestam a existência do sábado
Estamos falando aqui de duas pessoas eruditas dos séculos IV e V. Um deles chama-se Sócrates Escolástico (ca. 380–440). Ele era advogado e trabalhou em Constantinopla (hoje Istambul). Constantinopla também foi chamada de “nova Roma” porque a residência do imperador romano foi transferida de Roma para Constantinopla em 330.
O outro historiador chama-se Sozomeno (ca. 400–450). Ele veio de uma família rica, estudou direito em Beirute e tornou-se advogado. Ele viajou para Constantinopla e provavelmente trabalhou na corte imperial.
Ambos também escrevem algo sobre o sábado em suas histórias abrangentes, nomeadamente que em todos os sábados semanais, inclusive no domingo, as pessoas se reúnem para celebrar a Ceia do Senhor. Para mim, são duas pessoas significativas, entre muitas outras, que demonstram claramente que, nos primeiros séculos, o sábado era considerado um dia abençoado e santificado por Deus, apesar da oposição de Roma e de Alexandria, onde a Ceia do Senhor não era celebrada no sábado.21
Oriente e Ocidente separados (1054): Sábado com Um dos Pontos de Discórdia
Saltemos para a Idade Média. Vemos aqui uma profunda ruptura atravessando o cristianismo. Essa ruptura não cicatrizou até hoje. A disputa entre o Oriente e o Ocidente, entre Constantinopla e Roma, remonta a muito tempo na história — até meados do século IX e mais além.
Eclesiasticamente falando, a Bulgária estava sob a supervisão de Constantinopla. No entanto, Bóris I (852–889), o primeiro regente do Império Búlgaro, dirigiu-se ao Papa de Roma, Nicolau I (858–867), em 865 e fez-lhe 106 perguntas numa carta relativa à fé cristã. Entre muitas outras perguntas, foram abordadas questões sobre sábado e domingo.
Disto fica claro: naquela época, na Bulgária, havia cristãos que ensinavam que o sábado era um dia de descanso no qual nenhum trabalho deveria ser feito. A disputa entre Oriente e Ocidente cresceu. Os padres gregos tiveram que deixar o país. Constantinopla e Roma realizaram seus respectivos sínodos, nos quais se condenaram mutuamente. O sábado também é mencionado na encíclica do Patriarca de Constantinopla que condenou o Papa: “Ao contrário de todos os regulamentos que foram introduzidos na Bulgária, o Papa decretou que se deve jejuar no sábado.”22
Esta disputa atingiu seu clímax no século XI. Uma pequena parte dessa disputa também tinha a ver com o sábado, nomeadamente se devemos ou não jejuar nesse dia. No entanto, muito antes disso, em 691, o Concílio de Constantinopla aprovou uma resolução proibindo o jejum no sábado porque era entendido como um dia de festa. Após o Grande Cisma (divisão) em 1054, o Patriarca de Constantinopla escreveu uma carta ao seu correligionário, o Patriarca de Antioquia (antiga Síria, agora Turquia), abordando também a questão do sábado. Eis o compromisso dele com o sábado: “Recebemos a ordem para honrar o sábado da mesma forma que honramos [o domingo], o [dia] do Senhor; razão pela qual devemos guardá-lo e não trabalhamos neste dia.”23 Este é também um testemunho claro da Idade Média de que a luz do sábado ainda ardia nos corações de muitas pessoas.
Valdenses que Celebravam O Sábado
Em um conhecido livro de Ellen G. White, O Grande Conflito, no capítulo sobre os valdenses, ela afirma que alguns valdenses celebravam o sábado. A exatidão desta afirmação é frequentemente contestada porque os valdenses atualmente celebram o domingo. No entanto, há fortes evidências de que, de fato, alguns valdenses, nos tempos antigos, celebravam o sábado e honravam esse dia sem jejuar nele, por exemplo. Devido à falta de espaço, só posso indicar meu novo livro sobre o sábado, Die vergessene Zeit [O Tempo Esquecido], e meu capítulo sobre os valdenses. “O legado dos Valdenses — Lux Lucet in Tenebris (A Luz Brilha nas Trevas),” que apareceu na publicação comemorativa do 75º aniversário do Dr. Jan Paulsen, ex-líder mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia.24
A Longa História do Sábado na Etiópia
O conhecimento da celebração do sábado na Etiópia remonta a tempos antigos, até mesmo aos tempos pré-cristãos. Do Antigo Testamento, conhecemos o relato da visita de Estado da Rainha de Sabá, representando a Etiópia, ao Rei Salomão. Durante esta visita, a rainha teve uma oportunidade sem igual de vivenciar pessoalmente as celebrações do sábado. No Novo Testamento encontramos também um relato muito interessante (Atos 8:26–40) que mostra uma ligação entre a Etiópia e Israel. Um oficial de alto escalão, “camareiro e poderoso da Rainha da Etiópia,” viajou até Jerusalém para “adorar”. Como ele também carregava consigo pergaminhos do Antigo Testamento, podemos presumir que ele pertencia ao judaísmo ou era um dos “tementes a Deus” que se identificavam com a fé, as celebrações do sábado e muitos outros costumes dos judeus. Como sabemos, o evangelista Filipe falou-lhe de Cristo, de modo que ele estava até pronto para receber o batismo cristão. Ele é o primeiro cristão conhecido a retornar à Etiópia. Não sabemos muito sobre como o cristianismo chegou à Etiópia. Mas encontramos uma tradução do manual comunitário “Didascália” para uma língua etíope muito antiga. Este manual comunitário é datado ca. 250. Citamos aqui algumas passagens da tradução etíope a respeito do sábado.
Do Capítulo 29:
“Não devemos jejuar no sábado, exceto no sábado da Semana da Paixão. . . . Mas nos outros sábados, demos glória ao Senhor, porque ele descansou da sua obra no sábado.” Do Capítulo 30: “. . . e honrem o sábado reunindo-se nas igrejas para alegria e felicidade.”
Do Capítulo 38:
“Ó Deus Todo-Poderoso, que . . . instituiu o sábado e nele descansou de acordo com todas as suas obras, e ordenou-nos que descansássemos de todas as obras das nossas mãos . . . e ordenou-nos que descansássemos no dia de sábado, para que pudéssemos dar graças humildemente e sermos protegidos de todo mal. . . . Portanto, ele nos ordenou que descansássemos todos os sábados, pois nosso Senhor descansou de todas as suas obras no sábado.”
Da mesma forma, o domingo é considerado o dia da ressurreição de Cristo. Na Etiópia também era conhecida a tradição de que escravos e servos só deveriam trabalhar cinco dias e descansar no sábado e no domingo.
Este entendimento persistiu na Etiópia ao longo dos séculos. Houve períodos de apostasia, mas sempre houve períodos de reforma do sábado.
Os Jesuítas Punem A Celebração do Sábado na Etiópia, Forçando As Pessoas a Trabalhar no Sábado
A situação política mudou na Etiópia. Com a influência dos portugueses na Etiópia em meados do século XVI, o domínio da Igreja Romana também chegou ao país. O Papa Júlio III (1550–1555) empossou um novo chefe, um patriarca, sobre a igreja do país. No passado, o chefe era sempre nomeado pelo Patriarca de Alexandria (no norte do Egito). Para se preparar adequadamente para a sua chegada, o Papa enviou imediatamente três jesuítas ao país. Ressaltamos que a ordem dos jesuítas, cujos membros juram obediência absoluta ao Papa, foi fundada por Inácio de Loyola em 1534 e reconhecida pelo Papa em 1540. Um bispo e outros padres da mesma ordem logo o seguiram. Logo descobriram que a Igreja Etíope representava várias tradições que foram classificadas como “judaicas”. Isso também incluía a celebração do sábado. Este foi o início de uma dura batalha entre a Igreja de Roma e a Igreja Etíope tradicional. Roma exigiu que a observância do sábado e outros pontos de fé fossem abandonados e exigiu total submissão à Igreja Romana. Um de seus reis, Za Dengel (1603–1604), converteu-se ao catolicismo romano sob pressão e persuasão dos jesuítas. Logo depois veio o decreto contra o sábado: “Ninguém celebrará o sábado como dia santo.”
Isso provocou uma forte reação. No fim das contas, porém, o antissabatismo ganhou asas. O decreto contra o sábado foi então repetido com um acréscimo: devem trabalhar nos sábados. Os infratores foram punidos. Esta lei foi aprovada em 1620. Não é diferente de uma lei “anticristã” que não só proibiu as celebrações do sábado, mas forçou até mesmo as pessoas a trabalhar no santo dia de Deus — o dia que os etíopes tinham respeitado grandemente há mais de 1.000 anos. Todavia, a instrução divina não seria abandonada sem luta. Surgiu um levante armado contra a “blasfêmia do sábado”. Infelizmente, foi derrotado. Em 1623, diversos padres jesuítas foram à Etiópia para persuadir o rei, seus filhos, os oficiais e os sacerdotes da igreja a jurarem obediência ao Papa em Roma. Isso foi consumado no ano seguinte, em 1624. Para demonstrar desgosto pelo sábado, esse dia foi declarado dia de jejum.
Mas o povo etíope era orgulhoso e não seria derrotado facilmente. Por um curto período, a maré da história mudou sob o imperador Fasíladas (1632–1667). Os jesuítas foram banidos do país em 1633, livros católicos foram queimados e padres católicos romanos foram enforcados. Este é um breve resumo de uma história dramática sobre como o sábado sobreviveu na Etiópia. Ao mesmo tempo, esta história testemunha o poder anticristão da Igreja de Roma, que tentou, com todas as suas forças, suprimir a celebração do sábado, o que conseguiu nos anos seguintes.25
A Celebração do Sábado na Época da Reforma
Infelizmente, neste artigo não podemos abordar a questão de por que os grandes reformadores, Lutero, Zuínglio e Calvino, não celebraram o sábado. Os primeiros adventistas acreditavam que um dos associados de Lutero, Andreas Karlstadt, guardava o sábado. Uma análise mais detalhada dos seus escritos, que chegaram até nós, deixa claro que ele também não estava interessado no sábado literal, “externo”, mas sim no “sábado interior”, isto é, o descanso interior que se destinava a servir a santificação.
Cristãos que Celebravam O Sábado foram Brutalmente Assassinados
Mas também houve pessoas no movimento anabatista na época da Reforma que voltaram a celebrar o sábado de acordo com o princípio da Reforma de “sola scriptura” (Somente As Escrituras). Entre eles estão dois reformadores, Andreas Fischer e Oswald Glait, ex-padres da Igreja Católica, que nós, como cristãos celebradores do sábado, podemos considerar como nossos antepassados diretos na época da Reforma. Eles escreveram livros sobre o sábado, que, infelizmente, não chegaram até nós. Mas temos contra-escritos dessa época que foram escritos contra o sábado. Os livros sobre o sábado certamente foram todos queimados na fogueira, junto com muitos guardadores. Fischer e Glait espalharam a mensagem do sábado especialmente na Boêmia, na Morávia e na Silésia. Infelizmente, eles também tiveram que desistir de suas vidas da forma mais cruel por causa de sua lealdade à verdade bíblica.
Andreas Fischer foi capturado e levado para o Castelo Horka (na Morávia). Dali, ele foi jogado no abismo por cima do muro da fortaleza. Ele morreu ali (1539/40). Oswald Glait, após apodrecer na prisão de Viena por um ano e seis semanas, foi afogado no Danúbio (1546). A julgar por algumas listas de seitas da Igreja Romana, a celebração do sábado deve ter sido bastante difundida. Estas listas datam de finais do século XVI (1564–1600). Aqueles que celebravam o sábado, os chamados “sabatistas”, são mencionados em terceiro lugar na lista, depois dos luteranos e calvinistas. Em outras duas listas que listam diversos grupos anabatistas — chamados de seitas —, os sabatistas aparecem em quarto lugar.26
A Celebração do Sábado não Poderia mais Ser Impedida
Alguns anabatistas na Inglaterra tentaram escapar da perseguição no continente europeu na segunda metade do século XVI. Logo, o movimento anabatista se espalhou rapidamente na Inglaterra. As celebrações de sábado também se espalharam rapidamente e amplamente pela Inglaterra durante o século XVII.27 Diante disso, surgiu uma discussão acalorada sobre o dia de descanso. Houve um grupo seleto que queria comemorar um domingo mais livre e sem muitas restrições. Isso foi contestado pelos chamados puritanos, que queriam introduzir um domingo muito rigoroso por meio de uma legislação que, incorretamente, chamavam de “sábado”. O terceiro grupo era o dos batistas do sétimo dia, os ancestrais diretos dos adventistas do sétimo dia em termos de celebração do sábado, que defendiam a observância cristã do sábado bíblico. Uma vasta literatura foi produzida sobre este assunto, que ainda hoje está disponível para todos.28
Stephen Mumford, membro da Igreja Batista do Sétimo Dia em Londres (Bell Lane Church), imigrou para Rhode Island, nos Estados Unidos, em 1664. Ele logo compartilhou suas crenças com outros batistas e, em 1671, a primeira igreja batista do sétimo dia foi fundada em Newport, Rhode Island. A partir desse começo humilde, a observância do sábado se espalhou entre os cristãos do “novo mundo”.
Adventistas Começam a Celebrar O Sábado
No início do século 19, os Estados Unidos experimentaram um grande renascimento: “O Segundo Grande Reavivamento”. Nas décadas de 1830 e 1840, esse avivamento ficou conhecido como Segundo Grande Reavivamento. As pessoas pertencentes a este movimento também foram chamadas de “adventistas” (advento significa “vinda” ou “retorno”) ou “mileritas”, em homenagem à figura principal do movimento, Guilherme Miller (1792–1849). Havia também alguns batistas do sétimo dia entre os seguidores de Miller. Eles distribuíam folhetos e testemunhavam sobre o sábado. Sob a influência do Espírito Santo, cada vez mais adventistas reconheceram a importância da celebração do sábado. Eles logo publicaram pequenos tratados, livros e muitos artigos sobre o tema em seus periódicos.29 Muitas citações de pequenos tratados dos batistas do sétimo dia foram usadas.
Apesar da Oposição ao Sábado
A luz do sábado foi acesa entre os adventistas e seus semelhantes. Ninguém mais poderia apagá-la. Apesar da grande resistência de outras igrejas, das perseguições e punições sob ditaduras totalitárias — por exemplo, sob o regime anticristão e antissemita de Hitler e na era do comunismo marxista-leninista —, o movimento de celebração do sábado divino cresceu e, ao longo dos anos, alcançou o mundo inteiro. Se contarmos as crianças e as pessoas não batizadas, cerca de 75 milhões de pessoas ou mais celebram o dia que Deus abençoou e santificou na criação da semana.
Infelizmente, neste pequeno artigo só pudemos mencionar algumas testemunhas do sábado. Não escrevemos sobre o movimento do sábado na Transilvânia no século XVI, que teve um impacto tão grande na história da região que é mencionado em uma brochura turística moderna.30 Não escrevemos nada sobre o movimento do sábado nos países nórdicos, que, em seus primeiros dias, foi demonizado pelas principais igrejas luteranas como “heresia judaica”. Infelizmente, também não pudemos escrever sobre as muitas testemunhas da fé que foram encarceradas por causa do sábado de Deus e morreram pela sua fé.31
Apesar da liberdade religiosa garantida pela legislação nacional e internacional, há sempre discriminação e obstáculos em todo o mundo quando se trata de celebrar o sábado. Como ex-chefe do departamento de liberdade religiosa da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Dinamarca, poderia dar alguns exemplos em que alunos, estudantes e outros profissionais são discriminados por celebrarem o sábado, o Dia do Senhor?
É meu desejo que muito mais pessoas recebam o “presente do descanso” e reconheçam a “beleza do dia de descanso.”32
Notas
1 A Praça Vermelha, em Moscou, não tem nada a ver com o comunismo.
2 Traduzido gratuitamente da série de documentários em DVD em inglês (4º DVD) “The Seventh Day”. Herausgeber: LLT Productions. Esta série de DVDs foi traduzida para o alemão como “Der siebente Tag” e pode ser obtida em “Stimme der Hoffnung”.
3 Estudos recentes mostraram que os “subbotniki” acreditavam em um Deus trino. Ver a dissertação da Andrews University de Oleg Zhigankow, The Issue of Antitrininarianism in the Fifteenth Century Novogrod-Moscow Movement: Analysis and Evaluation, VDM Verlag Dr. Müller, 2009.
4 Veja meu livro sobre o sábado, Richard Müller, Die vergessene Zeit, Lux Lucet Verlag, Daugaard, 2016, pp. 1–175.A primeira parte deste livro estabelece o fundamento bíblico para a celebração do sábado. As páginas seguintes do livro, páginas 175-230, tratam das evidências da longa história da igreja, desde o século II até os dias atuais. (O livro é vendido pelo autor por 15 euros mais custos de envio. E-mail: richard@luxlucet.dk ou Telefone/SMS: +45 23 26 79 08).
5 Ver nota de rodapé 4. Capítulo VIII, pp. 157–174.
6 Ver a dissertação de Gaston H. Halsberghe, The Cult of Sol Invictus, Leiden 1972.
7 Ver a dissertação de Gaston H. Halsberghe, The Cult of Sol Invictus, Leiden 1972.
8 Willy Rordorf, Sabbat und Sonntag in der alten Kirche, Zurique 1972.
9 Kenneth Strand, e., The Sabbath in Scripture and History, Washington DC/Hagerstown, MD 1082.
10 Publicado em Hamburgo em 1912.
11 Richard Müller, Adventisten — Sabbat — Reformation, Geht das Ruhetagsverständnis der Adventisten bis zur Zeit der Reformation zurück?, Lund 1979. A 2ª edição revista de 2014 está novamente disponível por 15 euros. Ver nota de rodapé 4.
12 Veja: William M. Jones, A Chart of the Week: Showing the Unchanged Order of the Days and the true Position of the Sabbath, as proved by this combined testimony of Ancient and Modern Languages. Este cartão de visão geral ou lista de idiomas e nomes da semana ainda está disponível na LLT Productions, Box205, Angwin, CA94508, EUA. Ou on-line: www.lltproductions.com/
13 Tirei muitas fotos de faixas com a inscrição “Morte sobre Israel” na minha viagem pelo Irã no outono de 2016.
14 Isso também se aplica ao primeiro dia da semana, também chamado de “Dia do Homem”.
15 Adversus haeresis, IV, citado em: Rordorf, pp.47, 49.
16 Constituição Apostólica, Livro 2, LIX. Citado em: Rordorf, p. 101.
17 Constituição Apostólica, Livro 2, XXXVI. Citado de: Frank Yost, History of the Sabbath and the Sunday (Course Outline, 1945), p. 15.
18 Constituição Apostólica, Livro 7, LIX. Citado em: Rordorf, p. 101.
19 Constituição Apostólica, Livro 8, LIX. Citado em: Rordorf, p. 101.
20 Concílio de Laodiceia, Cânone 29. Citado em: Rordorf, p. 89.
21 Ver: Sócrates, História Eclesiástica, Livro 5, XXII. Citado em: Rordorf, p. 125. Ver Sozomen, História da Igreja, Livro 7, IXX. Citado em: Rordorf, p. 152.
22 Ver Conradi, p. 567–468.
23 Ver citação original em: Richard Müller, Waldensian Heritage: Lux Lucet in Tenebris, Børge Schantz e Reindar Bruinsma (ee.), Exploring the Frontiers of Faith, Lüneburg, 2009, p. 133.
24 Ver Richard Müller, Die vergessene Zeit, pp. 199–201. Ver, também, meu capítulo sobre os valdenses: “The Waldensian Heritage,” pp. 121–138.
25 Ver citações originais em Werner K. Vymeister, “The Sabbath in Egypt and Ethiopia,” Kenneth Strand, e., pp. 169–189: Ver, também, Ernst Hammerschmidt, Stellung und Bedeutung des Sabbats in Äthiopien, Stuttgart 1963.
26 Gerhard Hasel, “Sabbatarian Anabaptists of the Sixteenth Century,” Andrews University Seminary Studies, Volume V, nº 2, 1967, pp. 101–103.
27 Ver Bryan Ball, The Seventh-day Men: Sabbatarians and Sabbatarianism in England and Wales, 1600–1800, Oxford und New York, 1994.
28 Ver Richard Müller, Adventistas – Sábado – Reforma. Ver especialmente a segunda parte do meu tratado: Das Sabbatverständnis der Siebenten Tags Baptisten in England im 17. Jahrhundert, pp. 143–188.
29 Ver Richard Müller, Adventistas – Sábado – Reforma. Veja especialmente a terceira parte do meu tratado: Das Sabbatverständnis der Siebenten-Tags-Adventisten, pp. 189–245.
30 Birgitta Gabriela Hannover Moser, Siebenbürger Reiseführer — Rund um Kronstadt, Schässburg und Hermannstadt, Berlin 2015, pp. 436–447.
31 Ver, por exemplo, o livro de Erich Th. Laufersweiler, Im Schatten seiner Hand. Erlebnisse eines jungen Christen in der Armee der CSSR, Heidelberg 2012. Ver, especialmente, pp. 165–188, que mencionam muitos nomes de pessoas que sofreram muito por sua fé.
32 Ver Joe Liebermann, The Gift of Rest – Rediscovering the Beauty of the Day of Rest, New York, 2011.