Quando A Profecia se Repete: Recapitulação em Apocalipse

Quando A Profecia se Repete: Recapitulação em Apocalipse


Ekkehardt Müller, agora aposentado, foi diretor associado do Instituto de Pesquisas Bíblicas da Associação Geral. Antes de se juntar ao instituto, o Pastor Mueller atuou como Pastor e Ministerial por mais de duas décadas. Atualmente, ele está muitíssimo envolvido em escrever artigos e em lecionar em aulas ao redor do mundo. Ekkehardt adora jardinagem e pintura. Boa música também é um elemento importante no lar de  Ekkehardt, sendo sua esposa, Geri, professora de música. Quando seus filhos, Eike e Eno, estão em casa, o “quarteto” está completo.


Tradução: Hugo Martins

O artigo “Quando A Profecia se Repete: Recapitulação em Apocalipse” (Original em inglês: “When Prophecy Repeats Itself: Recapitulation in Revelation: A Suggestion”), por Ekkehardt Mueller, foi publicado inicialmente pelo Adventist Biblical Research Institute.  Usado com permissão.


A questão da recapitulação no Apocalipse de João foi abordada em um artigo anterior,1 mas uma série de razões torna necessário rever o tema. Primeiro, o debate acadêmico sobre a estrutura do Apocalipse, incluindo a questão da recapitulação, continua. Segundo, muitos adventistas do sétimo dia aparentemente se interessam pelo futurismo. Eles afirmam que o que acreditam serem grandes eventos políticos, religiosos, culturais e ambientais, acontecendo bem diante de seus olhos, devem ser refletidos e encontrados no Apocalipse, e que a interpretação historicista adventista não é suficientemente relevante hoje.

O livro de Apocalipse contém esboços gerais, mas não todos os eventos da história. Adventistas que aceitam o historicismo ainda acreditam que a sua interpretação é significativa, que as descrições de eras passadas da história cristã contêm mensagens espirituais valiosas para hoje, e que uma série de eventos futuros descritos no Apocalipse, ainda não cumpridos, pode estar em processo de desdobramento no tempo presente; mas nem todos os adventistas pensam assim. A curiosidade deles os leva a abraçar o futurismo, aceitando, por vezes, interpretações fantasiosas. Neste processo, abandonam o conceito de recapitulação e optam pelo de progressão.2 Isso significa, por exemplo, que, para eles, as sete trombetas não percorrem o mesmo terreno já percorrido pelos sete selos. Em vez disso, as trombetas surgem do sétimo selo, constituindo uma extensão dos selos.

Terceiro, diversos pastores e estudiosos adventistas sugeriram que os adventistas deveriam interpretar passagens de Apocalipse usando duas abordagens simultaneamente: a historicista e a futurista. Por exemplo, Erwin R. Gane, um renomado professor de Teologia já falecido, afirma que as sete trombetas de Apocalipse estão sendo cumpridas ao longo da história (interpretação historicista), mas terão outro grande cumprimento futuro no tempo após o fim da tribulação.3 Em um gráfico, ele sugere que o cumprimento histórico das sete trombetas contém na sétima trombeta um cumprimento de todas as sete trombetas no fim dos tempos.4 Este é um desvio sério da interpretação historicista adventista e nos lembra, até certo ponto, dos múltiplos cumprimentos da profecia apocalíptica de Desmond Ford. Abrir a porta a mais de uma interpretação da profecia apocalíptica pode encorajar outros a procurar um número indefinido de cumprimentos.5 Além disso, enfraquece e, em certa medida, abandona o conceito de recapitulação.

Embora a questão da recapitulação pareça um tanto acadêmica e, por vezes, até complicada, as suas implicações e efeitos práticos podem ser de longo alcance. É verdade que os estudiosos não devem manter uma interpretação das Escrituras em prol de uma abordagem específica. Somente se o próprio texto bíblico sugerir uma forma ou método de interpretação diferente, deve-se buscá-lo e defendê-lo. Portanto, temos que dar outra olhada na questão da recapitulação no livro do Apocalipse. Dedicaremos um momento ao debate acadêmico, antes de remontarmos à questão da recapitulação em Apocalipse.

A Situação no Debate Acadêmico

Ao abordar o livro do Apocalipse, ou pelo menos certas seções dele, temos basicamente duas opções: recapitulação ou progressão. A recapitulação no livro de Apocalipse já foi usada no século III E.C. por Victorinus de Pettau.6 Posteriormente, perdeu atratividade até que o conceito foi revitalizado por Günther Bornkamm.7 Desde então, foi reconhecido por um grande número de estudiosos, mas não por todos. Por exemplo, David Aune, que usa uma abordagem crítica da fonte, escreve:

Isto significa que nenhuma forma de teoria da recapitulação é válida para o texto atual do Apocalipse. Isso não significa, no entanto, que muitas das visões e tradições constituintes usadas como fontes pelo autor não pudessem ter se referido essencialmente aos mesmos eventos escatológicos a partir de diferentes perspectivas e usado imagens variadas.8

Alguns estudiosos expressam seu consentimento com alguma forma de recapitulação com cautela.9 Robert H. Mounce rejeita “alguma teoria predeterminada de recapitulação” sem negar que certas unidades “parecem andar juntas.”10 Grant R. Osborne sugere que “nenhum esquema estrutural único para o livro será suficiente.”11 Embora outros concordem com estas ressalvas,12 apoiam a recapitulação de forma mais positiva. Por exemplo, Louis A. Brighton afirma que “Apocalipse não pode ser interpretado em uma escala linear e cronológica.”13 Adela Yarbro Collins encontra recapitulação em todas as visões do Apocalipse, com exceção do primeiro septeto (as sete igrejas). Na sua opinião, o padrão recorrente nestas visões do septeto é (1) perseguição, (2) juízo e (3) salvação.14 “Cada ciclo de visões conta a história do fim à sua maneira. A história da abertura do livro com sete selos é a história inteira do fim. Esta história é recontada no ciclo das trombetas de outro ponto de vista.”15 Embora Bruce M. Metzger entenda o sétimo selo como uma introdução a uma nova série de visões, ele observa:

As trombetas repetem, mais ou menos, a revelação dos sete selos, embora a apresentem mais do ponto de vista de Deus. . . O desenvolvimento. . . é . . . um produto da mente semita, que percorre todo o quadro repetidas vezes. Portanto, os sete selos e as sete trombetas dizem essencialmente a mesma coisa, cada uma enfatizando um ou outro aspecto do todo.16

Geralmente, os estudiosos adventistas adotam a recapitulação. Em sua estrutura quiástica17 de Apocalipse, Kenneth Strand apoia fortemente a recapitulação.18 Jon Paulien observou: “A sexta trombeta é a contrapartida histórica exata de Apocalipse 7:1–8. . . . As sete trombetas, portanto, não seguem os eventos de Apocalipse 7 em ordem cronológica.”19 Richard Davidson destaca que as cenas introdutórias às visões do Apocalipse — comparadas entre si — mostram progressão, enquanto as seções às quais pertencem frequentemente apresentam recapitulação.20 Ranko Stefanovic observa cautelosamente: “Os paralelos recapitulativos entre as séries dos selos e das trombetas parecem evidentes.”21

A visão que se tem da composição e da estrutura do Apocalipse pode determinar se se opta pela recapitulação, pela progressão ou por uma combinação das duas. A questão da recapitulação também está relacionada com a questão de qual abordagem para a interpretação do Apocalipse é escolhida: abordagem preterista, historicista, futurista, idealista, eclética ou alguma outra. Em outras palavras, tanto as pressuposições quanto a pesquisa empírica podem contribuir para a escolha de um método específico de interpretação.

Recapitulação de partes importantes do Apocalipse é às vezes apoiada por preteristas que veem a mensagem do Apocalipse limitada principalmente ao primeiro século.22 No entanto, é, mais ou menos, sem sentido para os idealistas que procuram apenas mensagens espirituais, sem se preocuparem com a história. Por exemplo, Stephen Smalley escreve: “Estabelecer a sequência exata do material no Apocalipse, então, é difícil, e, em última instância, sem importância. É mais crucial perceber a verdade atemporal sobre os propósitos salvíficos de Deus para a sua criação, agora e no futuro.”23 Smalley não parece ser um idealista, mas pode estar certo em sua afirmação; no entanto, discernir pelo menos uma sequência aproximada de eventos, mesmo que os detalhes não possam ser identificados, pode não ser inútil, e a divulgação pode até ser uma das intenções do Apocalipse.

Normalmente, os futuristas não concordam com a recapitulação. No entanto, existem exceções. Por exemplo, G. R. Beasley-Murray usa uma abordagem futurista e ainda assim opta pela recapitulação dos selos, trombetas e taças.24

A recapitulação é de importância vital para os historicistas. A compreensão deles do livro de Apocalipse é fortemente influenciada por este conceito. Se, por exemplo, as sete trombetas seguem os sete selos cronologicamente, acaba-se por ter uma compreensão dos acontecimentos do fim dos tempos que difere amplamente daquela de um recapitulacionista que entende as duas visões como paralelas. Brighton sugere: “As visões dos sete selos (6:1–17; 8:1–5), dos sete anjos/trombetas (Apocalipse 8:6–9:21; 11:15–19) e dos sete anjos com incensários (15:1–16:21) são todas paralelas e cobrem o mesmo período de tempo, ou seja, eventos na terra desde a ascensão de Cristo até a sua parusia.”25

Compreendendo A Recapitulação

  1. Definição

Aune destacou que, além do prólogo e do epílogo, o Apocalipse consiste em um “relatório de visão que começa em 1:9 e continua até 22:20.”26 Isto é afirmado em Apocalipse 1:10, 11. João estava na ilha de Patmos e, no dia do Senhor, recebeu ordem de escrever o que veria e de enviá-lo às sete igrejas. No entanto, esta experiência extensa e abrangente de visão e audição contém claramente subseções que fazem parte das visões mais amplas do livro. Vários septetos e até mesmo seções não numeradas podem ser facilmente reconhecidos. É óbvio também que algo novo começa com Apocalipse 4:1. Surge, então, a questão de como essas partes se relacionam entre si. Isto dá ao intérprete a opção de escolher entre recapitulação e progressão.

Neste artigo, a recapitulação é entendida como uma técnica utilizada por um autor antigo que coloca várias partes de sua obra literária — neste caso, o Apocalipse — próximas umas das outras, de modo que, em grande parte, fazem paralelo, especialmente cronologicamente e no que diz respeito ao assunto. No Apocalipse, cada visão pode levar à consumação. Assim, o intérprete moderno tenta descobrir e compreender o uso desta técnica, reconhecendo que em Apocalipse o autor conduz repetidamente o seu público pelo mesmo terreno, acrescentando novas perspectivas a cada vez.27

  1. Recapitulação em Daniel

Apocalipse não é o primeiro livro bíblico a apresentar uma recapitulação. Estudiosos apontaram diversos escritos do Antigo Testamento que empregam alguma forma de recapitulação.28 Provavelmente, o caso mais claro aparece no livro de Daniel. Contém quatro visões paralelas (Dn 2, 7–8 e 10–12). Como Daniel 10–12 é mais difícil de interpretar, os gráficos muitas vezes contêm Daniel 2, 7 e 8 retratados de forma a indicar as estruturas e o conteúdo paralelos dos capítulos.29 Arthur Ferch afirmou: “A maioria dos estudiosos reconhece que as visões do livro são paralelas, com capítulos posteriores ampliando progressivamente os anteriores. Portanto, o capítulo 2 é o menos complexo, enquanto as visões nos capítulos 7, 8–9, 10–12 aumentam em complexidade e detalhe.”30 C. F. Keil observou há muito tempo que “o conteúdo de ambos os capítulos [Daniel 2 e 7] é essencialmente semelhante.”31

Daniel 2

Daniel 7

Daniel 8

Poderes

Ouro

Leão

—

Babilônia

Prata

Urso

Carneiro

Medo-Pérsia

Bronze

Leopardo

Bode

Grécia

Ferro

Besta Indefinida

Chifre Pequeno

Roma Pagã

Ferro-Barro

Chifre Pequeno

Chifre Pequeno

Reino Dividido

—

Santos

Hostes dos Céus

Roma Papal

—

Juízo Investigativo

Santuário

—

Período de Tempo.

Período de Tempo.

Pedra

Os santos e O Reino do Filho do Homem

Destruição por poder não humano

Reino de Deus

Perspectiva política

Perspectiva político-religiosa

Perspectiva político-religiosa

Este gráfico aponta claramente para o paralelismo nas visões de Daniel. Daniel 2 e 7 descrevem quatro impérios principais, cada um representado por símbolos distintos. Daniel 8 omite o primeiro símbolo e recorre a outros símbolos para descrever os impérios terrestres. No entanto, há ligações temáticas e literais entre os impérios nas diferentes visões. Por exemplo, o quarto império de Daniel 2 é representado pelo ferro, um império que “esmaga e despedaça todas as coisas” (Dn 2:40),32 enquanto o quarto animal de Daniel 7 tem grandes dentes de ferro, devorando e esmagando seus inimigos (Dn 7:7). O leopardo de Daniel 7 tem quatro cabeças, enquanto o bode de Daniel 8 tem um chifre grande que é substituído por outros quatro chifres. Tanto em Daniel 7 quanto em 8 aparecem chifres pequenos com características praticamente idênticas.33 Todas as visões em Daniel se estendem da época do autor até o estabelecimento do reino eterno de Deus. Desta forma, podemos estabelecer uma série de princípios para a interpretação da recapitulação.

Primeiro princípio: Recapitulação tem a ver com o paralelismo de temas abrangentes e também pode ser encontrada em detalhes literários e temáticos.

Contudo, este paralelismo nem sempre está presente em todos os elementos de uma visão. Daniel 8, por exemplo, omite o primeiro reino. Daniel 10–12 não segue a estrutura dos impérios como as outras visões. Há Dario o Medo (6:1), e há vários reis persas, não apenas um império medo-persa (11:1–2) como em Daniel 8:20. Os reis do Sul e do Norte parecem representar potências diferentes na sua longa história. Mas também existem elos linguísticos entre Daniel 7, 8 e 9 e Daniel 11 e 12.34

Segundo Princípio: Não podemos esperar que a recapitulação cubra todos os detalhes das visões paralelas.

Daniel 7 e 8 contêm elementos (Filho do Homem, povo de Deus, santuário, cena de juízo celestial e períodos de tempo) que faltam em Daniel 2. As visões que seguem Daniel 2 fornecem mais detalhes e são ainda mais ricas em teologia.

Terceiro princípio: Recapitulação não exclui, mas, na verdade, aponta para diferentes ênfases. Não é mera repetição de descrições de acontecimentos já retratados, mas contém material até então desconhecido e ênfases ainda não encontradas.

Daniel 2 é certamente a visão mais fácil de entender. No entanto, na sua simplicidade, funciona como um paradigma para a compreensão da literatura apocalíptica nas Escrituras. Contudo, as visões que seguem Daniel 2 tornam-se cada vez mais complexas. Para interpretar o intervalo de tempo em Daniel 8:14, por exemplo, é necessária a explicação dos elementos temporais presentes em Daniel 9:24–27.

Quarto princípio: Recapitulação não exclui nenhuma progressão. Embora as diversas visões sejam, em grande parte, paralelas, os elementos dessas visões podem seguir um padrão de progressão.

  1. Daniel e Apocalipse

Os livros de Daniel e Apocalipse não estão ligados apenas por conterem profecias apocalípticas; Apocalipse depende muito de Daniel. Apocalipse contém diversas referências ao livro de Daniel. Encontra-se vocabulário igual ou similar (e.g., adoração da imagem — Dn 3:5, 6; Ap 13:15), as mesmas pessoas (e.g., Filho do Homem — Dn 7:13; Ap 1:13; 14:14; e Miguel — Dn 12:1; Ap 12:7), os mesmos intervalos de tempo (três tempos e meio – Dn 7:25; 12:14), os mesmos animais simbólicos (Dn 7:4-6; Ap 13:2) e os mesmos conceitos (e.g., fazer guerra aos santos — Dn 7:21; Ap 13:7; e a vinda com as nuvens — Dn 7:13; Ap 1:7). Apocalipse depende muito de Daniel, especialmente de Daniel 2 e 7.35

G. K. Beale sugere que a estrutura de visões paralelas de Daniel “pode ser a mais influente na estrutura de Apocalipse, uma vez que Daniel é muito usado no livro para sinalizar as amplas divisões estruturais do Apocalipse.”36 A frase “coisas que em breve devem acontecer” em Apocalipse 1:1 reflete a frase “o que acontecerá nos últimos dias” em Daniel 2:28. A passagem de Daniel também pode estar refletida em Apocalipse 1:19; 4:1; e 22:6. Beale sugere que os marcadores de Daniel em Apocalipse dividem o livro em quatro partes — a introdução, as cartas às igrejas, a visão geral de Apocalipse 4:1–22:4 e a conclusão do livro — moldando, desta forma, o Apocalipse.37 Se Beale estiver correto ao dizer que Daniel teve uma forte influência em Apocalipse, inspirando até certo ponto a estrutura do livro, pode-se presumir, com segurança, que Apocalipse também contém recapitulação, assim como o livro de Daniel. Portanto, recapitulação parece ser uma das características da literatura apocalíptica.38

Voltemos-nos, agora, para o próprio Apocalipse e ver se o livro contém ou não unidades paralelas e se visões inteiras podem ou não ser entendidas como recapitulando visões anteriores.

Recapitulação nas Visões do Apocalipse

Nesta seção, veremos alguns exemplos de recapitulação de unidades menores, sem percorrer todo o Apocalipse. Se for possível demonstrar que algumas unidades menores são paralelas, o conceito de recapitulação, tal como definido acima, pode ser confirmado, pelo menos neste nível limitado.

  1. Apocalipse 12

Simon J. Kistemaker salienta que Apocalipse 12 contém “duas descrições do mesmo evento,” chamando-o de “princípio da ênfase por meio da repetição.”39 As passagens às quais ele se refere são Apocalipse 12:6 e 12:13–16. Em ambas as passagens, encontra-se a fuga da mulher vestida de sol para o deserto, local de refúgio e relativa segurança para ela, e período de tempo idêntico, outrora descrito como 1.260 dias e uma vez como um tempo, tempos e metade de um tempo.40 O esboço de Apocalipse 12 mostra que há uma recapitulação entre os versículos 6 e 13–16, com a segunda passagem fornecendo informações adicionais. Isto corresponde ao que se encontra em Daniel.

  • Ap 12:1–5 Conflito inicial entre o dragão e a mulher (12:1–5)

  • Ap 12:6 Conflito medieval entre o dragão e a mulher

  • Ap 12:7–12 Conflito entre Miguel e o dragão no céu

  • Ap 12:13–16 Conflito medieval entre o dragão e a mulher

  • Ap 12:17 Conflito do fim dos tempos entre o dragão e a mulher41

  1. Apocalipse 13

Em Apocalipse 13:1–10 encontramos outro caso de paralelismo. Os versículos 1–4 e 5–8 não se seguem cronologicamente, mas parecem paralelos, repetindo pensamentos e frases importantes. Primeiro, notamos que cada seção termina com a adoração universal da besta pela humanidade. Segundo, um olhar mais atento ao vocabulário e à ordem das palavras no quadro seguinte mostra que as duas partes devem ser entendidas como paralelas, fornecendo informações semelhantes e também complementares.42

v.1

besta

cabeças

nomes de blasfêmia

v.2v.2

besta

boca

dragão deu grande autoridade

v.3

besta

cabeças/mortalmente ferida

ele (dragão) deu autoridade

v.4

besta

fazer guerra

TERRA/AUTORIDADE

v.5

(isto)

boca/blasfêmia

foi dada / autoridade foi dada

v.6

(isto)

boca/blasfêmia/nome blasfemo

v.7

(isto)

foi dada / autoridade foi dada

fazer guerra

v.8

(isto)

TERRA/AUTORIDADE

A besta do mar é claramente dependente do dragão43 e colabora com este poder. Em contraste com a descrição e as ações da besta do mar (Ap 13:1–8), há uma breve descrição dos santos: “Aqui está a perseverança e a fé dos santos” (Ap 13:10b).

Ambas as seções paralelas (Ap 13:1–4 e 13:5–8)44 mencionam boca, blasfêmia, poder, guerra e adoração. A adoração universal da humanidade é mencionada duas vezes, o que indica, obviamente, o mesmo evento. Infelizmente, não se destina a Deus, mas ao dragão e à besta. As ações da besta do mar são dirigidas contra Deus e os santos. Inicialmente, esta atividade dura quarenta e dois meses (Ap 13:5) e termina com a ferida fatal (Ap 13:3). A cura desta ferida leva à guerra contra os santos45 e à adoração universal da besta por parte dos habitantes da terra.

  1. Apocalipse 17 e 18

A sexta praga menciona a secagem do rio Eufrates, o sistema de apoio da Babilônia (Ap 16:12). A sétima praga (Ap 16:17–21) refere-se ao juízo sobre Babilônia. Este juízo sobre Babilônia é explicado com mais detalhes nos dois capítulos seguintes de Apocalipse. É introduzido por um dos anjos com as pragas (Ap 17:1). No Apocalipse, Babilônia é apresentada como a meretriz e também como a grande cidade. Apocalipse 17 descreve o juízo sobre ela sob a imagem da “grande meretriz.” Babilônia, uma aliança religiosa, formou uma superaliança com os poderes políticos. Seu juízo é que os poderes que a apoiaram originalmente agora se voltam contra ela. Eles “odiarão a prostituta. Eles a deixarão devastada e nua, comerão as carnes dela, e a queimarão no fogo” (Ap 17:16).

Enquanto Apocalipse 17 retrata Babilônia como uma prostituta e filha adúltera de um sacerdote (Lv 21:9), que sofre a morte, Apocalipse 18 retrata Babilônia como a grande cidade que sofre destruição, enquanto aqueles que se beneficiaram economicamente dela — reis, mercadores e marinheiros — lamentam-na. Desta forma, o destino de Babilônia é descrito duas vezes por meio de uma recapitulação. A lista a seguir mostra semelhanças tópicas e verbais:

Juízo Divino

17:1

18:4–8

Vinho de adultério

17:2

18:3

Intoxicado/enganado

17:2

18:23

Ouro, pérolas, pedras preciosas

Sistema de suporte

Reis

17:2, 12

18:9

Besta

17:3, 7–8

—

Mercadores

—

18:11

Marinheiros

—

18:17

Púrpura, escarlate

17:4

18:12, 16

Derramamento de sangue

17:6

18:24

Santos/povo de Deus

17:6

18:4, 20

A Grande Cidade

17:18

18: 10, 16, 19, 21

Além dessas semelhanças e paralelos, há diferenças que destacam as ênfases específicas de cada capítulo. Por exemplo, a “guerra contra o Cordeiro” (Ap 17:14) não aparece em Apocalipse 18. Por outro lado, espíritos malignos e feitiçaria desempenham um papel importante na Babilônia de Apocalipse 18:2, 23. Obviamente, os dois capítulos apresentam outro caso de recapitulação.46

Resumo

A partir dos exemplos acima, parece claro que a recapitulação de unidades menores aparece em algumas das visões de Apocalipse. Consiste em seções paralelas, com diferentes ênfases, que se complementam. Analisaremos, agora, ao nível da estrutura ampla de Apocalipse e veremos se a recapitulação também ocorre nesse nível.

Recapitulações de Visões Completas de Apocalipse

  1. Critério

Quanto mais avançamos na estrutura, nomeadamente das unidades menores às maiores, mais difícil será estabelecer que a recapitulação ocorre e mais cuidado devemos ter. Portanto, uma questão importante é a abordagem metodológica a ser adotada. Em outras palavras, quais critérios ou princípios ajudariam a estabelecer a existência de uma recapitulação? As sugestões a seguir baseiam-se na suposição de que o texto pode revelar a sua própria estrutura, em vez de os intérpretes imporem as suas ideias de estrutura e/ou agenda ao texto.

  1. Determine o início e o fim da visão sob investigação. É importante distinguir, se possível, uma visão da outra. Este procedimento não exclui a possibilidade de haver versículos que liguem uma visão à seguinte. Alguns chamam esse fenômeno de “versos articulados”47 ou “técnica de interligação.”48

  1. Determine o período de tempo da visão. Esta etapa está principalmente interessada em identificar os pontos cronológicos iniciais e finais da visão.

  1. Encontre o mesmo clímax ou um semelhante no mesmo nível temático.

  1. Determine locais básicos.

  1. Encontre estruturas literárias semelhantes na visão sob investigação.

  1. Encontre repetições de temas e de períodos de tempo importantes. Os temas aqui mencionados são adicionais aos temas de juízo e de salvação mencionados acima. Os intervalos de tempo referem-se a elementos de tempo que aparecem além do período de tempo das visões e normalmente ocorrem como designações numéricas associadas a termos como “ano”, “mês” e “dia.”

  1. Determine, se possível, a extensão da recapitulação no nível das visões de Apocalipse.

Não podemos esperar que todos esses critérios estejam presentes em todas as passagens de recapitulação. No entanto, alguns devem estar lá para fazer uma verdadeira recapitulação.

  1. Critério Aplicado

Analisaremos, agora, a aplicação destes critérios. Devemos notar que é melhor ter em mente todos os critérios ao aplicar um deles ao texto do Apocalipse, embora, para esta apresentação, tenhamos de proceder em ordem cronológica. Devido às limitações de espaço, resumiremos apenas os resultados de pesquisas publicadas anteriormente.49

Determinando as Demarcações Literárias das Visões

Prólogo

O Livro de Apocalipse começa com um prólogo que remete os leitores a uma carta, contendo referências ao autor divino da mensagem, ao autor humano e ao público. Geralmente, aceita-se que o prólogo se encontra em Apocalipse 1:1–8.

As Mensagens às Sete Igrejas

A breve visão subsequente de “alguém semelhante a um filho de homem” introduz as sete cartas (Ap 1:9–20). Isso significa que o primeiro septeto tem uma cena introdutória, um dispositivo que também aparece nas demais partes principais do Apocalipse. Há também um final claro deste primeiro septeto em Apocalipse 3:22 e o início de uma nova seção em 4:1, embora Apocalipse 3:21 já prepare o caminho para a próxima ao mencionar o trono de Deus. Este versículo é um dispositivo interligado.

Os Sete Selos

De acordo com Apocalipse 4:1, João é convidado a entrar por uma porta aberta para obter mais informações. Com este marcador, começa a parte apocalíptica do Apocalipse. Estende-se até Apocalipse 22:5.

No capítulo 4, João vê uma cena do trono celestial. Continua no capítulo 5, onde o Cordeiro é o único capaz de pegar o livro com sete selos da mão de Deus Pai e de abri-lo. Apocalipse 4 e 5 introduzem claramente a abertura dos sete selos. Embora esses capítulos sejam a cena introdutória à visão do selo, eles podem, em um sentido mais amplo, servir como uma introdução à parte apocalíptica do Apocalipse.50

Há uma questão sobre onde terminam os sete selos e onde começa a visão das sete trombetas. Isto é de vital importância para a interpretação do Apocalipse e está relacionado à questão da recapitulação. Enquanto alguns intérpretes sugerem Apocalipse 8:1 como o fim da visão do selo, outros estendem-na até 8:5 ou 8:6. A decisão, neste caso, depende em grande parte da interpretação do silêncio que ocorre quando o sétimo selo é aberto. Se, por causa do silêncio mencionado em Apocalipse 8:1, o conteúdo do sétimo selo (8:1) estiver relativamente vazio, então os versículos seguintes precisam ser acrescentados para fornecer conteúdo. Isto também significaria que, se o sétimo selo se estende até Apocalipse 8:5 ou 6, as sete trombetas seriam uma extensão dos sete selos, seguindo-os cronologicamente. Se, porém, os sete selos terminam em Apocalipse 8:1 e o silêncio é o clímax dos selos, então uma nova seção começa em Apocalipse 8:2,51 e a recapitulação é uma possibilidade. Apocalipse 8:2–6 formaria então a introdução às sete trombetas.52 Vários estudiosos sugerem que o silêncio tem um rico contexto do Antigo Testamento e um significado definido, e que Apocalipse 8:1 não é sem conteúdo.53

Abaixo estão alguns dos argumentos que sustentam a recapitulação dos selos e das trombetas.54 Outros serão mencionados quando discutirmos os demais critérios.

  • Apocalipse 8:2–6 forma uma estrutura quiástica, mas 8:1 não está ligado a este quiasma. Isto sugere que uma nova seção começa em Apocalipse 8:2.

A Sete anjos com sete trombetas (2)

B Anjo, altar, incensário (3a)

C Incenso, orações dos santos (3b)

D Altar diante do trono (3c)

C’ Incenso, orações dos santos (4)

B’ Anjo, incensário, altar (5)

A’ Sete anjos com sete trombetas (6)

  • As sete trombetas começam com a fórmula comum “E o . . . anjo tocou a sua trombeta” (Ap 8:7, 8, 10, etc.). Esta fórmula é prefigurada em Apocalipse 8:2 e 6, onde os anjos, com suas trombetas, são apresentados. Esta fórmula é bem diferente da usada nos selos: “Quando o Cordeiro quebrou o . . . selo, ouvi o . . . ser vivente dizer” (Ap 6:3, 5, 7, etc.), o que nos lembra dos seres viventes e do cordeiro nos capítulos 4 e 5. Apocalipse 4 e 5 e 8:2–6 devem ser entendidos como cenas introdutórias que fornecem o vocabulário para as fórmulas introdutórias dos selos e das trombetas individuais.

  • Os elementos de uma teofania, relâmpagos, trovões, etc. (Ap 4:5; 8:5), e as orações dos santos (Ap 5:8; 8:3, 4) em ambas as seções sugerem também que Apocalipse 4 e 5 e 8:2–6 são cenas introdutórias paralelas às suas visões.

  • Embora se esperassem semelhanças entre as visões recapituladas — por exemplo, nas cenas introdutórias — também existem diferenças claras. Ambos os fenômenos juntos apoiam a recapitulação.55 Os indivíduos que aparecem nos dois septetos são bastante diferentes entre si. Além disso, as trombetas parecem concentrar-se nos habitantes da terra (Ap 8:13), enquanto os selos parecem estar um pouco mais centrados no povo de Deus. Esta seria uma das diferentes ênfases associadas à recapitulação.

  • A frase “ouvi o número” aparece apenas em Apocalipse 7:4 (uma expansão do sexto selo) e 9:16 (a sexta trombeta). Em Apocalipse 7, o povo de Deus é retratado; no capítulo 9, sua contraparte demoníaca. Portanto, parece que a sexta trombeta é a contrapartida histórica exata do sexto selo, pelo menos da expansão do sexto selo em Apocalipse 7:1–8.

Há boas razões para considerar Apocalipse 8:1, chamado de sétimo selo, como o fim da visão do selo que se estenderia de Apocalipse 4:1 a 8:1.

As Sete Trombetas

O ponto de partida das sete trombetas é Apocalipse 8:2. A sétima trombeta aparece a partir de Apocalipse 11:15. Muitos intérpretes tomam Apocalipse 11:19 como o ponto final da visão da trombeta ou como o final da primeira parte do livro de Apocalipse.56 Alguns sugerem Apocalipse 11:18 como o fim da série de trombetas.57 Acreditamos que Apocalipse 11:19 seja a cena introdutória da visão da trindade satânica, que começa em Apocalipse 12:1, enquanto Apocalipse 11:18 encerra as visões das trombetas. Visto que Apocalipse 11:18 prevê o restante do Apocalipse, é um final adequado para a visão da trombeta.58

A Trindade Satânica e o Povo de Deus

Esta parte do Apocalipse não tem numeração oficial como as visões anteriores, embora alguns estudiosos tenham tentado encaixá-la em um septeto.59 No entanto, consiste em três partes principais: a primeira trata do dragão (Ap 12), a segunda trata da besta do mar (Ap 13:1-10) e a terceira trata da besta da terra (Ap 13:11-18), seguida de uma prévia da salvação, de uma referência aos últimos acontecimentos na terra e da consumação (Ap 14). Talvez devido à preocupação com a série de sete, esta parte do Apocalipse às vezes seja chamada apenas de interlúdio.60 Mas isso não faz justiça à parte central de Apocalipse, que tem uma cena introdutória em Apocalipse 11:19 e uma expansão — alguns chamariam de interlúdio — em Apocalipse 14:1–13 por si só, seguida pelo clímax, assim como é o caso dos selos e das trombetas.

Apocalipse 4 e 5, a introdução aos sete selos, e Apocalipse 8:2–6 — a cena introdutória às sete trombetas — são ambientados no santuário celestial. Isto é indicado pela referência ao altar de ouro (Ap 8:3). Apocalipse 11:19, a cena introdutória dos capítulos 12–14, também se passa no santuário celestial. A palavra “templo” é usada duas vezes. João tem permissão para ver a parte mais interna do santuário celestial que contém a Arca da Aliança. Enquanto em Apocalipse 4:1 João vê uma porta aberta no céu, em Apocalipse 11:19 ele vê o templo no céu aberto. Os elementos de uma teofania aparecem em todas as três cenas introdutórias (Ap 4:5; 8:5; 11:19), embora haja uma intensificação no número desses elementos. Apocalipse 11:19 é uma introdução perfeita à visão que se segue, pois a Arca da Aliança nos lembra da salvação pela graça, da adoração, da importância da lei e do Dia da Expiação — elementos diretamente abordados em Apocalipse 12–14.

As Sete Pragas

A seção que segue a visão central parece estar estruturada de forma menos clara. Apocalipse 15 constitui uma introdução às pragas sequenciais no capítulo 16. Conforme mencionado, Apocalipse 17 e 18 fornecem uma descrição mais detalhada do juízo sobre Babilônia, mencionado nas duas últimas das sete pragas.

O Juízo Final

Apocalipse 19 e 20 incluem os gritos triunfantes da grande multidão em razão do juízo de Deus sobre Babilônia, a ceia das bodas do Cordeiro, a batalha final de Armagedom (na qual Jesus, o cavaleiro sobre um cavalo branco, e seu exército participam) e o Milênio.

A Nova Jerusalém ou A Igreja Triunfante

Esta seção se estende de Apocalipse 21:1 a 22:5 e é seguida pelo epílogo.61

O Epílogo

Apocalipse 22:6–21 reflete o prelúdio na medida em que contém uma série de frases e conceitos semelhantes, por exemplo, a Segunda Vinda.62

Determine O Quadro Temporal da Visão.

As Sete Igrejas

A introdução às sete cartas menciona o Senhor ressuscitado que antes estava morto e agora vive para sempre (Ap 1:18). Este Senhor ressuscitado caminha entre os candelabros, suas igrejas. Obviamente, este é um cenário do primeiro século da era comum. A morte e a ressurreição de Jesus ocorreram em 31 E.C. Depois disso, ele enviou mensagens às suas igrejas. Entre outras coisas, essas mensagens apontam para a sua segunda vinda.

Os Sete Selos

Jesus aparece em Apocalipse 5 como aquele que pode abrir os selos. Ele vem a Deus Pai para receber o livro com os sete selos. Os hinos dirigidos a Jesus em Apocalipse 5 louvam-no como o Salvador que comprou seu povo. A visão está enraizada na cruz de Jesus e em sua vinda ao Pai após a sua ascensão. Esta vinda a Deus Pai é descrita em Atos 2:33. A exaltação de Jesus à direita do Pai e a sua entronização como rei e sumo sacerdote levaram ao cumprimento da sua promessa de derramar o Espírito Santo sobre os seus discípulos. Isso aconteceu no Pentecostes. Embora o Pentecostes seja o ponto de partida dos sete selos, esta visão levaria os seus seguidores através dos séculos até que, sob o sexto selo, notassem os sinais cósmicos da segunda vinda de Jesus, mencionados pelo próprio Jesus em Mateus 24:29. Estes sinais já se cumpriram nos séculos XVIII e XIX, enquanto hoje a humanidade se encontra perto do grande Dia do Senhor (final do sexto selo propriamente dito). Este Dia do Senhor encontrará pessoas gritando para que as montanhas caiam sobre elas (Apocalipse 6:16), enquanto outras permanecerão diante do Senhor. Aqueles que conseguirem permanecer de pé se encontrarão diante do trono de Deus no santuário celestial (uma expansão do sexto selo em Apocalipse 7). O silêncio do sétimo selo aponta para o juízo final descrito em Apocalipse 20. Assim, a visão do selo abrange desde o primeiro século da era comum até a consumação final.

As Sete Trombetas

A cena introdutória da visão da trombeta retrata um anjo no altar celestial do incenso, o altar de ouro. Ele administra as orações dos santos (Ap 8:3, 4) e, portanto, atua como mediador. O derramamento de fogo sobre a terra (Ap 8:5) aponta para o juízo, mas não necessariamente para o juízo final no fim da história humana. Este juízo aqui afeta um terço da humanidade e da natureza, mas não é o juízo completo das sete pragas com as quais a ira de Deus será completada (Ap 15:1). A mediação do anjo aponta para Jesus iniciando seu ministério sumo sacerdotal em nosso favor após a sua ascensão. Isso também nos leva ao ano 31 E.C. Portanto, a partir deste ano, as trombetas soam. Como juízos e advertências, eles chamam as pessoas ao arrependimento (Ap 9:20). A sétima trombeta descreve a vinda do “reino de nosso Senhor e do seu Cristo” (Ap 11:15), refletindo (1) o reino de pedra em Daniel 2:44 que esmaga os impérios mundiais e estabelece o reino divino eterno e (2) a situação em que o Filho do Homem em Daniel 7:14 recebe o domínio eterno e o seu reino que não pode ser destruído.63 O quadro temporal sugere que as trombetas vão do primeiro século da era comum até a consumação, no final da história humana, paralelamente aos selos.

A Trindade Satânica e o Povo de Deus

A cena introdutória (Ap 11:19) a esta visão centra-se no Dia da Expiação, que parece ser mencionado novamente na mensagem do primeiro anjo. Entre outras coisas, esta mensagem afirma que “chegou a hora do seu juízo” (Ap 14:7). Parece que o juízo divino já está ocorrendo, enquanto a Segunda Vinda ainda não ocorreu (Ap 14:14–20), o que nos lembra do julgamento pré-advento de Daniel. Mas embora a cena introdutória se concentre nessa época, a visão em si leva os leitores mais longe. A mulher grávida de um filho homem, o Messias, é ameaçada pelo dragão, Satanás (Ap 12:1–5). Ele tenta destruir o Messias, mas o Messias é elevado a Deus. Esta é uma descrição simbólica do nascimento, da vida, da morte, da ressurreição e da ascensão de Cristo. É da mulher, povo de Deus, que surge o Messias. Assim, o ponto de partida da visão deve situar-se um pouco antes ou no início do primeiro século da era comum. No outro extremo da visão está Apocalipse 14:14–20, uma descrição simbólica da Segunda Vinda. Aquele “semelhante a um filho de homem” está envolvido em uma colheita. Esta visão central abrange novamente toda a era cristã.

As Sete Pragas

A introdução às sete pragas (Ap 15) descreve um santuário celestial que se tornou inacessível (1Rs 8:10–11). Embora a mediação com as trombetas ainda esteja em curso, isso não é mais o caso com as sete pragas. Mounce destaca:

A fumaça que enche o templo celestial em Apocalipse indica a presença de Deus em toda a sua glória e poder, para executar ativamente o seu juízo sobre a maldade. Até que as sete pragas acabem, ninguém poderá entrar no templo. Uma vez que chegue o juízo final, ninguém poderá deter a mão de Deus. O tempo de intercessão já passou. Deus, em sua majestade e em seu poder inacessíveis, declarou que o fim havia chegado. Ele não fica mais batendo; entra para agir com julgamento soberano. 64

A ira total de Deus chegou. As pragas não se limitam a um terço da humanidade, como as trombetas, mas atingem todos “que tinham a marca da besta e que adoravam a sua imagem” (Ap 16:2), o que corresponde à grande maioria da humanidade. Esses eventos foram descritos na visão anterior como eventos do tempo do fim (Ap 13), muito depois do nascimento do Messias e dos séculos de perseguição à verdadeira igreja de Deus. Assim, as sete pragas — ao contrário das outras visões de Apocalipse — não estão mais associadas ao tempo histórico. São eventos escatológicos.

Observação Geral

Em Apocalipse 15 começa a parte escatológica de Apocalipse,65 que já não contém recapitulação em grande escala, embora as duas últimas pragas sejam ampliadas em Apocalipse 17 e 18. O Armagedom e a Segunda Vinda são descritos simbolicamente em Apocalipse 19. Apocalipse 20 retrata o Milênio, e os capítulos 21 e 22 a nova criação. Esta parte de Apocalipse parece focar mais na progressão, enquanto a primeira parte, até o capítulo 14, é rica em recapitulações no nível da visão. Embora muitos recapitulacionistas entendam os selos, as trombetas e as pragas como eventos paralelos que “cobrem o mesmo período de tempo,”66 sugerimos prestar muita atenção ao texto de Apocalipse, observando a mudança da parte histórica para a parte escatológica do livro. Embora concordemos que os selos e as trombetas são paralelos, isso não se aplica às pragas. As pragas devem ser associadas apenas aos últimos elementos das visões do selo e da trombeta. Kenneth Strand fez alguns comentários úteis e mencionou algumas limitações:

Uma consideração interpretativa básica. . . é a importância de observar em qual das duas partes principais do livro aparece algum item específico — seja o histórico ou o escatológico. . . . Além disso, duas advertências surgem como corolários. Primeira: deve-se tomar cuidado para evitar qualquer metodologia que reduza as mensagens do Apocalipse a uma única interpretação, seja histórica ou escatológica, pois isso violaria as divisões do livro entre as partes históricas e escatológicas. Segunda: seria igualmente inapropriado adotar um sistema de interpretação que apresentasse as mensagens de Apocalipse como se retratassem uma cadeia de eventos ou desenvolvimentos absolutamente “reta” ou completamente sequencial.67

Encontre o mesmo clímax ou um semelhante no mesmo nível temático

A mensagem para a sétima igreja tem o Senhor à porta (Ap 3:20). Esta declaração pode ter conotações escatológicas. A ideia de ficar à porta lembrou aos cristãos o primeiro século da segunda vinda do Senhor. “Assim, também vocês, quando virem todas estas coisas, saibam que está próximo, às portas” (Mt 24:33; cp. Mc 13:29). Em Lucas 12:36, no contexto de bater e abrir a porta, o contexto é a Segunda Vinda. De acordo com Tiago 5:9, o Juiz está bem à porta. Obviamente, a ceia de Apocalipse 3:20 reflete a ceia das bodas do Cordeiro, em Apocalipse 19:9, que será celebrada após a Segunda Vinda. Embora as sete mensagens frequentemente se refiram à vinda de Cristo, esta vinda nem sempre se refere à Segunda Vinda, podendo referir-se a juízos temporais (Ap 2:5). Contudo, à medida que nos aproximamos do final das cartas, parece haver uma intensificação no que diz respeito à Segunda Vinda (2:25; 3:11, 20).

O sexto selo (Ap 6:12–7:17) descreve a Segunda Vinda no contexto do Dia do Senhor, que deixaria apenas aqueles que são “capazes de permanecer” ao lado de Deus (Ap 6:17), isto é, os 144.000 e a grande multidão (Ap 7). Os outros desejam ser engolidos ou enterrados pelas montanhas porque não suportam ver Deus e o Cordeiro. O terremoto de Apocalipse 6:14, não o do capítulo 6:12, parece ser o terremoto escatológico de Apocalipse 16:18–20. Assim, o sexto selo está associado ao juízo na vinda de Jesus68 e à salvação final (Ap 7:9–17). Os redimidos são descritos como estando com Deus em seu templo celestial. Isto pode referir-se ao período do Milênio, enquanto o sétimo selo (Ap 8:1) parece referir-se ao juízo final ao término do Milênio e, talvez, à nova criação.

A sétima trombeta (Ap 11:15–18) remete a alguns textos de Daniel (Dn 2:44; 7:14) que tratam dos eventos finais da história da Terra. O juízo final, bem como o reino eterno de Deus, terá chegado. Em Apocalipse 11:17, Deus Pai aparece como “Aquele que é e que era.” Este título aparece três vezes (Ap 1:4, 8; 4:8) como “Aquele que é, e que era, e que há de vir,” cada vez contendo o elemento “que há de vir”. O fato de este elemento faltar em Apocalipse 11:17 e 16:5 é significativo. Osborne comenta: “Não há mais futuro, pois o incrível poder de Deus agiu e seu reinado eterno começou. Estamos no eschaton!”69 Que não há mais futuro pode ser discutível, dependendo de como a frase é definida, mas Osborne está certamente correto ao dizer que, com a sétima trombeta, alcançamos a consumação. Mounce diz que “a terceira designação (‘há de vir’) é omitida porque a sua vinda não é mais vista como futura. Ele já veio e já começou a reinar.”70

A colheita dupla de Apocalipse 14:14–20 encerra a visão sobre a trindade satânica. Alguém “semelhante a um filho de homem” está sentado em uma nuvem e começa a colher a terra. A nuvem lembra aos leitores a descrição da vinda de Jesus em Apocalipse 1:7. A expressão “semelhante a um filho de homem” aparece pela primeira vez em Apocalipse 1:13 e descreve Jesus. Em Mateus 24:30, o Filho do Homem vem “sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.” Jesus termina a guerra do tempo do fim contra o seu povo (Ap 12:17; 13:7) com a sua vinda e a reunião dos eleitos (o trigo). Contudo, a colheita também envolve um aspecto negativo. Enquanto os santos experimentam a salvação final, os inimigos são julgados da mesma forma que as uvas são pisoteadas no lagar fora da cidade santa. O imaginário pode estar conectado a Apocalipse 19:11–16.71 Ali o cavaleiro montado no cavalo branco “pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso” (Ap 19:15).

Todas as cenas finais das visões da parte histórica do Apocalipse parecem tratar de acontecimentos dos últimos dias. Elas descrevem o fim da história humana como a conhecemos. Elas são paralelas. Podemos acrescentar-lhes os clímax escatológicos de Apocalipse 16:17–21 e 19:11–21 que já mencionamos e que descrevem o juízo final com um novo imaginário. Beale observou: “O argumento mais forte para a visão da recapitulação é a observação de repetidas cenas combinadas de juízo consumativo e salvação encontradas nas conclusões de várias seções ao longo do livro.”72

Determinando Locais Básicos

Às vezes é útil para a interpretação do Apocalipse observar a localização geográfica em que se passa uma determinada passagem do Apocalipse. Olhando a visão do selo, é óbvio que os eventos de Apocalipse 4 e 5 ocorrem no céu. Os eventos associados à abertura dos primeiros seis selos (Ap 6) ocorrem na Terra. Contudo, com a segunda parte da abertura do sexto selo (Ap 7:9–17) ocorre uma transição para o céu. A grande multidão dos remidos está diante do trono de Deus no santuário celestial. O sétimo selo introduz o silêncio no céu. Assim, com os sete selos, ocorre um movimento do céu para a terra e de volta ao céu.

Voltando-nos às sete trombetas, encontramos um arranjo semelhante. A cena do santuário em Apocalipse 8:2–6 está situada no céu. Incluindo Apocalipse 8:1 ou não — e nós não incluiríamos — a localização não mudaria. O toque das trombetas de um a seis desencadeia eventos que afetam a Terra. Embora as duas estrelas cadentes da terceira e da quinta trombeta venham originalmente do céu, seu trabalho de devastação afeta a terra. O mesmo acontece com os gafanhotos. Eles saem do abismo, mas a sua praga atinge aqueles que vivem na terra. Portanto, podemos dizer que as seis primeiras trombetas soam na terra. Comer o pequeno livrinho em Apocalipse 10 também é uma experiência terrena, embora um anjo apareça no versículo 1. Somente com a ressurreição das duas testemunhas e a ascensão delas a Deus (Ap 11:12), muda-se para um lugar celestial. Este local permanece o mesmo sob a sétima trombeta.

Locais Básicos nos Sete Selos e nas Sete Trombetas

Sete Selos

Céus →

Terra →

Céus

Ap 4–5

Ap 6:1–7:8

Ap 7:9–8:1.

trovões, vozes, relâmpagos; incenso

Sete Trombetas

Céus →

Terra →

Céus

Ap 8:2–6

Ap 8:7–11:14.

Ap 11:12–15, 18

trovões, vozes, relâmpagos; incenso, terremoto73

6 trombetas

parte da sexta trombeta sétima trombeta: clímax

Este gráfico mostra que, no que diz respeito à localização, as trombetas se assemelham muito aos selos. Além disso, há o mesmo movimento do céu para a terra e de volta ao céu. Isto também significa que é bastante improvável que as trombetas sigam os selos cronologicamente. Se fosse o caso, os redimidos teriam de deixar o céu para retornar à terra e experimentar a próxima sequência de juízos — um arranjo bastante cruel.

A visão da trindade satânica em Apocalipse 12–14 segue uma ordem semelhante. A cena introdutória, com o templo, se abre e a Arca da Aliança é vista no céu. Embora a mulher também seja vista no céu, sua gravidez, o parto e a perseguição ocorrem na terra. Apenas a batalha celestial entre Miguel e Satanás ocorre no céu. Mas imediatamente após ser mencionado, o enredo continua na terra. As duas bestas de Apocalipse 13 estão ativas na terra. A terrível perseguição dos santos no final do capítulo 13 é contrastada com a bênção futura dos 144.000 (Ap 14:1–5) que proclamam a mensagem dos três anjos (Ap 14:6–12). A colheita do mundo ocorre por meio da intervenção divina do céu (Ap 14:14–20). Em Apocalipse 15, os santos estão no mar celestial de vidro.

No primeiro septeto, porém, nas cartas às sete igrejas, a localização é diferente. A cena introdutória está situada na terra, assim como as mensagens às sete igrejas. Estas mensagens, no entanto, preveem um tempo de consumação, referindo-se à nova terra, à ceia das bodas do Cordeiro e ao assento com Jesus no Seu trono. Cada mensagem atinge um certo clímax, e todas juntas parecem atingi-lo de forma mais perfeita e, possivelmente, de forma progressiva.

Encontrando Estruturas Literárias semelhantes nas Visões

As visões dos selos, das trombetas e da trindade satânica compartilham uma estrutura comum. Todas elas possuem uma cena introdutória de durações variadas tendo a ver com o santuário no céu. Essas cenas introdutórias dão o tom às mensagens que virão. As cenas introdutórias são seguidas pelo corpo da visão, pela “descrição profética básica”74 e pelo desenvolvimento. No entanto, antes que estas visões cheguem ao fim e atinjam o seu clímax escatológico, contêm uma expansão de pelo menos dois elementos.

Os selos contêm uma expansão dupla no sexto selo. Em Apocalipse 7, o leitor é apresentado aos 144.000 e à grande multidão — o povo de Deus no tempo do fim. Esta primeira expansão trata da eclesiologia. A expansão da visão da trombeta contém dois ou três elementos principais. A primeira parte é o representante de João comendo o livrinho pequeno. Foi, primeiro, uma experiência doce e depois amarga (Ap 10). Segue-se, então, a medição do templo e a história das duas testemunhas (Ap 11:1–14). Novamente, há um foco eclesiológico e outro na mensagem e na missão.

A expansão da próxima visão volta a tratar dos 144.000 (Ap 14:1–5) e da mensagem que proclamam (Ap 14:6–13). Portanto, há uma conexão entre as expansões. Tanto a visão do selo quanto a da trindade satânica apresentam passagens que tratam dos 144.000. Apocalipse 14 fornece informações adicionais importantes sobre o que já sabemos no capítulo 7. A conexão entre as sete trombetas e a visão da trindade satânica é a proclamação da última mensagem (Ap 10:11 e 14:6–13).

O último elemento das três visões, seguindo a expansão, é o clímax escatológico ou consumação. Esses clímax, com foco no juízo final e na salvação, já foram discutidos. O paralelismo deles, bem como o paralelismo das expansões, apoia fortemente a recapitulação.

Embora as cartas às sete igrejas compartilhem com as outras visões uma cena introdutória do santuário, não há expansão do sexto elemento. Além disso, o último elemento não é tão pronunciado quanto nas três visões apocalípticas de Apocalipse 4–14. Os sete selos e as sete trombetas compartilham uma divisão de quatro e três.75 Existem quatro cavalos e seus cavaleiros nos quatro primeiros selos, além de três selos adicionais. Com as trombetas, há quatro trombetas curtas, comparáveis aos cavaleiros dos selos, e três trombetas elaboradas, também chamadas de ais (Ap 8:13; 9:1, 12; 9:13; 11:14).

Encontre Repetições de Temas e Períodos de Tempo Importantes

Temas importantes se repetem nas diversas visões da parte histórica do Apocalipse. Já destacamos as passagens da consumação com sua ênfase no juízo e na salvação. Indicaremos mais uma.

Na expansão do sexto selo são mencionados os 144.000. Eles são apresentados com uma declaração única, encontrada apenas duas vezes em Apocalipse: “Ouvi o número” (Ap 7:4). Os 144.000 são o “exército” de Deus, o seu remanescente que resiste no tempo do fim. A multiplicação do número doze por doze e mil pode remeter aos doze patriarcas e aos doze apóstolos (Ap 21:12, 14). O número mil pode representar uma unidade militar (cp. Nm 31:4–6). Craig Koester sugere que “os números simbolizam a integridade.”76 A frase “ouvi o número” ocorre pela segunda vez em Apocalipse 9:16. Mas, desta vez, refere-se ao exército satânico de 200 milhões de pessoas. Certamente não se trata de um acidente, mas de um tema importante. Enquanto, sob a expansão do sexto selo, é retratado o verdadeiro povo de Deus, sob a sexta trombeta aparece sua contraparte satânica. Os dois estão envolvidos em uma luta de vida ou de morte. Todavia, aos 144.000 é prometido que poderão “estar de pé” no Dia do Senhor e diante daquele que está sentado no trono. Pela repetição de frases como “ouvi o número,” as diferentes ênfases entre visões paralelas são enfatizadas.

Outra característica importante é o uso de intervalos de tempo. Embora Apocalipse contenha diversos períodos de tempo, como “dez dias” (Ap 2:10), “cinco meses” (Ap 9:5) e “mil anos” (Ap 20:2), ele também usa um período de tempo empregado duas vezes pelo profeta Daniel — os “três tempos e meio” (Dan 7:25; 12:7). Na visão da batalha entre a trindade satânica e o povo de Deus, encontramos este período de tempo diversas vezes e sob diferentes designações: (1) Em Apocalipse 12:6, a mulher permanece no deserto por 1.260 dias. (2) Em Apocalipse 12:14, ela é sustentada por três tempos e meio. (3) A besta do mar se enfurece durante quarenta e dois meses (Ap 13:5). Esses elementos temporais são idênticos.77 Eles são mencionados sete vezes na Bíblia: duas vezes em Daniel e cinco vezes em Apocalipse referindo-se à perseguição dos santos e ao tempo de dificuldades para as duas testemunhas (Dn 7:25; 12:7; Ap 11:2, 3; 12:6, 14; 13:5).78 Este intervalo de tempo, interpretado de acordo com o princípio dia-ano, refere-se ao período 538–1798 E.C. Em uma visão simbólica,79 o período de tempo também deve ser simbólico; um período de tempo literal de três anos e meio não faz sentido quando a visão abrange centenas de anos, até dois milênios.80

É interessante notar que os 1260 anos aparecem duas vezes na visão da trombeta. A cidade santa é pisada durante quarenta e dois meses (Ap 11:2) e as duas testemunhas profetizam vestidas de saco durante 1260 dias (Ap 11:3). Isto significa que as duas visões, a visão da trindade satânica e a visão da trombeta, estão relacionadas pelo menos no que diz respeito ao tempo. Isso também significa que a visão da trombeta — como a de Apocalipse 12–14 — deve ser interpretada segundo o método historicista, e não o futurista. Significa também que a recapitulação é, obviamente, intencional no Apocalipse.

Determinando O Tipo e A Extensão da Recapitulação nas Visões

Recapitulação em Apocalipse

Nosso estudo mostrou que a recapitulação pode ser encontrada tanto em unidades menores, distribuídas ao longo do Apocalipse, quanto em unidades maiores, isto é, visões completas. Existem septetos e visões que não são numerados. Contudo, a recapitulação de visões completas não aparece após Apocalipse 14, isto é, na parte escatológica do livro. Acreditamos, portanto, que a recapitulação aparece nos selos, nas trombetas e na visão da trindade satânica, mas não na visão das taças nem das pragas.

Textos Problemáticos

Um problema com a recapitulação nas trombetas é que o selamento escatológico mencionado no sexto selo (144000) ocorre novamente com a quinta trombeta. Se o povo de Deus for selado apenas em conexão com os acontecimentos dos últimos dias, nomeadamente durante o sexto selo, então as trombetas deverão aparecer cronologicamente após os selos. Não obstante, de acordo com as Escrituras, há um selamento escatológico (Ap 7:3) e um selamento no batismo (Ef 1:13; 4:30) que João pode ter tido em mente ao mencionar a quinta trombeta. É importante, nestes casos, analisar a evidência cumulativa para efeitos de recapitulação e, depois, tentar encontrar uma solução para os dados que parecem divergir. Usamos a mesma abordagem quando discutimos a doutrina da Trindade ou o ensino bíblico sobre a divindade de Jesus. À primeira vista, pode haver dados conflitantes, mas, após um estudo cuidadoso, geralmente desaparecem.

Resumo dos Argumentos para Recapitulação

É evidente que a recapitulação ocorre em Apocalipse. A visão da trindade satânica se estende do tempo anterior ao nascimento do Messias até a sua segunda vinda e é paralela às visões do selo e da trombeta. Alguns argumentos a favor da recapitulação da visão da trombeta são: (1) A demarcação das visões circundantes torna improvável que as trombetas cresçam nos selos; (2) o período de tempo da visão da trombeta vai do primeiro século da era comum até a consumação; (3) o paralelismo dos clímax ocorre nas diversas visões; (4) a estrutura interna paralela das visões principais na primeira parte de Apocalipse é significativa; (5) as localizações básicas das visões do selo e da trombeta não permitem que os redimidos, vivendo na presença de Deus, voltem à terra para sofrerem mais juízos; e (6) os intervalos de tempo paralelos de 1260 dias e quarenta e dois meses representam 1260 anos. Estas razões permitem apenas uma interpretação historicista das trombetas.

O Caso das Cartas às Sete Igrejas

Quanto à recapitulação das cartas às sete igrejas? Como vimos, as sete cartas diferem, até certo ponto, dos selos, das trombetas e da visão da trindade satânica, não apenas na estrutura, mas também no conteúdo. Elas se concentram na segunda vinda de Jesus e se preparam para a parte apocalíptica do livro por meio de vocabulário e conceitos específicos. Sem dúvida, as sete igrejas referem-se às congregações específicas às quais Jesus se dirigia no primeiro século da era comum.

Poderiam também referir-se a períodos consecutivos na história da igreja, tal como as outras séries na secção histórica do Apocalipse representam eras consecutivas? O número sete e a promessa geral de bênção para quem lê o livro e segue as suas mensagens (Ap 1:3) seriam dois indicadores, entre outros, que sugerem uma audiência universal em vez de apenas os membros destas sete igrejas. “Os nomes das sete igrejas simbolizam a igreja em diferentes períodos da Era Cristã. O número 7 indica completude e simboliza que as mensagens se estendem até o fim dos tempos, enquanto os símbolos usados revelam a condição da igreja em diferentes períodos da história do mundo.”81

Ao se olhar para os capítulos 2 e 3 do Apocalipse, nota-se um número menor de símbolos e um maior uso de linguagem não simbólica. Por exemplo, o nome dominante de Jesus em Apocalipse é “Cordeiro” — que ocorre vinte e oito vezes — mas não no cenário das cartas (Ap 1–3 e 22:6–21). Por outro lado, o termo ekklēsia (igreja) aparece apenas no cenário da carta e não na parte apocalíptica. Neste último, utilizam-se símbolos como a “mulher vestida de sol”. Mas não é apenas a redução do simbolismo que se nota; a presença de condicionalidade também se observa nas sete mensagens. Esta diferença sugere que as mensagens às sete igrejas estão mais próximas da profecia clássica do que da profecia apocalíptica. Isto, por sua vez, sugere que o livro contém um gênero misto e possivelmente até gêneros proféticos mistos, como também se encontra no livro de Daniel.

O livro de Daniel consiste em porções narrativas e profecias apocalípticas (e.g., Dn 2, 7, 8). Contudo, o sonho de Nabucodonosor em Daniel 4 difere das visões principais, que apresentam um panorama da história desde o tempo do autor até o futuro reino de Deus. A profecia de Daniel 4 refere-se apenas a um indivíduo e não a impérios que durariam décadas ou séculos. É uma profecia de curto prazo na medida em que o seu período de tempo não pode ser entendido de acordo com o princípio dia-ano; neste caso é literal, não simbólico. O apelo de Daniel a Nabucodonosor para que se arrependesse (Dn 4:27) também indica que há um elemento de condicionalidade na profecia e que o seu cumprimento poderia ter sido evitado.

Da mesma forma, Apocalipse contém diversos gêneros literários. Aune escreve: “O caráter profético das proclamações às sete igrejas em Apocalipse 2–3 foi particularmente enfatizado”82 e “que existem composições que incluem seções apocalípticas, mas não podem ser categorizadas como apocalipses . . . sugere que não é irracional considerar o Apocalipse como um mixtum compositum semelhante.”83 Beale acrescenta: “A este respeito, é significativo que Apocalipse seja entendido de forma ampla como uma ‘epístola,’ cujo conteúdo é de gênero apocalíptico e profético (ver 1:1–3).”84 Neste caso, um uso duplo das mensagens às sete igrejas seria possível sem submeter a profecia apocalíptica a múltiplos cumprimentos, porque a profecia apocalíptica não tem múltiplos cumprimentos.85

O paradigma para a compreensão da profecia apocalíptica em Daniel é o capítulo 2. É óbvio que Daniel 2 não tem cumprimentos múltiplos. O mesmo é verdade para o Apocalipse 12, paradigma para a compreensão da profecia apocalíptica no Apocalipse de João. Enquanto a profecia clássica pode ter mais de um cumprimento e ser condicional, a profecia apocalíptica tem apenas um cumprimento e é incondicional.86

Sugerir que Apocalipse 1:19 implica que as mensagens às igrejas se referem apenas ao tempo de João, enquanto de Apocalipse 4 em diante temos eventos futuros não é possível porque claramente as mensagens às sete igrejas também se referem ao futuro. Por exemplo, as promessas aos vencedores são orientadas para o futuro e normalmente referem-se à consumação.87

A Natureza da Recapitulação

Uma breve análise da recapitulação em Apocalipse sugere que ela é frequentemente empregada e deveria ser utilizada na interpretação do texto, bem como na tentativa de identificar eventos históricos no texto bíblico. No entanto, é importante ter uma visão de recapitulação que faça justiça ao fenômeno em Apocalipse. Recapitulação reconhece que os textos bíblicos são paralelos em conteúdo e/ou escopo. Isso não significa que todos os elementos devam corresponder perfeitamente entre si, embora uma série de elementos deva ser aproximadamente paralela. Por exemplo, na visão do selo, a consumação já começa com o sexto elemento e não com o último elemento como nas outras séries. As passagens que recapitulam podem fornecer ênfase especial e informações adicionais e ampliação. Ademais, a recapitulação das visões não exclui a progressão de visões introdutórias ou de teofanias (aparições divinas). As visões introdutórias de igrejas, selos, trombetas e a trindade satânica mostram um movimento do Lugar Santo para o Lugar Santíssimo. Teofanias em Apocalipse 4:5; 8:5; e 11:19 adicionam elementos cada vez mais.88 Em outras palavras, uma visão demasiado estreita da recapitulação não só lê o livro do Apocalipse de forma excessiva, mas também desacredita uma abordagem adotada pelo próprio Apocalipse. Isso pode levar a uma interpretação cronológica do livro que desconsidera seu verdadeiro caráter.

Conclusão

Como abordar a interpretação de Apocalipse é uma questão crucial. As decisões hermenêuticas em vários níveis determinarão, em grande medida, o resultado. Recapitulação aparece principalmente na abordagem historicista da literatura apocalíptica, enquanto a progressão é usada principalmente pelos futuristas. Fica muito evidente que Apocalipse contém recapitulações, mas parece que um uso moderado delas é a abordagem mais apropriada. Precisamos estar sempre abertos a aprender mais com o texto das Escrituras e dispostos a ouvir uns aos outros.89


Notas

1 Ver Ekkehardt Mueller, “Recapitulation in Revelation 4–11,” Journal of the Adventist Theological Society, 9.1–2 (1998): 260–277.

2 A progressão, em oposição à recapitulação, reconhece apenas um clímax final no Livro do Apocalipse. Isto desafia a ideia de que algumas das visões repetem os mesmos acontecimentos, incluindo o clímax da história, sob diferentes perspectivas.

3 Erwin R. Gane, Trumpet after Trumpet: Will Revelation’s Seven Trumpets Sound Again? (Nampa, ID: Pacific Press, 2012).

4 Ibid., p. 293.

5 Embora Gane fale sobre “aplicações,” uma olhada em sua publicação confirma que ele usa o termo “aplicação” de forma intercambiável com o termo “interpretação,” não distinguindo — como normalmente é feito — entre as duas abordagens. Com relação à segunda, terceira e quarta trombetas, Gane fala sobre a “aplicação histórica” (pp. 95, 111, 127) e o “futuro” ou “aplicação do fim dos tempos” (pp. 98, 116, 131). Assim que ele discute a quinta e a sexta trombetas, sua linguagem reverte para “interpretação histórica” (pp. 149, 164) e “interpretação do fim dos tempos” (pp. 156, 166). Os dois gráficos que resumem sua abordagem têm os títulos “A Dupla Interpretação das Trombetas” (p. 293) e “As Interpretações Históricas e do Fim dos Tempos das Trombetas” (p. 312). Este último contém os subtítulos “Interpretação Histórica” e “Interpretação Escatológica.” Deve-se acrescentar que Gane entende a interpretação historicista apenas como um tipo de compreensão real e antitípica do fim dos tempos. Este é um uso de tipologia que não está em harmonia com o texto de Apocalipse ou com as Escrituras como um todo.

6 Ver David E. Aune, “Revelation 1–5,” Word Biblical Commentary 52A (Dallas, TX: Word Books, 1997), xci.

7 Ver Günther Bornkamm, “Die Komposition der apokalyptischen Visionen in der Offenbarung Johannis,” Zeitschrift für die neutestamentliche Wissenschaft 36 (1937): 132–149.

8 Aune, xciii. Marko Jauhiainen, “Recapitulation and Chronological Progression on John’s Apocalypse: Toward a New Perspective,” New Testament Studies 49.4 (2003): 543–559, sugere que Apocalipse é moldado mais pela progressão do que pela recapitulação. Embora a recapitulação esteja sendo usada, ela não ocorre nas passagens clássicas normalmente sugeridas. Por exemplo, o sexto selo não é uma descrição do fim, mas introduz o Dia do Senhor, que atinge o seu clímax na visão das taças.

9 E.g., M. Eugene Boring, Revelation, Interpretation: A Bible Commentary for Teaching and Preaching (Louisville, KY: John Knox, 1989), p. 32, fala sobre “uma espécie de espiral impressionista e interrelacionada.” Jürgen Roloff, Revelation, A Continental Commentary (Minneapolis, MN: Fortress, 1993), p. 15, considera “a teoria da recapitulação . . . mais provável.” Joseph L. Mangina, Revelation, Brazos Theological Commentary on the Bible (Grand Rapids, MI: Brazos, 2010), p. 31, também fala sobre uma espiral.

10 Robert H. Mounce, “The Book of Revelation,” e. rev., New International Commentary on the New Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1998), p. 32.

11 Grant R. Osborne, “Revelation,” Baker Exegetical Commentary on the New Testament (Grand Rapids, MI: Baker, 2002), p. 29.

12 Gerhard A. Krodel, “Revelation,” Augsburg Commentary on the New Testament (Minneapolis, MN: Augsburg, 1989), p. 190, afirma: “Recapitulação não implica repetição mecânica de conteúdo, mas torna-se ocasião para novas ênfases.”

13 Louis A. Brighton, “Revelation,” Concordia Commentary (Saint Louis, MO: Concordia, 1999), p. 29.

14 Adela Yarbro Collins, The Combat Myth in the Book of Revelation (Missoula, MT: Scholars Press, 1976), pp. 32–44; idem, “‘What the Spirit Says to the Churches’: Preaching the Apocalypse,” Quarterly Review 4 (1984): 73.

15 Idem, “The Apocalypse, New Testament Message,” Biblical-Theological Commentary (Wilmington, DE: Michael Glazier, 1979), p. 43.

16 Bruce M. Metzger, Breaking the Code: Understanding the Book of Revelation (Nashville, TN: Abingdon, 1993), pp. 55–56.

17 Um quiasmo, ou estrutura quiástica, é um paralelismo invertido. Ver a estrutura quiástica na página 17.

18 Ver Kenneth A. Strand, “The Eight Basic Visions in the Book of Revelation,” Andrews University Seminary Studies 25 (1987): 107–121.

19 Jon Paulien, “Decoding Revelation’s Trumpets: Literary Allusions and Interpretations of Revelation 8:7–12,” Andrews University Seminary Doctoral Dissertation Series, vol. 11Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 1988), pp. 196–197.

20 Ver Richard M. Davidson, “Sanctuary Typology,” em Symposium on Revelation—Book I: Introductory and Exegetical Studies, e. F. B. Holbrook, Daniel and Revelation Committee Series, vol. 6 (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 1992), pp. 115–116.

21 Ranko Stefanovic, Revelation of Jesus Christ: Commentary on the Book of Revelation, 2ª e., (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2009), p. 28

22 No entanto, também existem preteristas que escolhem a progressão, e.g., James L. Papandrea, The Wedding of the Lamb: A Historical Approach to the Book of Revelation (Eugene, OR: Pickwick, 2011), p. 89. Ele vê os selos representando “eventos que cercaram a guerra com Roma de 66–70 E.C., especialmente o cerco de Jerusalém;” as trombetas tratam dos “eventos que cercaram a queda de Jerusalém e a destruição do templo em 70 E.C.,” e as taças tratam dos “eventos que cercaram a queda de Roma.”

23 Stephen S. Smalley, The Revelation to John: A Commentary on the Greek Text of the Apocalypse (Downers Grove, IL: InterVarsity, 2005), p. 19

24 G. R. Beasley-Murray, “Revelation,” The New Century Bible Commentary (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1983), p. 27, afirma: “Pois as três séries de juízos messiânicos, representadas sob a imagem dos selos, trombetas e taças, têm quase certamente a intenção de retratar, a partir de três aspectos diferentes, um único e curto período de juízo na história. Muitos leitores, não reconhecendo o paralelismo, tiveram a impressão de que João narra onda após onda de juízos em uma profusão aparentemente doentia e sem sentido, e assim ganharam uma estimativa exagerada do lugar do juízo no pensamento de João.”

25 Brighton, p. 29. Adventistas discordariam do entendimento de Brighton sobre as taças, mas incluiriam Apocalipse 12–14 e, até certo ponto, Apocalipse 2 e 3 na recapitulação.

26 Aune, xciii.

27 Rob Dalrymple, Revelation and the Two Witnesses: The Implications for Understanding John’s Depiction of the People of God and His Hortatory Intent (Eugene, OR: Resource Publications, 2011), p. 72, afirma que “uma vez que os últimos relatos são consistentemente mais detalhados, muitas vezes servem para esclarecer textos anteriores.”

28 E.g., G. K. Beale, “The Book of Revelation,” New International Greek Testament Commentary (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1999), p. 135, menciona Isaías, Ezequiel, Daniel e Zacarias.

29 Ver William H. Shea, “Daniel 7–12,” The Abundant Bible Amplifier Series (Boise, ID: Pacific Press, 1996), p. 152. Idem, “Unity of Daniel,” em Symposium on Daniel, e. Frank B. Holbrook, Daniel & Revelation Committee Series, vol. 2 (Silver Spring, MI: Biblical Research Institute, 1986), p. 186. Às vezes, Daniel 2 e 7, e Daniel 7 e 8, são comparados detalhadamente. See Shea, “Unity of Daniel,” pp. 170, 171, 209. Embora não mencione o termo “recapitulação”, Shea enfatiza claramente o caráter paralelo desses capítulos de Daniel.

30 Arthur J. Ferch, “Authorship, Theology, and Purpose of Daniel,“ em Symposium on Daniel, e. Frank B. Holbrook, Daniel & Revelation Committee Series, vol. 2 (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 1986), p. 48.

31 C. F. Keil e F. Delitzsch, Commentary on the Old Testament, 10 vols. (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1982), 9:15.

32 Os textos bíblicos são da Nova Almeida Atualizada, salvo indicação em contrário.

33 Ver, e.g., Shea, “Unity of Daniel,” p. 187.

34 E.g., o “diário” em Daniel 8:11–13 e 11:31; o “tempo, tempos e metade de um tempo” em Daniel 7:25 e 12:7; e “a Terra Gloriosa” em Daniel 8:9 e 11:16.

35 Não há um único capítulo de Daniel que não tenha ecos ou alusões no Apocalipse.

36 Beale, The Book of Revelation, pp. 135–136.

37 Ibid., p. 140.

38 A discussão de Beale sobre a influência daniélica aparece no Livro do Apocalipse, pp. 135–141. Ver, também, G. K. Beale, The Use of Daniel in Jewish Apocalyptic Literature and in the Revelation of St. John (Lanham, MD: University Press of America, 1984), pp. 272–285.

39 Simon J. Kistemaker, New Testament Commentary: Exposition of the Book of Revelation (Grand Rapids, MI: Baker, 2001), p. 8.

40 Geralmente, concorda-se que as duas formas de numeração ainda descrevem o mesmo intervalo de tempo. Eles são entendidos como três anos e meio (com Daniel 7:25 como pano de fundo), 1.260 dias ou 42 meses. Cp. Osborne, p. 482. Smalley, p. 331.

41 Ver William H. Shea, “Time Prophecies of Daniel 12 and Revelation 12–13,” em Symposium on Revelation, Livro I, Daniel & Revelation Committee Series, vol. 6, e. Frank B. Holbrook (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 1992), p. 349.

42 Ekkehardt Müller, “Der Erste und der Letzte: Studien zum Buch der Offenbarung,” Series: Adventistica Forschungen zur Geschichte und Theologie der Siebenten-Tags-Adventisten, vol. 11 (Frankfurt: Peter Lang, 2011), pp. 170–172.

43 Duas vezes afirma-se que o dragão deu sua autoridade à besta. Além disso, a expressão “foi-lhe dada” aparece quatro vezes.

44 William H. Shea, “Time Prophecies,” pp. 354–359, e Wio que indicalliam G. Johnsson, “The Saint’s End-Time Victory over the Forces of Evil,” em Symposium on Revelation-Book II, Daniel & Revelation Committee Series, vol. 7, e. Frank B. Holbrook (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 1992), p. 24.

45 Esta guerra parece ser a guerra escatológica do dragão contra o remanescente (Ap 12:17), na qual ele usa a besta do mar como seu agente.

46 Beale, The Book of Revelation, p. 132, afirma: “Os refrões sobre a queda de Babilônia em 14:8; 16:19; 17:16; 18:2, 10, 17, 19–21; e 19:2–3 certamente não são descrições de diferentes eventos sequenciais, mas do mesmo juízo cataclísmico.”

47 E.g., Stephen Pattemore, Souls under the Altar: Relevance Theory and the Discourse Structure of Revelation (Nova York: United Bible Societies, 2003), p. 118.

48 E.g., Collins, The Combat Myth, pp. 16–19.

49 Ver Ekkehardt Müller, “Microstructural Analysis of Revelation 4–11,” Andrews University Seminary Doctoral Dissertation Series, vol. 21 (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 1996); idem, “Recapitulation in Revelation 4–11,” pp. 260–277.

50 Cp. Stefanovic, p. 164

51 Mathias Rissi, Was ist und was geschehen soll danach: Die Zeit- und Geschichtsauffassung der Offenbarung des Johannes (Zürich: Zwingli Verlag, 1965), pp. 8–11. Ele conecta o silêncio ao Dia do Senhor. É um clímax e não uma transição para a próxima série de setes. Cp. Michel Gourgues, “‘L’Apocalypse’ ou ‘les trois Apocalypses’ de Jean?” Science et Esprit 35 (1983): 304–311.

52 Ver, e.g., Smalley, p. 209.

53 Ver, e.g., Beale, The Book of Revelation, pp. 445–452, e Osborne, pp. 336–338, embora não concordemos com todas as suas interpretações; Mounce, pp. 170–171.

54 Para uma lista mais completa e detalhada, ver Mueller, “Recapitulation in Revelation 4–11,” pp. 265–271.

55 Ver recapitulação em Daniel.

56 Ver, e.g., Collins, The Combat Myth, pp. 26, 36; Desmond Ford, Crisis! A Commentary on the Book of Revelation, 3 vols. (Newcastle, CA: Desmond Ford Publications, 1982), 2:504, 548; Wayne Richard Kempson, “Theology in the Revelation of John” (Ph.D. dissertation, The Southern Baptist Theological Seminary, 1982), pp. 119, 123, 140; e Richard C. Lenski, The Interpretation of St. John’s Revelation (Minneapolis, MN: Augsburg Publishing House, 1963), pp. 357–358.

57 Ver Paul S. Minear, I Saw a New Earth: An Introduction to the Visions of the Apocalypse (Washington, DC: Corpus Books, 1968), pp. 96–97, 105, 114, 117; Strand, “The Eight Basic Visions,” p. 114.

58 Apocalipse 11:18: “Na verdade, as nações se enfureceram [apontando para Ap 12–14]; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos [apontando para Ap 15–18], para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes [apontando para Ap 21–22], e para destruíres os que destroem a terra [apontando para Ap 21–22].”

59 E.g., John Wick Bowman, “The Revelation to John: Its Dramatic Structure and Message,” Interpretation 9 (1955): 439–443; Smalley, p. 22.

60 E.g. Osborne, p. 452.

61 Ver, e.g., Osborne, p. 31.

62 Ver, e.g., Beasley-Murray, p. 32; Mounce, p. 35.

63 Cp. Beale, The Book of Revelation, p. 611.

64 Mounce, p. 289. Cp. Krodel, p. 280.

65 William Hendriksen, More than Conquerors: An Interpretation of the Book of Revelation (Grand Rapids, MI: Baker, 1961), p. 35, faz esta interessante afirmação: “Observamos que as seções finais do Apocalipse, embora sincronizadas com as outras seções e aplicáveis ​​a todo o curso da história, descrevem especialmente o que acontecerá em conexão com o juízo final. . . . O livro revela um progresso gradual na ênfase escatológica.” Concordamos com ele no que diz respeito ao foco escatológico, mas não com a sua opinião de que esta parte se aplica a “todo o curso da história.”

66 Brighton, p. 29; cp. Beale, The Book of Revelation, p. 127,

67 Kenneth A. Strand, Interpreting the Book of Revelation: Hermeneutical guidelines, with Brief Introduction to Literary Analysis (Worthington, OH: Ann Arbor Publishers, 1979), p. 53.

68 Cp. Beale, The Book of Revelation, pp. 123–124.

69 Osborne, p. 443.

70 Mounce, p. 227.

71 Ver Smalley, p. 377.

72 Beale, The Book of Revelation, p. 121.

73 Ver Mueller, “Recapitulation in Revelation 4–11,” p. 269.

74 Estou em dívida com Strand, “The Eight Basic Visions,” pp. 112–1defendêbuscá-lo-lo14.deve-se

75 Cp. Beale, The Book of Revelation, p. 127.

76 Craig R. Koester, Revelation and the End of All Things (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2001), p. 90.

77 Cp., e.g. Osborne, p. 464. Krodel, p. 241.

78 Ver Ekkehardt Mueller, “O Remanescente no Tempo do Fim em Apocalipse,” https://estudosadventistas.com.br/o-remanescente-no-tempo-do-fim-em-apocalipse/, acessado em 22/08/2026.

79 Cp. Ver Gerhard Pfandl, “The Year-Day Principle,” Reflection: A BRI Newsletter 4.18 (2007): 1–3.

80 Cp. William H. Shea, “Selected Studies on Prophetic Interpretation,” Daniel & Revelation Committee Series, (Washington, DC: Review and Herald, 1982), pp. 56–93, 116–123; Pfééandl, pp. 1–3.

81 Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 585.

82 Aune, lxxv.

83 Aune, lxxxix.

84 Beale, The Book of Revelation, p. 133,

85 Ver Frank B. Holbrook, e., “Daniel and Revelation Committee: Final Report,” Symposium on Revelation–Book II, Daniel and Revelation Committee Series, vol. 7 (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 1992), p. 453.

86 Ver Gerhard Pfandl e Ekkehardt Mueller, “How Do Seventh-day Adventists Interpret Daniel and Revelation?” em Interpreting Scripture: Bible Questions and Answers. Biblical Research Institute Studies, vol. 2, e. Gerhard Pfandl, (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2010), pp. 79–89.

87 Ver Beale, The Book of Revelation, p. 15.

88 Em Apocalipse 4:5 aparecem relâmpagos, vozes e estrondos de trovões. Apocalipse 8:5 acrescenta como novo elemento os terremotos. Apocalipse 11:19 tem cinco elementos, incluindo granizo forte.

89 Embora deva ser admitido que quase todas as combinações foram tentadas na história da igreja. Ainda assim, a progressão é mais prevalente entre os futuristas do que entre os preteristas ou historicistas.

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