Em Busca do Equilíbrio: A Questão da Perfeição no Adventismo

Em Busca do Equilíbrio: A Questão da Perfeição no Adventismo1


Pastor Dan-Adrian nasceu em Oradea (Bihor, Romania). Além de Teologia, também é formado em Economia e possui um MA em Religião pelo programa de extensão da Andrews University em Cernica; concluiu seu doutorado na Adventist International Institute of Advanced Studies (AIIAS) nas Filipinas. É casado com Gianina e apaixonado pela obra educacional adventista.


Tradução: Hugo Martins


O artigo “Em Busca do Equilíbrio: A Questão da Perfeição no Adventismo” (Original em Inglês: “Striking a Balance: Adventism and the Quest for Perfection”), por Dan-Adrian Petre, foi publicado, inicialmente, pelo Adventist Biblical Research Institute.  Usado com permissão.


Introdução

O Deus dos filósofos, que influenciou a compreensão de Deus no teísmo clássico, é um ser perfeito. Nesta visão, a perfeição de Deus é um estado fixo e absoluto que não aceita novas experiências.2 Em virtude desta possível definição, é fácil ler na Bíblia a mesma condição estática e estabelecida de perfeição quando, por exemplo, Jesus Cristo nos ordena: “sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês, que está no céu” (Mt 5:48).3 Como resultado, tal perfeição significaria atingir um patamar definido a partir do qual nenhuma mudança seria possível.

Felizmente, o Deus dos filósofos não é o Deus retratado na Bíblia. É claro que isso não significa que o Deus bíblico não seja perfeito ou não deseje a perfeição dos seres humanos. Todavia, qualquer afirmação sobre Deus deve corresponder ao que a Bíblia afirma sobre Deus e sua atividade.4 Como tal, qualquer discussão sobre a perfeição cristã deve começar com o testemunho bíblico.

Conforme ilustrado na segunda parte deste artigo, o espectro teológico adventista sobre perfeição, hoje, abrange diferentes pontos de vista. Algumas interpretações se alinham melhor com o testemunho bíblico, enquanto outras refletem o perfeccionismo humano. Em um sentido mais amplo, o perfeccionismo humano se refere a “qualquer forma de falsificação teológica ou distorção religiosa do conceito bíblico de perfeição.”5 Embora a perfeição seja o plano de Deus para o seu povo, o perfeccionismo é um pobre substituto humano para o plano divino. Para compreender o que é a perfeição bíblica e qual o seu papel no grande conflito entre Cristo e Satanás, este artigo começa onde a Bíblia começa, com a criação dos humanos e do seu ambiente. Em seguida, explora o conceito de perfeição bíblica no Antigo e no Novo Testamento. Segue-se, então, uma breve visão geral de alguns pontos de vista importantes na teologia adventista contemporânea, onde examinaremos a posição da teologia de última geração (TUG) como uma ilustração do perfeccionismo. São apresentadas apenas as principais características distintivas da posição TUG, sem apontar as variantes menores dentro desta posição; o mesmo se aplica à visão não-TUG. Por fim, o artigo termina com uma síntese do conceito e uma conclusão. Devido a restrições de espaço, as perspectivas de Ellen G. White e de outros adventistas influentes, como E. J. Waggoner, A. T. Jones ou M. L. Andreasen, não são exploradas neste contexto específico, pois foram abordadas por outros autores.6

Imago Dei e Perfeição

Quando Deus criou os primeiros seres humanos, eles refletiam a imago Dei (imagem de Deus, Gn 1:26–28), incluindo aspectos estruturais, relacionais e funcionais.7 Os humanos eram perfeitos em todos os aspectos. A perfeição não era estática, mas dinâmica: Adão e Eva deveriam crescer na obediência fiel aos mandamentos de Deus (Gn 1:28; 2:16–17). A perfeição também estava relacionada à sua obediência fiel aos mandamentos de Deus (Gn 1:28; 2:16–17). A entrada do pecado no mundo desfigurou a imagem de Deus nos humanos, mas não a destruiu completamente. Relacionalmente, os seres humanos ficaram separados de Deus (Ef 2:3; Cl 1:21). Estruturalmente, eles passaram a ter uma natureza pecaminosa, com uma inclinação para o mal (Sl 51:5; Rm 7:17). Funcionalmente, eles ficaram propensos a cometer atos pecaminosos (Is 64:6; Rm 3:9–18).

No entanto, Deus não abandonou a sua criação. O plano de Deus para restaurar a imago Dei se centra em Suas ações “para salvar a humanidade a partir de dentro, do nosso reino genético, da posição estratégica de um ‘Filho de Deus’ que nascerá dentro da linhagem de Adão, a fim de redimir a queda de Adão.”8 Como “a imagem do Deus invisível” (Cl 1:15), Jesus Cristo é nosso Salvador (2 Tm 1:10; 1 Jo 4:14) e exemplo (Ef 5:1–2; 1 Pe 2:21). Ele é a imagem da nova humanidade restaurada (Cl 3:9–11; 2Co 5:17). Como aquele que foi “aperfeiçoado por meio do sofrimento” (Hb 2:10; cp. 5:9; 7:28), Jesus é capaz de nos tornar perfeitos (Hb 10:14; cp. 10:1). Seu poder, como no caso de Paulo, “se aperfeiçoa” (2 Co 12:9) na fraqueza humana. Dado que o plano de Deus de restaurar sua imago Dei nos seres humanos está intimamente ligado ao conceito de perfeição, é necessário explorar a ideia de perfeição bíblica como a Bíblia a retrata, a fim de compreender o ímpeto restaurador divino.

Perfeição na Bíblia

Perfeição no Antigo Testamento

Diferentes palavras do Antigo e do Novo Testamento refletem o conceito de perfeição em relação a Deus ou aos humanos. No Antigo Testamento, termos como tāmîm (“completo, perfeito, íntegro, irrepreensível, íntegro, sem culpa ou mácula, são”), tām (“decente, são, irrepreensível, íntegro”) e šālēm (“inteiro, totalmente devotado, completo, perfeito”) são usados ​​com mais frequência.9 Diversas ocorrências se referem a Deus. Em seu cântico, Moisés contrasta a fidelidade à aliança divina com a corrupção humana. A obra de Deus é “perfeita [tāmîm], e todos os seus caminhos são justos”, escreve Moisés, “um Deus fiel, sem engano, justo e reto é ele” (Dt 32:4). Ecoando o louvor de Moisés à fidelidade da aliança de Deus, Davi indica por que o “caminho de Deus é perfeito [tāmîm]”; “a promessa do Senhor se confirma; ele é um escudo para todos os que nele se refugiam” (2 Sm 22:31; cp. Sl 18:30). A lei de Deus, refletindo sua benevolência pactual, “é perfeita [tāmîm], restaura a alma” (Sl 19:7), assim como o sol abrange toda a terra.”10 A perfeição de Deus se refere, portanto, às suas ações à medida que revelam a sua vontade de cumprir a aliança com Israel.11

O mesmo significado dinâmico surge quando os termos ocorrem em referência a humanos. Noé (Gn 6:9) e Abrão (Gn 17:1) são “irrepreensíveis [tāmîm]”; Jó também é “irrepreensível [tām]” (Jó 1:1; cp. 1:8; 2:3). Israel deve “permanecer completamente leal [tāmîm]” a Deus (Dt 18:13), e “servi-lo com sinceridade [tāmîm] e com fidelidade” (Js 24:14). Davi clama a Deus por juízo, para vindicá-lo: “Faze-me justiça, Senhor, pois tenho andado na minha integridade [tām] e confio no Senhor, sem vacilar” (Sl 26:1). Andar em integridade é uma expressão idiomática, descreve sua vida e seus motivos irrepreensíveis.12 Tal vida não é produto dos esforços de alguém. É o caminho perfeito (tāmîm) de Deus (Sl 18:30) — isto é, sua dinâmica e bondade nas ações da aliança (Sl 18:6–19) — que tornou o caminho de Davi perfeito (tāmîm; Sl 18:32), ou seguro e pronto para a batalha.13 Um amoroso relacionamento de aliança com Deus (Sl 18:1, 50) garantiu a perfeição de Deus na vida de Davi. Dentro da aliança de Deus, os humanos vivem uma vida de integridade com afeições e escolhas irrepreensíveis. Seu desejo contínuo é ter seus corações “irrepreensíveis [tāmîm]” nos estatutos de Deus (Sl 119:80). Portanto, visam a maturidade moral através do “treinamento progressivo na sabedoria bíblica.”14

O povo tāmîm é equiparado aos justos que herdarão a terra no livro de Provérbios (Pv 2:21; 28:10). Eles mantêm seus caminhos retos (Pv 11:5) e são um deleite para o Senhor (Pv 11:20). “Quem anda em integridade [tāmîm] será salvo, mas o perverso em seus caminhos cairá logo” (Pv 28:18). No contexto desses provérbios, tāmîm caracteriza um modo de vida em aliança, uma resposta daqueles que aceitam o domínio de Deus em suas vidas. Portanto, o fundamento da vida em aliança não é a obediência aos mandamentos de Deus, mas sim o método pelo qual as bênçãos da aliança são preservadas.15

Em Reis e Crônicas, o termo šālēm se refere principalmente ao compromisso total de alguém com Deus. Davi orientou Salomão a conhecer “o Deus do seu pai e sirva‑lhe de todo [šālēm] o coração e com boa disposição” (1 Cr 28:9 NVI). Davi também orou publicamente a Deus para conceder a Salomão “um coração íntegro [šālēm]” (1 Cr 29:19) para guardar os mandamentos de Deus e construir o templo. Na dedicação do templo, Salomão orientou o povo a ter “perfeito [šālēm] o vosso coração para com o SENHOR, nosso Deus, para andardes nos seus estatutos e guardardes os seus mandamentos, como hoje o fazeis” (1Rs 8:61 [ARA]). Infelizmente, ele não seguiu este conselho, “e o seu coração já não era totalmente dedicado [šālēm] ao Senhor, o seu Deus, como fora o coração de Davi, o seu pai” (1 Reis 11:4 NVI). Salomão pavimentou um caminho seguido por muitos de seus descendentes que ocuparam o trono de Judá (e.g., 1 Rs 15:3; 2 Cr 25:2).

Olhando para os exemplos acima, podemos concluir que, no Antigo Testamento, a perfeição de Deus se refere ao relacionamento pactual dinâmico em que ele manifesta a sua fidelidade interior para com o seu povo escolhido. Quando os termos são geralmente traduzidos como “perfeito” nas versões inglesas da Bíblia e se referem aos humanos, eles abrangem os motivos da pessoa e uma orientação interiorizada de dedicação completa a Deus, juntamente com o comportamento resultante em obediência à lei de Deus. Estes fazem parte do relacionamento de aliança com Deus e surgem da maneira perfeita de Deus em interagir com seu povo da aliança. Dentro da aliança, Deus vindica o seu povo, como revela o exemplo de Davi.

Perfeição no Novo Testamento

 Várias ocorrências se referem a Deus. No Novo Testamento, termos como teleioō (“completar, terminar, pôr fim”), teleios (“perfeito, maduro, totalmente desenvolvido”), epiteleō (“terminar, completar, cumprir”), teleiotēs (“perfeição, completude, maturidade”), ou amōmos (“sem mácula, sem culpa”) são mais frequentemente usados ​​para transmitir o conceito de perfeição.16 Diversas ocorrências se referem a Deus. Provavelmente a mais conhecida está em Mateus 5:48: “Portanto, sejam perfeitos [teleios] como é perfeito [teleios] o Pai de vocês, que está no céu.” No contexto da perícope de Mateus 5:43–48, Deus é misericordioso e compassivo (cp. Lucas 6:36), manifestando bondade sobre os maus e os bons indiscriminadamente (Mt 5:45). Esta benignidade divina manifesta a perfeição de Deus. Ele dá exemplo para seus seguidores, que imitam essa bondade em relação aos outros, em vez de quaisquer normas sociais (Mt 5:46–47). Os genuínos seguidores de Deus olham além de quaisquer regras de conduta para o caráter de Deus.

O conceito de perfeição também ocorre em relação a Jesus e sua atividade nos livros de João e Hebreus. Durante sua missão terrena, Jesus declarou que seu alimento é fazer a vontade de Deus e “concluir [teleioō] a sua obra” (Jo 4:34 [NVI]). Sua obra foi concluída realizando a “obra que o Pai me confiou para concluir [teleioō]” (Jo 5:36 [NVI]). Pouco antes de sua crucificação, Cristo declarou que glorificou o Pai “completando a obra” (Jo 17:4) a ele confiada.17

No livro de Hebreus, o conceito é aplicado quatro vezes a Jesus. Em relação a Jesus e à sua obra, Deus tornou Cristo perfeito [teleioō] “por meio dos sofrimentos” (Hb 2:10). Ao usar o plural (“sofrimentos”) em Hebreus 2:10, o autor lembra aos leitores que Cristo “aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 5:8). Esses sofrimentos culminaram com a morte de Cristo. “Tendo sido aperfeiçoado [teleioō],” Jesus “tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb 5:9). Jesus é apresentado como “autor e consumador [teleiōtēs] da fé” (Hb 12:2 NVI). A morte de Cristo foi o meio para que “destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo” (Hb 2:14). Em Hebreus 7:28, o escritor relaciona a perfeição de Cristo com a sua posse como sumo sacerdote, “o Filho, perfeito [teleioō] para sempre.” Como sumo sacerdote divino-humano, Jesus media a salvação para seus seguidores (Hb 2:14–18; 14:14–16).

O uso de teleioō sobre Jesus não implica imperfeição ético-moral, pois Jesus era “sem pecado” (Hb 4:15) e “sem mácula [amōmos]” (Hb 9:14; cp. 1 Pe 1:9).18 Cristo manteve um relacionamento filial com Deus durante a encarnação (Hb 3:6; 5:8), o que é indicativo de seu aprendizado de se submeter como Filho à disciplina (Hb 5:7-8) e vontade (Hb 10:5-10)19 de seu Pai. Contudo, seu aprendizado não foi da desobediência à obediência; em vez disso, ele se submeteu perfeitamente a Deus e foi obediente até a morte (Hb 5:7).20 O termo teleioō, conforme aplicado a Cristo, se refere a esta experiência dinâmica de submissão fiel (Hb 2:13; 3:2). Ele inaugura então a experiência humana de fé e a aperfeiçoa (Hb 12:2). Além disso, após Cristo ser aperfeiçoado (Hb 7:28), ele foi entronizado como o filho real de Deus, inaugurando seu ministério celestial.21 Devido aos seus ministérios terrestres e celestiais, Cristo se qualifica para “salvar totalmente [pantelēs] os que por ele se aproximam de Deus” (Hb 7:25), preenchendo a lacuna relacional entre Deus e os humanos, restaurando assim a faceta relacional da imago Dei nos humanos.

Em relação aos humanos, o desideratum de Cristo em Mateus 5:48 ofusca todas as outras ocorrências do conceito. Em seu contexto, teleios do versículo 48a se centra no amor como a orientação da vida de alguém.22 Esta orientação não é estática e fixa, mas aberta a horizontes novos e mais amplos. Quando Jesus disse ao jovem rico: “Se você quer ser perfeito [teleios], vá, venda . . . dê . . . siga-me” (Mt 19:21). Ele lhe disse que a perfeição estava além de sua interpretação fixa dos princípios de Deus. Foi encontrado no discipulado.23

Somente na unidade com Jesus os discípulos podem ser “aperfeiçoados na unidade [teleioō]” (Jo 17:23). A manifestação do amor divino na vida de uma pessoa é experiencial (isto é, cumpridor da lei; Jo 14:15, 21; 15:10, 12; 1 Jo 2:3–4; 3:22–24), levando à perfeição: “quem guarda a sua palavra, nele verdadeiramente tem sido aperfeiçoado o amor de Deus” (1 Jo 2:5; cp. 4:12, 16–17). O relacionamento de amor com Deus e com os semelhantes resulta em confiança no juízo. Não há medo do juízo, pois “o perfeito amor lança fora o medo . . . e quem teme não é aperfeiçoado no amor” (1 Jo 4:18).

Nas epístolas paulinas, os termos que refletem o conceito de perfeição transmitem maturidade espiritual. Paulo chama de maduros [teleios] aqueles que discernem espiritualmente a sabedoria de Deus (1Co 2:6). Eles manifestam um pensamento maduro [teleios] em contraste com um pensamento infantil (1Co 14:20). Além disso, eles removem “toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando [epiteleō] a nossa santidade no temor de Deus” (2 Co 7:1). A mudança inicia pelo Espírito e continua sob sua orientação, sem querer “se aperfeiçoar [epiteleō] pelo esforço próprio?” (Gl 3:3 NVI), como alguns na Galácia.

O plano de Deus para a humanidade é “sermos santos e irrepreensíveis [amōmos] diante dele” (Ef 1:4). Ser irrepreensível só é possível em Cristo (Ef 1:3), e de acordo com o modelo de Cristo. Ele é capaz de mudar a orientação interna do pecado para a justiça, restaurando a faceta estrutural da imago Dei nos humanos. Sua unidade exemplar de fé e conhecimento deve ser imitada pelo corpo de crentes na terra: “até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de pessoa madura, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4:13). Cristo prepara a igreja para ser “santa e sem defeito [amōmos]” (Ef 5:27; cp. Jd 24). Embora isto tenha uma aparente orientação escatológica, a perfeição da Igreja também tem uma dimensão presente.24 É vital observar que, para os crentes, a maturidade presente e futura resulta da obra de Deus na vida deles. Como Paulo observa em Filipenses 1:6: “Estou certo de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la [epiteleō] até o Dia de Cristo Jesus.” Enquanto “Deus é quem efetua em vocês tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13), os crentes devem “pôr em prática” sua salvação presente (Fp 2.12 NVI), para que eles “sejam irrepreensíveis [amemptos] e puros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual vocês brilham como luzeiros no mundo” (Fp 2:15; cp. Cl 4:12). Neste processo de aperfeiçoar — ou santificar — seus seguidores, Cristo restaura a faceta funcional da imago Dei.

Existe um equilíbrio delicado entre a ação divina e a resposta humana. Exemplo de Paulo é significativo. Por um lado, ele se descreve como “irrepreensível [amemptos]” (Fl 3:6). Embora isso pareça representar uma vida pactual completa e perfeita, Paulo reconhece isso como “justiça própria, que procede de lei” (Fp 3:9). No entanto, ele renuncia à sua justiça e considera “tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo” (Fp 3:8). Ele ainda escreve: “Não que eu já tenha recebido isso ou já tenha obtido a perfeição [teleioō]” (Fp 3:12). Ser aperfeiçoado se refere a alcançar seu objetivo, isto é, obter o conhecimento escatológico completo de Cristo.25 Ele estava disposto a crescer em direção a este objetivo: “prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” (Fp 3:12). A definição de perfeição de Paulo é o crescimento contínuo no conhecimento experiencial e pessoal de Cristo. Incluindo-se entre os maduros [teleios], Paulo exorta seu público a “que tenhamos este modo de pensar” (Fp 3:15). Sua missão de proclamação, admoestação e ensino é para que “apresentemos cada pessoa perfeita [teleios] em Cristo” (Cl 1:28; cp. 1 Ts 2:19–20; 5:23). A maturidade é, portanto, orientada para o futuro, mas também para o presente. Implica pertencer a Cristo e se tornar cada vez mais semelhante a ele no amor, “que é o vínculo da perfeição [teleiotēs]” (Cl 3:14). Tal amor é “um compromisso pactual entre nós, de presença e defesa na jornada para a cristoformidade.”26

O livro de Hebreus revela a mesma dinâmica “já/não ainda”. Pelo seu sacrifício irrepreensível, Cristo “aperfeiçoou [teleioō] para sempre os que estão sendo santificados” (Hb 10:14). Cristãos são exortados a permanecer fiéis e perseverar27 em seu relacionamento atual com Cristo. Através de Cristo, a faceta funcional da imago Dei é restaurada nos crentes, e eles podem então “avançar para o que é perfeito” (Hb 6:1). Portanto, os crentes ainda não são perfeitos, mas estão em processo de maturidade.28 A maturidade dos teleioi (Hb 5:14) não é apenas “um ideal ou uma meta distante, mas a norma esperada de um crente,”29 como indica Hebreus 11. A fé de cada pessoa revela uma relação madura de obediência total a Deus (cp. Tg 222). A norma esperada dos crentes do passado é a mesma para os crentes atuais. É somente através de sua graça e misericórdia que “Deus tinha previsto algo melhor para nós, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados [teleioō]” (Hb 11:40). Portanto, o cumprimento da perfeição escatológica de Deus, seja na primeira ou na segunda vinda de Cristo, não resulta do desempenho humano, mas se trata de uma expressão da graça divina (cf. Ef 5:26-27; Ap 19:8).

No livro do Apocalipse, a última geração, simbolicamente representada pelos 144.000, é descrita como irrepreensível [amōmos] em Apocalipse 14:5, semelhante ao Cordeiro que eles seguem (cp. Hb 9:14; 1 Pe 1:19).30 Assim como o povo do Antigo Testamento que andava irrepreensivelmente com Deus (Gn 6:9; 17:1), este grupo é leal a Cristo, seguindo-o por toda parte (Ap 14:4). Eles lavaram suas roupas, um símbolo de boas ações (Ap 19:8), “no sangue do Cordeiro” (Ap 7:14), e, em razão disso, podem permanecer diante do trono de Deus (Ap 7:15). A realização da promessa escatológica é facilitada através do sacrifício de Cristo, e não através do esforço humano. Isto não sugere passividade entre seus seguidores; em vez disso, demonstram lealdade e salvaguardam a sua fidelidade a Deus, mesmo diante de prejuízos (Ap 7:14–17). Ainda que Deus possa conduzir a última geração “a lugares onde ninguém jamais esteve” —implicando, assim, em novas experiências que conduzem a um crescimento na fé— a fé da última geração tem a mesma substância que a das gerações anteriores.31

No Novo Testamento, a perfeição de Deus se refere à manifestação de sua benignidade divina para com seu povo. Em sua vida e morte, Cristo obedeceu a Deus por meio da fé, abrindo o caminho da perfeição para todo ser humano. A perfeição é, portanto, uma submissão amorosa e fiel a Deus como orientação principal da vida de alguém. Refletindo o princípio abrangente do amor que é o caráter de Deus (1 Jo 4:8, 16) e a base da sua lei (Mt 22:37–40), a perfeição é encontrada no discipulado. Aqueles que permanecem em Deus amam seus semelhantes. Isto revela a maturidade espiritual deles. Tal maturidade é um crescimento contínuo no conhecimento experiencial e pessoal de Cristo. É caracterizada por uma dinâmica “já/não ainda.” Esta dinâmica tem as dimensões passada, presente e futura. Por meio do sacrifício de Cristo, todos aqueles que o escolheram foram aperfeiçoados. A Escritura se torna um apelo para que perseverem no seu relacionamento fiel com Cristo, pois a maturidade é o padrão de Deus para eles. Por fim, o cumprimento da perfeição escatológica de Deus não está enraizado no desempenho humano, mas na manifestação da graça divina tornada possível unicamente por meio de Cristo.

Identidade e Perfeição Adventista

A perfeição bíblica faz parte da identidade doutrinária adventista. Refletindo a linguagem bíblica, as Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia fornecem vários exemplos.32 Embora a formulação dessas crenças reflita com precisão o texto bíblico, existem várias discussões dentro do adventismo a respeito da perfeição e do perfeccionismo. Para alguns, o perfeccionismo está associado à chamada “teologia da última geração,”33 anteriormente chamada de “perfeição da geração final.”34 A diferença entre os proponentes TUG e não-TUG depende de três conceitos inter-relacionados: (1) a definição de pecado (e, como corolário, a natureza de Cristo), (2) a definição de perfeição, e (3) o papel que a última geração desempenha no grande conflito entre o bem e o mal. Embora não seja objetivo deste artigo entrar em maiores detalhes consonante às perspectivas sobre o pecado ou o papel da última geração, temos, no entanto, de olhar atentamente a definição de perfeição, a fim de compreender melhor as posições TUG e não-TUG.

Duas Perspectivas de Pecado

TUG define o pecado como pecado real e deliberado35 —isto é, como atos pecaminosos, conforme definidos pelos mandamentos de Deus. Pecado se refere apenas a atos que incorrem em culpa, resultantes de escolha pessoal. “Pecados de ignorância,” referindo-se a transgressões decorrentes de uma “falta de entendimento ou mal-entendido religioso geral” que os indivíduos desconhecem, e, portanto, não podem se arrepender, juntamente com os efeitos do pecado — “tais como doenças, defeitos físicos ou mentais, e deterioração que leva à morte” — são cobertos pela expiação de Cristo e não incorrem em culpa ou condenação dos seres humanos.36 Além disso, os teólogos da TUG distinguem entre tendências para o pecado — “a tendência é virtualmente igual ao hábito” — e impulsos para o pecado, “a tentação que surge da natureza deformada de alguém.”37 Ambos são mantidos sob controle em união com Cristo. Consequentemente, o foco está nas facetas funcionais e relacionais da natureza humana.38 Portanto, quando os humanos param de cometer atos éticos ou moralmente errados, eles alcançam a perfeição exigida por Deus — a “perfeição sem pecado da alma.”39 Impecabilidade se refere aqui à perfeição do caráter, não a um estado físico no qual os humanos não podem pecar ou à perfeição absoluta.40

Para os teólogos não-TUG, o pecado é um relacionamento rompido resultante da rebelião contra Deus que leva a ações pecaminosas que confinam a humanidade a um estado pecaminoso caracterizado por inclinações para o mal (Mt 15:19; Rm 5:10; 7:20; Cl 1:21).41 Consequentemente, além dos danos funcionais e relacionais criados pelo pecado, a natureza humana está estruturalmente infectada e afetada pelo pecado. De acordo com a TUG, os proponentes não-LGT indicam que “os humanos não são culpados por esta tendência pecaminosa e propensão ao pecado enraizada na sua natureza,” mas, em desacordo com a TUG, “este fato os coloca sob condenação e alienação para com Deus (Jo 3:36; Ef. 2:1–3).”42 No processo de crescimento, os crentes descobrem as profundezas da sua autoconfiança e incapacidade espiritual, tornando-se cada vez mais conscientes da sua pecaminosidade, mas aprendendo “a crescer em sabedoria, em refinamento, em humildade e na semelhança de Cristo” até à parousia.43 Somente na segunda vinda de Cristo a natureza humana será transformada e a presença do pecado será removida. Entretanto, cada geração, incluindo a última, tem um papel missiológico: proclamar, através de palavras e ações que refletem a lei de Deus, e, portanto, o carácter dele, o que Cristo fez e faz para nos salvar e preparar o mundo para a segunda vinda.44

Duas Perspectivas sobre O Papel da Última Geração

Refletindo o entendimento de M. L. Andreasen,45 os proponentes da TUG afirmam que a última geração alcança a “perfeição em uma natureza caída que ainda é capaz de pecar” para vindicar o caráter de Deus.46 Várias ideias-chave são centrais na argumentação da TUG, derivadas principalmente de citações seletivas dos escritos de White.47 Uma passagem frequentemente mencionada ocorre em Parábolas de Jesus: “Cristo aguarda com fremente desejo a manifestação de Si mesmo em Sua igreja. Quando o caráter e Cristo se reproduzir perfeitamente em Seu povo, então virá para reclamá-los como Seus.”48 Com base nesta passagem e no seu contexto, Herbert E. Douglass desenvolveu o chamado “princípio da colheita”: Deus atrasa a segunda vinda de Cristo “até que a semente do evangelho tenha produzido um grupo considerável e significativo de cristãos maduros na última geração.”49 Se, por um lado, “num sentido muito básico, Deus não exigirá mais da geração final do que de qualquer outra,” por outro lado, a última geração é chamada a satisfazer requisitos missiológicos e comportamentais mais elevados, de acordo com a maior luz e compreensão que receberam, especialmente considerando a crise iminente que enfrentarão.50 A demonstração de maturidade ocorre após o encerramento do tempo da graça, quando a última geração provará que só pode viver sem pecado pela graça capacitadora de Deus, vindicando Deus das acusações de Satanás de que os humanos não podem guardar a lei de Deus perfeitamente.51

Outra passagem citada dos escritos de White é do Grande Conflito: a última geração vai “estar em pé na presença de Deus. Suas vestes devem estar imaculadas, seu caráter purificado do pecado pelo sangue da aspersão. Mediante a graça de Deus e seu próprio diligente esforço, devem eles ser vencedores na batalha contra o mal.”52 Proponentes da TUG apontam para esta passagem e outras semelhantes53 para apoiar a ideia de que Deus espera que os crentes “alcancem a perfeição de caráter pronta para a colheita,” suficiente “para a trasladação, para resistir ao tempo de angústia, para estar vivo na terra quando Jesus vier.”54 Quando chegar essa hora, “os verdadeiros seguidores de Deus não precisarão mais de um mediador para o pecado.”55

Ademais, os proponentes da TUG indicam uma terceira passagem em O Desejado de Todas as Nações. Ela escreveu: “A imagem de Deus deve ser reproduzida na humanidade. A honra de Deus, a honra de Cristo, está envolvida na perfeição do caráter de Seu povo.”56 Em leitura da TUG, a última geração provará que os humanos “com natureza humana decaída podem viver sem pecar. Esta demonstração completará a vindicação do caráter e do governo de Deus e resolverá para sempre a questão da Sua justiça e misericórdia.”57 Embora isto seja descrito como uma revelação do que Deus “pode fazer com os rebeldes anteriormente egocêntricos,” a demonstração da geração final sem pecado só acontecerá quando os humanos “permitirem que Deus termine a sua obra neles.”58

Para os proponentes não-TUG, o reflexo perfeito do caráter de Cristo em seus seguidores indica a “reprodução pessoal do caráter de Cristo no crente, para que possa ser reproduzido em outros,”59 tendo, como a posição TUG, um foco missiológico. Portanto, quando os crentes refletem o amor divino no caráter deles, a sua missão é bem-sucedida e o plano de Deus é cumprido.60 Mas este não é um requisito para uma geração final futura após o encerramento da graça. Em vez disso, “a obediência perfeita deve ser demonstrada antes que o tempo da graça termine e o tempo de angústia comece,” durante o juízo investigativo, quando Deus mostra que seus “fiéis vivos são confiantes e obedientes, e, portanto, podem ser selados ou certificados como seguros para serem salvos.”61

Com relação à segunda citação de Ellen G. White do Grande Conflito, os proponentes não-TUG indicam que no mesmo livro, White afirma: “é necessário que eles [a última geração] sejam colocados na fornalha de fogo; sua natureza terrena deve ser consumida, para que a imagem de Cristo possa ser perfeitamente refletida.”62 O fato de haver “terreno” persistente na última geração aponta para um “processo de desenvolvimento após o encerramento da graça.”63 Consequentemente, não se pode descrever a perfeição da última geração como o culminar de um processo de crescimento antes do tempo de angústia; em vez disso, o foco está no próprio processo de crescimento, que continua mesmo após o encerramento da graça. De acordo com a perspectiva da TUG, os representantes que não aderem à TUG consideram que, fundamentalmente, a fé da última geração é da mesma natureza que a fé demonstrada pelas gerações anteriores. Ao receber o poder do Espírito Santo através da chuva serôdia, a última geração “testemunhará a última manifestação maligna satânica, especialmente à medida que um decreto de morte cruel e injusto se espalha pelo mundo.”64

No entanto, embora haja um consenso de que a última geração está destinada a enfrentar uma crise única enquanto é capacitada pelo Espírito Santo, os teólogos não-TUG rejeitam veementemente que apenas a última geração vindica cosmicamente o carácter de Deus. Somente “a morte de Cristo justificou o caráter de Deus e refutou as reivindicações de Satanás.”65 Na visão deles, para White, a vindicação da honra de Deus —em estreita relação com a lei divina— “sempre foi responsabilidade dos servos de Deus na terra,” e não apenas da última geração.66 Como Gane aponta: “Deus vindica a si mesmo pelo que faz por nós, em nós e por meio de nós.”67 Vindicar Deus não é uma prerrogativa da última geração, mas um privilégio de todas as gerações.

Duas Perspectivas sobre Perfeição

As duas interpretações do pecado e do papel da última geração encontram seu desfecho nas duas interpretações da perfeição. Os teólogos da última geração rejeitam como deturpação o rótulo perfeccionista.68 Em vez disso, muitos teólogos associados à TUG descrevem a perfeição como relativa e dinâmica. Herbert E. Douglass escreve que a perfeição se refere ao “padrão de vida dinâmico de uma pessoa que reflete a vida de Jesus” e não ao perfeccionismo, que é “um ponto absoluto além do qual não pode haver mais desenvolvimento.”69 C. Mervyn Maxwell aceita a expressão “perfeição sem pecado,” todavia a redefine não como “perfeição absoluta”,, mas como “verdadeira perfeição sem pecado, verdadeira perfeição de caráter.”70 Isto se refere à perfeição “que triunfa sobre todos os impulsos pecaminosos da natureza humana e emula dinamicamente as virtudes de Jesus Cristo.”71 Para Maxwell, o desenvolvimento do caráter implica “escolhas que envolvem obediência,” levando a uma “espiritualidade bem informada e madura que transcende em muito até mesmo a bela espiritualidade dos melhores adventistas mileritas.”72

Mais recentemente, Larry Kirkpatrick distingue entre “dois tipos diferentes de perfeição: entrega e maturidade de caráter.” Este último “é alcançado e preservado ao longo de nossas vidas cristãs se persistirmos na entrega do caráter.”73 Ele também distingue entre perfeição — “um exercício ininterrupto de fé que mantém a alma pura de toda mancha de pecado ou deslealdade a Deus,” referindo-se assim ao “estilo de vida dinâmico e crescente da pessoa que reflete a vida de Jesus” — e perfeccionismo, entendido como “um ponto absoluto além do qual não pode haver mais desenvolvimento.”74

Aqueles que rejeitam a TUG também definem a perfeição como dinâmica e relativa. Edward Heppenstall concorda que a perfeição é alcançável75 e a descreve como “o aperfeiçoamento de um relacionamento correto com Deus, um compromisso total, uma lealdade madura e inabalável a Jesus Cristo,” argumentando que “a palavra perfeito não quer dizer impecabilidade.”76 Portanto, para Heppenstall, “é a maturidade espiritual e a estabilidade que são possíveis nesta vida, e não a perfeição sem pecado.”77 A dinâmica que Heppenstall descreve é ​​complexa. À medida que os cristãos amadurecem, eles descobrem as profundezas da sua natureza pecaminosa, com “questões ocultas e intenções egocêntricas”. No entanto, esta “insatisfação com o nosso estado moral e espiritual em qualquer ponto do caminho” resulta de “aspirações mais fortes e desejos mais espirituais.” Para Heppenstall, “esta é a posição bíblica sobre o crescimento cristão até o retorno de Cristo.”78

Hans K. LaRondelle define a perfeição humana como uma “caminhada moral-religiosa” diária com Deus que “se manifesta em amor santo e sincero por todos os semelhantes.”79 Como tal, os humanos não possuem perfeição em si mesmos. Pelo contrário, “o verdadeiro cristão se sente cada vez mais imperfeito e indigno enquanto contempla cada vez mais a glória e a misericórdia todo-suficientes de Cristo;” como resultado, “onde Cristo reproduz sua própria imagem na alma”, ali os humanos andam “em verdadeira perfeição” com Deus e outros humanos.80 Portanto, a perfeição não se concentra na natureza humana, mas no “relacionamento perfeito da humanidade com Deus” e com outros humanos no presente e no futuro.81

Avaliando A Compreensão de Perfeição da TUG

Todas as definições acima têm diversos elementos comuns e estão refletidas no cânone bíblico. Primeiro, todas elas assumem que o plano de Deus está de alguma forma ligado à perfeição. Segundo, elas descrevem a perfeição como um processo dinâmico de crescimento —perfeição de caráter— exclusivo da perfeição da natureza, reconhecendo que Deus não remove tendências e propensões pecaminosas. Terceiro, elas enfatizam o modelo de perfeição divina, conforme ilustrado por Cristo. Quarto, todas concordam que a perfeição é mediada por Cristo e envolve a volição humana. Não obstante, existem pelo menos duas diferenças significativas.82

Primeiro, para os representantes da TUG mencionados acima, a relação com o pecado é perfilada em primeiro plano, enquanto em segundo plano está a relação com Cristo. Embora o elevado respeito pela lei divina seja louvável, o significado atribuído à obediência humana na vindicação do caráter de Deus resultou numa concentração na superação do pecado que influenciou a perspectiva da TUG sobre a perfeição. Como observou um representante, “através do mesmo poder divino usado por Jesus enquanto esteve na terra, os seres humanos nesta vida podem viver sem pecar.”83 Embora reconheça que a perfeição cristã não é “um perfeccionismo estático”, mas uma “relação dinâmica com Deus que nunca deixará de desenvolver a sua semelhança com Jesus,” a LGT apresenta ambiguamente o alcance de “um ponto no padrão de crescimento em que o cristão venceu todos os pecados conhecidos; o seu comportamento é previsivelmente amoroso, altruísta e semelhante ao de Cristo.”84 Afirmações como essa criam a impressão de que, pelo menos para alguns apoiadores da TUG, a perfeição é um estado pontual e centrado no desempenho humano. No entanto, tal abordagem altera o testemunho bíblico relativamente à perfeição como um processo contínuo que traça o perfil do envolvimento divino em vez da realização humana em primeiro plano. Embora a ênfase da TUG na obediência espelhe parcialmente a ênfase bíblica, o foco das Escrituras permanece na ação divina e não no esforço humano.

O Novo Testamento enfatiza uma dinâmica “já/não ainda”. Dado o foco na última geração, a TUG praticamente retrata a perfeição como um “já”, negligenciando a faceta “não ainda”. Como resultado, ao enfatizar a relação com o pecado, a TUG tende a ser unilateral na sua abordagem à perfeição. Aqueles que rejeitam a TUG têm o relacionamento com Cristo em primeiro plano e o relacionamento com o pecado em segundo plano. Eles definem consistentemente a perfeição como um estado contínuo, centrado no desempenho de Cristo. Embora possamos alcançar a perfeição de caráter, “isto é, uma disposição madura de amor altruísta por Deus e pelos outros,” Peckham argumenta que “a obediência genuína e a superação de ações pecaminosas só podem ser realizadas por uma obra de Deus em nós que abraçamos pela fé.”85 Tal fidelidade é melhor descrita como lealdade a Cristo. Como diz Gane: “tudo que preciso fazer é segui-lo onde ele quiser me levar, inclusive até a perfeição de caráter.”86

Segundo, o objetivo da perfeição para a TUG é a vindicação do caráter de Deus. Em sintonia com outros proponentes da TUG, Dennis Priebe afirma que a última geração, refletindo plenamente a imagem de Cristo, “será a maravilha de todo o universo. Através deles, Satanás será derrotado para sempre, e todas as questões que possam ser levantadas contra a lei de Deus, tais como se a humanidade poderia cumpri-la, serão respondidas para sempre.”87 Esta abordagem é compreensivamente rotulada como perfeccionista por outros autores adventistas.88 Eles ecoam o foco bíblico na fidelidade de Deus no seu relacionamento com os humanos. Onde os humanos falham, Deus não falha. Além disso, a evidência bíblica revela que Deus é o agente ativo na vindicação do caráter dele. No Novo Testamento, o foco primário está em destacar o desempenho de Cristo. Contudo, quando a atenção se desloca para a perfeição humana em relação à vindicação divina, tende a diminuir o significado da atuação de Cristo. A Bíblia, ao enfatizar a lealdade humana a Deus no passado, presente e futuro, em vez de mera realização humana, não se alinha com a ênfase no papel da última geração na vindicação do caráter de Deus. Este último implica um duplo padrão: um para a última geração —cujo desempenho substituirá todos os esforços anteriores— e outro para todas as eras anteriores.89 No entanto, a Bíblia tem apenas um padrão e insiste repetidamente na perfeição; não num futuro distante, mas hoje. Como tal, o padrão atual de Deus não é diferente do passado. E para todas as gerações, este padrão é cumprido apenas em e por meio de Cristo.

Conclusão

Dentro do espectro das interpretações adventistas sobre a perfeição, este artigo indica que qualquer afirmação deve corresponder ao que a Bíblia afirma sobre o conceito. Após analisar o conceito no Antigo e no Novo Testamento, surgiram vários aspectos da perfeição. Primeiro, Deus define perfeição. No Antigo Testamento, sua fidelidade à aliança é o modelo a ser espelhado. No Novo Testamento, Cristo modela a perfeição através da submissão amorosa e fiel ao plano de Deus. Em segundo lugar, a perfeição é um processo dinâmico de crescimento no amor e na submissão inabalável a Deus como orientação primária. Terceiro, a perfeição é o plano de Deus para restaurar a imago Dei na humanidade por meio de Cristo. Ele restaura o nosso relacionamento com Deus por meio de sua fidelidade, transforma a nossa orientação interior para com Deus e nos permite agir amorosamente para com os outros. Quarto, sendo resultado da ação de Deus, a perfeição não resulta do desempenho humano. Quinto, a perfeição é mediada por Cristo. Sexto, a perfeição tem um caráter “já/não ainda”, abrangendo o passado, o presente e o futuro. Como tal, está aberto a novos desenvolvimentos e descobertas sem estar limitado a um conjunto fixo de regras comportamentais.

Examinar as discussões atuais no adventismo nos beneficia com os vislumbres fornecidos por esta perspectiva multifacetada. Neste artigo, a TUG é destacada devido ao seu impacto generalizado. Embora existam alguns aspectos concordantes entre aqueles que apoiam a TUG e aqueles que têm uma compreensão diferente, notamos duas diferenças significativas entre a TUG e a representação da perfeição baseada na Bíblia. Primeiro, ao destacar a conquista do pecado na última geração, alguns representantes da TUG retratam a perfeição como um “já” pontual e escatológico relativamente mais estático do que dinâmico. Segundo, a TUG retrata o desempenho humano da última geração como um meio de vindicar o caráter de Deus para acelerar a segunda vinda de Cristo. Como indicado anteriormente, estes dois aspectos não refletem claramente o testemunho bíblico, traçando o perfil do perfeccionismo humano em vez da perfeição cristã. Além disso, tal abordagem não reflete a dinâmica “já/não ainda” que se concentra na dependência contínua de Cristo para o crescimento contínuo do caráter. Como escreveu o salmista: “Tenho visto que toda perfeição tem o seu limite; mas o teu mandamento é ilimitado” (Sl 119:96). Verdadeiramente, à luz da lei de Deus, discernimos uma profundidade de perfeição que destrói o perfeccionismo humano.


NOTAS

1 Este artigo é uma versão revisada de Dan-Adrian Petre, “Adventism Between Christian Perfection and Human Perfectionism,” em Affirming Our Identity: Current Theological Issues Challenging the Seventh-day Adventist Church, ee. Dan-Adrian Petre, Joel Iparraguirre, e J. Vladimir Polanco (Madrid: Safeliz, 2023), pp. 177–203.

2 Yujin Nagasawa, Maximal God: A New Defence of Perfect Being Theism (Oxford: Oxford University Press, 2017), p. 7.

3 Salvo indicação contrária, todas as citações bíblicas são da NAA.

4 John C. Peckham, Divine Attributes: Knowing the Covenantal God of Scripture (Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2021), p. 27.

5 Hans K. LaRondelle, “Perfection and Perfectionism: A Dogmatic-Ethical Study of Biblical Perfection and Phenomenal Perfectionism,” Andrews University Monographs Studies in Religion 3 (1971; reimpr., Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 1979), p. 246.

6 Para a opinião de White, ver Woodrow W. Whidden II, Ellen White on Salvation: A Chronological Study (Hagerstown, MD: Review and Herald, 1995). Para Waggoner, ver Woodrow W. Whidden II, E. J. Waggoner: From the Physician of Good News to the Agent of Division, Adventist Pioneer Series (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2008), especialm. pp. 345–374. Para Jones, ver George R. Knight, A. T. Jones: Point Man on Adventism’s Charismatic Frontier, Adventist Pioneer Series (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2011). Para Andreasen, ver Paul M. Evans, “A Historical-Contextual Analysis of the Final-Generation Theology of M. L. Andreasen” (PhD diss., Andrews University, 2010). Outras obras proveitosas são Eric Claude Webster, Crosscurrents in Adventist Christology (Nova York: Lang, 1984) e Cyril Marshall, “An Analysis of the Use of the Writings of Ellen G. White in the Views of Herbert Douglass and Woodrow Whidden on the Human Nature of Christ” (dissertação de doutorado, Andrews University, 2022).

7 Richard M. Davidson, “The Nature of the Human Being From the Beginning: Genesis 1–11,” em “What Are Human Beings That You Remember Them?”: Proceedings of the Third International Bible Conference, Nof Ginosar e Jerusalem, 11–21 de 2012, e. Clinton Wahlen (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2015), p. 22.

8 Ty Gibson, The Sonship of Christ: Exploring the Covenant Identity of God and Man (2018; reimpr., Madrid: Safeliz, 2019), p. 36.

9 Para detalhes, ver David J. A. Clines, ed., Dicionário de Hebraico Clássico, vol. 8 (Sheffield: Sheffield Phoenix Press, 2011), svv. Cp. Nola J. Opperwall, “Perfect, Make Perfect; Perfection,” em International Standard Bible Encyclopedia, e. Geoffrey W. Bromiley (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1986), 3:764. A palavra tāmîm é usada principalmente em ambientes de culto, para descrever um animal sem defeito trazido para sacrifício. (Klaus Koch, “תמם,” em Theological Lexicon of the Old Testament, e. Ernst Jenni with Claus Westermann, trad. Mark E. Biddle [Peabody, MA: Hendrickson, 1997], 3:1426).

10 Rolf A. Jacobson, “Psalm 19: Tune My Heart to Sing Your Praise,” em The Book of Psalms, ee. Nancy Declaissé-Walford, Rolf A. Jacobson, e Beth Laneel Tanner, New International Commentary on the Old Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2012), p. 210.

11 LaRondelle, Perfection and Perfectionism, p. 39.

12 Allen P. Ross, “A Commentary on the Psalms: Volume 1 (1–41),” Kregel Exegetical Library (Grand Rapids, MI: Kregel Academic, 2011), p. 611.

13 Alison Ruth Gray, Psalm 18 in Words and Pictures: A Reading Through Metaphor, Biblical Interpretation Series 127 (Leiden: Brill, 2014), p. 143.

14 Roy E. Gane, Old Testament Law for Christians: Original Context and Enduring Application (Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2017), p. 199.

15 Gerhard F. Hasel, “Divine Judgment,” em Handbook of Seventh-day Adventist Theology, e. Raoul Dederen, Commentary Reference Series 12 (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2000), p. 828.

16 Para detalhes, ver Frederick W. Danker et al., Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature, 3ª e. (Chicago, IL: University of Chicago Press, 2000), s.vv. “τέλειος,” “τελειόω,” “επιτελέω,” “τελειότης,” “aµωµος.” Outras palavras também têm o significado de “perfeito, completo, irrepreensível” em certos contextos, como agathos (Tt 2:10), amemptos (e.g., Lc 1:6; Fp 2:15; 3:6; 1 Ts 3:13), amemptōs (1 Ts 2:10; 5:23), amōmētos (2 Pe 3:14), anegklētos (1 Co 1:8; Cl 1:22), katartisis (2 Co 13:9), katartizō (Lc 6:40, 1 Co 1:10; 2 Cos 13:11; Hb 13:21; 1 Pe 5:10), pantelēs (Hb 7:25), plēroō (Ap 3:2), teleiōsis (Hb 7:11), ou teleiōtēs (Hb 12:2). Cf. Opperwall, 3:764–765.

17 D. A. Carson, The Gospel According to John, Pillar New Testament Commentary (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1991), p. 557, observa que Cristo inclui em sua obra a sua morte, a sua ressurreição e a sua ascensão. Cp. Lucas 12:32, implica que a morte de Cristo está ligada ao término da sua obra (“ao terceiro dia termino [teleioō] a minha obra”)

18 John Scholer, “Proleptic Priests: Priesthood in the Epistle to the Hebrews,” Journal for the Study of the New Testament Supplement Series 49 (Sheffield: Sheffield Academic Press, 1991), pp. 187–188.

19 Félix H. Cortez, Within the Veil: The Ascension of the Son in the Letter to the Hebrews, Studies in Jewish and Christian Literature (Dallas, TX: Fontes, 2020), p. 179.

20 Gareth Lee Cockerill, “The Epistle to the Hebrews,” New International Commentary on the New Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2012), pp. 247–248.

21 David L. Allen, “Hebrews,” New American Commentary 35 (Nashville, TN: B&H, 2010), pp. 329–331; Cockerill, p. 250; e Cortez, pp. 216–217.

22 Donald A. Hagner, Matthew 1-13, Word Biblical Commentary 33A (Dallas, TX: Word Books, 1993), p. 135; W. D. Davies and Dale C. Allison Jr., “A Critical and Exegetical Commentary on the Gospel According to Saint Matthew,” 3 vols., International Critical Commentary (1988–1997; reimpr., London: T&T Clark, 2003–2004), 1:562–563.

23 R. T. France, “The Gospel of Matthew,” New International Commentary on the New Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2007), p. 735.

24 Markus Barth, “Ephesians: Introduction, Translation, and Commentary on Chapters 4–6,” Anchor Bible 34A (1974; reimpr., New Haven: Yale University Press, 2008), pp. 628–629.

25 Gordon D. Fee, “Paul’s Letter to the Philippians,” New International Commentary on the New Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1995), pp. 344–345.

26 Scot McKnight, “The Letter to the Colossians,” New International Commentary on the New Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2018), p. 323.

27 Cortez, p. 300.

28 Harold W. Attridge, “The Epistle to the Hebrews: A Commentary on the Epistle to the Hebrews,” Hermeneia (Philadelphia, PA: Fortress Press, 1989), pp. 162–163.

29 Cockerill, p. 262.

30 Ranko Stefanovic, Revelation of Jesus Christ: Commentary on the Book of Revelation, 2ª e., (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2009), p. 250.

31 Roy E. Gane, The Sanctuary and Salvation: The Practical Significance of Christ’s Sacrifice and Priesthood, Seeds of Hope (Madrid: Safeliz, 2019), p. 302.

32 “Official Beliefs of the Seventh-day Adventist Church,” Seventh-day Adventist Church, 2020, https://www.adventist.org/beliefs/ (acessado em 8 de dezembro de 2023). Veja Crenças Fundamentais 4, 8, 9, 11, 13, 17, 19 e 24.

33 John C. Peckham, “Great Controversy Issues,” em God’s Character and the Last Generation, ee. Jiří Moskala e John C. Peckham (Nampa, ID: Pacific Press, 2018), 17. Cp. Woodrow W. Whidden II, The Judgment and Assurance: The Dynamics of Personal Salvation, Library of Adventist Theology (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2011), p. 146.

34 Arthur Leroy Moore, Theology in Crisis or Ellen G. White’s Concept of Righteousness by Faith as It Relates to Contemporary SDA Issues (Corpus Christi, TX: Life Seminars, 1980), p. 4. C. Mervyn Maxwell (1925–1999) também observou que o conceito da geração final, caracterizado pela reprodução perfeita do caráter de Cristo, era um tema predominante nas décadas de 1940 e 1950. (C. Mervyn Maxwell, Magnificent Disappointment: What Really Happened in 1844 and Its Meaning for Today [Boise, ID: Pacific Press, 1994], p. 154).

35 Kevin D. Paulson, What Is . . . Last Generation Theology? (Ukiah, CA: Last Generation for Christ, 2021), p. 5; Larry Kirkpatrick, Cleanse and Close: Last Generation Theology in Fourteen Points (Philippians Two Five, 2019), pp. 22–32. Usei a versão eletrônica disponível gratuitamente em https://static1.squarespace.com/static/56a433da0e4c11b9a8d2cca3/t/5c86917d4785d32088d2745c1552322942929/Cleanse+and+Close+Text_watermark.pdf.

36 Kirkpatrick, Cleanse and Close, p. 27.

37 C. Mervyn Maxwell, “Ready for His Appearing,” em Perfection: The Impossible Possibility, por Herbert E. Douglass et al., Anvil (Nashville, TN: Southern, 1975), pp. 167–168.

38 Maxwell, “Ready for His Appearing,” p. 169.

39 Ibid., p. 171. Evitando a expressão “perfeição sem pecado,” Paulson, p.25, chama o padrão divino de “obediência sem pecado.”

40 Maxwell, “Ready for His Appearing,” pp. 170–171.

41 George R. Knight, Sin and Salvation: God’s Work for and in Us, 2ª e. (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2008), pp. 186–188; e Jiří Moskala, “Origin of Sin and Salvation According to Genesis 3: A Theology of Sin,” em Salvation: Contours of Adventist Soteriology, ee. Martin F. Hanna, Darius W. Jankiewicz, e John W. Reeve (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2018), pp. 127–131.

42 Moskala, “Origin of Sin and Salvation,” p. 130. Cp. Martin F. Hanna, “What Shall We Say About Sin? A Study of Hamartia in Paul’s Letter to the Romans,” em Moskala e Peckham, God’s Character and the Last Generation, pp. 50–51.

43 Edward Heppenstall, “‘Let Us Go on to Perfection,’” em Douglass et al., p. 80.

44 Peckham, “Great Controversy Issues,” p. 16.

45 M. L. Andreasen, The Sanctuary Service, 2ª e. (1947; reimpr., Washington, DC: Review and Herald, 1969), p. 299, argumenta que os humanos “devem seguir o seu exemplo [de Cristo] e provar que o que Deus fez em Cristo, ele pode fazer em cada ser humano que se submete a ele. O mundo está aguardando esta demonstração (Rm 8:19). Quando isto acontecer, chegará o fim. Deus terá cumprido seu plano. Ele terá se mostrado verdadeiro e Satanás mentiroso. Seu governo será vindicado.” Para mais detalhes sobre a compreensão de Andreasen sobre a última geração, ver Evans, pp. 206–224.

46 Kirkpatrick, Cleanse e Close, p. 137. Sobre a vindicação do caráter de Deus, ver ibid., pp. 46–48 e Paulson, pp. 35–42. Cf. Alberto R. Timm, “The Salvation Process: Diverging Emphases,” em Theology, Philosophy, Hermeneutics, and Mission: Essays in Honor of Kwabena Donkor on His Retirement, ee. Daniel K. Bediako e Martha O. D. Duah (Accra, Ghana: Advent Press, 2022), p. 71.

47 Apenas três passagens populares são apresentadas aqui. Para outras passagens, ver Douglass, “Men of Faith,” em Douglass et al., pp. 46–51. Cp. Paulson, pp. 35–42; e Kirkpatrick, Cleanse e Close, pp. 115–119.

48 Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 69. Cp. Douglass, “Men of Faith,” pp. 14, 18, 21, 46; Paulson, p. 33; e Kirkpatrick, Cleanse and Close, p. 119.

49 Douglass, “Men of Faith,” pp. 18–19.

50 Maxwell, Magnificent Disappointment, p. 155.

51 Dennis Priebe, “God at Risk,” Dennis Priebe Ministries, https://www.dennispriebe.com/free-documents/god-at-risk/ (acessado em 8 de dezembro de 2023).

52 Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 425. Cp. Paulson, pp. 33–34.

53 E.g., Ellen G. White, Patriarcas e Profetas ou The Great Conflict Between Good and Evil as Illustrated in the Lives of Holy Men of Old (Battle Creek, MI: Review and Herald, 1890), p. 88; e Ellen G. White, O Desejado de Todas As Nações, p. 671.

54 Maxwell, “Ready for His Appearing,” p. 193.

55 Maxwell, Magnificent Disappointment, p. 117. Cp. Jerry Moon, “C. Mervyn Maxwell: An Academic Life Sketch,” Journal of the Adventist Theological Society 11, nº 1–2 (2000): 8.

56 White, O Desejado de Todas As Nações, p. 671.

57 Douglass, “Men of Faith,” p. 53.

58 Kirkpatrick, Cleanse and Close, pp. 137–138.

59 White, Parábolas de Jesus, p. 67.

60 Cp. Knight, Sin and Salvation, p. 176. Cp. John C. Peckham, “The Triumph of God’s Love,” em Moskala e Peckham, God’s Character and the Last Generation, p. 279.

61 Whidden, Ellen White on Salvation, p. 140, ênfase original.

62 White, O Grande Conflito, p. 621.

63 Ranko Stefanovic, “What Is the State of the Last Generation?,” em Moskala e Peckham, God’s Character and the Last Generation, p. 231. Cp. Whidden, Ellen White on Salvation, pp. 154–155.

64 Whidden, Judgment and Assurance, p. 143.

65 Jiří Moskala, “The Significance, Meaning, and Role of Christ’s Atonement,” em Moskala e Peckham, God’s Character and the Last Generation, p. 196. Cp. Ángel M. Rodríguez, “Theology of the Last Generation and the Vindication of the Character of God: Overview and Evaluation,” em The Word: Searching, Living, Teaching, e. Artur A. Stele, 2 vols. (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2015, 2022), 1:215–218.

66 Rodríguez, 1:221.

67 Gane, Sanctuary and Salvation, p. 308.

68 Larry Kirkpatrick, “New Books, Old Error” (artigo apresentado no God’s Character and the Last Generation Symposium, Sacramento, CA, 22–23 de março de 2019), pp. 2–13, https://greatcontroversy.org/resources/gclg/newbook-solderror-ver1.09.pdf (acessado em 8 de dezembro de 2023).

69 Douglass, “Men of Faith,” p.13. Em um livro mais recente, Douglass define perfeição como “o padrão de vida dinâmico de pessoas que refletem cada vez mais a vida de Jesus.” Herbert E. Douglass, A Fork in the Road: “Questions on Doctrine,” the Historical Adventist Divide of 1957 (Coldwater, MI: Remnant, 2008), 143, ênfase original.

70 Maxwell, “Ready for His Appearing,” p. 174.

71 Ibid., p. 171.

72 Maxwell, Magnificent Disappointment, pp. 119–120.

73 Kirkpatrick, Cleanse and Close, p. 45.

74 Ibid., p. 46.

75 Heppenstall, “Let Us Go on to Perfection,” pp. 61–62.

76 Ibid., p. 64.

77 Ibid., p. 67.

78 Ibid., p. 81.

79 LaRondelle, “The Biblical Idea of Perfection,” em Douglass et al., p. 136.

80 Ibid.

81 LaRondelle, Perfection and Perfectionism, p. 327.

82 Apenas as diferenças que giram em torno do conceito de perfeição são analisadas aqui. Outras diferenças, especialmente na área da hamartiologia [doutrina do pecado] e da cristologia, não são avaliadas neste artigo.

83 Paulson, p. 5.

84 Douglass, “Men of Faith,” p. 51.

85 Peckham, “The Triumph of God’s Love,” 274, ênfase original.,

86 Gane, Sanctuary and Salvation, p. 303.

87 Priebe, “God at Risk.” Cp. Kirkpatrick, Cleanse and Close, p. 130; e Paulson, p. 5.

88 Além de Moskala e Peckham, God’s Character and the Last Generation, ver Rodríguez, 1:205–228; Reinder Bruinsma, In All Humility: Saying No to Last Generation Theology (Westlake Village, CA: Oak and Acorn, 2018); e George R. Knight, End-Time Events and the Last Generation: The Explosive 1950s (Nampa, ID: Pacific Press, 2018).

89 Cp. Jiří Moskala, “The Significance, Meaning, and Role of Christ’s Atonement,” em Moskala e Peckham, God’s Character and the Last Generation, p. 199.

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