A Escatologia Adventista em Relação à Esquerda Religiosa e à Direita Religiosa


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Michael F. Younker, candidato à Ph.D. na Andrews University, é diretor executivo do Journal of Adventist Theological Society e editor sênior para a Compass Magazine, instituições para as quais já escreveu diversos artigos. Younker já trabalhou, também, como Capelão e Professor em Part-time na Middle East University.


Tradução: Hugo Martins

“A Escatologia Adventista em Relação à Esquerda Religiosa e à Direita Religiosa” (Original em Inglês: “Adventist Eschatology in Relation to the Religious Left and the Religious Right”) foi primeiramente publicado no Journal of the Adventist Theological Society da ATS (Adventist Theological Society [Sociedade Teológica Adventista]), a detentora dos direitos deste artigo que permitiu a tradução e a publicação da tradução para o nosso site.


  1. Introdução

Comumente entende-se que a escatologia adventista do sétimo dia prediz que uma lei dominical em homenagem à autoridade papal será promulgada nos Estados Unidos e em outras nações no período final da história da terra precedendo a Segunda Vinda de Cristo.[1] Ademais, apesar de sua inevitabilidade cabal de acordo com a segura palavra da profecia, antes de tal promulgação, somos obrigados a fazer tudo o que for possível para retardar esta lei exaltando a liberdade religiosa.[2] Eu afirmo essas crenças A questão deste artigo que exploraremos é quais ideologias e grupos religiosos politicamente orientados têm no século 21 os adventistas identificado como encorajando uma união de igreja e estado que poderia se esperar a preparar o caminho para uma lei dominical? A tese deste estudo é que alguns adventistas do sétimo dia têm (não intencionalmente) caído em uma armadilha, por várias razões, de substituir a epistemologia com a escatologia. Isto tem, possivelmente, levado a alguns de nós a sermos míopes quando analisamos o desenrolar do panorama do evento presente no mundo religioso e secular em nossa ânsia de predizer o futuro e a demora de uma lei dominical.  Em outras palavras, substituir sua epistemologia com uma escatologia é ver o presente com um futuro antecipado como uma sobreposição; por sabermos das conjunturas ou dos eventos principais, somos, assim, tentados a preencher as lacunas com nossa “sobreposição” entre as conjunturas com uma versão detalhada dos eventos de como predizemos a escatologia que tomará lugar. Assim fazendo, não é mais analisar o presente objetiva ou honestamente, mas com “óculos sujos de escatologia.” Por um lado, isto pareceria uma coisa boa para muitos adventistas, conforme será demonstrado abaixo. Entretanto, espero demonstrar o porquê esta abordagem tem alguns problemas e consequências potencialmente sérias que deveriam ser evitadas. Não obstante, a necessidade de manter o apocalipsismo em nosso foco como adventistas é importante,[3] que é a razão pela qual sinto que este assunto necessita ser discutido.

Alguns motivos importantes adicionais para este estudo giram entorno do problema evangelístico que o adventismo se depara em relação a questão da Antiga/Nova Aliança, que tem em seu cerne o Sábado.[4] Central para as preocupações adventistas acerca do Sábado é sua realização como uma questão escatológica de importância, onde torna-se, primordialmente, um assunto de liberdade religiosa. Portanto, as razões para compreender como a escatologia adventista manifestar-se-á no mundo das ideologias e teorias políticas poderiam, realmente, trazer alguma luz sobre nossa compreensão de nossos irmãos crentes guardadores do domingo. Eles frequentemente se debatem para entender o porquê eles deveriam adorar no sábado em vez de no domingo, explorando, então, novamente, como o Sábado se relaciona com a escatologia pode trazer-nos melhores discernimentos em como elaborar melhores métodos evangelísticos para alcançá-los intelectualmente. Para muitos cristãos guardadores do domingo, parece como se estamos chamando-os de volta a uma compreensão da aliança antiga/judaica da salvação pelas obras legalistas, enquanto eles vivem sob uma Nova Aliança de graça com o Domingo como parte de seu símbolo de libertação do judaísmo e do pecado.[5] Há uma ironia direta que o adventista deve confrontar-se nesta compreensão dos guardadores do domingo e da nossa visão da escatologia, e esta é: por que um dos símbolos da Nova Aliança da graça[6] manifesta-se primordialmente em uma observância coercitiva, forçada do domingo? Não pareceria tal adoração forçada do domingo como uma nova versão da Antiga Aliança que eles rejeitaram, como fera uma aliança de legalismo e obras, uma perspectiva que eles, frequentemente, acusam os adventistas de ter? Podemos aparentar estar fazendo o que os acusamos de estarem fazendo, e isso é encorajar a ideia que somos salvos por observar um certo dia com rigidez legalista e projetá-la sobre os outros.

Como tal, há duas razões para estudar as perspectivas adventistas contemporâneas e atitudes concernentes a identificação de grupos que poderiam encorajar leis dominicais. Alinhado às observações acima, a primeira é que percebo um erro em adventistas vendo um “lobo” com tanta frequência quando e onde não há lobo algum, enquanto o lobo pode surgir dentro de grupos que não previmos, fazendo-nos parecer ignorantes em relação aos eventos atuais. Isto é indesejável para um movimento que vê a profecia como um componente central de nossa razão de ser atualmente. Segunda, nossos esforços excessivamente zelosos para identificar o lobo têm nos levado a prejudicar o nosso testemunho coletivo e estraçalhar a mensagem evangelística vários grupos alienígenas que acusamos de ser “como lobos” que são cristãos sinceros apesar de sua observância do Domingo. Em francas palavras, criticar continuamente vários grupos cristãos que adoram no domingo, e que sentem ser importante encorajar valores cristãos através de políticas públicas coerentes, é comprometer nosso testemunho à adoradores dominicais que são simpáticos a mais grupos políticos, mas são, pessoalmente, lenientes em como eles fazem para disseminar valores cristãos. Insistir ou implicar que cada adorador dominical tem uma meta de unir Igreja e Estado para criar uma lei dominical com um desejo de perseguir guardadores do Sábado é, evidentemente, falso.[7] Muitos adoradores dominicais são, simplesmente, ignorantes da verdade como a vemos, mas, sinceramente, desejam a preservação da liberdade religiosa com uma paixão que se iguala a qualquer adventista. Muitos adoradores dominicais consideram a consciência do indivíduo como sagrada, exatamente como nós.

Com isso em mente, o estudo procederá na seção 2 por examinar algumas obras relativamente recentes publicadas por influentes pastores, autores e estudiosos recentes para vermos como eles entendem nossa situação contemporânea e identificam quem eles vêem avançando em direção a qualquer união entre Igreja e Estado onde a observância do Domingo poderia ser aplicada. Por conseguinte, na seção 3, voltar-me-ei, então, em descrever como outros não-adventistas que estão, também, preocupados com uma Igreja-Estado Católica Romana e com a liberdade religiosa veem eventos contemporâneos, notando as diferenças distintas que eles veem em comparação como as perspectivas expressas por adventistas. Na Seção 4, concluiremos por prover umas poucas sugestões práticas para adventistas conforme avançamos e permanecemos vigilantes aos eventos contemporâneos ao redor do mundo em antecipação a uma lei dominical.

  1. Perspectivas Adventistas Contemporâneas sobre Liberdade Religiosa e Leis Dominicais

Diversos adventistas, e outros não adventistas, têm comentado sobre leis dominicais e os grupos que as têm propagados nos séculos passados tanto nos Estados Unidos quanto em outras partes do mundo.[8] Não revisarei seus detalhes aqui, junto a consideração que eles variam de argumentos[9] mais polêmicos a detalhados e tratados históricos bem trabalhados traçando a história de leis dominicais que remontam à Roma Pagã.[10] Respostas dadas por não-adventistas foram intencionalmente agregadas à perspectiva adventista em geral. As questões tornaram-se muito mais complicadas nos anos que se seguiram a morte de Ellen White em 1915 do que eram durante o período primitivo da história americana e adventista. Enquanto leis dominicais em períodos prímevos da história foram, tipicamente, tanto motivadas quanto sustentadas exclusivamente em âmbitos religiosos,[11] hoje, este não é mais necessariamente o caso. Uma variedade de complexos fatores socioeconômicos está agora em jogo, afetando tanto o lado positivo quanto o lado negativo do debate concernente a utilidade e a validade de qualquer legislação dominical.[12] Ademais, durante o passado, houve várias vezes quando uma real legislação dominical estava sendo ativamente discutida em vários governos locais ou em âmbito nacional nos Estados Unidos. Desde a Segunda Guerra Mundial, entretanto, tais discussões estiveram ausentes por completo ou carecentes de atenção significativa pelos oficiais governantes nos Estados Unidos. Isto faz da tradicional apresentação adventista tradicional do futuro mais desafiadora para não-adventistas aceitarem no século vinte e um.

O presente foco deste estudo, todavia, são as atitudes das perspectivas dos proeminentes adventistas conservadores dos últimos vinte anos em relação a seus pares não-adventistas. Para cumprir este objetivo, focar-me-ei, primeiro, em indivíduos que tenham sido empregados oficialmente ou em instituições adventistas influentes de ministério ou educação. Esclarecendo, de modo algum estou implicando que suas visões, ou as visões de quaisquer outros, são para ser entendidas como posições “oficiais” da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Em vez disso, quero, meramente, exemplificar as perspectivas de contribuintes proeminentes e respeitados para o pensamento adventista dominante que estão ou estiveram ligados com várias ramificações oficiais da igreja em um nível ou outro, e que tenham colaborado com contribuições acadêmicas valorosas para as questões de liberdade religiosa e legislação dominical à luz dos eventos do século vinte e um. Como tais, vozes minoritárias dentro do adventismo que estão desafiando a realidade futura da lei dominical estão excluídas deste presente estudo.

2.1. Perspectivas Adventistas do Século 21

Vários adventistas têm escrito artigos ou livros que remetem as possibilidades de legislação dominical no século vinte e um. Persistindo em minha intenção de focar-me, particularmente, em indivíduos influentes com conexões oficiais com instituições adventistas, Norman Gulley,[13] Marvin Moore[14] e John V. Stevens,[15] adequadamente, representam tanto pastores e eruditos profissionais quanto autores populares que têm dedicado porções significativas de seu tempo estudando liberdade religiosa nos Estados Unidos e, particularmente, legislação dominical. Coletiva e individualmente, suas credenciais são sólidas. Cada um deles têm escrito um tratado extenso sobre escatologia, destacando tanto a evidência bíblica quanto a evidência histórica, que inclui um exame da identificação de grupos que encorajariam uma legislação dominical. Esses três constituirão o foco deste capítulo do estudo. Examinarei eles na ordem cronológica do lançamento de suas principais obras.

2.2. Norman Gulley sobre O Fim no Tempo do Fim

As interpretações de Gulley sobre escatologia são extensivas, abrangendo tanto passagens bíblicas relevantes quanto escritos de Ellen White. Suas concepções nessas áreas estão em harmonia geral com as compreensões tradicionais de líderes adventistas, incluindo os White. Gulley, como tal, vê a crise Domingo/Sábado como questão religiosa final confrontando o mundo no fim do tempo.[16] Concernente a origem da veneração dominical na igreja cristã, ele a vê como uma invenção católica, evidenciando a interpretação católica concernente a autoridade da igreja primitiva à parte dos ensinos da Escritura.[17] Gulley descreve o propósito para a veneração dominical como simplesmente o ódio de Satanás por Cristo e pela Lei de Deus. Satanás “odeia a lei porque ele odeia a Cristo.”[18] Essas posições adequam-se as posições históricas dos ensinos adventistas que têm sido defendidas desde os dias prímevos do movimento sabatista que se desenvolvera no adventismo do sétimo dia.[19] Os estudos de Gulley em escatologia incluem um extensivo panorama das questões que estão confrontando nossa era pós-moderna. Essas questões incluem o estado dos mortos,[20] espiritualismo Nova Era,[21] relativismo,[22] evolução[23] e muitas outras, incluindo diferentes entendimentos do milenialismo.[24] Não vi nada para examinar criticamente ou disputar aqui, pois, essencialmente, concordo com todos os seus pontos nessas várias questões, visto que elas confundem e enganam pessoas, afastando-as da verdade como encontra-se nas Escrituras e em Jesus. Onde Gulley discute movimentos contemporâneos, entretanto, é onde o presente interesse está focado.

Constituindo tanto um capítulo em de seus livros[25] quanto uma republicação no “Journal of the Adventist Theological Society [Jornal da Sociedade Teológica Adventista],”[26] a perspectiva contemporânea de Gulley sobre os movimentos dominicais está claramente articulada e enfatizada em vista de sua escolha de publicá-la duas vezes. Gulley não poupa palavras, uma vez que começa seu artigo afirmando: “Nos Estados Unidos, bastião da liberdade religiosa, forças estão operantes para demolir de cima a baixo o muro de separação entre igreja e estado.” Ele continua: “há um ataque implacável contra a primeira emenda da Constituição, e a protagonista do ataque é a Coalizão Cristã.”[27] Isso nos remete a uma questão: o que é a Coalizão Cristã? Fundada em 1989, após a derrota do comentarista político e do apresentador religioso Pat Robertson na campanha presidencial de 1988 no Partido Republicano, eles propagaram o “Cristianize os Estados Unidos” por meio de ativismo político.[28] Uma coisa é certa, Robertson tem propagado algumas das mais incisivas declarações em décadas recentes defendendo um relacionamento mais próximo entre religião e governo. Gulley destaca vários artigos e livros que Robertson e seus aliados escreveram, expressando o desejo deles de demolir de cima a baixo o muro de separação entre igreja e estado que Gulley vê na primeira emenda da Constituição.[29] A evidência é clara o suficiente para o adventista vigilante que a Coalizão Cristã não é uma aliada em nossos esforços de preservar a liberdade religiosa. “A Nova Direita Cristã” está apoiando o Cristianize os Estados Unidos,” compartilha Gulley.[30]

Gulley é direto em descrever as alianças políticas que a Coalizão Cristã procura criar. Ele destaca que a Coalizão Cristã tinha uma “considerável influência no Partido Republicano esperava conseguir eleger o Presidente Republicano de sua escolha no ano 2000.”[31] Gulley posiciona-se também a favor de juízes progressistas ou liberais da Suprema Corte em contrapartida a conservadores como o falecido William Rehnquist e o ainda ativo Antonin Scalia.[32] Gulley continua por compartilhar que a Coalizão Cristã está enganada em sua percepção de perseguição contra cristãos nos Estados Unidos, levando-os a exagerar em grande medida as dificuldades que cristãos se deparam nos Estados Unidos. Em outras palavras, eles estão enganosamente encenando um papel “vitimista” para atrair atenção e fortalecer sua base de apoio, de acordo com Gulley.[33]

A meta da Coalizão Cristã está clara para Gulley. Eles querem “legislar moralidade” que pareça “como Apocalipse 13,” não parece?, pergunta ele retoricamente.[34] Gulley destaca que Robertson ajudou a organizar um encontro onde ele tentou convocar sua coalizão em busca de alguém no Partido Republicano que concorresse para presidente em 2000, todo o tempo tentando manter sua organização isenta de impostos, uma violação da lei.[35] Gulley destaca com ironia o enigma que o “domínio do Partido Republicano” pela Coalizão Cristã desafia a posição tradicional “contra um governo grande” e sua preocupação com a “liberdade individual.”[36] Entretanto, Gulley observa que o chamado de Robertson para “sua Coalizão buscar um candidato republicano para presidente” revela “a natureza partidária de seu plano,”[37] o que eles, sem dúvidas, reconheciam a necessidade de obter poder; eles sabiam que eles precisavam controlar um proeminente partido secular primeiro.

Gulley nota que haviam dissidentes cristãos contra a Coalizão Cristã de Robertson, como o ministro presbiteriano Robert H. Meneilly, que apelidaram a Nova Direita como “uma ameaça presente maior do que ‘a velha ameaça do Comunismo’”[38] e Edward G. Dobson que escreveu um artigo no Christianity Today intitulado “Jogando A Política para Fora do Santuário.”[39] Mas de modo geral, Gulley deixa seus leitores perplexos com seu relato pessoal de quando frequentou a “Convenção Caminho da Vitória” de 1955 organizada pela Coalizão Cristã. Ele observou que, em 1990, a convenção tinha 250 delegados, mas, em 1995, esse número explodira para 4260 delegados, com 143 oradores e 7 dos 9 candidatos republicanos a presidência discursando.[40] Na conferência, Gulley relata que ouvira pessoal clamores de “vamos nos livrar do Kennedy de Massachusetts!”[41] Ainda mais importante, junto a “aplausos estrondosos,” haviam gritam de “tomem a nação de volta para Deus!” e “Fora liberais” ressoando pelo evento.[42] Gulley dá uma pausa para relembrar um dos refrãos prímevos da história cristã: “crucifique-os,” e compara diretamente os dois. Ficou claro para Gulley que a Coalizão Cristã queria unir estado e religião. Gulley destaca, também, que dos 1,7 milhão de membros da Coalizão em 1995, 250.000 deles eram católicos. Realmente, os católicos eram agora capazes “de sentir-se confortáveis em uma causa comum [com protestantes]. Eles sentem o cheiro da vitória no ar, não a do Calvário, mas a de César.”[43]

Gulley reconhece o fato, e de forma correta, quando ele concorda com eles, que a condição moral dos Estados Unidos está deixando a desejar. Entretanto, embora “a Coalizão Cristã esteja indignada com a aberração moral no país,” eles flertam com a “aberração doutrinária na igreja.” Portanto, “eles levantam a voz contra a degradação moral, mas não se incomodam nem um pouco com doutrinas jogadas na lata do lixo. Esta união por uma causa moral é um desastre moral,” afirma Gulley.[44] Gulley reconhece corretamente que a questão em jogo é “o perigo de moralistas tentando legislar seus valores morais sobre as minorias. Este é perigo da pauta da Coalizão Cristã, e essa de Teologia do Domínio.”[45]

Gulley conclui sua análise da Coalizão Cristã por citar como seus esforços são comparáveis com descrição de Ellen White dos dias finais apresentada em O Grande Conflito e em outras obras. “Conforme observamos a Coalizão Cristã impor sua revolução social, lembramo-nos que ‘igrejas protestantes procurarão a ajuda do poder civil para impor seus dogmas.’” [46] De fato, Gulley observa que “durante os anos 90 houve desastres naturais sem precedentes, incluindo terremotos, dilúvios, tornados e furacões.”[47] Ele continua: “a Coalizão Cristã e a Nova Direita consideram esses desastres naturais como atos do juízo de Deus por causa da degradação moral. E isso os impulsiona em seu propósito de substituir líderes seculares no poder para impor sua pauta religiosa.”[48] Gulley, acertadamente, destaca várias citações de Ellen White que aparentemente adequar-se-iam perfeitamente a Coalizão Cristã. Ele a cita por compartilhar que: “Todavia esta mesma classe apresenta a alegação de que a corrupção que rapidamente se alastra é atribuível em grande parte à profanação do descanso dominical, e que a imposição da observância do domingo melhoraria grandemente a moral da sociedade.”[49] Isto é destruir a separação entre igreja e estado que Gulley descreve como o “fim do jogo.”[50] Para sumarizar sua análise dos movimentos dominicais contemporâneos, fica claro que Gulley os antecipara como o mais comumente vindo de pessoas como aquelas por detrás da Coalizão Cristã, que é similarmente parte da Nova Direita Cristã, da direita religiosa e, possivelmente, reconhecida mais publicamente como visão de mundo republicana.

Entretanto, a peça fundamental da ampla crítica de Gulley não é voltada contra a Coalizão Cristã por si só. Sua perspectiva centra-se na ideia que há um muro de separação definível entre igreja e estado na Constituição que presume, filosoficamente, que tal separação é, de fato, possível. Isto é, decididamente, um assunto complexo, com muitas opiniões diferentes acerca da natureza e do intento dos Pais Fundadores em sua criação de nossa constituição e a possibilidade filosófica de verdadeiramente separar a religião do estado. Sugeriria que resolver este enigma seria um equivalente de ter um corte limpo entre subjetividade e objetividade na Física Quântica e na Neuropsicologia; o que, atualmente, não pode ser feito.[51] Gulley, entretanto, conclui que os Fundadores intencionavam, por meio da primeira emenda, preservar o muro de separação. Isto significa que “o governo deve ficar fora da esfera da religião, o que significa, também, que a religião não deveria pressionar o governo a legislar em assuntos de fé e consciência.”[52] Isto, decididamente, faz Gulley entrar no debate acerca da intenção dos Fundadores e das questões filosóficas relacionada a qualquer verdadeira separação entre igreja e estado. Gulley tem a mesma posição que os liberais que veem nossa nação como uma nação secular. Gulley insiste que os Fundadores nunca quiseram uma nação abertamente cristã. A Constituição é um documento “secular”.[53]

Neste ponto, não criticarei as perspectivas de Gulley, salvo um comentário geral. Em vez disso, partilharei meus comentários no fim, e analisarei todas as três perspectivas adventistas juntas enquanto interagindo com visões não-adventistas dos objetivos Estado-Igreja Romana. Meu único comentário é que, enquanto estou em harmonia completa com a teologia e a escatologia de Gulley concernente aos momentos finais conforme descritos por Ellen White, sou obrigado a apontar que a Coalizão Cristã está, para todos os efeitos e propósitos práticos, verdadeiramente acabada. Sim, apenas uma década e meio depois que Gulley escrevera seu artigo e seu livro em 1997–1998, do ponto de vantagem de 2013 (e, na verdade, começando por volta de 2002,[54] tornando seu artigo desatualizado dentro de quatro anos), a Coalizão Cristã têm colapsado severamente. Pula-se uma parte. Do auge de uma receita de U$ 26,5 milhões em 1996, sua condição financeira caíra a um escasso U$ 1,3 milhões em 2004, pelo ponto o qual eles tinham, também, perdido a batalha com a Receita Federal acerca de seu status de isento de taxas, abrindo um precedente para outras organizações religiosas similares que pensavam em atuar na política.

Além do mais, o agora já idoso Pat Robertson, o homem por detrás da Coalizão Cristã, é um nome que se remete ao desdém e ao ridículo quase universal hoje, especialmente dentre a faixa etária abaixo de 35 anos, a qual pertenço, por seu racismo e e por suas atitudes julgadoras. Quando, após o 11 de setembro, ele culpou os ataques terroristas pela imoralidade nos Estados Unidos, seus comentários não foram muito bem recebidos. Ele era objeto de um desdém quase universal hoje por causa de suas posições. Realmente, desde então, apenas ouço falar dele nos noticiários quando ele diz alguma coisa estúpida o suficiente que a mídia responde sarcasticamente o chamando de “o velho tolo cristão,” que é visto, também, como um hipócrita. Em agosto de 2005, ele pediu pelo assassinato do presidente venezuelano Hugo Chávez, o que ele negou, embora a evidência não estivesse a seu favor, compelindo-o a, finalmente, se desculpar.[55] Em setembro de 2011, ele defendera que o divórcio era justificável se o cônjuge de alguém sofresse de Alzheimer.[56] Cristãos de todas as partes, seus antigos apoiadores, ficaram perplexos e chocados; ficaram enfurecidos. A queda de Robertson estava completa. E seu movimento caíra junto com ele. O defensor da Nova Direita Cristã destruíra sua própria estrutura tão rapidamente que se alguém não estivesse seguindo os noticiários teria se surpreendido e maravilhado-se com onde a Coalizão Cristã foi parar. Parece que a maioria dos republicanos decidiram que eles estavam aterrorizados, conforme Gulley apontara de editorial do New York Times sugerindo o mesmo, que tais cristãos conservadores radicais desejavam tomar o Partido Republicano para operar sua pauta em sacrifício da liberdade individual.[57] Infelizmente, até onde eu sei, Gulley não escreveu um artigo posterior em que se envolve as questões.

2.3. Marvin Moore: Poderia Realmente Acontecer?

Moore tem uma abordagem similar à de Gulley. Descrevendo nossas perspectivas tradicionais sobre a importância histórica do Papado e dos Estados Unidos na profecia, particularmente nossa compreensão de Apocalipse 13, Moore, admiravelmente, guia seus leitores ao contexto histórico que configura o cenário contemporâneo.[58] Novamente, conforme o mesmo com Gulley, não veja nada interessante para detalhar aqui. Eu concordo, virtualmente, com tudo o que ele escreveu nesses tópicos. Moore estrutura seu livro em cima da pergunta: “Poderia Realmente Acontecer?,” em referência à união entre Igreja e Estado nos Estados Unidos, seguida por uma lei dominical, fazendo, assim, uma imagem para a besta de Roma Papal. Minha resposta é sim, poderia acontecer. Concordo com Moore. A questão em jogo é: quem Moore identifica como mais provável para fazer tal união entre Igreja e Estado? E de que maneira ele a vê desenvolvendo historicamente?

Moore destaca que a Besta da Terra de Apocalipse 13:11-18 é semelhante a um cordeiro. Como o símbolo do cordeiro normalmente representa a Cristo, isto significa que os Estados Unidos tornar-se-á uma “nação professadamente cristã.”[59] Isto significa para Moore que qualquer força secular, ateísta ou outras religiões possam se instalar nos Estados Unidos, elas nunca obterão um domínio. Os Estados Unidos, enquanto fundado na separação entre igreja e estado, é, e continuará sendo, uma nação cristã predominantemente cristã protestante.[60] Esta nação protestante, entretanto, eventualmente, prestará homenagem ao Papado através da promulgação da legislação dominical.[61] Até agora, novamente, essas interpretações e predições em si estão em harmonia com as interpretações adventistas de longa data, e eu concordo com elas.

Quando Moore traça o levantar de forças e influências religiosas nos Estados Unidos, entretanto, as coisas ficam mais interessante. Moore, como Gulley, baseia extensamente na assumida verdadeira separação entre igreja e estado estabelecida na Constituição,[62] durante o tempo todo reconhecendo que os Fundadores de nossa nação reconheciam a importância da religião.[63] Deste ponto em diante, Moore revela, claramente, um único caminho que ele prevê como trazendo uma união entre Igreja e Estado e é a assunção do movimento conservador nos Estados Unidos e seu exército religioso, a direita religiosa, que inclui a Coalizão Cristã e a Maioria Moral.[64] É dada pouca atenção à teologia liberal e às principais ramificações protestantes; de fato, elas encontram relegadas meramente a umas poucas páginas com referências escassas.[65] Por outro lado, a “direita religiosa”, como uma frase, ocorre cinquenta e oito vezes no livro de Moore. A dicotomia da ênfase é digna de nota. A obra de Moore revela, claramente, seus pensamentos aqui; nela, embora as elites intelectuais, incluindo aquelas mais envolvidas com a política, eram mais comumente serem liberais teologicamente, sua influência e números entre a população declinaram do meado ao fim do século 20.[66]

Moore procede em detalhar a obra de Jerry Falwell, Ronald Reagan e Pat Robertson como peças-chaves na assunção do conservadorismo.[67] Falwell e Robertson inegavelmente desejavam criar uma fortaleza política cristã para administrarem a sociedade. Moore também traça com interesse especial a assunção da Coalizão Cristã no início dos anos noventa seguindo no fim relativo da Maioria Moral.[68] E, embora as presidências conservadoras de Ronald Reagan e do primeiro George Bush representavam sucessos para a direita religiosa, Moore reconhece que eles não foram tão conservadores como muitos líderes da direita religiosa esperavam. Moore faz, então, uma declaração particularmente elucidativa e analisa em seguir a presidência de Bill Clinton, um notado democrata liberal. Moore observa que conservadores religiosos eram capazes de ver um lado bom, no qual, eles, agora, tinham um “rosto” para guerrear contra na presidência de Bill Clinton.[69] Isto confirmou de alguma forma o pensamento de Moore que, após Clinton, o Presidente Republicano George W. Bush foi eleito, a quem Moore considera um genuíno religioso conservador que atendeu à direita religiosa. Este compromisso com o conservadorismo era visto por sua “nomeação de . . . dois católicos,” John Roberts e Samuel Alito, para a Suprema Corte, garantindo vitórias certas no imaginário de Moore para a direita religiosa.[70]

Nesta altura, um sumário pode ser feito. Moore vê, essencialmente, o caminho em direção à lei dominical como estando junto às atuações de conservadores, republicanos e pregadores religiosos dos anos 80 e dos anos90. Moore citou, também, R. J. Rushdoony, uma personagem muito influente no reconstrucionismo e dominionismo cristão, que enfatiza criar um reino dos céus aqui na terra.[71] Sem dúvidas, adventistas se opõem a essas visões, que são antitéticas à liberdade religiosa. Com isso em mente, Moore vê essas ideias como via de influência para a direita religiosa e o caminho que a lei dominical semelhantemente seguirá.[72] Em outras palavras, é uma versão conservadora do Cristianismo que tem suas raízes na direita religiosa e suas conexões políticas que criarão a lei dominical.

Da mesma forma que com Gulley, não oferecerei uma crítica extensa de Moore aqui, salvo um breve comentário. Embora todas as citações e fontes que Moore cita são tecnicamente precisas ao meu ver e revela uma atitude em meio a alguns “ultraconservadores” que se encontra, realmente, em oposição à genuína liberdade religiosa, há uma falha em sua análise da presente situação. Primeiro de tudo, como destaquei acima, indivíduos como Pat Robertson e o agora falecido Jerry Falwell não são personagens populares nos Estados Unidos. A geração mais jovem culturalmente e etnicamente diversa que está tomando conta dos Estados Unidos não veem esses homens com bons olhos. Ademais, destaco, com ironia, que enquanto é verdade que o Presidente George W. Bush teve dois mandatos influentes e significativamente históricos, ele também deixou a presidência com a mais alta taxa de desaprovação na história dos Estados Unidos, em 71%![73] As chances de se ver uma outra personagem semelhante a Bush chegar à presidência são baixas para um futuro próximo. Em outras palavras, os Estados Unidos não estão interessados em seguir a trilha ultraconservadora conforme o século vinte e um passa bem debaixo dos nossos pés. Isto é visto claramente na eleição de Barack Obama em 2008, e novamente em 2012, para a presidência, um dos políticos mais liberais na história com uma pauta bastante progressista. Um efeito bola de ping-pong parece ser a realidade que os Estados Unidos se encontram mais do que qualquer outra coisa.

Entretanto, ainda mais importante do que qualquer outra das observações acima é o fato que Moore falha completamente em mencionar uma dais mais incríveis tendências no cristianismo estadunidense durante o final dos anos 90 e 2000. É a assunção da esquerda religiosa, um termo que nem mesmo aparece na obra de Moore, que menciona a direita religiosa cinquenta e oito vezes. Esta omissão é surpreendente. Moore parece trabalhar na suposição que a “maioria” (diz por volta de 80%) dos cristãos nos Estados Unidos são republicanos e apoiadores da direita religiosa, a luz que as principais denominações liberais (esquerda, embora Moore não use o termo) encolhendo vertiginosamente entre os 20 e 70. Enquanto o número pequeno de protestantes era a realidade no final dos anos 90, os tempos mudaram uma vez mais. De acordo com uma pesquisa recente em 2009, cristãos estadunidenses estão, neste momento, divididos quase igualmente em 54% e 46%, direita e esquerda respectivamente, e a tendência é chegar a igualdade dos 50%.[74] Há pouca diferença entre os números católicos e protestantes; ambos estão divididos, de modo geral, em sua identificação sócio-política.[75] Pollsters destacou que seu relatório “coloca um fim na questão se há uma ‘lacuna de Deus’ entre republicanos e democratas: ‘Claramente, desta informação, não está apenas se encerrando, está encerrada.’”[76] A importância desta “lacuna de Deus” sendo encerrada será examinada posteriormente, pois impacta, diretamente, o relacionamento do cristianismo com o governo. Moore falha, também, em mencionar a importância da distância cultural/geográfica, ou a divisão “Vermelho/Azul” nos Estados Unidos, separando as cidades costeiras liberais da terra-mãe conservadora, e o impacto que isto poderia ter na implementação de leis dominicais.[77] Esta divisão cultural tem tomado destaque apenas a partir de 1992.[78] Os centros populacionais nos Estados Unidos, onde muito poder existe, são majoritariamente liberais, não conservadores.

Interessantemente, Ellen White parece indicar que a perseguição aos guardadores do Sábado será mais severa nas cidades. Se assim for, seria irônico, como as cidades não são conservadoras ou republicanas. Ter cristãos fazendeiros conservadores do interior invadindo as cidades impor uma lei dominical às pessoas seculares e cristãos liberais parece piada. Infortunadamente, Moore parece estar à parte desses eventos e tendências atuais. Isto não quer dizer que as coisas não poderiam acontecer conforme a visão de Moore. Mas as tendências estão apontando atualmente para uma direção diferente com explicarei posteriormente, e certos elementos desta nova direção parece “estar aqui para ficar.”

2.4. John V. Stevens: Aborto e A Lei Dominical

Stevens, um ativista e especialista de longa data em assuntos de liberdade religiosa, segue uma linha de pensamento similar à de Gulley e Moore, e descreve claramente a posição adventista sobre Apocalipse 13, que coloca os Estados Unidos enquadrado no centro da profecia. Novamente, há muito aqui com o que posso concordar com Stevens, e não comentarei sobre esses pontos além dos dias atuais. Apenas para ser mais claro, eu concordo com sua visão escatológica como um todo.

Stevens vê os Estados Unidos como uma nação fundada em princípios seculares respeitando a liberdade de religião.[79] Nisto ele ecoa as visões de Gulley e Moore. Fora a separação entre igreja e estado que garantiu aos Estados Unidos suas características semelhantes a um cordeiro.[80] Stevens especifica muito precisamente como os Estados Unidos foram capazes de realizar isto e como tal sistema deve parecer. Requer uma separação específica das duas tábuas dos Dez Mandamentos em planos vertical e horizontal, onde um governo secular pode unicamente legislar sobre o plano horizontal.[81] Isto o leva, todavia, a articular ainda uma outra razão para criticar a direita religiosa, e essa é a questão do aborto.[82] Stevens acreditada fervorosamente que forças religiosas conservadoras estão tentando restringir ou se opor ao aborto em violação do princípio da separação entre igreja e estado sobre o qual nossa nação está fundada. Não me deterei aqui nas visões específicas de Stevens do porquê ele acredita que o aborto é aceitável, a não ser declarar que ele acredita que avida humana começa no nascimento, não na concepção.[83] Esta visão é naturalmente contestável por si só. Mas esse debate deve tomar lugar em outro lugar. Para os propósitos do presente, entretanto, como o aborto se relaciona com a legislação dominical é o que importa. E para Stevens, interpretar o mandamento “não matarás” como incluindo o aborto não é bíblico. Portanto, legislar a questão em favor de um compromisso pró-vida viola a separação entre igreja e estado.

Para Stevens, “a mais poderosa coalizão político-religiosa na nação está procurando o controle da presidência, do Congresso e do Judiciário, e para todos os propósitos práticos tem conseguido, e o mesmo é verdade em nível estadual.” Ele continua: “A Nova Direita Fundamentalista, incluindo protestantes, católicos romanos, mórmons e outros, está, efetivamente, usando a questão do aborto em recente anos com o propósito de tornar-se a nossa guardiã moral e legal.”[84] As forças que ele se refere residem, em sua mente, no partido republicano conservador dos republicanos, o partido bem conhecido por seu apoio à posição antiaborto ou pró-vida. Stevens é altamente crítico tanto do Presidente George W. Bush quanto de James Dobson, do Foco na Família, uma organização conservadora dedicada, em parte, a se opor ao aborto e ao casamento gay.[85] Devo, imediatamente, destacar que o livro de Stevens, escrito em 2008, fora impresso antes da eleição do Presidente Obama, que lança uma luz muito diferente nos eventos atuais. Não obstante, Stevens acredita que é através da questão do aborto como a catalisadora, que “a aliança católico-evangélica quer unir religião com o governo” e que “é esta mudança em parte de alguns protestantes americanos que está transformando-lhes na semelhança da besta, como o papado.”[86] Isto, eventualmente, culminará na “observância do Domingo” vindo “novamente . . .  a ter proeminência.”[87] Aborto e legislação dominical estão, portanto, ligados para Stevens, com sua origem comum na direita religiosa conservadora que domina o Partido Republicano nos Estados Unidos. Em alguns aspectos, novamente, suas visões são, claramente, apoiáveis por todos os adventistas, tais como quando ele critica Timothy La Haye, um renomado autor evangélico, por afirmar que “a única maneira de ter um reavivamento espiritual genuíno é ter uma reforma legislativa.” [88] A questão-chave é a aplicação que das questões que ele defende e seu relacionamento com a separação entre igreja e estado.

Para criticar Stevens brevemente alinhado com o que tenho feito acima, há duas questões principais que afetam a acurácia de sua avaliação. Primeiro, aborto deve ser interpretado em harmonia com a sua visão que a vida começa apenas no nascimento, o que deixa o valor do feto diminuído significativamente. Muitos adventistas não estão confortáveis com essa interpretação. De fato, fossem eles opor-se a visão de Stevens, que o aborto voluntário é assassinato, poderia se afirmar que é precisamente o desejo da sociedade de violar um dos mandamentos horizontais que prepará-los-ão para violar um mandamento vertical. Segundo, alinhado aos criticismos anteriores, alguns dos fatos de Stevens não estão de acordo com a realidade presente. Ele cita personagens influentes, tais como Dobson, o “papa dos evangélicos” que estão sumindo de cena sem substituições óbvias. Tem havido um forte crescimento de cristãos liberais em tempos recentes. Mesmo quando Obama provocou líderes católicos americanos na questão dos contraceptivos em fevereiro de 2012, gerando fortes críticas, a maior parte dos católicos pareceu despreocupada, com a margem de aprovação de Obama diminuindo menos de 3 pontos percentuais, de 49% para 46% entre católicos,[89] na mesma proporção com o restante do país nessa época, incluindo muitos outros cristãos. De modo geral, Obama manteve uma média de aprovação próxima a 50% durante o diálogo público sobre a questão, consistente com a natureza dividida do país como um todos, uma divisão que tem aumentado como parte de uma ampla “guerra cultural.”

2.5. Sumário

Sobre a revisão acima de três dos principais proeminentes adventistas, um teólogo, um pastor bem requisitado e um perito em liberdade religiosa, a respeito da questão de uma potencial legislação dominical, um modelo claro tem emergido.[90] Cada segmento de grupos interessados, a saber teólogos, pastores informados e peritos legais, têm avançado a ideia que a legislação dominical é mais provável vir de grupos protestantes religiosos conservadores unindo-se com grupos católicos conservadores congêneres para “moralizar” a sociedade. No mundo nosso de cada dia, isto gera um criticismo do Partido Republicano nos políticos estadunidenses dos anos 1980 aos anos 2000. Isto não quer dizer que não haja perspectivas diferentes. Neste estudo não as explorarei, aqui, parcialmente em virtude do fato que pouca literatura existe com pontos de vistas alternativos vinda de adventistas. Não obstante, dentre a população adventista em geral, há simpatia pela obra de pessoas como James Dobson, que tem trabalhado em prol dos valores da família. Naturalmente, nenhum adventista nega a natureza problemática de algumas afirmações e crenças de Pat Robertson e Jerry Falwell. Mas, como destacado, eles não são necessariamente tão influentes como os autores acima acreditam. Realmente, os fatos apontam para uma outra direção. A menção de Moore a Rushdoony, por exemplo, lança uma luz sobre a situação. O Governador do Texas Rick Perry, durante sua breve corrida primária no Partido Republicano para Presidente em 2012, pela Nova Reforma Apostólica, uma ramificação das ideias reconstrucionistas rushdoonianas e ele fora capaz de chegar a apenas 7% em algumas pesquisas de voto republicanas antes que ele desistisse das primárias presidenciais de 2012.[91] Parece que o povo estadunidense não gosta de ultraconservadores, ainda que por quaisquer outras razões Perry fora rejeitado pelo seu partido.

Em vez disso, nossa nação está dividida muito igualmente quando se trata de cristãos liberais e conservadores, e a fragmentação parece estar crescendo.[92] O future é incerto acerca de quem vencerá —conservadores ou liberais? E, como espero demonstrar abaixo, a profecia adventista é compatível com qualquer um dos lados vencedores em um sentido geral, pois ambos têm fortes motivos com ensinamentos católicos que poderiam combinar igreja e estado, e as várias compreensões da Nova Aliança e da Antiga Aliança desenvolvidas por crentes protestantes.

Ademais eu espero preparar uma razão do porquê nós, como adventistas, deveríamos cessar nossas críticas excessivamente partidárias do cristianismo protestante estadunidense pois está prejudicando nosso testemunho para com muitos cristãos simpatizantes que podem preferir tanto as versões liberais quanto conservadoras do cristianismo em um sentido mais amplo. O problema fundamental ilustrado pela situação acima é que muito frequentemente parece que estão em média ou em larga escala em oposição a qualquer ideia ou movimento conservador através de suas críticas à direita religiosa, incluindo aqueles em áreas de economia e política estrangeira. Isto pode, dificilmente, ser evitado quando alguém se sente encorajado a sempre votar em um partido político em particular por causa de seus pretensos apoiadores religiosos. Nosso testemunho coletivo está em perigo de ser solapado, em tais situações, em nossa “dominicofobia” [fobia do domingo]. Mas deveria este ser, necessariamente, o caso? Não devem todas as questões ser tratadas individualmente, sem contar com plataformas partidárias?

Como destacado na introdução, Ellen White encorajou-nos a trabalhar para retardar a legislação dominical. Tendo isso em conta, e a identificação partidária que a direita religiosa tem obtido, poderia dar a entender que cada bom adventista deveria sempre votar no Partido Democrata ou em um político liberal. O resultado infeliz é que jovens adventistas são implicitamente encorajados a acreditar ou a apoiar cada causa, ideia ou prática liberal. Isto prejudica grandemente nossa reputação com muitos conservadores não militantes, tantos religiosos quanto seculares, que não estão em busca de qualquer união entre Igreja e Estado em particular. Tratarei um pouco de tais indivíduos abaixo. Novamente, meu propósito não é apoiar qualquer um dos lados, mas, meramente, demonstrar o caráter insensato das críticas unidirecionadas dos indivíduos acima, cuja obra eu geralmente apoio, com exceção das visões de Stevens sobre o aborto, que vejo de modo diferente.

  1. A Existência da Esquerda Religiosa: Fato

O título da seção acima é bem intencional. Baseados na evidência provida acima, adventistas proeminentes parecem duvidar da existência da esquerda religiosa ativa apoliticamente, e especialmente duvidam que a esquerda poderia desempenhar um papel-chave em qualquer cenário escatológico adventista. Em vez disso, são claramente as forças religiosas conservadoras aliando-se com forças políticas conservadoras que aprovarão a legislação dominical. Acredito que esta predição simplificada é um erro grave, se não em conteúdo, ao menos na apresentação. Descreverei abaixo algumas das razões do porquê precisamos de uma abordagem modificada em nosso entendimento da natureza das identidades políticas religiosas, e, especialmente, como nos relacionamos com elas.

3.1. A “Maioria” dos Cristãos é “Conservadora”?

Como o católico de inclinação liberal democrata Steven H Shiffrin observou em 2009: “embora a grande mídia tenda a ignora, há uma forte esquerda religiosa nos Estados Unidos.”[93] Sua observação é meramente o eco de uma feita por Michael Cromartie em 2000, quando ele compartilhou que um teólogo liberal visitante, Harvey Cox, ficara surpreso em descobrir que os estudantes na Regent University em Pat Robertson “não eram monolíticos em suas visões políticas.”[94] De fato, Cromartie nota que o evangelicalismo “inclui não apenas uma diversidade de denominações, mas, também, cristãos da direita, da esquerda e do centro político.”[95] Ainda mais importante, desde sua visita em 2000, ele já tivera notado que “embora eles tenham mantido em larga escala uma política com o conservadorismo político, eles têm um contingente moderado, liberal e de inclinação de esquerda que tem tido uma influência importante.”[96] Quando este fato é combinado com o conhecimento que umas poucas décadas atrás “muitos estudantes universitários evangélicos foram afastados pelas táticas de confrontação dos seguidores[97] de Jerry Falwell e não eram fãs de Robertson” nem durante o apogeu da Maioria Moral e nem da Coalizão Cristã, o mundo evangélico era e continua estando flexível a mudanças imprevisíveis.[98]

A questão é: que tipo de mudanças? E: elas já têm começado a acontecer? A resposta, como já implícita acima, é, absolutamente, “sim”. “A direita religiosa e a esquerda religiosa têm quase exatamente o mesmo tamanho. A primeira tem tido um impacto muito maior nos últimos 25 anos em grande parte por causa da organização e administração superior.”[99] Este domínio poderia sofrer mudanças, como a estatística mais recente de 2013 indica.[100] Parece que “se a tendência atual persistir, progressistas religiosos brevemente ultrapassarão conservadores religiosos, um grupo que está diminuindo em cada geração que se passa.”[101]

Como tal, a esquerda evangélica[102] “esquecida” pode levantar-se novamente, em formas não imaginadas. E a base sócio-política para tal amplo movimento já tem sido fundada alguns anos atrás no que é chamado de Teologia da Libertação, que depende de uma união entre Igreja e Estado.

3.2. A Origem e O Desenvolvimento da Esquerda Religiosa

A história da origem da esquerda religiosa contemporânea nos Estados Unidos começa, necessariamente, com uma breve introdução sobre a Teologia da Libertação, um movimento popular no catolicismo sul-americano nos anos 1960 e 1970, embora suas visões políticas e sociais venham de tempos muito anteriores.[103] Em sua essência, a “teologia da libertação cresceu da fé, das luta, do sofrimento e da esperança do pobre.” Como tal, “é . . . uma teologia que começa em um contexto político em particular e em um conjunto de condições sociais.”[104] Esta dimensão política é crucial para compreendermos. De fato, como Ian Linden comenta: “por causa da teologia da libertação ter se originado—e continuar arraigada—na interseção de disputas políticas e interesses religiosos,” não importa como alguém deseje definir a dimensão “teológica” dela, seu cerne continua estruturado em “sistemas socioeconômicos”[105] que tem uma postura decididamente marxista, com um toque redistributivo, que toma, a força se necessário, do rico e dá ao pobre em prol do igualitarismo.[106] “Teologia da Libertação” tem “seu foco no pobre, a construção do reino e da libertação de Deus.”[107] Procura a “transformação política radical da ordem presente” como “um componente central da vivência da fé cristã.”[108] É digo de nota, para audiência adventistas, que Ellen White tomou uma posição decididamente neutra em relação a ativismo socioeconômico.[109]

Há uma conexão direta entre o visto acima e o conceito popular de “graça barata,” um problema infectando a direita religiosa cuja visão tornara-se infectada com objetivos políticos em custo da piedade pessoal, e que deve ser explicada antes de prosseguirmos adiante. Para defini-la, como Eldin Villafañe propõe, “‘graça barata é um termo, e um conceito, que tem um grande significado teológico. Em seu sentido prático, o qual quero destacar, remete-nos a um cristianismo ‘fácil’.” Continua ele: “um cristianismo fácil é um cristianismo que não custa muito, que não paga o seu preço. Pensa-se e diz-se, de fato, ‘Por favor, não espere muito de mim’; ‘Não coloque qualquer expectativa em mim.’ ‘Graça barata’ retrata aquelas pessoas que querem viver em uma zona de conforto segura, aqueles que pensam e dizem: ‘Não perturbe!’ Por fim, ‘graça barata’ caracteriza esse modo de pensar ou mentalidade que rejeita a obediência, o compromisso, o discipulado e a cruz!”[110] Embora a crítica à graça barata pode ser completamente dada e aceita como uma crítica pessoal e um chamado para o discipulado, e, portanto, uma crítica interna dos conservadores a eles mesmo, pode, também, tornar-se coletiva e externa, como é usada pelos teólogos liberais contra os conservadores. Por exemplo, o proeminente cristão de inclinação liberal, Ronald Sider, conecta a evidente mensagem da “graça barata” da direita religiosa a falta da ênfase na justiça social pelos cristãos.[111] Ele direciona sua crítica da “graça barata” a evangélicos tradicionais conservadores, a direita religiosa. Ele acredita que “católicos romanos [e] as principais vertentes protestantes” chegarão a um compreensão de “justiça distributiva,” que inclui acesso universal ao “sistema de saúde”[112] e a rejeição da graça barata. Paea Sider, os “temas de pobreza, desigualdade e justiça econômica . . . [são] centrais para a moralidade bíblica.”[113]

O movimento libertacionista, um chamado a abandonar a “graça barata,” recebeu uma roupagem estadunidense nos anos 1970 por meio da obra de Jim Wallis (particularmente quando ele remodificou uma antiga revista sua no Sojouners em 1976), o já mencionado Ron Sider e Tony Campolo. A obra de Ronald Nash pode representar uma das primeiras críticas sérias descrevendo a ascensão desses indivíduos e seus pensamentos em seu livro lançado em 1966: “Why the Left Is Not Right: The Religious Left: Who They Are and What They Believe[114] [Por Que A Esquerda Não É Direita: A Esquerda Religiosa: Quem São Eles E no Que Eles acreditam (N. do Trad.: “Why the Left Is Not Right” é um trocadilho impossível de traduzir na sua plenitude em português; pode significar tanto por “Por Que A Esquerda Não É ‘Direita’” quanto por ““Por Que A Esquerda Não É Correta’)] De importância, a conexão é explícita entre o pensamento libertacionista sul-americano e a versão estadunidense da esquerda evangélica, frequentemente reduzida simplesmente ao Evangelho Social. Nas palavras do próprio Wallis, que não estava nem defendendo aqui o Marxismo, embora suas ideias o levariam para mais e mais perto desse caminho:

A medida que muitos cristãos tornam-se influenciados pela Teologia da Libertação, encontrando-se de forma significativa rejeitando os valores e as instituições do capitalismo, eles também estarão inclinados a análise e a práxis marxista que é tão central para o movimento. Que mais cristãos verão o mundo com olhos marxistas é, portanto, previsível. Mesmo que seja previsível entre os tão aclamados ‘jovens evangélicos’ que, para a maioria, têm um zelo pela mudança social que não está ainda baseada por uma análise socioeconômica desenvolvida que os farão ver a impossibilidade de fazer o capitalismo trabalhar pela justiça e pela paz.[115]

As palavras de Wallis foram proféticas. Note sua referência aos ”Jovens Evangélicos,” algumas vezes, também, chamados de “novos evangélicos.”[116] Tais indivíduos contribuiriam posteriormente para a ascensão do mais acalorado e badalado movimento cristão, o Emergente e/ou a Igreja Emergente, que é, essencialmente, um cristianismo pós-moderno, um cristianismo liberal amorfo que “fala modernês” fluentemente e constitui um grupo de milhões através do mundo ocidental e sul-americano.[117] Embora seus números exatos sejam difíceis de aferir em parte porque eles evitam as estruturas e as igrejas tradicionais que ainda, em sua maioria, remetem ao cristianismo, o que está claro é que eles têm dividido o evangelicalismo americano em dois.[118] Eles são uma “ideologia” que vai de casa em casa e de universidade em universidade. Enquanto frequentemente considerados por alguns como um mero movimento juvenil, muitos aspectos da ideologia emergente têm traçado seu caminho ao protagonismo.[119] O movimento Occupy Wall Street [Ocupe Wall Street] nos Estados Unidos representa esta “libertação” do pobre do rico em um contexto secular e tem sido especificamente apoiado pela esquerda religiosa de Wallis.[120] Não é por acidente que Wallis é um conselheiro especial em assuntos religiosos do Presidente Obama. Similarmente, não é surpresa alguma que o pastor de longa data de Obama, Jeremiah Wright, tenha conexões com a Teologia da Libertação.[121]

Meu ponto na questão acima é muito simples: todos esses movimentos e indivíduos são religiosos, políticos e fortemente inclinados para a esquerda politicamente. Ademais, Wallis é, também, um aliado próximo de Brian McLaren, um proeminente líder do movimento igreja emergente. E aqueles simpáticos a esses movimentos representam um número significativo da população estadunidense. Eles não gostam nem da direita religiosa nem dos republicanos. Os cristãos emergentes são majoritariamente democratas.[122] E cristãos emergentes costumeiramente adotam uma mentalidade de “reino na terra”, considerada constantemente um sinal de alerta da direita religiosa. Por exemplo, Scot McKnight, um líder de igreja emergente, disse uma vez: “Eu digo a meus amigos que eu tenho votado no Democrata por anos por todas as razões erradas. Eu não acho que o Partido Democrata tenha um pingo de valor, mas seu compromisso histórico para com os pobres e um governo centralizado na justiça social é que imagino que o governo deveria fazer.”[123] Quando combinado com o que Brian McLaren acredita, a saber que “Jesus viera ‘proclamar o Reino de Deus, que é a vontade de Deus sendo feita na Terra,’”[124] caso alguém goste ou não, este tipo de pensamento leva a união ideológica explícita entre Igreja e Estado que McKnight fizera alusão e que o Evangelho Social liberal procura, temporariamente, cumprir aqui na terra. As palavras de Jesus “Buscai, pois, em primeiro lugar, o Reino de Deus” inclui a “salvação social e a salvação da terra.”[125] Não é por acidente que o Presidente Obama, um Democrata, ecoou seus sentimentos de querer criar um reino justo aqui na terra”[126] em seu desejo de alcançar o que ele percebera ser sua base cristã liberal.

Atualmente, muito pouco tem sido dito acerca da igreja emergente em publicações adventistas do sétimo dia.[127] Não há virtualmente qualquer canal de comunicação com o qual alguém possa interagir. Alguns eruditos adventistas desconhecem até mesmo a existência do número expressivo de pessoas na esquerda religiosa; nenhuma menção aparece a eles em qualquer um dos adventistas mencionados acima—Gulley, Moore e Stevens—quando eles projetam possíveis cenários escatológicos. Isto é um fato alarmante dado quão grande o movimento é![128]

Isto mostra um estranho e inesperado desconhecimento do que está acontecendo religiosamente nos Estados Unidos. E, embora possa parecer inconcebível que tais cristãos liberais quisessem criar uma lei dominical, darei, abaixo, algumas razões do porquê isto não é tão fantasioso como alguém possa pensar o porquê da relação próxima que os católicos liberais têm com a esquerda religiosa e relação dos interesses da esquerda religiosa têm no governo para dar avanço a suas causas. Embora o “segredo mais bem guardado”[129] do catolicismo possa ter sido sua pauta social progressiva de esquerda, este dia pode estar vindo a um fim conforme emerge na consciência pública estadunidense.

3.3. O Ponto Central da Esquerda Religiosa e Secular

Apesar dos argumentos acalorados sobre as visões democratas e republicanas da sociedade e do tamanho do poder e do controle que o governo federal deveria ter sobre seus cidadãos, parece ser uma realidade básica, ao menos em teoria, que os republicanos favorecem os grandes negócios almejando o “crescimento econômico” e os democratas ajudam os pobres diretamente como o melhor caminho de impulsionar a sociedade e a economia. Embora seja um tópico altamente divisor, o fato básico é que as filosofias marxistas/socialistas/progressistas/liberais, admitidamente, almejam uma visão geral de governo mais ampla e mais compreensiva, enquanto um capitalismo conservador enfatiza um governo menor e um controle mais específico.

Com isso em mente, é importante enfatizar que a revolução social orientada em direção à ênfase no igualitarismo e na justiça social é ponto central da esquerda religiosa e é algo que compartilhado com a esquerda secular. Eles querem que as coisas sejam socialmente justas, mesmo que isso signifique o “uso da força” (na América do Sul, a violência fora algumas vezes usada, nos Estados Unidos, normalmente, apenas uma taxação maior dos ricos). Ambos desejam o uso do Estado para alcançarem seus objetivos sociais, econômicos e religiosos. O que separa verdadeiramente a esquerda religiosa da direita religiosa, que busca transformar a sociedade moralmente (e.g., posicionar-se contra o aborto e o casamento gay), é simplesmente uma mudança de foco. A esquerda está tão desejosa de operar por meio do governo quanto os líderes da extrema direita estavam. Na esquerda, entretanto, a ideia que todos deveriam ter uma quantidade de riqueza e prosperidade igual ou “justa” é o cerne primário, e torna-se, até mesmo, a justificativa moral para suas ações. A questão é: transformar a sociedade por meio do governo, mesmo sem as supostas preocupações morais tradicionais, leva, verdadeiramente, o estado da vida individual e da igreja a uma trilha sem limites? A resposta parece ser não.

Qualquer lei, tal qual o plano de saúde universal que Administração Obama aprovou, que requer um “mandato específico,” representa esta realidade e é quase unanimemente apoiada por líderes religiosos de esquerda, embora não em sua maioria pela direita.[130] Ainda mais oportuno seria o debate concernente a Administração Obama na questão da ordem governamental de disponibilidade de contraceptivos em hospitais controlados por igrejas. Embora a maioria dos líderes católicos denunciaram o plano de Obama de prover contraceptivos por meio de organizações religiosas, incluindo hospitais católicos que se opõem a tal prática, o fato é que 95% dos católicos, de fato, usam contraceptivos apesar de sua fé católica.[131] O ponto é, estivessem adventistas focados tão somente na voz vigorosa da oposição da liderança católica conservadora, eles estariam pregando uma negação da realidade a qual a maioria das pessoas religiosas realmente acredita. Pessoas religiosas tendem tão comumente ser “progressistas” e “conservadoras” em questões diferentes. Neste caso, os liberais progressistas estão acendendo barris de pólvora por provocar os conservadores sobre uma questão irrelevante intencionando um maior secularismo “forçado” como contraceptivos gratuitos ou de baixo custo que já estavam disponíveis em muitas clínicas de saúde para pessoas de baixa renda.[132] Liberais aqui estavam se intrometendo em assuntos socioreligiosos desnecessariamente, até mesmo interferindo na operação de igrejas.[133] Interessantemente, a discordância entre católicos conservadores e a esquerda secular acerca dos contraceptivos ignora o fato que os católicos apoiaram fortemente o plano de saúde universal em primeira instância, colocando as discordâncias para o futuro. Essas questões são complicadas, e eu não posso exauri-las aqui. Em vez disso, voltar-me-ei a algumas reações de não-adventistas para com a esquerda religiosa e a relação da esquerda com o desejo histórico do catolicismo pelo completo controle sócio-político-econômico, que os adventistas creem que renovar-se-á durante os dias finais. Em todo caso, não se pode negar o desejo da esquerda religiosa de ganhar uma influência política e pública que rivalize com a da direita religiosa,[134] e é difícil afirmar que eles não estão começando a ter algum sucesso.

3.4. As Raízes Católicas da Esquerda Religiosa e O Desejo pelo Controle Político

Não é por acidente que um número de indivíduos na igreja emergente e na esquerda religiosa veem uma relação próxima entre a esquerda religiosa o catolicismo liberal.[135] Importante destacar que aqueles no novo “centro” evangélico (que é, de fato, mais de esquerda do que de direita, dado as questões que enfatizam, como Aquecimento Global) estão, de longe, mais abertos aos ensinamentos católicos.[136] Roger Oakland, em Faith Undone: The Emerging Church — A New Reformation or an End-Time Deception[137] [A Fé Arruinada: A Igreja Emergente — Uma Nova Reforma ou Um Engano no Tempo do Fim], trata de forma detalhada a atitude ecumênica e amigável que o líder da esquerda religiosa para com a “igreja-mãe,” a Igreja Católica, especialmente em relação a espiritualidade mística. Conforme o eticista da esquerda evangélica David Gushee destaca: “Acreditamos que enquanto a ênfase da tradição católica no aprendizado da tradição e de outra fontes de luz podem ser adotadas, a igualdade da Escritura e da tradição deve ser rejeitada baseando-se no exemplo de Jesus.”[138] Gushee defende posições mais moderadas, como o Quadrilátero Wesleyano, onde Escritura é combinada com tradição, razão e experiência. “Todas têm um papel a fazer na formação da fé e ética cristã, embora a Escritura ocupe o lugar central,”[139] como afirma ele. Sua discussão precisa ser levada a sério pelos líderes do pensamento adventista para detectar o a mudança no catolicismo que os líderes da esquerda Religiosa estão encorajando. Ou Oakland e Gushee estão completamente desinformados ou há uma razão para que as ideias esquerdistas, liberais e emergentes sejam tão próximas da compreensão católica das questões espirituais e sociais, mesmo quando o cenário político é trazido à tona.[140]

Na esfera secular, o jornalista e historiador Jonah Goldberg escreveu um livro provocante intitulado “Liberal Fascism[141] [Fascismo Liberal], detalhando a história intelectual de muitas das ideias que liberais, democratas ou progressistas de hoje defendem. Em resumo, muitas das ideias progressistas ou liberais de hoje, religiosas ou não, têm raízes ou paralelos intelectuais no fascismo totalitarista. A evidência é avassaladora.[142] Aqueles à esquerda são frequentemente tão totalitários em seu pensamento como aqueles à direita.[143] Parece, então, que muitos proeminentes pensadores adventistas têm, claramente, negligenciado estudos da história recente quando eles descrevem possíveis cenários escatológicos que estão sempre influenciados pelo conservadorismo contemporâneo ou clássico e a direita religiosa dos anos 1980 e 1990. Entretanto, tais críticas não estão ausentas do resto do mundo cristão.

Em seu proeminente livro, “Freedom and Capitalism: Essays on Christian Politics and Economics[144] [Liberdade e Capitalismo: Estudos em Economia e Política Cristã], juntamente como sua obra anterior, “Ecclesiastical Megalomania: The Economic and Political Thought of the Roman Catholic Church[145] [Megalomania Eclesiástica: O Pensamento Político e Econômico da Igreja Católica Romana], o conservador libertário John W. Robbins reprova veementemente as tendências liberais progressistas dos ensinamentos sociais católicos como uma parte integral do plano da Igreja Católica para reconquistar autoridade completa sobre a sociedade. Robbins declara abertamente que “a Igreja-Estado Romana elaborou muito da teoria em que regimes totalitários seculares do século vinte tinham sido baseados, assim como agindo como um modelo para eles.”[146] Robbins argumenta que “por séculos, a Igreja-Estado Romana tem resistido ao avanço da Reforma e seu sistema econômico, o capitalismo.” Como o capitalismo começou a levar a melhor, “um novo aliado tinha de ser encontrado” para combater o capitalismo.[147] Esse novo aliado era o socialismo e todos as suas variantes.

Robbins demonstra o que para ele parece estar claro. “Nos Estados Unidos, a influência do pensamento econômico católico romano tem resultado na criação de um estado assistencialista no qual qual o governo intervém na sociedade e na economia para proteger o ‘bem comum’ e estabelecer a ‘justiça social.’”[148] Robbins acredita que “as principais igrejas protestantes, que como a Igreja Católica Romana . . . estavam promovendo o que viera s ser chamado de Evangelho Social, cujas expressões políticas eram o movimento progressista e posteriormente o New Deal,” representam o cerne da visão Estado-Igreja católica.[149] Atualmente, em 2013, isto pode ser visto na visão progressista de uma variedade de programas e ideias, incluindo um sistema de saúde universal, onde “‘cada pessoa tenha direito a um sistema de saúde adequado.’”[150] Como Robbins explica: “o que o papado tem compreendido é que por constantemente ampliando os Direitos dos Homens, para usar a própria frase do Vaticano, pode oferecer novos argumentos morais por ampliar o tamanho, o escopo e o poder do governo.”[151] Em relação ao sistema de saúde, o princípio em questão é destinação universal dos bens. “Os direitos defendidos pela Igreja-Estado Romana requer servidão de algumas pessoas em benefício de outras.” Parece que “a Igreja-Estado compreende que esta é a causa e defende esses direitos por essa razão.[152] Imagine, apenas, o dia que um “dia de descanso” pudesse tornar-se um “direito” antes de uma reivindicação” como nossa participação forçada em um sistema universal de saúde. Um tempo quando eu não mais sou requerido a ajudar meu irmão de livre e boa vontade, mas meu bem-estar está ligado ao dele, por todos os meios, forçadamente. Os paralelos estão mais próximos do que alguém poderia imaginar; o precedente já está posto e apoiado por juízes da Suprema Corte católicos de ambas as perspectivas ideológicas.

O ponto mais importante a destacar de Robbins é o fato que o refortalecimento da Igreja-Estado Romana é mais visível de seus ensinos socioeconômicos que autorizam uma maior intromissão governamental sobre toda a sociedade para o “bem geral.” Robbins nota que “o próprio Vaticano traça a origem da teologia da libertação à Igreja-Estado Romana, especialmente ao Vaticano II (1962–1965) e a conferência de 1968 dos Bispos Romanos em Medelín, na Colômbia.”[153] De fato, “as únicas discordâncias que o Vaticano tem tido com alguns aspectos da teologia da libertação são seus elementos seculares, a obsequiosidade insuficiente de alguns teólogos da libertação para com o papa, e sua defesa em algum momento de um uso sistemático da violência para alcançar seus propósitos que Igreja-Estado Romana têm aprovado: justiça social, o bem comum e destinação universal dos bens.”[154] Robbin, clara e novamente, destaca que a “Igreja-Estado Romana nunca criticara as visões econômicas dos teólogos da libertação.”[155]

Nesta altura, devo perguntar: se fosse verdade que a Igreja-Estado Romana estivesse usando questões sociais liberais de esquerda para preparar a base de uma tomada total da sociedade estadunidense, onde, então, estão as críticas à relação do pensamento econômico de esquerda e as relações igreja-estado pelos adventistas que se focam na escatologia? Como o sistema de saúde, poderia um dia de descanso no domingo tornar-se, também, primeiro um direito, antes de uma reivindicação?[156] Por que não estamos envolvidos com teólogos conservadores, porém moderados, como Ronald Nash, que tem escritos diversas críticas à teólogos da libertação e sua teoria econômica concomitante em relação às questões igreja-estado?[157] Por que não estamos prestando mais atenção para a tese de Max Weber em 1905 que o capitalismo, embora imperfeito em um mundo pecaminoso, leva a uma liberdade maior e melhores resultados econômicos do que sistemas alternativos?[158] Considerando que Robbins concorda plenamente com nossos representantes adventistas, Moore, Stevens e Gulley, que Pat Robertson e Jerry Falwell são falsos cristão, e compartilha com adventistas uma oposição ao reconstrucionismo cristão,[159] descubro a infelicidade que não estamos nos envolvendo em um diálogo genuíno com a sua obra e de outros pensadores similares que estão muito preocupados com o poder crescente tanto da esquerda secular quanto da esquerda religiosa junto às suas fortes discordâncias com aspectos da direita religiosa. Robbins expressa uma independência salutar de quaisquer conjecturas e predições da história da escatologia, o que permite a sua epistemologia falar por si quando analisa o presente e vê a união entre igreja e estado tanto da esquerda quanto da direita com igual força.

3.5. Sumário

Neste estudo, eu não tenho arguido como Gulley, Moore e Stevens fizeram uma nova predição precisa e enfática sobre como o “fim do jogo” terminará para cumprir nossas tradicionais predições adventistas do sétimo dia da legislação dominical. Tenho simplesmente desejado destacar a obra de cristãos não-adventistas que também têm um interesse apaixonado pela liberdade religiosa e com partilhar de nossa preocupação acerca do desejo histórico da Igreja-Estado Romana pela autoridade totalitária. Quando um não-adventista como Robbins pode fazer a seguinte declaração, deveríamos ao menos ouvir e dialogar:

A Igreja-Estado Romana é um híbrido, um monstro com poder eclesiástico e político. Seu pensamento político é totalitário e quando quer que tivera a oportunidade de aplicar os seus princípios, o resultado fora repressão sangrenta . . .  A Igreja-Estado Romana no século vinte, entretanto, é uma instituição recuperando-se de uma ferida mortal. Se e quando reconquistar seu pleno poder e sua plena autoridade, imporá um regime ainda mais sinistro do que qualquer outro que o mundo já tivera visto.[160]

O ponto é que Robbins vê o poder católico no tempo do fim vindo tanto de uma esquerda religiosa, progressista e liberal quanto da direita, em contraste com as visões unilaterais que alguns adventistas têm predito. De fato, é importante notar, novamente, que Robbins, interessantemente, não é nem um pouco admirador de Pat Robertson ou George W. Bush; Robbin não faz parte da direita religiosa! São os seus argumentos e suas evidências, então, nem um pouco dignas de diálogo? É possível que adventistas tenham tido uma visão estreitamente míope em nossa ansiedade de predizer o surgimento da legislação dominical? Meu propósito não é me engajar nos argumentos de Robbins em qualquer detalhe, mas ele traz bastante evidência para apoiar a sua posição e seu cenário não é incompatível com nossos ensinamentos adventistas tradicionais. Inclui, meramente, um componente que Robbins não vê, o papel do domingo. Mas minha pergunta continua aberta, embora hipotética: poderia ser que a Igreja-Estado Romana tenha estado usando a direita religiosa como uma parceira de diálogo durante o tempo todo para ganhar poder e influência maiores tanto da esquerda secular quanto da esquerda religiosa, assim como da direita, para conquistar o controle completo? Algo como um boxeador esperando por um “cruzado de direita” e você então sendo atingido por um “gancho de esquerda”? Dada a longa e bem estabelecida história dos ensinamentos sociais da Igreja-Estado Romana que requerem o controle governamental, muitos dos quais são operativos hoje no pensamento de progressistas de esquerda, sinto a necessidade de dar voz a miríades possibilidades que podem cumprir os tradicionais ensinamentos adventistas no tempo do fim, possibilidades que estão completamente ausentes em muitos dos intelectuais adventistas de hoje. O adventismo está em uma necessidade desesperada de uma visão de mundo mais completa e independente, uma que possa ver mais claramente a natureza holística do conflito final, e uma que tenha um poder apologético e evangelístico maior do que as apresentações unilaterais que alguns dos nossos melhores pensadores adventistas têm nos oferecido até agora nas obras representativas que tenho apresentado.

  1. Conclusão

Começo esta conclusão com uma breve exposição das visões de Ellen White na crise sabática-dominical, com a distinção popular de Antiga e Nova Aliança e Lei e Graça em mente. Em O Desejado de Todas As Nações, White reitera ainda mais a importância da compreensão da origem histórica do Sábado e como isto estabelece seu verdadeiro significado. “Como houvesse repousado no sábado, ‘abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou’—separou-o para uso santo. Deu-o a Adão como dia de repouso. Era uma lembrança da obra da criação, e assim, um sinal do poder de Deus e de Seu amor.”[161] White, novamente, descreve em detalhes o verdadeiro propósito do Sábado. “O sábado chama para a natureza nossos pensamentos, e põe-nos em comunhão com o Criador. No canto do pássaro, no sussurro das árvores e na música do mar, podemos ouvir ainda Sua voz, a voz que falava com Adão no Éden, pela viração do dia.”[162] O Sábado, como um tempo separado, é um sinal da natureza do Deus que nos criara, esse é pessoal e relacional. Fora feito para nós, mas pode, conforme originando com Ele, unicamente ser escolhido por Ele. Nenhum outro dia será. Embora fora feio por nós, não é de nossa escolha, mas da escolha de Deus; neste respeito, não é diferente de qualquer relacionamento, tem duas partes. E neste caso, um é o criador, o outro o criado. Não podemos escolher um sábado para Deus, mas descansar em nosso reconhecimento da escolha de Deus de um sábado com e para nós. Deus quer descansar conosco. Deus quer passar um tempo de qualidade, para então conversar, conosco.

Um ponto importante a se notar é, também, que a observância do Sábado não é meramente uma forma externa que podemos encontrar por meio de algumas séries de ações, como um mero ritual. “Mas a fim de santificar o sábado, os homens precisam ser eles próprios santos. Devem, pela fé, tornar-se participantes da justiça de Cristo.”[163] Nossos corações devem estar em conformidade com a obra e desígnios de Deus para nós para, realmente, descansarmos nEle, cumprindo um verdadeiro descanso. Ademais e enfatizando o escopo universal do Sábado, White declara que “O sábado estava incluído na lei dada no Sinai; mas não foi então que primeiro se tornou conhecido como dia de descanso. O povo de Israel tinha disso conhecimento antes de chegarem ao Sinai. No caminho para aí, o sábado era guardado.”[164] E, “O sábado não se destinava meramente a Israel, mas ao mundo. Fora tornado conhecido ao homem no Éden, e, como os demais preceitos do decálogo, é de imutável obrigatoriedade.”[165]

De diversas formas, e em contraste completo com muitas outras religiões, o “ídolo” de Deus é Seu tempo, o Sábado. Outras religiões adoram formas e figuras, mas o Deus bíblico nos ordenara a não fazer tal coisa. Em vez disso, em lugar de um ídolo de madeira ou de metal, Ele santificou o tempo Sábado. Não somos meramente ordenados, mas convidados a juntar-se a Ele durante este tempo.[166]

White, lindamente, descreve, também, que o Sábado não é intencionado a ser um fardo sobre nós, mas que é designado ser uma alegria.[167] Os judeus tornaram o Sábado um manual de regras, em vez de permiti-lo ser um foco positivo de nossa semana. Está perfeitamente dentro do propósito e da intenção do Sábado trazer alegria e ajuda a nossos amigos e vizinhos.[168] O Sábado em si serve como um sinal do poder redentor de Deus por nós. Somos convidados a descansar em Sua obra por nós, tanto na criação quanto na salvação.[169] Como White explica: “Portanto, o sábado é um sinal do poder de Cristo para nos fazer santos. E é dado a todos quantos Cristo santifica. Como sinal de Seu poder santificador, o sábado é dado a todos quantos, por meio de Cristo, se tornam parte do Israel de Deus.”[170] E como tal, devemos  servir “‘ao Senhor com alegria; e apresentai-vos a Ele com canto.  Sabei que o Senhor é Deus: foi Ele, e não nós que nos fez povo Seu e ovelhas do Seu pasto. Entrai pelas portas dEle com louvor, e em Seus átrios com hinos.’ Sl. 100:2-4.”[171] Não é uma carga imposta pelo nosso bem para forçar a nossa salvação.

Dois dos capítulos mais importantes dos escritos de White são encontrados em “A Imutável Lei de Deus” e “Restauração da Verdade” em O Grande Conflito. Esses capítulos apresentam as dificuldades que os guardadores do Sábado têm e terão em explicar o Sábado e seu propósito original. Não por causa de qualquer falta intrínseca com o Sábado, mas por causa da natureza insidiosa da obra do arquienganador. Como White compartilhou: “Na ausência de testemunho das Escrituras Sagradas a seu favor, muitos, esquecendo-se de que o mesmo raciocínio fora empregado contra Cristo e Seus apóstolos, insistiam com incansável persistência: ‘Por que não compreendem os nossos grandes homens esta questão do sábado? Poucos, apenas, creem como vós. Não pode ser que estejais certos, e que todos os homens de saber no mundo se achem em erro.’”[172]

Embora há muito o que poderia ser dito sobre essas questões, penso ser importante reduzir a uma questão muito mais simples. Não é tanto que levantar-se-ão, no período final da história da terra, dois grupos de pessoas “distintos” vivendo a vida cristã, com um grupo adorando no Domingo, enquanto outro adora no Sábado. Não, a crise final virá quando um grupo tenta forçar e coagir o outro grupo a fazer o que eles querem. Neste sentido crítico, os guardadores do domingo estarão rejeitando o plano da salvação por inteiro que Cristo ofereceu tentando a si mesmos, e a outros, mediante suas próprias obras. Uma experiência da Antiga Aliança da Lei, não da graça! Este é o porquê compreendendo esta verdade, e seu contexto sócio-político holístico, é importante, conforme os eventos vão acontecendo. Não se pode, adequadamente, guardar o domingo como o sábado no tempo designado. Este é o “sinal” que os verdadeiros guardadores do sábado podem descansar quando tentamos compartilhar o preço e custo total de nossa escolha de descansar na salvação de Deus, em vez de apresentar a Deus nossos próprios meios de salvação.

Como tal, apesar do fato que “O grande obstáculo tanto para a aceitação como para a promulgação da verdade, é o fato de que isto implica incômodo e vitupério,” [173] podemos compartilhar que não é meramente um incômodo, mas uma escolha, para verdadeiramente aceitar a salvação pela que fortalece em vez de obras vazias! Nenhum verdadeiro guardador do sábado desejaria ir e perseguir seu amigo adorador dominical. Mas essa nossa mensagem que é algumas vezes (e em geral será) rejeitada é um sinal de sua verdade. A Lei de Deus não pode ser mudada para salvar o homem, e isto é uma coisa boa! Que o sábado também funciona como o último sinal no fim separando aqueles que escolhem a Deus em vez da autoridade do homem que torna irônico sermos acusados de salvação pelas obras, quando o exato oposto é verdade. Todos os “requerimentos” que os adventistas se submetem, a mensagem de saúde, o sábado, etc., são realmente preparatórios, como com Daniel na Babilônia, para preparar a nós (e nossas mentes) para fazer a escolha de aceitar a salvação de Deus por nós e descansar nossos corações arrependidos nEle, como a conclusão do desenvolvimento do nosso caráter aqui na terra (White, em outra parte, compara o teste sabático final a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal do Éden: um simples teste).[174] Esta é uma realidade bela, não legalista. Em nossa obediência a Deus reconhecemos que não somos salvos pelas obras, mas aceitamos Sua obra em nosso favor. E o ódio de Satanás cementará que este aparente paradoxo (obediência para aceitar a graça e o poder redentor em Deus) é a realidade verdadeira, conforme os guardadores do domingo derradeiramente nos perseguirão para nosso descanso na obra de Deus. Nós, aqueles acusados de legalismo acerca do sábado, seremos, finalmente, aqueles que serão provados não serem legalistas, os únicos vivendo uma experiência da Nova Aliança de graça e fé que opera.

4.1. Revisão e Implicações para Estudos Posteriores

Este estudo tem examinado as perspectivas adventistas do sétimo dia sobre as possibilidades em predizer uma união entre Igreja e Estado tal que uma lei dominical poderia ser promulgada. Para proceder com esta tarefa, examinei as perspectivas de adventistas de renome ou conservadores proeminentes, tais como Norman Gulley, Marvin Moore e John Stevens, para identificar como eles veem o “fim do jogo” que resulta na legislação dominical. O que emergira fora que eles unanimemente descreveram os cristãos conservadores nos Estados Unidos como sendo os instigadores primários da destruição da liberdade religiosa e da criação da legislação dominical em harmonia com os desejos do Papa.

Com o propósito de promover um diálogo mais amplo e mais completo e um exame mais minucioso para este importante tópico, examinei, também, as obras de eruditos não-adventistas, para ver se suas compreensões das relações igreja-estado e da liberdade religiosa estão de acordo com as de nossos próprios pensadores. Descobri que haviam pontos de vista quase diametralmente opostos, relativos às compreensões de como a Igreja-Estado Romana alcançaria tal poder. Em suas visões da união Igreja-Estado Romana viriam mais esquerda religiosa e política. Esta é uma situação fascinante.

O que fora demonstrado acima é que vários dos principais autores adventistas têm negligenciado tópicos contemporâneos importantes e têm falhado em engajar-se em dialogar com outros proeminentes líderes pensadores contemporâneos que estão, também, procurando preservar a liberdade religiosa.[175]

Os resultados deste estudo são importantes por várias razões. Primeiro, este estudo demonstra que uma barreira evangelística existe atualmente. Muitos cristãos sinceros no “coração conservador” dos Estados Unidos são, por várias razões, mais simpáticos à direita religiosa. Não necessariamente porque eles desejam ver os cristãos liderando e promulgando leis religiosas, mas, em vez disso, precisamente, porque eles veem uma visão bíblica da economia e da liberdade individual alinhando-se com posições mais conservadoras ou libertárias. Evangelizar tais pessoas compartilhando as ideias encontradas em nas obras de Gulley, Moore e Stevens pode ser contra-produtivo porque eles simplesmente não veem a realidade dessa maneira. E esses evangélicos têm fatos e evidências suficientes para sustentar sua visão de mundo diferente, estejam mais próximos da verdade crucial ou não.[176] Muitos desses cristãos não têm o menor desejo de criar uma legislação dominical que afetassem dissidentes. Eles ficam perplexos com nossa insistência que eles a isso desejam. Em contrapartida, entretanto, quando nos aproximamos de pessoas que compartilham as visões de Ronal Nash e John Robbin faz pleno sentido a eles que católicos estão tentando conquistar poder político por meio de ideias sociais liberais esquerdistas que impingem, crucialmente, em suas compreensões de separação entre igreja e estado. Permitir a possibilidade desta perspectiva em círculos adventistas poderia abrir mais portas para tais pessoas preocupadas com natureza do conflito escatológico final, incluindo o papel do sábado como um mandamento social e moral. Para ser claro, em minha opinião, tanto as visões de Robbin quanto dos autores adventistas que examinei são possíveis. Portanto, o que permanece especulativo é quais visões que nós adventistas deveríamos defender e compartilhar publicamente com algum grau de certeza.

Segundo, este estudo demonstra uma barreira ideológica interna para adventistas, especialmente para nossos jovens. É confuso a eles maravilhar-se do porquê usamos os nossos maiores esforços envolvendo-nos, de uma forma positiva, com as principais igrejas, com as igrejas liberais e com intelectuais seculares que são frequentemente ateístas ou evolucionistas teístas simplesmente porque eles supostamente “concordam” conosco em questões de liberdade religiosa. Quão privilegiado é um conjunto de questões sobre outro? Como várias questões sócio-políticas passam pela mídia, quais vozes deveríamos estar ouvindo quando tentamos entender o que está acontecendo no mundo? Deveríamos acreditar que esquerdistas seculares que constantemente ridicularizam cada ideia da direita religiosa? Ou deveríamos ser mais cautelosos da moralidade humanista que a esquerda religiosa e secular estão, agora, propagando e suas potenciais consequências? Minha experiência pessoal me diz que os jovens adventistas estão perplexos pelas mensagens misturadas que seus líderes estão pregando a eles e isto é um fator-chave para o adventista fragmentado agora experiente. Por que os adventistas não se empenham, também, mais positivamente com a “direita religiosa” em pontos que temos em comum como o Criacionismo recente? Doutrinas não importam? Deveríamos ser tão seletivos com quem nos engajamos no diálogo erudito de formas mais positivas? Passando algum tempo dialogando, positivamente, com pessoas como Robbins e Nash, e de modo amigável criticando quaisquer fragilidades que percebamos que eles possam ter, enquanto, também, listando suas simpatias em áreas que podemos compartilhar, parece a rota mais produtiva. Descartar simplesmente suas visões escatológicas nas particularidades da Igreja-Estado Romana porque eles diferem de nossa ênfase tradicional na direita religiosa, enquanto eles são mais cautelosos com a direita religiosa, parece inadequado se uma compreensão acurada do mundo a nossa volta é desejada.

Terceiro, em seus esforços para secularizar completamente o país com uma suposta completa separação entre igreja e estado, deve ser reconhecido que alguns acreditam que esquerda religiosa e a religiosa criaram, literalmente, (a influência política da direita religiosa contemporânea não existia até que a esquerda secular e a esquerda religiosa provocassem eles) a direita religiosa.[177] Embora a análise neste tópico requeira um outro estudo, mais provável que sim do que não, é a interferência dos liberais seculares, os quais os adventistas como aqueles citados anteriormente estão, implicitamente, apoiando em questões igreja-estado, que cria alvoroços de pessoas como Pat Robertson. Sabemos, mesmo, como adventistas, como uma nação verdadeiramente secularizada (onde igreja e estado estejam totalmente separados) e suas leis seriam? Não poderia tonar-se um estado totalitário tão facilmente? O ponto, por agora, parece ser que se os liberais seculares não interferissem no cristianismo conservador, as coisas, então, continuariam em um status-quo maior; não haveria qualquer bandeira que a direita religiosa poderia levantar. Portanto, seria mais sábio apoiar posições políticas moderadas para retardar qualquer despertar da “besta” do Apocalipse. “Deixe os cães a continuar dormindo,” diz o velho ditado. Então, se adventistas desejam retardar uma lei dominical, não deveriam eles aparentar estar apoiando tão abertamente a filosofia política de liberais seculares progressistas[178] em oposição à direita religiosa, pois isto apenas irrita e desperta os verdadeiros conservadores. Há mais do que um meio filosófico para apoiar princípios libertários.[179] Porventura, com esta luz, necessitaremos, também, reavaliar a natureza ou a possibilidade precisa de qualquer constituição verdadeiramente “secular” que os esquerdistas seculares promovem.

Apoiar a moralidade humanista é uma tendência crescente entre a população em geral e, surpreendentemente, compatível com os ensinamentos sociais católicos e esquerdistas. Não é por acidente que o Papa Francisco, recentemente, afirmou que ateístas e agnósticos podem ser salvos quando ele escreveu que “a questão para aqueles que não acreditam em Deus é obedecer sua consciência.”[180] O ponto em questão é se a Escritura apoia ou não a salvação dos não evangelizados ou aqueles que tenham recebido uma visão incorreta de Deus e, duvidaram, portanto de Sua existência, além que o Papa, dentre todas as pessoas, contextualizaria isto tão abertamente e apontaria a consciência como nosso guia. Deus não oferece um “passe” para aqueles que meramente seguem sua própria consciência.[181] Quando aplicado à esfera sócio-política, nossas consciências entrarão, frequentemente, em questões de vida ou morte; quando deveríamos ir à guerra, que deveria receber plano de saúde e a custo de quem. O ateísta que segue sua consciência quando votando nesses assuntos e em muitos outros não recebe um “cartão vai para o céu” automaticamente. Ademais, este exemplo do Papa Francisco demonstra, entre outras coisas, como a possível reconsideração por parte da Igreja Católica de Sacerdotes se casarem[182] e diminuição da ênfase sobre o aborto e a homossexualidade,[183] que a Igreja Católica está plenamente desejosa de unir-se com humanistas progressistas liberais e suas visões de moralidade, incluindo uma forte ênfase em sistemas econômicos, distribuição de renda e pobreza.[184] Se a esquerda continuar a redefinir a relação da moralidade com as realidades sócio-políticas junto a uma visão emergente,[185] é possível predizer como as coisas desenrolar-se-ão. O que está claro é que um governo que é proativo em pautas sociais necessita de tal visão de mundo, que age, em muito, de acordo com as predições de Robbin pela Igreja-Estado Romana como uma criação de ideias esquerdistas, como aquelas que são criadas pela direita religiosa. Portanto, uma abordagem mais neutra de nossa parte unir-nos-ia culturalmente mais proximamente com aqueles que verdadeiramente compartilham de nossas crenças cristãs em geral, permitindo-nos a melhor alcançá-los com simpatia mais autêntica e genuína, compartilhar com eles a mensagem da “justificação pela fé,” uma mensagem que Martinho Lutero aceitara e pela qual Ellen White especificamente endossara Lutero.[186] Não estaríamos, então, melhor posicionados para sermos recebidos como verdadeiros heróis da Reforma. Estaremos, então, em posições mais influentes para apresentarmos a doutrina do Sábado e a doutrina do Santuário como a verdadeira experiência da “Nova” Aliança, fora dos estereótipos restritivos de qualquer identificação político-ideológica.

Por último, em conclusão, serviria bem ao adventismo, acredito eu, que se articularmos uma visão menos estreita e partidária de como os eventos do tempo do fim desenvolver-se-ão, e focarmos mais nos aspectos filosóficos do debate conforme como eles se inter-relacionam com questões teológicas. Serve a nossos propósitos evangelísticos mais efetivamente para explorarmos possibilidades diferentes com uma mente mais aberta, mantendo nossas questões distintivas na vanguarda, mas não permitindo nossa escatologia substituir uma epistemologia sólida que analisa o presente honestamente e sem preconceito. Isto permitir-nos-á formar nossa visão de mundo realista do que está acontecendo, de fato, em um mundo envolvente, não o que “poderia” ou “irá” acontecer, fora do que a profecia especificamente torna claro. Desse modo, adventistas não serão pegos com a guarda baixa quando as coisas não acontecerem “precisamente” do modo que eles predizem conforme o tempo passa, e nossa mensagem estará mais aberta para aceitação por indivíduos de várias perspectivas e cenários políticos e religiosos, que podem abrir portas acadêmicas e evangelísticas que jamais tivéramos imaginado.


Notas

[1] Para uma coleção dos comentários de Ellen White, líder do pensamento adventista do sétimo dia, ver Donald Ernest Mansell, The Shape of the Coming Crisis (Nampa, ID: Pacific Press Publishing Association, 1998), pp. 58-82. Como White mesmo coloca: “A questão do sábado será o ponto controverso no grande conflito final em que o mundo inteiro estará envolvido.” Ellen White, Testemunhos para A Igreja Volume 6, p. 352.

[2] “Aproxima-se o tempo em que a lei de Deus, em sentido especial, será invalidada em nosso país [os Estados Unidos]. Os governantes de nossa nação, por meio de atos legislativos, imporão a lei dominical, trazendo assim grande perigo para o povo de Deus. Quando nossa nação, em seus conselhos legislativos, promulgar leis para coagir a consciência dos homens no tocante a seus privilégios religiosos, impondo a observância do domingo e empregando o poder opressivo contra os que guardam o sábado do sétimo dia, a lei de Deus será, para todos os efeitos, invalidada em nosso país; e a apostasia nacional será seguida de ruína nacional. Os que estão agora guardando os mandamentos de Deus precisam pôr-se em atividade para obter a ajuda especial que só Deus pode dar-lhes. Devem trabalhar mais diligentemente para adiar até quando for possível a calamidade que se aproxima. Se, nossa terra [Estados Unidos] de alardeada liberdade, um governo protestante abandona os princípios que deles fizeram uma nação livre e independente, e, pela legislação, introduz na Constituição princípios que propaguem a falsidade e ilusão papal, podemos, assim, clamar, ‘Já é tempo de operares, ó Senhor, pois eles têm quebrantado a Tua lei.’ Alguns podem pensar que por ter sido revelada na profecia, que nossa nação restringirá a consciência dos homens, o que certamente acontecerá; e que se fizermos um esforço para preservar nossa liberdade, estaremos agindo como parte dos servos infiéis, e, assim, estarmos sob a condenação de Deus. “Este perigo agora ameaça o povo de Deus; e o que iremos fazer? Não poderemos ajudar a erguer a norma e chamar para a frente os que têm consideração pelos seus direitos e privilégios religiosos? Deus nos chama para despertarmos. Sabemos que o fim está próximo. Sabem que as profecias estão rapidamente se cumprindo, o que mostra que estamos vivendo no encerramento da história do mundo,” Ellen White, “David’s Prayer,” em The Review and Herald, 18 de dezembro de 1988.

[3] Concordo com o tema central de George R. Knight que o adventismo está em perigo de ser “neutralizado” quando esquecemos da centralidade de nossa mensagem apocalíptica. George R. Knight, A Visão Apocalíptica e a Neutralização do Adventismo: Estamos Perdendo Nossa Relevância? (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2011).

[4] Apreciável a este respeito é a obra de Skip MacCarty, que tem, brilhantemente, conectado a relação do Sábado com o Evangelho e a Lei, Skip MacCarty, In Granite or Ingrained? What the Old and New Covenants Reveal About the Gospel, the Law, and the Sabbath (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2007), pp. 219-233.

[5] Representando uma perspectiva em comum, ver Kevin L. Cunningham, The Sabbath, the Law, and the New Covenant (Bloomington, IN: AuthorHouse, 2013), p. 144. Cunningham comenta que “parece que cada aliança tem um dia que é separado pelo povo de Deus para relembrar a libertação da escravidão, a escravidão da servidão na antiga aliança e a escravidão do pecado na nova aliança,” Ibid. Continua ele: “quando João diz “o dia do Senhor,” ele está indubitavelmente se referindo ao dia que temos sido libertos dos nossos pecados, o dia que Jesus Cristo ressuscitara, que é o primeiro dia da semana.” Ibid.

[6] Como exemplo, ver Kurt Litwiller, New Covenant Living: Released to Live by the Spirit (Apopka, FL: Reliance Media, 2010). Após estudar o Sábado com Adventistas (dos quais ele diz coisas muito boas), ele ainda encontrava uma alegria maior na Nova Aliança que excluía o Sábado.

[7] Eu não culpo Ellen White, que tinha uma perspectiva, em geral, equilibrada; ela pode ser citada por aqueles que desejam fazer se modo a alvoroçar o povo em direção a visões extremistas e aguardar “pelos cantos” de modo doentiamente paranoico. Cerca de cem anos desde sua morte, essa atitude “pelos cantos” tem nos encorajado a fazermos muitas falsas predições e acusações contra os guardadores do domingo que, quando elas falham, fazem muitos crentes adventistas tornar-se céticos de nossos ensinamentos. Por exemplo, Ellen White escrevera: “Os dias em que vivemos são solenes e importantes. O Espírito de Deus está gradual, mas, seguramente, sendo retirado da Terra. Pragas e juízos já estão caindo sobre os que desprezam a graça de Deus. As calamidades em terra e mar, as condições sociais agitadas, os rumores de guerra, são assombrosos. Prenunciam a proximidade de acontecimentos da maior importância. As forças do mal estão se arregimentando e se consolidando. Elas estão se robustecendo para a última grande crise. Grandes mudanças estão prestes a ocorrer no mundo, e os acontecimentos finais serão rápidos,” Ellen White, Testemunhos para A Igreja 9, p.11. Ela destacou, também, em referência ao contexto histórico: “Vemos que esforços estão sendo feitos para restringir nossas liberdades religiosas. A questão do domingo está, agora, ganhando enormes proporções. Uma emenda a nossa Constituição está sendo tratada no Congresso, e quando aprovada, opressão deve segui-la. Eu quero perguntar: está você ciente a este assunto? e compreende você que virá a noite quando nenhum homem poderá trabalhar? Tem você tido essa intensidade de zelo, piedade e devoção que capacitar-lhe-á a permanecer firme quando a opressão for trazida a você? Ellen White, “David’s Prayer,” em The Review and Herald, 18 de dezembro de 1988. Cp.: “Ainda não chegou o tempo de prova. Há cristãos verdadeiros em todas as igrejas, inclusive na comunidade católico-romana. Ninguém é condenado sem que haja recebido iluminação nem se compenetrado da obrigatoriedade do quarto mandamento. Mas quando for expedido o decreto que impõe o falso sábado, e o alto clamor do terceiro anjo advertir os homens contra a adoração da besta e de sua imagem, será traçada com clareza a linha divisória entre o falso e o verdadeiro. Então os que ainda persistirem na transgressão receberão o sinal da besta. “A passos rápidos aproximamo-nos desse período. Quando as igrejas protestantes se unirem com o poder secular para amparar uma religião falsa, à qual se opuseram os seus antepassados, sofrendo com isso a mais terrível perseguição, então o dia de repouso papal será tornado obrigatório pela autoridade combinada da Igreja e do Estado. Haverá uma apostasia nacional que só terminará em ruína nacional.” Ellen White, Evangelismo, pp. 234-235. De importância adicional: “Mas os cristãos das gerações passadas observaram o domingo, supondo que em assim fazendo estavam a guardar o sábado bíblico; e hoje existem verdadeiros cristãos em todas as igrejas, não excetuando a comunhão católica romana, que creem sinceramente ser o domingo o dia de repouso divinamente instituído. Deus aceita a sinceridade de propósito de tais pessoas e sua integridade. Quando, porém, a observância do domingo for imposta por lei, e o mundo for esclarecido relativamente à obrigação do verdadeiro sábado, quem então transgredir o mandamento de Deus para obedecer a um preceito que não tem maior autoridade que a de Roma, honrará desta maneira ao papado mais do que a Deus. Prestará homenagem a Roma, e ao poder que impõe a instituição que Roma ordenou. Adorará a besta e a sua imagem. Ao rejeitarem os homens a instituição que Deus declarou ser o sinal de Sua autoridade, e honrarem em seu lugar a que Roma escolheu como sinal de sua supremacia, aceitarão, de fato, o sinal de fidelidade para com Roma – ‘o sinal da besta’. E somente depois que esta situação esteja assim plenamente exposta perante o povo, e este seja levado a optar entre os mandamentos de Deus e os dos homens, é que, então, aqueles que continuam a transgredir hão de receber ‘o sinal da besta’.” Ellen White, O Grande Conflito, p. 449.

[8] David N. Laband and Deborah Hendry Heinbuch, Blue Laws: The History, Economics, and Politics of Sunday-Closing Laws (Lexington Books, 1987); Warren LeRoi Johns, Dateline Sunday, U.S.A.: The Story of Three and a Half Centuries of Sunday-Law Battles em America (Pacific Press Publishing, 1967); Alonzo T. Jones, The National Sunday Law: Argument of Alonzo T. Jones Before the United States Senate Committee on Education and Labor, Dec. 13, 1888 (TEACH Services Facsimile Edition, 1996); Jan Marcussen, National Sunday Law (AT Publications, 2010); Vance Ferrell, Enforced Sunday Law Coming Soon to America (Harvestime Books, 2008); Ellen G. White, Eventos Finais; http://www.sundaylaw.net/books/other/standish/liberty/litb19.htm; http://www.libertymagazine.org/index.php?id=1281.

Nota: todos os websites citados foram acessados entre janeiro de 2012 e dezembro de 2012.

[9] Russell R. Standish and Colin D. Standish, The Pope’s Letter and Sunday Law (Hartland Publications, 1998); http://www.remnantofgod.org/sabatak.htm; http://glenburnie.netadvent.org/sabbath/sundayhistory.html; and http://dedication.www3.50megs.com/sundaylaw.html.

[10] Abram Herbert Lewis, Sunday Legislation: Its History to the Present Time and its Results (New York: D. Appleton and Company, 1902); Ann Warner Odom, Sunday Laws: A History and Survey (University of Mississippi, 1962); Miriam Cho, Sunday Laws: A State-by-State Review (2002); Craig Harline, Sunday: A History of the First Day from Babylonia to the Super Bowl (New York, NY: Random House, 2007); David Sehat, The Myth of American Religious Freedom (Oxford University Press, 2011); Robert L. Odom, Sunday in Roman Paganism (TEACH Services, 2003); and Alexis McCrossen, Holy Day, Holiday: The American Sunday (Ithaca, NY: Cornell University, 2000).

[11] Lewis, Sunday Legislation, xii.

[12] Laband and Heinbuch, Blue Laws, pp. 157-164.

[13] Norman Gulley, professor de longa data na Southern Adventist University e antigo presidente da Adventist Theological Society [Sociedade Teológica Adventista]. Ele tem escritos diversos artigos e livros que têm sido bem recebidos durante sua carreira acadêmica em uma ampla variedade de tópicos teológicos e históricos.

[14] Marvin Moore, por muitos anos o editor do periódico Signs of the Times [Sinal dos Tempos], uma revista de importância fundada, originalmente, por Tiago White, um co-fundador da Igreja Adventista do Sétimo Dia, estava bem familiarizado com as questões contemporâneas que o adventismo estava enfrentando. Ele, também, escrevu diversos artigos e livros em uma ampla variedade de tópicos religiosos e bíblicos, e tem, também, servido no ministério pastoral.

[15] John V. Stevens tem mais de 40 anos de experiência trabalhando diretamente como conselheiro para oficiais de governo de vários países em assuntos de liberdade religiosa. Stevens serviu por 20 anos a igreja na União do Pacífico como Departamental de Relações Públicas e Liberdade Religiosa. Ele é, também, autor de diversos artigos, incluindo vários na revista Liberty que promove liberdade religiosa, e escreveu um livro focado em profecia e liberdade religiosa nos Estados Unidos.

[16] Norman Gulley, “The Battle Against the Sabbath and its End-time Importance,” em the Journal of the Adventist Theological Society Vol. 5 #2 (Autumn 1994), 79–115.

[17] Norman Gulley, Christ is Coming! A Christ-centered Approach to Last-Day Events (Hagerstown, MD: Review and Herald Publishing Association, 1998), pp. 347–349. Ele sumariza a informação por compartilhar: “Não vemos esforços, aqui, para provar o Domingo a partir do Novo Testamento. Em vez disso, a mudança para o domingo demonstra a autoridade da Igreja Católica sobre a Escritura. Isso deveria dizer-nos algo sobre a igreja e o domingo. O dia não tem credenciais divinas.” Ibid., 348.

[18] Gulley, “The Battle Against the Sabbath and its End-time Importance.” p. 81.

[19] Que o sábado do sétimo dia fora mudado pela Igreja Católica tem sido a posição dos adventistas desde a fundação de nossa denominação, e comprovada por diversos estudos históricos. E.g., ver P. Gerard Damsteegt, Foundations of the Seventh-day Adventist Message and Mission (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 1977, 1995), 137–138; e Samuele Bacchiocchi, From Sabbath to Sunday: An Historical Investigation of the Rise of Sunday Observance in Early Christianity (Rome: The Pontifical Gregorian University Press, 1977), p. 309.

[20] Gulley, Christ is Coming!, pp. 253-282.

[21] Ibid., pp. 179–210.

[22] Ibid., pp. 29-39.

[23] Ibid., pp. 375–409.

[24] Ibid., pp. 438-457.

[25] Ibid., pp. 211-225. O capítulo é intitulado, “The Christian Coalition and the Endgame” [A Coalizão Cristã e O Jogo Final].

[26] Norman Gulley, “The Christian Coalition and the End Game,” emthe Journal of the Adventist Theological Society Vol. 8, #1-2 (1997), pp. 120–136.

[27] Ibid., p. 120. Gulley acrescenta que “de acordo com a leitura histórica preferida pelos intérpretes adventistas, a profecia nos diz que os Estados Unidos exercerão ‘toda a autoridade da primeira besta’ (Papado) e fará com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta’ (Ap 13:12). De fato, os Estados Unidos construirão uma imagem do Papado. O Papado é uma união entre Igreja e Estado, então a imagem nos Estados Unidos será uma união entre Igreja e Estado (Ap 13:13–14). Quando igreja e estado unirem-se nos Estados Unidos, a igreja usará, então, o governo para fortalecer sua pauta, pois a questão em Apocalipse 13 é a adoração (vv. 4, 8, 12, 15). Quem quer que se recuse a participar no falso mandato de adoração será ameaçado de boicote morte (vv. 15–17).”

[28] Andrew E. Moore, “Christian Coalition,” em Encyclopedia of American Religion and Politics, ed. Paul A. Djupe and Laura R. Olson (New York, NY: Facts On File, 2003), pp. 90–91.

[29] Gulley, “The Christian Coalition and the End Game,” pp. 121–122.

[30] Ibid., p. 122.

[31] Ibid., p. 121.

[32] Ibid., p. 124. Gulley se refere criticamente ao comentário de Rehnquist que o “muro de separação” entre igreja e estado era uma “metáfora.”

[33] Ibid.

[34] Ibid., p. 127.

[35] Ibid. Pois, a Coalizão procura status de isento de taxa para religiões quando empenhada de partidos políticos mostra o quão mascarada a questão moral está envolvida. Nenhuma organização com qualquer pauta partidária pode legalmente reivindicar status de isenta de taxa para religiões. Mas não chega a ser nenhuma surpresa ver a Coalizão procurando este status quando rejeita a separação entre igreja e estado.” Ibid.

[36] Ibid.

[37] Ibid.

[38] Ibid., p. 128.

[39] Ibid., p. 132.

[40] Ibid., p. 129.

[41] Ibid. Os Kennedy são políticos democratas liberais bem-conhecidos nos Estados Unidos.

[42] Ibid.

[43] Ibid., p. 130.

[44] Ibid., p. 132.

[45] Ibid., p. 133.

[46] Ibid., p. 134. Gulley cita Ellen White, Eventos Finais, p. 228.

[47] Gulley, “The Christian Coalition and the End Game,” p. 134.

[48] Ibid.

[49] Ibid. Gulley cita Ellen White, O Grande Conflito, p. 587. Ele, também, cita White: “Os que honram o sábado bíblico serão denunciados como inimigos da lei e da ordem, como que a derribar as restrições morais da sociedade, causando anarquia e corrupção, e atraindo os juízos de Deus sobre a Terra.” Ibid., 592 (ênfase acrescida).

[50] Gulley, “The Christian Coalition and the End Game,” p. 135.

[51] Louis S. Berger, Psychotherapy as Praxis: Abandoning Misapplied Science (Victoria, BC: Trafford Publishing, 2002), pp. 19-20; e Louis S. Berger, The Unboundaried Self: Putting the Person Back Into the View from Nowhere (Victoria, BC: Trafford Publishing, 2005), pp 250–257.

[52] Gulley, “The Christian Coalition and the End Game,” p. 121.

[53] Ibid.

[54] http://en.wikipedia.org/wiki/Christian_Coalition_of_America. É importante destacar que o candidata a Presidência da Coalizão Cristã não “venceu.” Mesmo quando o controverso George W. Bush era o Presidente, e dando a conhecer seu professo cristianismo, e embora a Guerra do Iraque seja uma questão altamente controversa, o fato é que pouco fora feito nos Estados Unidos em relação aos anseios da direita religiosa durante os oito anos de seu mandato. Ademais, o diretor da campanha de Bush, Karl Rove, é, frequentemente, acusado ter se “aproveitado” da direita religiosa durante as eleições de 2000 e de 2004. Em vez de conservadores religiosos tomando o controle e fazendo uso da política, ocorre, normalmente, o oposto, com políticos seculares se aproveitando de zelosos religiosos para ganhar uma eleição, e, então, lhes abandonando.

[55] http://uspolitics.about.com/b/2005/08/24/robertson-back-pedals.htm.

[56] http://abcnews.go.com/Health/AlzheimersCommunity/pat-robertson-alzheimersmakesdivorce/story?id=14526660#.TzYnupWsPmg.

[57] Gulley, “The Christian Coalition and the End Game,” p. 129.

[58] Marvin Moore, Could It Really Happen?: Revelation 13 in the Light of History and Current Events (Nampa, ID: Pacific Press Publishing Association, 2007). Observe, especialmente, os capítulos 1–9 que detalham a história da Igreja Católica na profecia bíblica.

[59] Ibid., p. 98.

[60] Ibid., pp. 99-101.

[61] Ibid., pp. 202-203. Moore declara: “Como um adventista do sétimo dia, eu não hesito em dizer que uma lei dominical nacional—que temos predito por 150 anos e que tem parecido tolice a tantas pessoas durante a maior parte do tempo—é, agora, uma possibilidade distinta. Adventistas são confiantes que tornar-se-á uma realidade em algum momento no futuro.” Ibid., p. 203.

[62] Ibid., pp. 112-115.

[63] Ibid., p. 108. Moore explica seu ponto de vista: “Isto não quer dizer que os autores eram devotos, cristãos biblicamente fervorosos que frequentam a igreja a cada semana. Eles eram uma vertente única de secularistas que apreciavam a contribuição positiva que a religião poderia fazer para a vida da nação. Os autores da Constituição Americana reconheciam a importância da religião, mas eles estavam, também, convencidos que seu novo governo não poderia apoiar a religião.” Ibid., pp. 108-109.

[64] Ibid., p. 7. Seu índice revela o curso de sua discussão, com títulos como “A Ascenção do Movimento Conservador nos Estados Unidos,” p. 117; “A Ascensão da Direita Religiosa nos Estados Unidos,” p. 121; e “O Sucesso da Direita Religiosa nos Estados Unidos,” p. 131. Moore descreve a Maioria Moral como a criação de Jerry Falwell em 1979, um bem conhecido cristão conservador. Ver Ibid., p. 124.

[65] Ibid., pp. 122-123. Moore descreve “teologia liberal” que ele reconhece que criara “fortes influências no protestantismo estadunidense principal durante a segunda metade do século dezenove e continuando no século vinte,” mas, em geral, falhou no teste do tempo. Ibid.

[66] Ibid., p. 123. Durante o século 20, “o protestantismo proeminente encolhia a medida que o protestantismo conservador se expandia. Mas aqui há um ponto importante a destacar: apesar de seus números declinantes, os pastores, sacerdotes e membros das denominações protestantes proeminentes eram a elite educada na nação, e eles dominaram com sua política durantes os primeiros três quartos do século vinte.” Ibid.

[67] Ibid., pp. 126-130.

[68] Ibid., pp. 132-134.

[69] Ibid., p. 134. Moore cita um ativista da direita religiosa: “Qual o melhor modo de reunir suas tropas a não ser para ter que lutar contra Bill Clinton?” Ibid.

[70] Ibid., p. 136.

[71] Ibid., p. 213. “Na visão otimista de Rushdoony, quanto mais e mais pessoas se convertem a Cristo, o mundo inteiro, gradualmente, tornar-se-á cristão, incluindo seus governos civis. Esses governos serão fundamentados em todas as leis bíblicas do Antigo e do Novo Testamento e esse será o sinal para a volta de Jesus. “Esta noção de um tempo do fim perfeito de esvai em face do ensinamento bíblico.” Ibid.

[72] Ibid., p. 214. Moore reconhece que a maioria da direita religiosa não aceita as visões mais radicais de Rushdoony, mas afirma que “enquanto os cristãos da direita religiosa, em geral, rejeitam as visões mais extremas, eles são muito atraídos pela sua ideia que os governos deveriam ser cristãos e que as leis estadunidenses deveriam estar fundamentadas na Bíblia, fazendo, portanto, do Estados Unidos uma ‘nação cristã’.” Ibid.

[73] http://articles.cnn.com/2008-05-01/politics/bush.poll_1_disapproval-rating-new-pollpollingdirector?_s=PM:POLITICS; ver, também, http://voices.washingtonpost.com/fact-checker /2008/05/ how_unpopular_is_george_bush.html.

[74] http://www.freerepublic.com/focus/f-religion/2343313/posts.

[75] http://en.wikipedia.org/wiki/Catholic_Church_and_politics_in_the_United_States.

[76] http://www.freerepublic.com/focus/f-religion/2343313/posts.

[77] Ellen White destaca que a perseguição contra os guardadores do sábado será muito maior nas cidades. Mas, hoje em dia, as cidades, definitivamente, não são conservadoras ou cristãs. Portanto, parece estranho, atualmente, imaginar o cenário de Moore. “Quando o decreto promulgado pelos vários governantes da cristandade contra os observadores dos mandamentos lhes retirar a proteção do governo, abandonando-os aos que lhes desejam a destruição, o povo de Deus fugirá das cidades e vilas e reunir-se-á em grupos, habitando nos lugares mais desertos e solitários. Muitos encontrarão refúgio na fortaleza das montanhas.” Ellen White, Eventos Finais, pp. 259–260.

[78] http://en.wikipedia.org/wiki/Red_states_and_blue_states; http://www.outsidethebeltway.com/2000_election_county_by_county/.

[79] John V. Stevens, The Abortion Controversy: Will A Free America Survive? Will You? (Sun City, AZ: Founders Freedom Press, 2008), pp. 404-405.

[80] Ibid., “Os Estados Unidos começaram como uma nação secular sem nenhuma forma de religião estabelecida.” “Fora essa dádiva que qualificara esta nova nação a ser descrita como semelhante ao cordeiro—ou mesmo semelhante a Cristo.”

[81] Ibid., pp. 405-406. “Os Estados Unidos foram estabelecidos na premissa que todos os homens são iguais, e seus princípios e leis foram baseados no conceito que todos deviam amar e respeitar o próximo como a si mesmo. Esse princípio é tomado da segunda tábua da lei dos Dez Mandamentos, que lida com relações sociais horizontais do homem para com o homem e não viola a separação entre igreja e estado que proíbe leis impondo leis religiosas. Tais leis interferem na relação e na responsabilidade vertical do homem para com Deus, essas sendo as leis de observância do Domingo, ou outras leis originando-se de dogmas religiosos. Um outro exemplo é o uso predominante da teologia religiosa como uma base legal para determinar o início da vida na concepção na questão do aborto.” Ibid.

[82] Ibid., p. 402. “A maior questão religiosa que enfrentamos na sociedade hoje é a do aborto. Este autor prediz que será resolvida favoravelmente àqueles que a ela se opõem.” Ibid.

[83] Ibid., p. 197. Stevens afirma que “a Palavra de Deus define o tempo do início da vida para uma pessoa como o nascimento e o fim da vida como a morte.”

[84] Ibid., p. 505.

[85] Ibid., p. 455. Stevens afirma que “talvez o líder evangélico mais reconhecido hoje seja James Dobson do Focus on the Family [Foco na Família]. Ele parece ter uma influência política maior do que qualquer outro evangélico. Sua queixa contra Harriet Miers vetou sua nomeação à Suprema Corte dos Estados Unidos e fizera xom que seu nome fosse retirado de cogitação. Ela parecia ter uma posição mais moderada sobre a Constituição do que seu sucessor nomeado, Samuel Alito. . . . Poderia-se acrescentar que desde que Dobson é a cabeça do vaticano do cristianismo evangélico, ele está perto de ser para os evangélicos o que o papa é para a Igreja Católica Romana—o papa protestante.” Ibid.

[86] Ibid., p. 456.

[87] Ibid.

[88] Ibid., p. 455.

[89] http://content.usatoday.com/communities/theoval/post/2012/02/obamas-ratings-with-catholics-are-little-changed/1#.Tzv_3ZWsPmg.

[90] Poderia acrescentar outros que compartilham, essencialmente, as mesmas visões, tais como G. Edward Reid, Sunday’s Coming!: Revelation 13 Is Coming Into Focus (Omega Productions, 2005).

[91] Isto tornou-se, especialmente, claro depois que as visões de Rick Perry foram comparadas, sob o holofote nacional, daqueles seus congêneres republicanos liberais nomearam opositores. Mesmo em seu próprio estado natal, o Texas, Perry perdeu apoio. http://www.npr.org/2011/08/24/139781021/the-evangelicals-engaged-in-spiritual-warfare. Ver, também, http://www.huffingtonpost.com/2012/01/17/rick-perry-texas-republicans_n_1211144.html. Também, http://www.pollwatchdaily.com/tag/rick-perry/.

[92] O fato é que a religião está mais complicada nos Estados Unidos nos dias atuais. “Foram-se os dias quando poder-se-ia, simplesmente, estimar a posição da direita religiosa em uma dada questão procurando um alarido de orador com uma organização estabelecida como a Associação da Família Americana, a Coalizão Cristã ou a Foco na Família,” escreve Becky Garrison, http://www.thereligiousleft.org/.

[93] Steven H. Shiffrin, The Religious Left and Church-State Relations (Princeton, NJ: Princeton University Press, 2009), p. 1. Ver, também, David P. Gushee, The Future of Faith in American Politics: The Public Witness of the Evangelical Center (Waco, TX: Baylor University Press, 2008), p. 216.

[94] Michael Cromartie, “The Evangelical Kaleidoscope: A Survey of Recent Evangelical Political Engagement,” em Timothy J. Demy e Gary P. Steward, ee., Politics and Public Policy: A Christian Response (Grand Rapids, MI: Kregel Publications, 2000), p. 123.

[95] Ibid.

[96] Ibid.

[97] Carl F. H. Henry, “Linking the Bible to Public Policy,” em Demy e Steward, ee., Politics and Public Policy: A Christian Response, p. 58. Henry, atentamente, observou que “a direita religiosa, para estar certo, não falava por todos os evangélicos mais do que o candidato à presidência Pat Robertson falava de um esforço ‘panevangélico’.” Ibid.

[98] Esta consequência é em parte devido à falha épica da campanha presidencial de Pat Robertson, que resultou em Robertson sendo um dos políticos mais negativamente já visto. Como Doug Bandow compartilha, “aceitação popular do papel da religião, ao menos do cristianismo evangélico [conservador], no processo político pode ter culminado [em 1987]. . . . Um ano depois que a candidatura à presidência fracassou e foi para o buraco. Após sua dramática segunda colocação mostrando o que as pesquisas em Iowa diziam que metade de todos os republicanos, quanto mais os democratas, não votariam nele sob quaisquer circunstâncias, uma taxa de rejeição, virtualmente, não precedente a qualquer outro política já visto.” Doug Bandow, Beyond Good Intentions: A Biblical View of Politics (Wheaton, IL: Crossway Books, 1988), pp. 226-227.

[99] http://www.beliefnet.com/News/Politics/2004/10/The-Twelve-Tribes-Of-American -Politics.aspx. Ver, também, Steven H. Shiffrin, The Religious Left and Church-State Relations, p. 1.

[100] http://thinkprogress.org/politics/2013/07/19/2324411/the-rise-of-the-religious-leftreligiousprogressives-will-soon-outnumber-conservatives/; and http://www.salon.com/2013/ 07/19/the_rise_of_the_religious_left/.

[101] http://www.theatlantic.com/politics/archive/2013/07/the-rise-of-the-christian-left -in-america/278086/.

[102] David R. Swartz, Moral Minority: The Evangelical Left in an Age of Conservatism (Philadelphia, PA: University of Pennsylvania Press, 2012). Enquanto apreciador da pesquisa histórica de Swartz, acredito eu que a esquerda evangélica não é algo que tenha sido jogada à lata de lixo da história, como diversos livros, abaixo, demonstram.

[103] Para obras descrevendo este momento, tanto pró quanto contra, ver Phillip Berryman, Liberation Theology: The Essential Facts About the Revolutionary Movement in Latin America-and Beyond (New York, NY: Pantheon Books, 1987); Daniel Bell, Liberation Theology after the End of History: The Refusal to Cease Suffering (Routledge, 2013); Christopher Rowland, ed., The Cambridge Companion to Liberation Theology (Cambridge, UK: Cambridge University Press, 1999); e Ivan Petrella, The Future of Liberation Theology: An Argument and Manifesto (Burlington, VT: Ashgate Publishing, 2004).

[104] Ian Linden, Liberation Theology: Coming of Age? (London, UK: Catholic Institute for International Relations, 1997), p. 5.

[105] Ibid. Teologia da Libertação é quando um “conhecimento de Deus é procurado mediante uma reflexão crítica na práxis, a ação e a prática do pobre em procurar sua libertação de todo tipo de opressão.” Ibid.

[106] http://www.gotquestions.org/liberation-theology.html.

[107] Petrella, The Future of Liberation Theology, p. 4.

[108] Humberto Belli, “Nicaragua: Field Test for Liberation Theology,” Pastoral Renewal, September (1984), p. 18.

[109] Ellen White, Manuscript Releases Vol. 14 (1990), pp. 160-161; e White, Mente, Caráter e Personalidade Vol. 2, pp. 625-627.

[110] Eldin Villafañe, Beyond Cheap Grace: A Call to Radical Discipleship, Incarnation, and Justice (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2006), p. 2

[111] Ronald J. Sider, The Scandal of the Evangelical Conscience: Why are Christians Living Just like the Rest of the World? (Grand Rapids, MI: Baker Books, 2005), pp. 77–78, 81.

[112] Ronald J. Sider, The Scandal of Evangelical Politics: Why Are Christians Missing the Chance to Really Change the World? (Grand Rapids, MI: Baker Books, 2008), pp. 104-105, 136. Uma ironia é que Sider é contra o aborto, enquanto muitos defensores seculares de um sistema universal de saúde não são e Sider une-se à direita quanto ao sistema de saúde no que diz respeito ao direito a vida.

[113] Laurence R. Iannaccone, “The Economics of American Fundamentalists,” in Fundamentalisms and the State: Remaking Polities, Economics, and Militance, ed. Martin E. Marty, e R. Scott Appleby (Chicago, IL: The University of Chicago Press, 1993), p. 350.

[114] Ronald H. Nash, Why the Left Is Not Right: The Religious Left: Who They Are and What They Believe (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 1996).

[115] Jim Wallis, “Liberating and Conformity,” Sojournerers, September 1976, pp. 3-4.

[116] Marcia Pally, The New Evangelicals: Expanding the Vision of the Common Good (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2011). Ver, também, David P. Gushee, A New Evangelical Manifesto: A Kingdom Vision for the Common Good (Chalice Press, 2012). Cp., Robert E. Webber, The Younger Evangelicals: Facing the Challenges of the New World (Grand Rapids, MI: Baker Books, 2003).

[117] http://www.alanhartung.com/2007/02/the-size-and-scope-of-the-emerging-church/.

[118] “A igreja evangélica está profundamente dividida. . . . Dois grupos, o tradicional [a direita] e os emergentes [a esquerda], estão no cerna da divisão iminente.” Jim Belcher, Deep Church: A Third Way Beyond Emerging and Traditional (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2009), p. 9.

[119] A “igreja emergente” é difícil de definir com precisão. Para ser breve, usarei um pouco menos do que uma breve sentença de Kevin Deyoung: “após lera aproximadamente cinco mil páginas de literatura da igreja emergente, não tenho dúvidas que a igreja emergente, enquanto vagamente definível e longe de uniformidade, pode ser descrita e criticada como sendo diversa, mas, reconhecidamente, um movimento. Você poderia ser um cristão emergente: se você ouve U2, Moby e Hurt de Johnny Cash (algumas vezes na igreja), usa ilustrações de sermão dos Sopranos, bebe latte à tarde e Guiness à noite, e sempre usar um Mac; se sua lista de leitura consiste primariamente de  Stanley Hauerwas, Henri Nouwen, N. T. Wright, Stan Grenz, Dallas Willard, Brennan Manning, Jim Wallis, Frederick Beuchner, David Bosch, John Howard Yoder, Wendell Berry, Nancy Murphy, John Franke, Walter Winks e Lesslie Newbigin (para não mencionar [Brian] McLaren, [Doug] Pagitt, [Rob] Bell, etc.) e seus colaboradores incluem D. A. Carson, John Calvin, Martyn Lloyd-Jones e Wayne Grudem; se sua ideia de discipulado cristão quintessencial é Madre Teresa, Martin Luther King Jr., Nelson Mandela ou Desmond Tutu; se você não gosta de George W. Bush, instituições, grandes negócios, capitalismo ou da esquerda estar atrás do cristianismo; se suas preocupações políticas são pobreza, AIDS, imperialismo, guerras, salários de CEO’s, consumismo, aquecimento global, racismo, opressão e não tanto aborto e casamento gay; se você frequenta locais boêmios, góticos, de raves ou indies; se você fala sobre o mito da violência redentora e o mito da certeza; se você acorda a noite tendo pesadelos sobre todos os tipos de modernismo que tem arruinado a sua vida; se você ama a Bíblia como uma coleção de obras inspiradas e belas que nos guiam ao mistério de Deus, mas não é inerrante; se você procura pela verdade, mas não está certo possa ser encontrada; se você já esteve em uma igreja com labirintos de oração, velas, Play-Doh, giz de cera, divãs ou puffs (seu grupo jovem não conta); se você abomina termos como linear, proposicional, racional, máquina e hierarquia e usa termos como antigo-futuro, jazz, mosaico, matrix, missional, vintage e dance; se você cresceu em lar cristão conservador que em retrospecto para legalista, ingênuo e rígido; se você apoia mulheres em todos os níveis de ministério, prioriza o urbano sobre o suburbano e gosta de sua teologia narrativa em vez de sistemática; se você descrê em qualquer separação entre sagrado e secular; se você quer ser a igreja e não apenas ir à igreja; se você anseia por uma comunidade que seja relacional, tribal e primitiva como um rio ou um jardim; se você acredita que doutrina é uma pedra no caminho de um relacionamento interativo com Jesus; se você acredita que quem vai para o inferno não é da sua conta e ninguém vai para lá mesmo; se você acredita que a salvação tem pouco a ver com expiação pela culpa e muito a ver com trazer a criação como um todo de volta à paz (shalom) com seu Criador; se você acredita que seguir a Jesus não é acreditar nas coisas certas, mas viver da maneira certa; se você realmente se incomoda quando as pessoas falam de ir para o céu em vez do céu vir a nos; se você desdém da pregação didática, monológica; se você usa o termo ‘estória’ em todas as suas proposições sobre o pós-modernismo—se toda, ou em maior parte, esta tortuosa longa sentença descreve você, então você poderia ser um cristão emergente.” Kevin DeYoung and Ted Kluck, Why We’re Not Emergent: (By Two Guys Who Should Be) Chicago, IL: Moody Publishers, 2008), pp. 21-22.

[120] http://vitalwholeness.wordpress.com/2011/11/13/occupy-wall-street-according-tojimwallis/.

[121] http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=88512189.

[122] http://articles.cnn.com/2008-07-01/politics/obama.evangelicals_1_evangelicalvotersyoung- evangelicals-evangelical-community?_s=PM:POLITICS. Ver, também, http:// www.brianmclaren.net/ archives/blog/why-im-voting-for-barack-obama-a.html.

[123] http://www.cstnews.com/bm/issues-facing-christians-today-common-sense-fortoday/ falling-standards-and-seeker-sensitive-churches/top-agenda-of-the-emergentchurchsocial-gospel.shtml.

[124] http://christianresearchnetwork.com/?p=2106.

[125] Esta é uma linha de pensamento popular para teólogos de linha liberal, destaca Jürgen Moltmann, Sun of Righteousness, ARISE!: God’s Future for Humanity and the Earth (Minneapolis, MN: First Fortress Press, 2010), p. 80.

[126] http://www.libertymagazine.org/index.php?id=1810; http://articles.cnn.com/2007-10-08/politics/obama.faith_1_obama-s-south-carolina-rick-warren-faith?_s=PM:POLITICS; http://www.foxnews.com/story/0,2933,300257,00.html.

[127] Esta é uma mudança vagarosa. A obra de Fernando Canale, aqui no JATS, é descrever a igreja emergente em uma séria contínua de artigos em busca de suas raízes teológicas e filosóficas. Ver, também, John Markovic, “The Emerging Church: A Call to Action and Authenticity,” Ministry, (março de 2010).

[128] Em virtude de não ser uma denominação; é muito difícil de medir a extensão exata do movimento “igreja emergente”. Representa o impulso “liberal/progressista” em larga escala entre cristãos de todas as denominações que tem, agora, dividido o evangelicalismo entre os dois maiores partidos políticos partidários. Estima-se que seja milhões. Uma pesquisa no “Google Books” resulta em mais de 27000 livros com a frase “igreja emergente”. Entretanto, há uma outra dimensão a ser explorada, aqui, também. Mudanças sócio-demográficas na sociedade estão em massa pelos Estados Unidos que, completamente, peneirará os grupos e poderes tradicionais em favor da esquerda religiosa que está aberta para mais diversidade e é muito ecumênica. Ademais, não é ninguém além de Pat Buchanan que discute isto em um livro recente. Patrick J. Buchanan, Suicide of a Superpower: Will America Survive to 2025 (New York, NY: St. Martin’s Press, 2011). Ver, especialmente, seu capítulo “The End of White America” [O Fim da América Branca], pp. 123-161, para uma discussão mais ampla da mudanças em alta na cultura estadunidense. Entretanto ‘as cartas podem falhar’, de fato, ninguém precisa concordar com a avaliação de Buchanan do lado bom e ruim das coisas, há certas inevitabilidades que hão de vir, e elas trarão mudanças com elas que romperão com os grupos políticos atuais.

[129] Em referência a obra de Edward P. Deberri, James E. Hug, Peter J. Henriot, and Michael J. Schultheis, Catholic Social Teaching: Our Best Kept Secret (Maryknoll, NY: Orbis Books, 1992). Todos os documentos referidos nesta obra apoiariam as políticas “esquerdistas” relacionadas a pobreza mundial, etc.

[130] http://brianmclaren.net/archives/blog/jim-wallis-gets-it-right-on-theo.html. Importante destacar, também, que os votos críticos para aprovar o plano de saúde fora, supostamente, de um católico “conservador”, o Chefe de Justiça John Roberts e, o indicado por Obama, a progressista católica liberal Sonia Sotomayer.

[131] http://www.washingtonpost.com/opinions/charles-krauthammer-overreach–obamacare-vs-the-constitution/2012/02/16/gIQAmupcIR_story.html. Ver, também, http:// www.lifesitenews.com/news/pelosi-i-am-going-to-stick-with-fellow-catholics-in-supporting-obama-birth.

[132] http://www.freerepublic.com/focus/news/2762671/posts.

[133] http://www.bostonherald.com/news/opinion/op_ed/view/20220217health_mandate_vs_religion/.Ver, também, http://www.washingtonpost.com/opinions/charles-krauthammer-overreach–obamacare-vs-the-constitution/2012/02/16/gIQAmupcIR_story.html. George Weigel explica bem quando compartilha: “Mas o que dizer dos intelectuais? O que dizer da insistência dos comentaristas autoidentificados como “católicos liberais”, colunistas e jornais que o mandato do HHS [Health and Human Services (Serviços Humanos e Saúde) não tinha nada a ver com liberdade religiosa, ou, posteriormente, que a “acomodação” atendia quaisquer questões legítimas de liberdade religiosa? O que dizer quando esses católicos proveem apoio intelectual e político para os Sebeliuses, DeLauros, Murrays e Pelosis em sua insistência que tudo isso trata-se de serviços preventivos necessários para a “saúde da mulher”? Muitos desses católicos liberais tinham, naturalmente, provido apoio similar para Obama durante a campanha de 2008, então, nesse sentido, fora menos assustador do que seu partidarismo acabou com sua lealdade religiosa novamente. Ainda, havia algo diferente, trágico, sobre este particular rahison des clercs [traição dos clérigos]. Por jogar fora um conceito robusto de liberdade religiosa, católicos liberais estavam traindo sua mais nobre herança.” http://www.nationalreview.com/articles/291455/catholic-betrayal-religious-freedom-george-weigel.

[134] Por exemplo, ver Frederick Clarkson, ed., Dispatches from the Religious Left: The Future of Faith and Politics in America (Brooklyn, NY: Ig Publishing, 2009).

[135] E.g., ver Paul E. Begala, “The Religious Left, Too Often Left Out,” pp. 57-62, em E.J. Dione Jr., Jean Bethke Elshtain, and Kayla M. Drogosz, ee., One Electorate Under God? A Dialogue on Religion & American Politics (Washington, D.C.: Brookings Institution Press, 2004), p. 58. Crescendo no “Cinturão Bíblico,” Bengala compartilha que enquanto “muitas visões cristãs levam muitas pessoas a expressarem-se cada vez mais suas opiniões políticas por meio do conservadorismo, o Cristianismo—especialmente o Catolicismo—guiou-me ao liberalismo,” p. 58. Ele compartilhou, também, por exemplo, isso: “fico desapontado quando proeminentes bispos e políticos católicos tentam reduzir o chamado para a fiel cidadania para a questão do aborto apenas,” Ibid., p. 61. Relembrando que 54% dos eleitores católicos apoiaram Obama em 2008, um forte apoio ao Presidente, pode-se ver que esta realidade está, indubitavelmente, repetida nas mentes de muitos católicos. Ver, também, Steven H. Shiffrin, The Religious Left and Church-State Relations, ix, p. 1.

[136] Por exemplo, observe David P. Gushee and Glen Harold Stassen, Kingdom Ethics: Following Jesus in Contemporary Context (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2003), pp. 423-424, “ensinamentos sociais católicos têm sido desejosos de nomear esses problemas [em capitalismo] como bastante pró–direita e tê, consistentemente reivindicado por uma regulamentação governamental apropriada das economias de livre-mercado para então reduzir a injustiça distributiva. As encíclicas têm, também, admoestado ao indivíduos e as instituições a lembrar-se da destinação universal dos bens, o mandato bíblico para a generosidade econômica e a simples humanidade daqueles que sofrem de privação econômica. . . . [necessitamos] de um envolvimento governamental mais agressivo em esforços de poderes econômicos construtivos.” Ver, também, David P. Gushee, Christians and Politics Beyond the Culture Wars: An Agenda for Engagement (Baker Books, 2000). Gushee observa, também, que cada vez mais liberais evangélicos “com frequência, baseiam-se na fontes profundas da tradição do ensinamento social católico romano magisterial,” David P. Gushee, The Future of Faith in American Politics: The Public Witness of the Evangelical Center (Waco, TX: Baylor University Press, 2008), p. 219.

[137] Roger Oakland, Faith Undone: The Emerging Church — A New Reformation or an End-time Deception (Silverton, OR: Lighthouse Trails Publishing, 2007).

[138] Gushee, Kingdom Ethics, p. 88.

[139] Ibid., p. 87. Gushee é bastante honesto sobre seu pensamento. Ele afirma que “a tradição moral católica . . . tem sempre estado muito interessada em acrescentar conhecimento de outras fontes, tais como a filosofia moral da Grécia Antiga ou, nos tempos modernos, a melhor e mais relevante pesquisa científica disponível em qualquer questão dada. Este interesse está enraizado em uma profunda crença teológica que sustenta que Deus fala a humanidade não apenas por meio da Bíblia (ou da tradições da igreja), mas, também, por meio do testemunho da ordem criada quando descoberta pela mente humana,” Ibid. Gushee chega a reconhecer que “os reformadores protestantes romperam com o catolicismo romano precisamente na questão das fontes de autoridade. O clamor mobilizador da Sola Scriptura (Escritura apenas) significava a rejeição da autoridade da tradição católica em favor de um retorno às Escrituras, e unicamente as Escrituras, para um direção moral e teológica,” Ibid. Gushee rejeita este ideal radical protestante como irreal e inaceitável, preferindo a tradição moral católica que procura a melhor e a mais relevante pesquisa científica disponível.

[140] Interessantemente, durante a campanha presidencial de 2012, o candidato republicano católico conservador a presidência Rick Santorum perdeu para seu companheiro o candidato republicano mórmon a presidência Mitt Romney, nas primárias republicanas entre os eleitores católicos, demonstrando, novamente, que os eleitores católicos favorecem políticas mais liberais. http://religionnews.com/2012/03/02/mitt-romney-trouncing-rick-santorum-among-catholics/. Ver, também, http://religion.blogs.cnn.com/2012/03/07/loudly-catholic-santorum-loses-ohio-catholics/. Vale a pena ressaltar que os eleitores católicos republicanos (quanto mais os católicos democratas, que são numericamente maiores) não estavam dando um apoio forte a um católico conservador genuíno, que vai na direção contrária da ideias que Gulley, Moore e Stevens têm sugerido.

[141] Jonah Goldberg, Liberal Fascism: The Secret History of the American Left from Mussolini to the Politics of Meaning (New York, NY: Doubleday, 2008).

[142] Ibid. Do interior da capa: “os fascistas originais eram, realmente, de esquerda, e . . . liberais desde Woodrow Wilson, a FDR e a Hillary Clinton têm defendido políticas e princípios muitos similares àqueles do Nacional Socialismo de Hitler e do Fascismo de Mussolini.” “Contrário do que a maioria das pessoas pensam, os nazistas eram fervorosos socialistas (o que explica o termo ‘Nacional Socialismo’). Eles acreditavam em sistema de saúde gratuito e trabalhos garantidos. Eles confiscaram riquezas de heranças e gastaram vastas somas de dinheiro em educação pública. Excluíram a igreja da política pública, promoveram uma nova forma de espiritualidade pagã, e inseriam a autoridade do estado aspecto e detalhe da vida diária. Os nazistas declararam guerra contra o fumo, apoiaram o aborto, eutanásia e controle de armas. Eles abominavam o livre-mercado, proviam generosas pensões para os idosos e mantinham um sistema cota racial estrito em suas universidades—onde os discursos nos campi eram de ódio. Os nazistas levaram o mundo à plantação orgânica e medicina alternativa. Hitler era um vegetariano estrito e Himmler era um ativista dos direitos dos animais.” Ibid. Isto não significa que os progressistas e liberais de hoje são idênticos de toda forma. Mas as similaridades e as raízes intelectuais de muitas das ideias são inegáveis. Ainda mais importante, Goldberg não é unicamente muito crítico de Barack Obama, mas, também, altamente crítico de “conservadores apaixonados,” incluindo George W. Bush. Ver, também, http://hosted.ap.org/dynamic/stories/U/US_PAUL?SITE=AP&SECTION=HOME &TEMPLATE=DEFAULT&CTIME=2012-02-18-22-33-48, onde o congressista estadunidense Ron Paul, um libertário com laços republicanos, ataca tanto as políticas de esquerda quanto de direita com igual vigor.

[143] “Absolutismo e fanatismo . . . aplicam-se não apenas à direita religiosa, mas à esquerda religiosa também,” James Davison Hunter, Culture Wars: The Struggle to Define America: Making Sense of the Battles over the Family, Art, Education, Law, and Politics (BasicBooks, 1991), p. 155.

[144] John W. Robbins, Freedom and Capitalism: Essays on Christian Politics and Economics (Unicoi, TN: The Trinity Foundation, 2006).

[145] John W. Robbins, Ecclesiastical Megalomania: The Economic and Political Thought of the Roman Catholic Church (Unicoi, TN: The Trinity Foundation, 1999; 2006).

[146] Robbins, Freedom and Capitalism, pp. 217-218.

[147] Ibid., p. 459. Ver, também, http://www.ourdailythread.org/content/vatican-issue-radicaldocument- economy-thomas-j-reese-sj/, onde Tom Reese compartilha que a posição do Vaticano e do Papa Bento XVI em economia é “à esquerda de cada política nos Estados Unidos. Estará mais próxima das visões do movimento ‘Ocupe Wall Street’ do que qualquer um no Congresso do Estados Unidos. Defenderá a redistribuição de renda e a regulação da economia mundial por agências internacionais. Não apenas será a esquerda de Barack Obama, será a esquerda de Nancy Polosi.”

[148] Robbins, Freedom and Capitalism, p. 480.

[149] Ibid.

[150] Ibid., p. 497.

[151] Ibid., p. 486.

[152] Ibid., pp. 497-498.

[153] John W. Robbins, Ecclesiastical Megalomania, pp. 78.

[154] Ibid.

[155] Ibid.

[156] Isto não é nem de perto uma ideia tão radical assim quanto adventistas tradicionais que atacam incessantemente tais ideias da direita religiosa possam pensar. Ver http://www.slate.com/articles /news_and_politics/jurisprudence/2008/04/the_new_blue_laws.html, onde tanto Hillary Clinton quanto Barack Obama e seus apoiadores têm se referido a necessidade de um dia de “descanso”.

https://my.barackobama.com/page/community/post/Tritium/gG5ngR (infelizmente não mais disponível).

[157] Por exemplo, ver Ronald H. Nash, Freedom, Justice and the State (Lanham, MD: University Press of America, 1980); Social Justice and the Christian Church (Milford, MI: Mott Media, 1983); Poverty and Wealth: The Christian Debate Over Capitalism (Westchester, IL: Crossway Books, 1986); Ronald Nash and Humberto Belli, Beyond Liberation Theology (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1992).

[158] Para uma análise da tese de Weber, ver Stanislav Andreski, “Method and Substantive Theory in Max Weber,” in Eisenstadt, The Protestant Ethic and Modernization: A Comparative View (New York: Basic Books, 1968).

[159] Robbins, Freedom and Capitalism, p. 164, n 1. “Por 50 anos os cristãos nos Estados Unidos têm sido iludidos por romanistas como Patrick Buchanan, William Bennett, and William F. Buckley, Jr. para apoiar seus programas, teologias e candidatos anticristãos. A ascensão da direita religiosa—a Maioria Moral de Jerry Falwell, a Coalizão Cristã de Pat Robertson, o Centro para Reivindicar a América de D. James Kennedy e movimento reconstrucionista de Rousas Rushdoony, Gary North e Greg Bahnsen—tem agravado, não corrigido, a situação. Agora, romanistas são convidados a frequentar conferências políticas de D. James Kennedy e protestantes renomados endossam livros de romanistas devotos, e tornam-se romanistas e ortodoxistas. O movimento reconstrucionista e seus aliados e simpatizantes, por substituir a ação política e cultural pela proclamação do evangelho, por substituir a escatologia e eclesiologia pela soteriologia, e por mutilar o próprio evangelho, têm se tornado ferramentas de ação política romanista,” Ibid.

[160] Robbins, Ecclesiastical Megalomania, p. 195.

[161] Ellen White, O Desejado de Todas As Nações, p. 281.

[162] Ibid., pp. 281-282.

[163] Ibid., p. 283.

[164] Ibid.

[165] Ibid.

[166] Ibid., p. 282.

[167] Ibid., p. 285.

[168] Ibid., p. 286.

[169] Ibid., p. 287.

[170] Ibid., p. 288.

[171] Ibid.

[172] Ellen White, O Grande Conflito, p. 455.

[173] Ibid., p. 460.

[174] Ver Ellen White, “The Test of Loyalty,” em The Signs of the Times, 13 de fevereiro de 1896; e Ellen White, “The Sabbath Test,” em The Review and Herald, 30 de agosto de 1898.

[175] Interessantemente, estudos enfatizando apenas um lado desses movimentos contemporâneos continuam a ser escritos por estudiosos adventistas, mesmo aqui no JATS. Destaque para os artigos dos estudiosos adventistas Trevor O’reggio e Fernando Canale. Desejo esclarecer que concordo, basicamente, com todos os escritos dele. Aponto, meramente, que a Nova Reforma Apostólica e a igreja emergente são, para todos os propósitos gerais, ideologicamente, opostos aos movimentos cristãos. Eles favorecem os partidos políticos seculares de oposição para avançar suas pautas. O que isto significa para a escatologia adventista e onde está o diálogo acerca deste paradoxo?

[176] Em apoio a posição de Robbin, destaco que estudos têm demonstrado que “desde 1991, vem aumentado o número de americanos de todas as idades expressando profunda preocupação que líderes religiosos não deveriam tentar influenciar nem os votos dos eleitores nem decisões governamentais,” que mudou a ênfase nas questões em um viés moral mais humanista, como justiça social, em vez do viés moral tradicional, como casamento e aborto. Portanto, a criação de uma moralidade “secular” tem se tornado a pauta de nossos tempos. Robert D. Putnam and David E. Campbell, American Grace: How Religion Divides and Unites Us (New York, NY: Simon & Schuster, 2010), p. 121.

[177] A história é complexa. O interessante é que embora algumas questões como segregação étnica de alguns conservadores que privaram congêneres religiosos fora lamentável e levou a esquerda política a responder à direita religiosa nos anos 1970, as sementes diretas da direita religiosa brotaram, inicialmente, em reação ao avanço da ciência esquerdista secular e sua promoção em escolas públicas que encorajaram a evolução nos anos 1950. Há, aqui, uma ironia a qual a evolução secular promovida por progressistas liberais encoraja o “racismo,” mesmo que a direita religiosa rejeitando o evolucionismo, criando uma contradição infeliz no pensamento de alguns conservadores que tem, agora, estado mais coerentes. George Rising, “Religious Right,” em Culture Wars: An Encyclopedia of Issues, Viewpoints, and Voices, ed. Roger Chapman (Armonk, NY: M. E. Sharpe, Inc., 2010), p. 466. Ver, também, Cleran Hollancid, Evolution Declassified: Just When You Thought it was All Settled (Detroit, MI: Gold Leaf Press, 2012), pp. 21-44; e Jonah Goldberg, The Tyranny of Clichés: How Liberals Cheat in the War of Ideas (New York, NY: Penguin Books, 2012), pp. 100-114, pp. 204-219.

[178] Ellen White expressara uma percepção sábia incomum e surpreendentemente equilibrada de quão complicada as questões entre igreja e estado podem ser quando ela repreendeu A. T. Jones por objetar-se a uma lei que obrigaria a leitura da Bíblia nas escolas públicas, sobre o alegado princípio de uma separação absoluta entre igreja e estado. White não apoiava a obrigação da leitura da Bíblia, mas não fizera objeção também, e admoestou que se fossemos pensar em fazer objeção à leitura obrigatória da Bíblia como adventistas, isso poderia nos prejudicar posteriormente. Ellen White, Spalding and Magan Collection (1985), pp. 8-9.

[179] Uma comparação fascinante em filosofia política seria entre um filósofo pós-moderno como Gary Brent com as obras de John Robbins e Ronald Nash citadas anteriormente. Eles parecem chegar à conclusões similares em muitas questão, demonstrando, então, que “conservadorismo” e “libertarianismo” não são excludentes entre si. Ver G. B. Madison, The Logic of Liberty (Westport, CN: Greenwood Press, 1986); G. B. Madison, The Political Economy of Civil Society and Human Rights (New York, NY: Routledge, 1998); e G. B. Madison, The Politics of Postmodernity: Essays in Applied Hermeneutics (Dordrecht, The Netherlands: Kluwer Academic Publishers, 2001).

[180] http://www.independent.co.uk/news/world/europe/pope-francis-assures-sceptics-you-don’t-have-to-believe-in-god-to-go-to-heaven-8810062.html; http://www.telegraph.co.uk/news/religion/the-pope/10302850/Pope-Francis-reaches-out-to-atheists-and-agnostics.html.

[181] É uma consciência que dá ouvidos ao Espírito de Deus que guiará aqueles ignorantes da verdade escriturística na salvação. Ellen White destaca que “devemos ir em busca daqueles que tenham pervertido a consciência a ponte de serem incapazes de discernir a preciosa verdade da Palavra de Deus,” White,  “The Pearl of Great Price,” em The Review and Herald , 1º de agosto de 1989; Ademais, “há professos cristãos que deturparão a consciência e obscurecerão a mente, sob o pretexto de divindade; e aqueles que não percebem nem sentem o perigo já são os ingênuos ou as vítimas de Satanás” White, Counsels to Physicians and Medical Students (1885); e “A consciência é a faculdade regulatória, e se um homem permite sua consciência tornar-se pervertida, ele não pode servir a Deus acertadamente,” White, Manuscript Releases Vol. 13 (1990), 155.

[182] http://www.thetimes.co.uk/tto/faith/article3866516.ece.

[183] http://www.nytimes.com/2013/09/20/world/europe/pope-bluntly-faults-churchs-focus-on-gays-and-abortion.html?_r=0; http://www.bloomberg.com/news/2013-09-19/pope-says-church-should-stop-obsessing-over-gays-abortion.html; e http://worldnews.nbcnews.com/_news/2013/09/19/20580271-pope-francis-says-church-cannot-focus-only-on-abortion-and-gay-marriage?lite.

[184] http://ncronline.org/blogs/ncr-today/pope-francis-speaks-again-world-poverty; http://www.reuters.com/article/2013/09/22/us-pope-economy-idUSBRE98L04H20130922; http://www.dnaindia.com/world/1866398/report-pope-francis-tells-clergy-to-go-out-on-the-streets-and-help-the-poorest.

[185] Steven H. Shiffrin, “The Religious Left and Church-State Relations: A Response to Kent Greenawalt and Bernie Meyler,” Cornell Journal of Law and Public Policy, Vol. 19 (2010), p, 761. Shiffrin sugere que “a esquerda religiosa ou liberais religiosos estão melhor equipados para combater ou confrontar conservadores religiosos ou a direita religiosa do que estão os liberais seculares . . . no contexto das relações entre igreja-estado,” Ibid. Ademais, se a esquerda religiosa continuar a confiar em acadêmicos seculares esquerdistas para sua fundamentação intelectual, pode-se prever uma variedade de problemas em muitas áreas.

[186] “Lutero esquadrinhava as Escrituras com um zelo e um interesse incansável até ter o caminho da vida claramente revelado. Ele aprendera que não é ao papa, mas ao Cristo, que os homens devem procurar por perdão e por justificação. ‘Porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.’ Cristo é a única propiciação pelo pecado; ele é o completo e perfeito sacrifício pelos pecados do mundo inteiro, assegurando o perdão a todo aquele que nEle crê como apontado por Deus. O próprio Jesus declara: ‘Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo.’ Lutero entendera que Cristo Jesus viera ao mundo não para salvar as pessoas em seus pecados, mas para salvá-las de seus pecados; que o único caminho pelo qual o pecador pode ser salvo é pelo arrependimento a Deus, porque da transgressão de sua lei, e fé em nosso Senhor Jesus Cristo, tanto o perdão de quanto a graça levam a uma vida de obediência,” Ellen White, “Martin Luther–His Character and Early Life,” in The Signs of the Times, May 31 (1883); cp., White, The Great Controversy (1911), 140, 253.

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