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  • A Antiguidade das Escrituras: A Torah

Escrito por: Christopher Eames

Traduzido por: Hugo Martins

“Traduzido e Republicado com a permissão de Watch Jerusalem”


Quão antiga é a Bíblia? Qual está mais correta: datação tradicional ou a datação acadêmica revisada?

A datação da Bíblia é um tópico controverso. Os tradicionalistas dizem que a Torah foi escrita por Moisés; os Salmos, a maioria por Davi; Provérbios por Salomão; os Profetas—por quem o nome aparece no título. Daniel? Sexto século A.E.C.

Revisionistas dizem que a Torah foi escrita após o cativeiro Babilônico—junto com o restante, realmente. Daniel? Segundo século A.E.C. Livros com nomes individuais foram mais provavelmente escritos por múltiplos escritores desconhecidos.

Este é um debate polêmico. Podemos realmente saber a resposta? Quão antigos e autênticos são os escritos bíblicos? Com este artigo, começaremos o primeiro artigo, de uma série de três, examinando a evidência arqueológica, estilo linguístico, conteúdo textual e obras contemporâneas relacionadas a esta questão. O Tanakh, ou Antigo Testamento, é dividido em três seções principais: a Torah (Lei), os Escritos e os Profetas. Nesta primeira parte, analisaremos a Torah.

Os Manuscritos do Mar Morto

Primeiro, porém, para um assunto como este, deve-se mencionar o que tem sido considerado “o maior achado de manuscritos de todos os tempos”—os Manuscritos do Mar Morto. Eles são um acervo de mais de 800 documentos, bem como de dezenas de milhares de fragmentos, descobertos em uma rede de cavernas perto das margens do noroeste do Mar Morto. Esses manuscritos datam variadamente entre 200 A.E.C. e 68 E.C. Eles pertenciam mais provavelmente à seita judaica conhecida como Essênios.

Particularmente interessante é que esta coleção de documentos inclui uma cópia parcial ou completa de cada livro da Bíblia Hebraica (menos o livro de Ester). Isso significa que essas obras devem ter sido compostas em algum momento antes de suas datas individuais dada dentro do período de tempo entre 200 A.E.C. a 68 E.C. Um fato interessante: O Livro de Isaías, dentre esses manuscritos, é cerca de 1000 anos mais antigo do que qualquer outra cópia conhecida!) Considerando que os Essênios eram demasiadamente isolados e reclusos, esses textos devem ter sido originalmente compostos muito antes dessas datas para que eles tenham tido tempo de chegar a comunidades como essas. Esta descoberta significa tão somente que, pelo menos, a maior parte da Bíblia Hebraica deve ter sido escrita algum tempo antes do segundo século A.E.C.

A Torah

A Torah—tradicionalmente atribuída a Moisés, c. século 15 A.E.C.—tem sido datada por minimalistas como 1000 anos depois, após o cativeiro de Israel. A Bíblia é muito clara que a Torah foi “escrita” pela mão de Moisés (e.g. Êx 17:14, Nm 33:2, Dt 31:9). Minimalistas são muito claros que não. Em quem devemos acreditar?

A evidência arqueológica que auxiliaria a datar este texto não é extensiva. Mas o que encontramos é muito interessante.

Manuscritos Ketef Hinnom

Durante escavações arqueológicas nas margens do Vale de Hinom, não muito longe das muralhas da antiga Jerusalém, um grande tesouro escondido foi encontrado em uma sepultura pela equipe do Prof. Gabriel Barkay. Mais de mil objetos foram encontrados. Os mais importantes foram dois pequenos manuscritos de metal feitos com 99% de prata pura. Esses pergaminhos foram cuidadosamente abertos em um laboratório e foram encontradas porções das Escrituras, a saber, de Números 6:24-26 e Deuteronômio 7:9.

Esses manuscritos foram datados como sendo do sétimo século A.E.C., o faz deles os textos bíblicos mais antigos encontrados. Aqui, o que neles está escrito:

Amuleto I:

. . . o grande . . . [aquele que guarda] a aliança e a misericórdia para com aqueles que [o] amam e para com aqueles que guardam [seus mandamentos . . .].

O Eterno . . . abençoando mais do que todos . . . e mais do que o mal. Pois redenção está nele. Porque Yahweh é nosso restaurador [e] rocha.

Que Yahweh te abençoe e te guarde. [Que] Yahweh faça [Seu rosto] resplandecer . . .

Passagens Bíblicas:

. . . que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e cumprem os seus mandamentos . . . (Dt 7:9).

O SENHOR te abençoe e te guarde; o SENHOR faça resplandecer o rosto sobre ti . . . (Nm 6:24–25).

Amuleto II:

Que [ele/ela] seja abençoado por Yahweh; O guerreiro/ajudador e o repreendedor do mal:

Que Yahweh te abençoe e te guarde. Que SENHOR faça resplandecer o rosto sobre ti e te dê a paz.

Passagens Bíblicas:

O SENHOR te abençoe e te guarde; o SENHOR faça resplandecer o rosto sobre ti . . . (Nm 6:24–25).

O Rei Josias estava em cena durante a metade deste sétimo século A.E.C. 2 Crônicas 34 descreve a Torah—ou, pelo menos, o livro de Deuteronômio—como tendo sido perdida e reencontrada neste momento. Isso levou a um grande reavivamento da religião em Judá. Esta passagem explica que a Torah já tinha aparecido há muito tempo em cena; talvez fosse somente após encontrar o rolo da Torah que as passagens puderam ser reincorporadas em serviços tais como esse funeral. A partir disso, podemos ver que as passagens escolhidas extraídas de uma compilação existente das Escrituras durante o sétimo século A.E.C. para usá-las para propósitos funerários. Isso é muito anterior quando “deveria” ter sido escrita—particularmente a porção Números, que não deveria ter estado em cena a não ser centenas de anos depois.

Ostraca de Khirbet Qeiyafa

Outra descoberta—esta datando do décimo século 10 A.E.C.—contém passagens bíblicas muito similares a outras, especialmente de Êxodo. A descoberta foi um caco de cerâmica com texto hebraico antigo escrito nele. Mesmo o texto não correspondendo especificamente a qualquer texto bíblico, mostra, ao mesmo tempo, uma compreensão geral dos mesmos princípios e do vocabulário. Pode também estar ligado a outros escritos bíblicos, externos a Torah. Conhecido como a ostraca de Khirbet Qeiyafa, isto é o que diz (junto a alguns exemplos de passagens bíblicas semelhantes):

Ostraca de Khirbet Qeiyafa

. . . não farás, mas adore o [Senhor]

Faça justiça ao escravo e à viúva. Faça justiça ao órfão [e] ao estrangeiro. [D]efenda o órfão, defenda o po[bre e] a viúva. Reabilite [o pobre] nas mãos do rei. Proteja o po[bre e] o escravo, [aju]de o estrangeiro.

Passagens Bíblicas:

. . . Não afligirás o forasteiro, nem o oprimirás . . . A nenhuma viúva nem órfão afligireis (Êx 22:–22).

Fazei justiça ao fraco e ao órfão, procedei retamente para com o aflito e o desamparado. Socorrei o fraco e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios (Sl 82:3–4).

Uma versão da ostraca de Khirbet Qeiyafa por Michael Netzer para fins de ilustração, com base em fotografias do vaso de barro pelo projeto Khirbet Qeiyafa da Universidade Hebraica de Jerusalém, projeções do texto e interpretações das áreas com escritas esvaecidas (MichaelNetzer [CC BY-SA 3.0]).

De acordo com Gershon Galil, professor de estudos bíblicos da Universidade de Haifa, a descoberta fornece evidência convincente de que os textos bíblicos foram escritos “centenas de anos antes das datas apresentadas na pesquisa atual” (ênfase acrescida).

Evidência Textual

Há inúmeras outras evidências para data antiga e tradicional da escrita para a Torah. Essas surgem especialmente por meio de uma análise textual. A Torah está escrita em um estilo de hebraico muito antigo—teria sido um feito memorável para uma fraude pós-exílica tardia forjar tal escrita. Ademais, quaisquer autores tardios teriam que ter um conhecimento extraordinário da vida e dos costumes durante aqueles períodos primitivos, desde o tempo de Abraão até Moisés e Josué. Através da arqueologia, somente agora estamos descobrindo uma miríade de costumes antigos singulares a esse período de tempo.

Considere, por exemplo, as referências primitivas em Gênesis a respeito de uma serva sendo dada como esposa. Esta era uma prática primitiva aceita durante os dias de Abraão—se uma esposa não pudesse dar filhos ao marido, uma serva poderia ser usada para dar a luz um herdeiro. Esta tradição caiu fora de uso, no entanto, em períodos posteriores. O escritor deve ter, de alguma forma, conhecido sobre este costuma daquele período de tempo. Similarmente, havia a possibilidade de vender o direito de primogenitura e de afirmar uma esposa como irmã (mencionado três vezes: duas vezes por Abraão e uma vez por Isaque)—antigamente, poderiam ser legalmente consideradas “irmãs” para terem mais direitos. Como escritores tardios sabiam dessas tradições e lhas usaram no período de tempo correto?

Considere, também, referências aos faraós na Torah. Eles nunca são nomeados, para o desgosto dos historiadores. Mesmo em livros posteriores da Bíblia, os faraós são nomeados. Esta omissão primitiva dos nomes pessoais dos faraós estava em harmonia com a tradição da época. Os faraós eram referidos por seus títulos divinos—não por seus nomes pessoais. Ainda mais tarde, Israel estava livre do cativeiro e das tradições egípcias—e, portanto, vemos uma referência aos faraós pelos seus nomes. Como poderia escritores fantasmas terem conhecido esta tradição e omitido os nomes, bem como, então, com precisão, escrevê-las no exato período de tempo de livros bíblicos posteriores?

“Na pirâmide está registrado, em escrita egípcia, o quanto foi gasto em rabanetes, cebolas e alhos-porós para os operários. . . .”–Historiador Heródoto 5º século A.E.C. (Ricardo Liberato/Creative Commons)

Outra referência: quando os israelitas fugiram, eles desejaram retornar ao Egito e a comida eles recebiam ali—especificamente, “alho-poró e cebola” (Nm 11:5). Uma inscrição de uma pirâmide egípcia registra “cebola e alho-poró” como alimento dos operários. Como escritores tardios conheciam hábitos alimentares de operários e escravos no Egito?

Considere, também, que na Torah, a Terra de Canaã é descrita de um ponto de vista Egípcio—ilustrando que uma parte da terra parece com uma porção da terra no Egito (e.g., Gn 13:10). Esta é a marca de alguém que viveu no Egito—i.e., Moisés—não a marca de um escritor pós-exílio na Judeia do quarto século. Considere, também, o grande detalhe dado na descrição da rota do Êxodo através do deserto. A Terra de Canaã, por outro lado, é descrita, em vez disso, vagamente. Naturalmente, Moisés não teve permissão para entrar na Terra de Canaã—assim, esses tipos de descrições textuais fazem sentido, em vez de terem sidos escritas por escritores pós-exílio familiarizados principalmente com a Judeia. Além disso, a Torah contém uma grande lista de animais e até mesmo uma árvore amplamente utilizada pelos Israelitas que deixavam o Egito, como bem sabemos ser nativa do Egito e do Sinai, não de Israel.

Outrossim, a Torah reflete com precisão a situação política daquela época—como confirmado pela arqueologia. Certas terras são descritas por seus nomes originais. A Torah corretamente retrata a força original dos impérios babilônico e assírio impérios até os dias de Abraão. Retrata, corretamente, um poder crescente em direção a um Egito forte entre os 18º e 15º século A.E.C. alcançando influência em Canaã. Descreve, corretamente, a expansão de poder do Império Hitita em Canaã e registra, com precisão, os reinos dos moabitas e dos filisteus. Relata, acuradamente, a Canaã do início do 14º século que estava sendo invadida e totalmente conquistada pelos “nômades habiru”—certamente uma alusão da conquista dos hebreus da Terra Prometida registrada como tendo acontecido ao mesmo tempo. Esses são detalhes muito específicos que escritores fantasmas não teriam tido conhecimento durante sua suposta época pós-exílica de escrita.

Escritores JEPD

A hipótese principal para uma escrita tardia da Torah, por muitos autores, é o que se conhece a Hipótese Documentária/JEPD. “J” representa os autores que preferiram usar o nome de Deus “Jahweh.” “E” representa os autores que preferiram usar “Elohim.” “P” representa os escritores sacerdotais e “D” representa os escritores deuteronomistas. Não há espaço suficiente para tratar esta teoria totalmente aqui—e não há necessidade real. Porque certamente não explica todas as referências textuais especiais e específicas descritas anteriormente. Somente a descoberta dos rolos de Ketef Hinnom ajuda a reprovar esta teoria. De acordo com a hipótese [documentária], a porção Números registrada neste rolo supostamente não ter sido escrita por um “autor de fonte P” até senão 100 anos depois.

Isso também cria um dilema moral. Porque os mesmos autores escrevendo o famoso mandamento “Não dirás falso testemunho” (Êx 20:16; Dt 5:20) teria então “dado falso testemunho” por escreverem repetidamente que Moisés escreveu a Torah (e.g. Êx 17:14; Nm 33:2; Dt 31:9). Isso jogaria por água baixo o resto dos livros e autores bíblicos que afirmam de tal maneira (e.g. Josué, Juízes, Reis, Crônicas, Esdras, Neemias, Daniel, Malaquias).

Se quiser mais informações, Craig Davis detalha muito bem provendo evidências minuciosas refutando a Hipótese Documentária em seu livro Dating the Old Testament (Datando O Antigo Testamento). Esta obra extensa fantástica vai mais a fundo nos detalhes provendo uma data antiga para a Torah. O livro, na verdade, abrange toda a Bíblia Hebraica, proporcionando evidências arqueológicas e textuais convincentes para cada livro tendo sido escrito exatamente quando diz.

Somente Faz Sentido

Como se vê, não há evidência significativa para afirmar que somente faz sentido para uma escrita muito antiga da Torah. Aqueles que se dispõem a defendê-la estão fazendo sem nenhuma evidência para isso. Não há motivos para afirmar que a Torah não pudesse ter sido escrita durante o 15º século A.E.C. pela mão de Moisés. E há diversos fatores que confirmam ter sido.

Interessantemente, os antigos escritos “sagrados” detalhados dos assírios e dos babilônios têm sido aceitos—escritos altamente complexos em grandes detalhes—como composições datadas anterior a 2000 A.E.C. Por que os argumentos constantes em prol de uma composição tardia da extensa literatura hebraica—particularmente cerca do 5º século A.E.C. (pós-cativeiro) ou posterior? Estavam os israelitas tão atrasados que levaram esse longo tempo para a sua civilização bem estabelecida produzir uma coleção de obras preciosas?

Naturalmente, crer no relato literal, e que a Torah foi escrita pela mão de Moisés, significa crer na inspiração divina. E esse é um passo muito grande para os críticos. Parece que quantidade alguma de evidência arqueológica—pelo menos o tanto encontrada até agora—pode mudar isso.

Mas, conforme o tempo passa, a evidência continua a favorecer a autoria tradicional, antiga, da Bíblia. Veremos isso, no continuar de nossa série, examinando a segunda parte do Tanakh: Profetas.

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