Conexões Escatológicas entre Yom Kippur e “Dia do Senhor”
Tradução: Hugo Martins
O artigo “Conexões Escatológicas entre Yom Kippur e Dia do Senhor” (Original em Inglês: “Eschatological Connections Between The Day Of Atonement And The “Day Of The Lord”), por Sérgio Celis, foi publicado, inicialmente, pelo Adventist Biblical Research Institute. Usado com permissão.
Introdução
Yom Kippur ou Dia da Expiação é “o dia mais importante no calendário religioso de Israel.”1 Nesse dia “o serviço do santuário israelita atingia o seu clímax e objetivo final.”2 De acordo com a descrição de Levítico 16, nesse dia, o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos do tabernáculo e “todos os pecados do ano anterior eram finalmente eliminados na cerimônia de purificação do santuário.”3 Yom Kippur é um dia de jejum, descanso e aflição para o povo. Aqueles que não estavam preparados deveriam ser afastados do povo (Lv 16:31; 23:27–32). Neste sentido, este é um Dia de Juízo para o povo de Israel.4 Para a teologia adventista do sétimo dia, este dia é um símbolo do juízo divino escatológico. Gerhard Hasel observa que “as atividades jurídico-redentoras do dia da expiação no santuário terrestre em favor do antigo Israel têm a sua contrapartida tipológica na atividade jurídico-redentora no santuário celestial e no tempo do fim.”5 Este juízo final antitípico é interpretado à luz das profecias de Daniel e do NT como um processo de três fases sequenciais: (1) o juízo investigativo pré-advento; (2) o juízo milenial pós advento e (3) o juízo executivo pós-milenial.6 Através deste processo é realizado um trabalho de investigação e juízo, resultando na vindicação do povo de Deus e do próprio Deus.7
No entanto, Yom Kippur não é o único dia associado à ideia de juízo escatológico no AT. “Dia do Senhor”, um dos principais temas da literatura profética no AT, é usado “para significar um tempo em que Deus intervém ativamente na história, principalmente para juízo.”8 Embora a expressão “o dia do Senhor” ocorra apenas 24 vezes no AT, referências diretas a “aquele dia” aparecem quase 200 vezes nos profetas, e, ocasionalmente, em Lamentações e Salmos. A ênfase coletiva significa que é “uma característica central da mensagem dos profetas aos seus contemporâneos,”9 desde os tempos de Amós (século VIII A.E.C.) até Malaquias (século V A.E.C.). Este conceito é especialmente recorrente em Isaías, Joel, Sofonias e Zacarias, mas a ideia deste tipo de juízo está presente em cada um dos livros dos Profetas Maiores e Menores.10 A chegada deste dia é descrita com imagens de desastres naturais, invasões de exércitos estrangeiros e também com promessas de restauração. A maioria dos estudiosos concorda que é uma forma de anunciar as execuções dos juízos divinos sobre Israel e as nações do Antigo Oriente Médio. Embora haja no AT sinais de uma aplicação escatológica do “Dia do Senhor”, no NT a ideia é desenvolvida no contexto dos acontecimentos anteriores e durante a Segunda Vinda de Jesus e o juízo final. Na verdade, é aludido por Jesus (Mt 24:29; Mc 13:24,25; Lc 21:25–26), Paulo (1 Co 5:5; 2 Co 1:14; 1 Ts 5:2), Pedro (At 2:20; 2 Pe 3:10) e João (Ap 6:17; 16:14).
A aplicação escatológica do Dia do Senhor não é tão clara como a do Dia da Expiação, exceto que parece estar ligada à Segunda Vinda de Cristo.11 Contudo, visto que este dia não é apenas um dia de juízo para outras nações, mas especificamente um dia de juízo para o povo de Deus (e, portanto, paralelo à compreensão adventista da aplicação escatológica do Dia da Expiação), é necessário considerar outras interpretações possíveis do antitípico Dia do Senhor, especialmente no contexto do juízo escatológico. O objetivo deste estudo é encontrar as conexões bíblicas e teológicas entre a aplicação escatológica do Dia do Senhor e do Yom Kippur, e como esses temas se harmonizam com a compreensão adventista do sétimo dia dos eventos finais. A fim de atingir este objetivo, esta pesquisa segue três etapas: (1) Uma breve revisão da aplicação escatológica do Yom Kippur e do Dia do Senhor, (2) um estudo das conexões bíblicas e teológicas entre os dois dias, e (3) uma seção final com resumo e conclusões.
Yom Kippur e Sua Aplicação Escatológica
A compreensão adventista do Yom Kippur está diretamente relacionada ao movimento milerita e à sua interpretação de Daniel 8:14, especificamente no que diz respeito à ideia de que a Segunda Vinda de Cristo ocorreria por volta de 1843, no final da profecia dos 2.300 anos. Esta seção examina brevemente o que o AT diz sobre o Yom Kippur. Esta análise permite uma melhor perspectiva da aplicação escatológica deste dia.
Yom Kippur no AT
Alusões ao Yom Kippur aparecem no Pentateuco (Êx 30:10; Nm 29:7–11), mas a descrição mais completa dele aparece no livro de Levítico, especialmente no capítulo 16, que ocupa uma posição central no livro (cp. 23:27–32; 25:9).12 Era celebrado no décimo dia de Tishri, o sétimo mês do calendário judaico, como “a celebração mais solene de Israel.”13 Fazia parte, também, das festas da terceira grande convocação que ocorriam naquele mês junto com a Festa das Trombetas [Rosh Hashanah] (Lv 23: 24–25; Nm 29:1–6) e a Festa da Colheita ou Tabernáculos (Êx 23:16; 34:22; Lv 23:34–43; Nm 29:12–38; Dt 16:13–17).
Nesse dia, o povo afligia suas almas e jejuava como parte de sua preparação. Era o único dia do ano em que o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo do Santuário. De acordo com as Escrituras, o propósito desses ritos era fazer expiação “pelo santuário, pela tenda do encontro e pelo altar; também a fará pelos sacerdotes e por todo o povo da congregação” (Lv 16:33). Durante o resto do ano, os pecados do povo permaneciam simbolicamente no santuário através do sangue dos sacrifícios diários, que era aspergido pelos sacerdotes sobre o véu que separava o lugar santo do santíssimo (Lv 4:6,17). Yom Kippur, portanto, era o dia em que o tabernáculo era purificado dos pecados do povo.14 A purificação era feita através de uma série de ritos, resultando na eliminação ou purificação dos pecados de todo o povo de Israel.
Os ritos do Dia da Expiação descritos em Levítico 16 passam por sete etapas: (1) Preliminares: o sumo sacerdote se veste com linho branco e os dois bodes são sorteados (vv. 2–10); (2) Oferta-se um novilho para os sacerdotes e para o próprio sumo sacerdote (v.11); (3) o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo com o incensário de brasas vivas do altar de incenso e asperge o sangue do bezerro no propiciatório e no chão (12-14); (4) o bode para o Senhor é morto e seu sangue é levado para dentro do véu fazendo expiação pelo lugar santo (vv. 15-17); (5) altar é purificado (vv. 18–19); (6) confissão do pecado de Israel sobre o bode vivo, depois enviado para uma terra não habitada carregando os pecados do povo (vv. 20–22); e (7) algumas atividades finais: o sumo sacerdote se vestiu com suas roupas habituais e ofereceu] um holocausto para si e outro para o povo, também é queimada a carne do bezerro e do bode (vv. 23-26).15 Para Rodríguez, esses ritos possuem três significados: (1) purificação final do povo, (2) uma oportunidade para que Deus julgue Israel e (3) vindicação de Deus e de seu santuário.16
Há dois fatos sugerindo que este dia era na verdade um dia de juízo e vindicação para o povo de Israel. Primeiro, este dia produz uma separação entre justos e iníquos. Aqueles que não estavam preparados deveriam ser afastados do povo (Lv 16:31; 23:27–32).17 A purificação é feita tanto por meio do sacrifício do bode para o Senhor e para a condenação do bode para Azazel, por um lado, e para a destruição daqueles que não estavam preparados para este dia, por outro.18 Significa que neste dia ocorre uma separação entre aqueles que confessam os seus pecados e aceitam o sacrifício e aqueles que não. A atitude do povo desempenha um papel importante nas atividades deste dia, como dia de arrependimento, aflição e descanso. “O indivíduo que, por meio do orgulho e da autoconfiança, rejeita a graça expiatória de Deus, torna inútil o benefício dos serviços diários.”19
Em outro sentido, esta purificação é importante porque era o único dia do ano em que o Sumo Sacerdote entrava no Lugar Santíssimo (16:1–2). A presença do Senhor se manifestava sobre a Arca do Testemunho, onde ficavam a tábua dos Dez Mandamentos, o maná e a vara de Arão. A presença do Senhor no Santuário é demonstrada no AT como uma cena de juízo.20 O sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo como representante do povo diante da presença de Deus. Na verdade, “o Yom Kippur marca a mais alta exposição do obra mediadora do sumo sacerdote. Nele, todo o povo teve acesso à presença de Deus.”21
Aplicação Escatológica Adventista
A compreensão adventista considera o Yom Kippur como figura do Dia do Juízo escatológico. Esta interpretação se baseia na aplicação das profecias de Daniel, do livro de Hebreus e do Apocalipse. Esta seção resume e destaca alguns aspectos deste conceito que são úteis para melhor apreciar este ponto de vista. Eles giram em torno de duas ideias principais: (1) o propósito do juízo e (2) o momento do juízo.
O propósito do juízo. O Juízo é o último processo do Plano de Redenção a fim de “erradicar o pecado e seus resultados do universo e estabelecer o reino justo, universal e eterno de Cristo.”22 Da mesma forma que o Yom Kippur é a solução final para os pecados do povo de Israel e a separação daqueles que não estão preparados, neste juízo final, aqueles que não são dignos serão finalmente destruídos e o universo inteiro será libertado da presença do pecado.
Ademais, os sacrifícios no Yom Kippur cumprem o propósito de purificar o santuário de todos os pecados coletivos dos filhos de Israel. Isto leva à conclusão de que a expiação finalmente terminará no Juízo. Embora o sacrifício de Jesus na cruz seja suficiente para a salvação humana, os benefícios são aplicados no Juízo.23
Para realizar essas duas coisas, o Juízo determina quem é salvo e quem não é. Este processo de separação é um processo de investigação, conforme mostrado em vários lugares do NT, especialmente em algumas parábolas de Jesus (Mt 13:24–30; 37–43; 47–50; 25:31–46). Por esta razão, o Juízo implica um processo de vindicação para o próprio Deus, bem como para aqueles os salvos, em contraste com a retribuição para aqueles que não são salvos. Na verdade, para os israelitas, “o Yom Kippur é um dia de juízo vindicativo”24 e, da mesma forma, “o juízo final traz resolução para a guerra, pois todos concordarão que Deus está certo e a acusação de Satanás errada; sendo que Satanás, o pecado e os pecadores serão destruídos, de modo que as coisas anteriores desaparecerão (Apocalipse 21:1–4).”25 Gulley observa este processo: “O juízo pré-advento tem um duplo veredito: (1) libertação para os santos de Deus e (2) destruição do inimigo deles.”26
Richard Davidson concorda com esta aplicação do Yom Kippur antitípico no livro do Apocalipse, observando tanto a vindicação quanto a resolução do problema do pecado:
Da mesma forma, no antítipo, o Yom Kippur em Apocalipse nos conduz através do juízo investigativo (11:1,2,19; 14:7); através das sete últimas pragas (caps. 15-16) e do juízo da Babilônia (17.1-19.4); e através da remessa milenar de Satanás para o “deserto”/abismo e o juízo de revisão simultâneo pelos santos (20:1–10) até o clímax do juízo climático do trono branco e da eliminação final do pecado na segunda morte (20:11–15). O dia da expiação abrange, portanto, as fases investigativa, de revisão e executiva do juízo final.27
Este processo significa, portanto, uma obra de investigação e juízo, que resulta na vindicação do povo de Deus e do próprio Deus perante todo o Universo. Torna possível a eliminação definitiva do pecado e, portanto, a restauração da harmonia entre o Criador e a sua criação.28
Hora do Juízo. A vindicação e a retribuição da sentença envolvem um processo de três fases. O primeiro é o Juízo Investigativo Pré-advento, que começou no final dos 2.300 anos de Daniel 8:14 e antes da Segunda Vinda de Cristo. Segunda Vinda de Cristo.29 Assim como no Yom Kippur, os destinatários do juízo foram o povo de Israel. Nesta fase, o juízo é realizado no Santuário Celestial apenas para o povo de Deus. Deus está ao lado do seu povo (Dn 7:22).30 O final desta fase indica o fim da provação em que Jesus muda as suas vestes como sacerdote e regressa a este mundo como Rei para resgatar o seu povo.31 Yom Kippur é um dia de juízo para o povo de Deus à medida que atinge o seu cumprimento escatológico durante esta primeira fase.
A segunda fase é o juízo milenial pós-advento, que ocorre após a Segunda Vinda de Cristo durante o milênio. Isto é representado no Yom Kippur típico, quando o bode expiatório é levado para fora do acampamento. Assim como um bode expiatório foi levado para o deserto, Satanás é deixado sozinho no deserto de um planeta desolado, enquanto os santos estão no céu julgando as pessoas perdidas e os anjos (Ap 20:1–6; cf. 1Co 6:2–3).32 Desta forma, eles poderão ver a justiça e a misericórdia de Deus para com os pecadores.
Por fim, o Juízo Executivo Pós-milenial ocorre no final do Milênio, quando a Nova Jerusalém desce sobre a Terra e todos os ímpios são ressuscitados para receberem o castigo final deles (Ap 20:7–21:3).33 Isto significa a erradicação completa do pecado e a restauração da harmonia em todo o universo. Isto marca o fim do Grande Conflito cósmico, justifica Deus e seu povo, e resolve o problema do pecado: o resultado final do Yom Kippur no santuário terrestre. Neste sentido, o Yom Kippur encontra cumprimento escatológico durante a primeira fase investigativa e culmina com a erradicação completa do pecado no final do juízo.
Dia do Senhor e Sua Aplicação Escatológica
Dia do Senhor é um dos tópicos mais importantes do AT, especialmente nos livros proféticos. O conceito também implica uma “visitação histórica para juízo e libertação” para o povo de Israel e uma “visitação escatológica para juízo final e libertação” para todos os filhos de Deus em todos os tempos.34 Ambos os significados, histórico e escatológico, estão intimamente relacionados. Esta seção apresenta uma descrição deste tema no AT, juntamente com uma análise da compreensão comum de sua aplicação escatológica no NT, especialmente no que se aplica à escatologia adventista do sétimo dia.
O Dia do Senhor no AT
Estudiosos debatem sobre o real significado das alusões do AT até hoje. Von Rad afirma que o Dia do Senhor se origina na tradição da guerra santa de Israel, mas Weiss propõe que “o motivo é o fenômeno da teofania, como explicações e elaborações diretas e indiretas sobre a aparição do Senhor para juízo refletidas neste “Dia do Senhor” de Amós.”35 Craig Blaising propôs uma leitura canônica e intertextual do Livro dos Doze Profetas para uma melhor compreensão deste tema, confirmando-o como um grande tema unificador nos Profetas Menores e concluindo que o significado do Dia do Senhor é basicamente o mesmo ao longo destes livros.36 Este significado inclui os juízos de Deus sobre Judá e Israel, e sobre as nações ao seu redor. O resultado é a vindicação do povo de Deus.
O lugar onde Deus executa esses juízos é Sião, especificamente seu Templo sagrado, de onde Deus ruge. Aqueles que estão na sua presença ficam em silêncio (Jl 3:16; Am 1:2; Mq 1:2; 4:1–4; Hb 2:20; cp. Is 2:3–4,12). Isso pode significar que seus juízos são finais e inquestionáveis para eles. Os pecados julgados incluem idolatria (Is 2:8,20; Sf 1:4–6), orgulho e arrogância (Is 2:11,17) e falta de justiça social (Am 2:6–7; Sf 3:1–3).37 Os pecados apontados demonstram o valor da ética, bem como vindicam aspectos justos do juízo divino como o “Dia do Senhor”.
O resultado do Dia do Senhor é a restauração de Israel. Isto significa que o Dia do Juízo não é um evento isolado. Alguns estudiosos argumentam que o Dia do Senhor pode ser sistematizado como três eventos básicos, que aparecem consecutivamente em Joel, Amós e Zacarias 14:1–9. Essas fases são: (1) Deus julga Seu povo trazendo nações para atacá-lo, (2) Deus julga as nações que atacaram Seu povo, e (3) Deus restaura Seu povo.38
Juízos de Deus sobre Israel. O Dia do Senhor é demonstrado no AT como um dia do “juízo de Yahweh contra eles por violarem os requisitos da aliança da lei” (cp. Am 2:4).39 Isto implica um período de perseguição antes do momento da intervenção divina (cp. Dn 12:1).40 Os instrumentos usados por Deus para a execução desses juízos eram geralmente outras nações (Os 11:5; Am 3:9–11; Is 5:26–30; Zc 14:2) ou desastres naturais (Ag 1:5–6; 2:14–19; Ml 3:9–12; Jl 2:1–11).
Embora não haja referência ao Messias, Deus alerta sobre o seu “mensageiro” (Ml 3:1–2). Ele virá para chamar seu povo ao arrependimento e produzirá uma separação entre eles e os ímpios por meio de purificação ou sacudidura. Durante tal processo, Deus promete evitar a destruição total deixando um remanescente (Am 9:8–10; Zc 13:8–9; 14:2). Isto é especialmente notório no livro de Joel. Em Joel 2:12–17, há um chamado ao arrependimento, complementado com a promessa de restauração nos versículos 18–27. Isto é seguido por um anúncio do derramamento do Espírito Santo sobre “toda a carne” (28–29) acompanhado de maravilhas nos céus e na terra (30–31) e que resulta na salvação de “todo aquele que invoca o nome do Senhor,” identificado como “o remanescente” (32). Tudo isto ocorre antes da vinda do Dia do Senhor (31).41 Neste sentido, o propósito parece ser não apenas punir o seu povo, mas sim, provar para eles a fundação de um remanescente. Deus protegerá este remanescente e salvá-lo-á por meio desse juízos. É um chamado ao arrependimento e um apelo para estarmos preparados para a chegada dos juízos sobre os ímpios. Deus quer separá-los daqueles que serão destruídos.
O cumprimento histórico do Dia do Senhor está relacionado com a queda de Israel pelos assírios, bem como com a invasão de Judá pela Babilônia. Isto deu a Deus uma oportunidade de purificar o seu povo, mas, ao mesmo tempo, deu-lhes uma promessa ou esperança de restauração. Salvação, portanto, vem por meio do juízo.42 Resumindo, o Dia do Senhor em relação ao povo de Deus começa com um chamado ao arrependimento; é o momento em que Deus submete seu povo à provação para fazer uma separação entre aqueles que são verdadeiramente seus filhos e aqueles que não o são. O resultado é o estabelecimento de um remanescente que recebe a bênção da presença de Deus e é capaz de encarar o Dia do Senhor.
Juízos de Deus sobre As Nações. Como parte do juízo sobre seu povo, Deus ataca as nações que se levantam contra Israel (Zc 12:3–9; 14:12–13). Exemplos de algumas dessas nações incluem Egito (Is 19:16; 20:6; Jr 46:10, 21; Ez 30:9, 18), Edom (Is 34:8; 63:4; Jr 49:22; Am 1:11–12; Ob 1–14), Etiópia (Ez 30:9; Sf 2:12), Babilônia (Is 47:9; Jeremias 50:27, 30–31); Filisteus (Jr 47:4; Am 1:6–8; Sf 2:4–7), Tiro (Is 23:15; Am 1:9–10) e Nínive (Na 1:1-15; Sf 2:13). Este juízo sobre as nações eventualmente recai sobre todas as nações e reis da terra (Is 24:21; Jl 3:14; Ob 15–16), e todos os que são orgulhosos e altivos (Is 2:12–17), bem como todos os habitantes da terra (Sf 1:7–18). Isto parece ser um indicador da intenção dos profetas de dar a esses juízos um alcance e significado escatológico e universal dentro do plano de Deus para este mundo.
O propósito deste julgamento divino contra as nações é vindicar e libertar seu povo. Isto inclui aqueles que são oprimidos sob o domínio destas nações iníquas.43 Como resultado, o significado da “expressão ‘o dia do Senhor’, na época do surgimento dos grandes profetas de Israel, denotava um evento que os israelitas aguardavam como o dia da vindicação final da justiça do seu povo por parte de Jeová contra os seus inimigos.”44 Este mesmo facto produz um paralelo entre o Dia do Senhor e o Êxodo, onde o povo de Deus foi libertado da escravidão do Egito. A ideia aqui apresentada é “punir o culpado e vindicar o inocente.”45 Em outras palavras, o juízo contra estas nações está intimamente relacionado com o povo de Deus. Este juízo ocorre porque ele tem uma aliança com Israel, e Deus julga as nações para libertá-las e salvá-las. Dia do Senhor traz justiça e vindicação para aqueles que sofrem opressão e perseguição por parte das nações, reis, pessoas poderosas e todos os ímpios. Estes últimos recebem os efeitos deste dia da ira de Deus.
Restauração de Israel. Embora “Dia do Senhor signifique a destruição de toda a terra, incluindo todas as suas criaturas . . . um remanescente escapa ileso para desfrutar a salvação final de Deus.”46 Greg King observa que “o aspecto salvífico tem sido frequentemente considerado menos importante ou mesmo incongruente com o aspecto judicial,” mas “o Dia não é um mero momento de juízo ou salvação. É um tempo de salvação por meio do juízo.”47
Com o remanescente fiel, Deus pode começar um novo Israel e cumprir a promessa da aliança. É o estabelecimento definitivo do Reino de Deus em termos da aliança davídica (Is 11:10; Jr 23:5–6; 30:8–9; 33:15–16; Am 9:11; Ob 1:21; Ag 2:23; Zc 3:8–10; 14:9). Mesmo através de Israel, todas as nações podem receber a redenção (Is 2:2–4; Mq 4:1–3; 11:10; 19:18–25; 25:6–9; Zc 2:11). Isto, portanto, mostra que o próprio propósito da aliança entre Deus e seu povo é ser uma nação de bênção para todos os povos da terra. O povo de Deus pode então desfrutar das muitas bênçãos da sua nova terra com saúde, abundância de alimentos e paz em toda a criação (Is 4:2; 7:21–22; 25:6–9; 29:18–19; 30:23–26; Jl 3:18; Am 9:13–15; Mq 4:4,6–7; Zc 3:10).
No geral, este é o resultado final de juízos anteriores. Restauração implica a vindicação dos justos e a separação dos seus opostos rebeldes, bem como o fato de que Deus é vindicado diante do seu povo e do mundo inteiro (Is 10:20; 19:19–25; 52:6; Ez 38:23; 39:22). Embora muitas dessas promessas estivessem relacionadas com o retorno dos judeus do exílio à Palestina (Is 11:11–12; 27:12–13; Jr 27:22), o alcance deste aspecto é claramente escatológico.48
Resumindo, Dia do Senhor é melhor visto como uma intervenção divina em favor do seu povo. O anúncio do Dia do Senhor tinha o propósito de levar o povo de Deus ao arrependimento, e, portanto, salvá-lo. Os ataques executados por nações estrangeiras e o exílio posterior tiveram o efeito de purificação sobre o povo, para que finalmente pudessem desfrutar e retornar a Jerusalém. Os juízos contra as nações, idólatras e opressores foram anunciados como a libertação da opressão e a vindicação da justiça de Deus para o seu povo. Por fim, o processo termina com a restauração completa do povo de Deus em Jerusalém, com a promessa da presença de Deus como seu Rei.
Aplicação Escatológica do “Dia do Senhor”
Como cada profeta bíblico utilizou a imagem apocalíptica como uma intervenção divina iminente para o povo de Deus em seu tempo, as referências aos seus dias precisam ser entendidas dentro de seu significado escatológico, por sua vez, dentro de uma relação tipológica.49 Isto também é desenvolvido pelos escritores do NT que descrevem o dia final da consumação e vindicação. Esta seção explora como os escritores do NT e adventistas do sétimo dia entendem esta aplicação escatológica.
O Dia do Senhor no NT. A expressão “Dia do Senhor” aparece apenas em 2 Pedro 3:10, 1 Tessalonicenses 5:2, 2 Tessalonicenses 2:2 e Apocalipse 1:10;50 mas há outras expressões paralelas que se referem claramente a ela como “dia de Cristo” (1 Co 1:8; 5:5; 2 Co 1:14; Fp 1:6,10; 2:16), “o dia de Deus” (2 Pe 3:12), “o dia da visitação” (1 Pe 2:12), “o grande dia” (Jd 6; Ap 16:14) e “o dia da ira” (Rm 2:5; Ap 6:17). Além destas, existem outras expressões que parecem fazer referência a este mesmo evento: “o dia do juízo” (1 Jo 4:17), “o último dia” (Jo 6:39, 40, 44, 54; cp. 11:24; 12:48) ou simplesmente “o dia” (Mt 24:36; Lc 17: 24, 26, 30; Rm 2:16; 1 Co 3:13), “naquele dia” (Mt 7:22; 26:29; Mc 13:32; 14:25; Lc 17:31; 21:34; Jo 14:20; 16:23; 1 Ts 5:4; 2 Ts 1:10; 2 Tm 4:8), ou “um dia” (At 17:31).
Embora a ideia principal destes textos aponte diretamente para a Segunda Vinda de Cristo, o elemento do Juízo permanece muito claro em muitos destes textos. Embora alguns estudiosos interpretem este fato afirmando que a vinda do Senhor marca o tempo do juízo,51 há outros indícios que sugerem que este juízo ocorre antes da Segunda Vinda e é finalmente executado quando Jesus retorna à Terra.52 Isto fica especialmente claro no livro do Apocalipse, onde o Juízo ocorre antes do retorno de Jesus, enquanto ainda há oportunidade de arrependimento (Ap 14:6). Na verdade, Apocalipse mostra a aplicação escatológica mais desenvolvida deste dia. De acordo com Stefanovic, a referência ao juízo em Apocalipse 1:10 mostra que “todo o livro do Apocalipse foi aparentemente escrito tendo em mente o dia escatológico do Senhor e os eventos correlacionados.”53 Os juízos mais importantes em Apocalipse são os aspectos vindicativos e retributivos em relação ao povo de Deus e aos seus inimigos. O sexto selo anuncia a chegada do “dia da ira” do Cordeiro sobre quem oprimiu o seu povo (6:12–17; cp. 6:9–11). Beale comenta que, embora “todos os comentaristas concordem que os fenômenos cósmicos de 6:12–14 conotam juízo como no AT e em outros contextos do NT,” alguns deles “discordam se esta é apenas uma tribulação temporal antes do juízo final e real e do fim do cosmos, ou se é o próprio juízo final e o fim do mundo.”54 Ele conclui que “a cena retrata figurativamente a inauguração do juízo final.”55 Na verdade, quase todos os detalhes do quinto, sexto e sétimo selo têm uma conotação judicial em um contexto mais amplo do AT. No quinto selo fica muito claro, e no sexto e no sétimo é necessário ver as referências do AT para termos uma ideia mais clara (ver tabela abaixo).
Esta tabela indica que a abertura dos selos do Apocalipse está em um contexto de juízo. Contudo, não é juízoem si, mas sim o início do Juízo. Kenneth Strand explica que a abertura dos primeiros seis selos indica “eventos ou condições dentro do tempo histórico que são preparatórios para a abertura do livro no juízo; estes selos representam os passos ou meios pelos quais Deus através de Cristo prepara o caminho na história para a abertura e leitura da grande vontade ou livro do destino no juízo na consumação escatológica.”56 Há pelo menos dois fatos que apoiam esse argumento. Primeiro, o pedido de juízo dos mártires no quinto selo, que recebem a resposta necessária dentro de um tempo de espera pelo início do juízo até que o número deles —os fiéis mártires do povo de Deus— seja completado (Ap 6:9–11). Isto significa que o Juízo e a sua vindicação final ainda estão no futuro.
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Apocalipse |
Referência do AT |
Contexto |
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Grande terremoto |
Ez 38:19–20; Jl 2:10; Am 8:8; Ag 2:6 |
Juízos sobre Israel |
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Sol ficou preto e a Lua ficou como sangue |
Jl 2:31; 3:15; Is 13:10; 50:3 |
Juízo sobre Israel e Nações |
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Estrelas do céu caem |
Isaías 34:4 |
Juízos sobre Nações |
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O céu recuou como um pergaminho |
Isaías 34:4 |
Juízos sobre Nações |
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Todas as montanhas e ilhas se moveram |
Jeremias 4:24 |
Juízos sobre Israel |
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Reis da terra |
Is 24:11; Sl 2:2; 110:5–6 |
Juízos sobre Nações |
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Proteger-se |
Is 2:10,19–21; Os 5:3. |
Juízos sobre Idólatras de Israel |
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Ser protegido |
Oseias 10:8 |
Juízos sobre Idólatras de Israel |
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Face de Deus |
Sem alusão especial ao AT; Juízo implícito |
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Trono de Deus |
Sem alusão especial ao AT; Juízo implícito |
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Dia da Ira |
Conjunto de alusões do Antigo Testamento ao Juízo Escatológico |
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Remanescente (Quem está de pé) |
Jl 2:11, Na 1:6; Ml 3:2 |
Juízo sobre Israel |
Tabela 1. Referências ao juízo no sexto e sétimo selos
Segundo, existe um paralelo entre a abertura dos selos e o sermão profético de Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21.57 Jesus disse que haveria guerras, fome, pestes e perseguições, o que parece ter um claro paralelo com os quatro primeiros selos. Além disso, Jesus diz que ainda não são sinais do fim, mas do princípio das dores (Mt 24:8).58 Isto significa que os primeiros selos são sinais e acontecimentos que, como na observação de Strand, preparam a abertura definitiva do livro selado do Juízo. A ira do Cordeiro e o seu dia é uma resposta ao clamor do quinto selo, no sentido de uma vingança dos ataques contra o seu povo. Da mesma forma que no Dia do Senhor Deus ruge como um Leão do seu trono em Sião, produzindo uma convulsão celestial e terrena (Jr 25:30; Jl 3:16; Am 1:2; 3:1–8), os seis selos avisam a proximidade do juízo através de sinais cósmicos e de um terremoto (Ap 6:12–14).
Todas estas evidências mostram que o sexto selo parece ser o início do Juízo Escatológico, e, embora a Segunda Vinda faça parte desse juízo, ainda está no futuro. O evento aqui anunciado é o juízo que traz vindicação ao seu povo e resulta na destruição daqueles que o oprimem. Este é o Dia da ira do Cordeiro. Michaels alerta sobre essa ideia quando comenta:
Esses paralelos mostram o que está faltando no quadro do Apocalipse. Não há vinda do Filho do Homem nas nuvens, nem reunião dos seus escolhidos de todo o mundo. João vê todos os acontecimentos terríveis que anunciam e acompanham a Segunda Vinda de Jesus, mas não a vinda em si. A profecia dada em 1:7 (“Eis que ele vem com as nuvens”) está quase, mas não totalmente, cumprida.59
Embora a maioria dos intérpretes adventistas veja no sexto selo uma alusão à Segunda Vinda de Cristo,60 ver o dia da ira do Senhor incluindo o dia do juízo parece mais em harmonia com o contexto deste conceito no AT, e, ainda mais importante, com o contexto do próprio livro de Apocalipse. À luz do contexto do AT apresentado acima, o Dia escatológico do Senhor contempla a vindicação do povo de Deus, realizada por meio de um juízo sobre o próprio povo, mas também por meio de um juízo e punição sobre os seus inimigos. Consequentemente, o Dia do Senhor escatológico não deve ser visto como um evento único como a Segunda Vinda, mas sim uma série de eventos que incluem o juízo sobre o povo de Deus, o castigo sobre os seus inimigos e a Segunda Vinda de Jesus Cristo. Dia do Senhor não está, portanto, apenas associado à Segunda Vinda de Cristo, mas também deve estar associado ao Dia do Juízo.
Dia do Senhor na Escatologia Adventista. Embora não haja uma interpretação definitiva do Dia do Senhor escatológico entre os teólogos adventistas do sétimo dia, há uma tendência entre alguns pensadores de relacioná-lo com a Segunda Vinda de Cristo. Contudo, há indícios que permitem ver o Dia do Senhor num contexto mais amplo de juízo.
Alguns autores adventistas fazem uso de nuances e imagens do AT em relação ao Dia do Senhor que se referem a alguns eventos específicos que ocorrem nos últimos dias deste mundo, pouco antes da Segunda Vinda de Cristo. Eles incluem os sinais cósmicos, o remanescente, a chuva serôdia e o tremor. Antes de ver como o Dia do Senhor se enquadra na visão tradicional do juízo na próxima seção, resumimos, brevemente, a aplicação escatológica adventista desses conceitos.
A ideia mais intimamente relacionada com o Dia do Senhor na escatologia adventista parece ser a dos Sinais Cósmicos. Eles ocorrem no AT no contexto do Dia do Senhor (Is 13:9–10; 34:2,4; Ez 32:7; Jl 2:2, 10, 31; 3:15; Am 8:9). No NT, eles são usados por Jesus como sinais de Sua Segunda Vinda (Mt 24:29; Mc 13:24–25; Lc 21:25) e em Apocalipse no sexto selo (Ap 6:12–14). Esses sinais incluem o escurecimento do Sol e da Lua, bem como a queda das estrelas.61 O cumprimento destes sinais foi visto pelos pioneiros adventistas, incluindo Ellen G. White, como o “Dia Escuro” e a “Lua Vermelha” de 19 de maio de 1780, e na chuva de meteoros de 13 de novembro de 1833. Ambos foram eventos escatológicos importantes a partir de uma estrutura escatológica adventista tradicional.62 Contudo, esta interpretação tem sido questionada nas últimas décadas por diversos teólogos adventistas, principalmente com base na alegada irrelevância histórica destes cumprimentos em relação à Segunda Vinda de Cristo.63 Por ventura, a principal razão para isso seja o entendimento de que o Dia do Senhor escatológico não estava associado apenas à Segunda Vinda, minimizando assim a ideia de juízo escatológico. Não obstante, se a interpretação escatológica deste dia estiver ligada ao início do juízo escatológico (como sugere a evidência do AT), não deveria haver problema em especificar que estes sinais indicam o início do juízo escatológico em 1844. Eles anunciaram, portanto, o início do tempo do fim, no final do último período profético, os 2300 anos de Daniel 8:14. Algumas implicações dessa ideia são exploradas na próxima seção.
Outro conceito associado ao Dia do Senhor é a ideia de remanescente (i.e., Is 1:9; 10:20–22; 11:11–16; Jl 2:32; Am 5:15,18; 9:8-10; Sf 2:7–9; Zc 13:8–14:2). Esta ideia aparece no AT relacionada aos juízos de Deus sobre o povo de Israel, resultando na destruição parcial do povo, todavia um remanescente fiel persevera.64 Desde o início, o movimento adventista se considera um grupo com uma identidade e missão especial, o povo que restaurará a verdade sobre Deus durante o tempo do fim.65 O tema assumiu uma importância ainda maior dentro da Igreja, e, eventualmente, como parte de sua eclesiologia. O conceito de remanescente é uma das crenças fundamentais da denominação.66
Outras duas ideias associadas ao Dia do Senhor e ao remanescente incluem a chuva serôdia e a sacudira. No contexto do AT, a chuva serôdia aparece em conexão com a restauração do Remanescente (Jl 2:23, 28–31; Zc 10:1–3). A sacudidura, ideia tirada de Amós 9:9, tem um contexto semelhante. Ambos os conceitos têm a ver com a preparação do povo para estar pronto para o juízo, uma separação entre o próprio povo de Deus justaposto contra aqueles que não estão prontos.67 Adventistas interpretam esses conceitos com uma aplicação espiritual em mente, mas também como profecias que serão cumpridas dentro da cronologia escatológica historicista do tempo do fim. Assim, na compreensão adventista, imediatamente antes da Segunda Vinda, acontecerão na Igreja diversas coisas que resultam na sacudidura, fazendo essa separação entre aqueles que recebem a chuva serôdia e completam a missão da igreja e formam o remanescente final, versus aqueles que se dispersam. Uma vez mais, tal entendimento se enquadra na descrição bíblica do Dia do Senhor fazendo um paralelo com este conceito na escatologia adventista.
Conclusões Preliminares
Tanto Yom Kippur como Dia do Senhor incluem um elemento escatológico significativo na compreensão adventista. Yom Kippur é compreendido como o dia do juízo final, especialmente a primeira fase (juízo investigativo), e tem implicações importantes para as outras duas fases do juízo (milênio pós-advento e aniquilação dos pecadores pós-milênio). O propósito e o resultado final desses eventos é a restauração do povo de Deus, que recebe a sua recompensa e a vida eterna através de Jesus Cristo. Pecado é erradicado de todo o universo.
A aplicação escatológica do Dia do Senhor, embora intimamente relacionada com a Segunda Vinda de Cristo, também está ligada ao juízo final e à vindicação do povo de Deus. Deus mostra a sua ira sobre as nações em defesa do seu povo, e, finalmente, concede-lhes libertação e restauração. Os paralelos entre ambos os eventos escatológicos são óbvios. Eles são explorados com mais detalhes no restante deste artigo.
Conexões entre Dia do Senhor e Yom Kippur
Yom Kippur e Dia do Senhor são apresentados na Bíblia como juízo final tipológico. Enquanto o primeiro é a base para a escatologia adventista em relação ao juízo, o segundo é usado para explicar eventos relacionados com a Segunda Vinda. Contudo, a seção anterior demonstrou que o juízo é a principal característica do Dia do Senhor. Esta seção tenta estabelecer alguns paralelos entre ambas as ideias, para então tentar uma harmonia entre ambas as aplicações escatológicas.
Paralelos Temáticos
Conforme analisado anteriormente, é possível encontrar alguns paralelos temáticos entre a descrição bíblica e a aplicação escatológica do Yom Kippur e do “Dia do Senhor”. Esses paralelos têm a ver com o santuário como local de juízo, a descrição destes dias como dias de aflição e o aspecto vindicativo do juízo sobre o povo de Deus, juntamente com o aspecto retributivo do juízo sobre os inimigos do povo. Alguns detalhes são apresentados aqui.
Santuário como Lugar de Juízo
A referência mais clara entre Yom Kippur e Dia do Senhor é o Santuário. Como mencionado, a presença de Deus no AT no templo se refere a um tempo de Juízo, e em geral este é considerado em paralelo com o Dia da Expiação.68 Assim como o santo sacerdote apareceu no Lugar Santíssimo como representante do povo no Yom Kippur, no Dia do Senhor, Deus ruge desde Sião (Jl 3:16; Am 1:2; Mq 1:2; Hb 2:20; cp. Is 2:3-4,12), uma referência de sua morada no templo de Jerusalém (Sl 9:11; 76:2; Is 8:18; 18:7; 24:23; Jl 3:17).69 Sião é, portanto, o seu lugar para anunciar os seus juízos, tanto sobre o seu povo como sobre outras nações.
A presença de Deus no santuário é confirmada porque uma das principais características do Yom Kippur são as trevas, uma manifestação de sua presença divina.70 De acordo com as descrições deste dia no AT, a presença de Deus no Yom Kippur produz alterações no sol, na lua e nas estrelas, trazendo nuvens, trevas e escuridão (Is 13:10; 24:23; 34:4; Ez 32:7; Jl 2:10,31; 3:15; Am 5:18,20; 8:9; Na 1:8; Sf 1:15). Na verdade, esses sinais, para alguns estudiosos, “são na realidade sinais de teofania (cp. Hb 3:6, 10; 1Rs 19:11; Ez 32:7, 8),”71 porque Deus habita nas trevas em seu Santuário (1Rs 8:12; 2 Cr 6:1). Na verdade, às vezes ele é descrito como cercado por fumaça, nuvens e trevas (Êx 19:16; 20:21; Dt 4:11; 5:22,23; 2 Sm 22:10,12; Sl 18:9,11; 97:2). É interessante que na descrição do Yom Kippur, Deus diz a Moisés que naquele dia ele “aparecerá na nuvem sobre o propiciatório” (Lv 16:2). Consequentemente, as trevas no contexto do Yom Kippur parecem sugerir a presença de Deus no Santuário, no Lugar Santíssimo, remetendo ao Yom Kippur. Em ambos os dias, Deus está em seu Santuário, rodeado de trevas, julgando suas criaturas.
Dias de Aflição
Outro paralelo temático é a referência de ambos os dias como momentos em que o povo deve se afligir em preparação para os eventos que acontecerão naquele dia. No Yom Kippur, o povo deveria afligir suas almas e não fazer trabalho algum, sob pena de ser eliminado do meio do povo (Lv 16:29, 31; 23:27–32).72 Como mencionado, esta é a principal característica do Yom Kippur como um Dia do Juízo.
No caso do Dia do Senhor, juntamente com referências dele como um dia de trevas, é apresentado como um dia de ira, angústia, destruição, e é descrito como terrível (Joel 1:15; 2:2,11; Sf 1:15). Além disso, está no contexto de lamento pelo povo de Deus (Am 5:16–18; 8:9–10). Por esta razão, há um chamado ao arrependimento, “de todo o coração; com jejuns, com choro, com pranto” (Jl 2:12; cp Sf 2:1–2). Novamente, isto é feito no santuário, especificamente “entre o pórtico e o altar” (v.17), onde os sacerdotes deveriam interceder pelo povo.
Este chamado para se afligir e se humilhar está relacionado com os resultados do juízo porque, no Yom Kippur, os orgulhosos, os altivos e todos os que são exaltados serão humilhados (Is 2:12; cp. Sf 1:7–18) e os mansos serão escondidos (Sf 2:3). Esta atitude parece ser o que Deus está pedindo ao povo para ser salvo da condenação. Eventualmente, “acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Porque, no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o Senhor prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar (Jl 2:32; cp. Am 9:11–12). O resultado do julgamento é a salvação para o povo, porque ele aceita a libertação e o perdão de Deus. Ele adverte seu povo sobre a vinda do juízo e concede a oportunidade de salvação porque o tempo da graça ainda não terminou.
Além disso, Joel e Sofonias dizem que o Dia do Senhor é anunciado com sons de trombetas (Jl 2:1,15; Sofonias 1:16; cp. Is 27:13). O mesmo ocorria no Yom Kippur, conforme Levítico 25:9. Neste sentido, o uso das trombetas está relacionado com o chamado à preparação para o juízo.73
Juízo Vindicativo sobre o Povo de Deus
Após a aflição das almas do povo, estabelece-se um remanescente digno de alcançar a salvação, então Deus age para vindicá-los e salvá-los. Foi apresentado nas seções anteriores como tanto Yom Kippur quanto Dia do Senhor têm o propósito de vindicar o povo de Deus. Enquanto no primeiro a ênfase está na purificação do pecado, o segundo enfatiza a libertação [da opressão] dos seus inimigos. Na aplicação escatológica, o primeiro acontece no céu, diante dos seres inteligentes do universo; o outro na terra, diante dos inimigos do povo. Ambos terminam na libertação completa do povo de Deus dos seus pecados e dos poderes opressores.
Isto fica claro nos livros de Daniel e Apocalipse. Na verdade, a vindicação dos santos é um ingrediente básico do gênero apocalíptico.74 Em Daniel 7, a cena do juízo nos versos 9–11 é descrita no verso 22 como o “juízo a favor dos santos” (NVI).75 Em Apocalipse, o juízo é descrito como o tempo para “dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, tanto aos pequenos como aos grande” (11:18).
O caráter vindicativo do juízo destaca o verdadeiro caráter de Deus e o amor dele às suas criaturas. Embora o juízo seja um dia de aflição, é também um dia de salvação e redenção. A justiça e a ira de Deus não são necessariamente contraditórias ao seu amor. Dizem que a antítese do amor é a indiferença, não a ira. Na verdade, “a ira é a expressão, não a antítese do amor.”76 A ira de Deus é motivada pelo amor dele para com seu povo. Ele quer salvá-los, mas para isso precisa destruir o pecado e os pecadores, porque estes não permitem a harmonia completa dentro do universo. Destruir o mal é uma expressão de amor.77 Em razão da necessidade do amor ser recíproco, é possível demonstrá-lo ao seu povo. Aqueles que forem destruídos farão com que isso aconteça por causa do povo de Deus. É uma expressão de amor por aqueles que aceitam ele e seu caráter, e correspondem ao seu amor. Amor ao seu povo é a principal motivação de Deus no juízo.
No geral, o juízo implica a aplicação da salvação proporcionada por Deus para aqueles que são dignos de recebê-la. Este não é juízo pelas obras, mas sim uma visão equilibrada de uma fé real que produz obras. Investigar e rever a vida de quem aceitou o dom da salvação está relacionado com a vindicação no sentido de que esta investigação mostra os efeitos da graça e da salvação nos filhos de Deus, e não com os seus próprios méritos para alcançar a salvação. Bíblia ensina claramente ambas as verdades: salvação pela graça e juízo pelas obras; não são contraditórias, mas complementares. Ivan Blazen, após uma revisão dos textos e da aparente contradição entre a salvação pela fé e o juízo pelas obras, diz:
Embora aqueles que permanecem comprometidos com Cristo não precisem ter medo ou ansiedade do juízo de Deus em relação à salvação, pelo menos três coisas ficam claras nessas passagens de juízo. O que dizemos aqui será esclarecido mais adiante neste ensaio e colocado em relação à rica salvação de Deus. (1) Cristãos, todos aqueles justificados pela fé, entram em juízo. (2) Juízo é realizado de acordo com suas obras. (3) Dois destinos são possíveis para aqueles que professaram a Cristo; a vida eterna por um lado, a morte por outro. Em outras palavras, as pessoas podem ser salvas ou perdidas como resultado deste juízo.78
Ambas as ideias, juízo e vindicação, precisam ser entendidas no contexto do Grande Conflito, onde o caráter de Deus está em jogo em relação à maneira como ele trata suas criaturas.79 Portanto, o juízo tem a finalidade de dar ou aplicar a salvação àqueles vivendo o dom da graça de Deus. Durante o julgamento, um remanescente é estabelecido e recompensas são concedidas a ele. Este é o início da restauração e vindicação final do povo de Deus.
Juízo Retributivo sobre As Nações
Como parte da vindicação dos santos, o juízo inclui um castigo sobre as nações e poderes que oprimem o povo de Deus. Quando o destino dos justos é determinado no juízo, aqueles que não são aprovados são punidos. Isso acontece tanto no Yom Kippur quanto no Dia do Senhor. Shea comenta como esse fato aparece no livro de Joel:
Juízo é duplo. Deus há de julgar em prol de seu povo e contra as nações. Por sua vez, o povo de Deus deve ser libertado (2:32), regressar à sua terra (3:7), ter a sua sorte restaurada (3:1) e desfrutar de um futuro de paz e prosperidade (3:18, 20). As nações foram culpadas de subjugar o povo e as terras de Deus (3:2), saquear aquela terra e seu templo (3:5) e exilar Seu povo (3:6). As nações que trouxeram todos estes problemas ao povo de Deus serão devidamente julgadas. As suas próprias populações seriam deportadas e as suas terras ficariam desoladas (3:8, 19). Esses juízos são realizados a partir do santo monte Sião de Deus, em Jerusalém, o lugar onde ele habita.80
Os paralelos com Yom Kippur aparecem, em primeiro lugar, na destruição daqueles que não estão preparados e no envio do bode expiatório, Azazel, para o deserto. Ademais, o juízo escatológico do Yom Kippur em favor do povo de Deus inclui a destruição das nações que oprimiram o povo de Deus (Dn 7:11), num claro paralelo com as passagens do Dia do Senhor.81 Também em Apocalipse, “a vindicação da justiça de Deus é realizada primeiro pela salvação dos santos (Ap 15:3–4), e depois pelas pragas sobre os transgressores (Ap 16).”82 Isto é visto também nas três mensagens angélicas, nas quais o anúncio do juízo é feito para o povo de Deus juntamente com uma advertência: aqueles que não estão preparados para o juízo e não se separam da Babilônia participarão das pragas sobre os ímpios (Ap 14:6–12). A mesma ideia aparece em Apocalipse 18:4, onde o povo de Deus é convidado a sair da Babilônia para “que as pragas que vão cair sobre ela não os atinjam.”
Roy Adams faz essa ligação quando lembra que o livro de Daniel é o contexto da opressão sobre o povo de Deus nas mãos da Babilônia, e sugere, seguindo Ballenger, que os pecados não confessados também contaminaram o santuário, e, portanto, estão incluídos na purificação do Yom Kippur.83 Isto explica por que o chifre pequeno aparece contaminando o santuário em Daniel 8:11–14, e, portanto, réu no juízo escatológico. Para ele, “o estado do santuário/Templo . . . foi provocado tanto pela apostasia rebelde do próprio povo de Deus como pelo sacrilégio desafiador dos poderes pagãos hostis.”84 Embora esse conceito de contaminação não seja aceitável para alguns estudiosos adventistas,85 a inclusão das nações no juízo se ajusta à visão do Dia do Senhor sobre o juízo.
Este padrão de vindicação do povo de Deus pela punição dos seus inimigos é muito comum no AT. Hamilton destaca como Deus salva seu povo por meio do juízo e punição de outras nações, trazendo-lhes libertação em outras partes da Bíblia, incluindo o NT:
A salvação sempre vem por meio do juízo. A salvação para a nação de Israel no Êxodo veio por meio do juízo do Egito, e este padrão se repete em todo o Antigo Testamento, tornando-se paradigmático até mesmo no Novo Testamento. Quando Deus salva seu povo, ele os liberta trazendo juízo sobre seus inimigos. Isto não se limita aos inimigos do Antigo Testamento, como os filisteus. Na cruz, o governante deste mundo foi expulso (Jo 12:31). Na consumação, Jesus virá para afligir aqueles que afligem o seu povo (2 Ts 1:6, cp. 6–10).86
A título de resumo e esclarecimento, os paralelos entre Yom Kippur e Dia do Senhor podem ser detalhados nos seguintes pontos: (1) Ambos são dias de Juízo; (2) Juízo é realizado no Santuário; (3) a presença de Deus se manifesta em uma nuvem nas trevas; (4) o povo é convocado a se afligir, a se humilhar e a se arrepender; (5) trombetas são tocando anunciando a chegada do juízo; (6) o ponto central do juízo é a vindicação e purificação do povo de Deus; (7) aqueles que não estão preparados são finalmente destruídos; (8) a vindicação do povo de Deus traz como consequência a destruição das nações inimigas ou de seus poderes opressores; e (9) o resultado final é a eliminação do pecado e dos pecadores, o que significa a restauração definitiva do povo de Deus. Esses paralelos mostram que as conexões entre ambas as ideias são inegáveis. A razão para isso é que eles estão falando sobre o mesmo evento, isto é, o juízo escatológico.
Uma Sugestão de Harmonização
Esta pesquisa demonstra que o Yom Kippur, com clara aplicação escatológica no entendimento adventista, tem forte ligação temática com o “Dia do Senhor”. Embora não seja possível encontrar uma equivalência completa, os paralelos permitem uma inclusão na visão escatológica adventista. Esta última seção tenta uma harmonização entre as duas aplicações escatológicas destas imagens bíblicas de juízo no quadro da escatologia adventista.
Yom Kippur é entendido como parte do juízo escatológico, um processo de três fases, começando pelo juízo pré-advento, conectado à vindicação e purificação do povo de Deus. Este é o ponto de início do juízo escatológico. De acordo com as profecias de Daniel, este juízo começou em 1844. Essa data também marca a restauração da verdade através do remanescente escatológico. A visão tradicional adventista compreende o fim desta primeira fase do juízo em algum momento antes da Segunda Vinda de Cristo, quando o tempo da graça terminar, o remanescente triunfante for estabelecido e chegar o grande tempo de angústia. Este tempo de angústia consiste nas sete últimas pragas do livro de Apocalipse, na queda da Babilônia e termina com a Segunda Vinda de Cristo, onde o povo de Deus é resgatado da destruição deste mundo e levado para o céu. Nesse local, eles realizam o Juízo Milenial sobre os iníquos. Após o milênio, eles retornam à Terra para executar o juízo sobre os perdidos e recebem a terra como herança eterna. A tabela a seguir ilustra este processo. Alguns eventos e ideias tradicionais da escatologia adventista contribuem para uma compreensão mais ampla:
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Juízo Pré-Advento |
Grande Tempo de Angústia |
Segunda Vinda de Cristo |
Nova Jerusalém desce à Terra |
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Perseguição |
Fim da Tribulação |
Santos são levados para o céu |
Juízo Executivo |
|
Sacudidura |
7 Pragas |
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Tempo de Tribulação |
Juízo sobre Babilônia e suas filhas |
Início do Juízo Milenial |
Santos habitam a Nova Terra |
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Remanescente é estabelecido |
Dia do Senhor tem um padrão similar. É possível ver as mesmas sequências de acontecimentos nas referências a este dia em todo o quadro. Segundo o que vemos nas passagens bíblicas, o propósito do Dia do Senhor é restaurar o povo de Deus. Para isso, Deus julga seu povo para estabelecer um remanescente, e então julga as nações para vindicar seu povo. Como resultado, o remanescente é libertado e recebe a sua herança. Quando este processo é colocado em conjunto com a visão tradicional adventista, o paralelo fica muito evidente, como mostra esta tabela:
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Juízo sobre Israel |
Juízos sobre Nações |
Juízos sobre Nações |
Restauração Final |
|
Juízo Pré-Advento |
Grande Tempo de Angústia |
Segunda Vinda de Cristo |
Nova Jerusalém desce à Terra |
|
Perseguição |
Fim da Tribulação |
Santos são levados para o céu |
Juízo Executivo |
|
Sacudidura |
7 Pragas |
||
|
Tempo de Tribulação |
Juízo sobre Babilônia e suas filhas |
Início do Juízo Milenial |
Santos habitam a Nova Terra |
|
Remanescente é estabelecido |
Com base nesta interpretação, é possível perceber uma interpretação escatológica do Dia do Senhor baseada especialmente no livro do Apocalipse. Vários pontos merecem ser esclarecidos e são mencionados agora:
-
O Dia do Senhor escatológico não é um evento único. É um processo de Julgamento, Vindicação e Restauração.
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Este processo começa com o Juízo Pré-Advento. De acordo com a compreensão adventista das profecias de Daniel, este juízo começou em 1844.87
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Grande Tempo de angústia, quando as 7 pragas são derramadas e a Grande Babilônia é destruída, é parte e consequência do juízo e vindicação do povo de Deus. São necessários para libertar o restante da destruição deste mundo como parte da sua restauração. Tudo faz parte do mesmo processo de restauração completa do povo de Deus.
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Embora os santos já tenham recebido a recompensa da vida eterna na Segunda Vinda, a restauração completa ocorrerá no final do milênio. Eles vindicam o caráter de Deus por meio do juízo dos ímpios.
Conclusões
A primeira conclusão desta pesquisa é que existe uma forte ligação entre Yom Kippur e Dia do Senhor. Essa conexão é feita na Bíblia mediante a utilização do Santuário como local de juízo, onde as pessoas precisam estar preparadas com corações humildes para aceitarem o perdão de Deus. O propósito do juízo é vindicar o povo de Deus, incluindo a destruição dos seus inimigos, resultando na completa erradicação do pecado.
Segunda, é possível perceber que a aplicação escatológica do Dia do Senhor como um processo de juízo e vindicação se ajusta perfeitamente à visão escatológica adventista. A sequência do juízo sobre o povo de Deus, juízo sobre as nações e restauração do povo e do cosmos tem um paralelo no processo de restauração do Yom Kippur Escatológico começando com o juízo investigativo pré-advento, o juízo milenial e o juízo executivo, incluindo todos os conceitos da escatologia adventista (chuva serôdia, sacudidura, grande angústia, etc.) e as interpretações das profecias de Daniel e Apocalipse. O panorama geral da visão escatológica adventista parece fortalecido com esta harmonização.
Adicionalmente, cabe mencionar algumas implicações destas conclusões que merecem análise e estudo mais aprofundados. Duas delas têm a ver com estudos bíblicos. A primeira é em relação aos gêneros da literatura bíblica. Dia do Senhor pertence ao que é conhecido como profecia clássica, mas às vezes é visto como literatura apocalíptica devido à sua aplicação escatológica. Como a distinção entre os dois tipos de profecia é fortemente influenciada pelos métodos crítico-históricos de interpretação da Bíblia, é necessária uma abordagem canônica deste tema para uma melhor interpretação dessas passagens.
A segunda é em relação à interpretação do Dia do Senhor no livro do Apocalipse. O padrão de vindicação do povo de Deus em relação ao juízo enriquece a interpretação com algumas pistas importantes para a compreensão do livro. A primeira parte do Apocalipse tem a ver com o anúncio do juízo, e a segunda parte é a descrição do próprio juízo.
Em razão disto, surgem, então, algumas implicações teológicas. Dia do Senhor confere à escatologia adventista uma nova ênfase em relação ao Juízo. Enquanto o Yom Kippur destaca o que está acontecendo nos céus, o Dia do Senhor enfatiza os eventos que devem acontecer na Terra. Perseguição, sacudidura, chuva serôdia e o estabelecimento do remanescente são figuras extraídas do imaginário do Dia do Senhor, que têm por finalidade preparar a igreja para os últimos acontecimentos dos tempos. Esta visão é fortalecida e confirmada, e é necessário ver como os pioneiros chegam a esses conceitos e os apresentam numa nova compreensão bíblica.
Finalmente, este estudo nos leva a uma aplicação prática aos membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Há mais de 170 anos, os pais desta igreja compreenderam a mensagem de juízo e abraçaram-na como a verdade presente para este tempo final. Hoje, esta mensagem é válida e vigorosa. As boas novas da salvação e vindicação do julgamento devem ser pregadas pelo remanescente para cumprir a sua missão, e o Senhor poderá retornar para resgatar seus filhos. Este é o dever desta igreja, e esta é a promessa do Senhor.
NOTAS
1 Charles L. Feinberg, “Atonement, Day of,” Baker Encyclopedia of the Bible (BEB), ee. Walter A. Elwell e Barry J. Beitzel (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1988), 1:233
2 Angel Manuel Rodríguez, “The Sanctuary,” em Handbook of Seventh-day Adventist Theology, e. Raoul Dederen, Commentary Reference Series (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2000), p. 386.
3 Siegfried H. Horn, Seventh-day Adventist Bible Dictionary (SDABD), e. rev. (1979), s.v. “Atonement, Day of.”
4 Roy E. Gane, Cult and Character: Purification Offerings, Day of Atonement, and Theodicy (Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 2005), pp. 305–309; Horn, SDABD, s.v. “Atonement, Day of”; Rodríguez, “The Sanctuary,” p. 386.
5 Gerhard F. Hasel, “The ‘Little Horn,’ the Saints, and the Sanctuary in Daniel 8,” em The Sanctuary and the Atonement: Biblical, Theological, and Historical Studies, ee. Arnold Valentin Wallenkampf e W. Richard Lesher (Washington, DC: Review and Herald, 1981), p. 206.
6 Gerhard F. Hasel, “Divine Judgment,” em Handbook of Seventh-Day Adventist Theology, e. Raoul Dederen, Commentary Reference Series (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2000), pp. 833–848.
7 Rodríguez, “The Sanctuary,” p. 400.
8 Walter A. Elwell e Barry J. Beitzel, ee., Baker Encyclopedia of the Bible (1988), s.v. “Day of the Lord.”
9 Richard H. Hiers, “Day of the Lord,” The Anchor Bible Dictionary (TABD), e. David Noel Freedman (New York, NY: Doubleday, 1996), 2:82.
10 Algumas referências bíblicas onde este conceito aparece são: Sl 110:5; 137:7; Is 2:12; 13:6,9; 22:5; 34:8; Jr 46:10; Lm 2:22; Ez 7:5–27; 13:5; 30:2,3; Os 1:11; 2:18; Joel 1:15; 2:1, 11; 3:4; 4:14; Am 5:18–20; Ob 15; Mq 4:6,7; Na 1:6,7; Sf 1:7,8,14,18; 2:3; Ag 2:23; Zc 14:1; Ml 3:23.
11 Yom Kippur está no centro da estrutura quiástica do livro, mostrando a sua centralidade nos serviços do santuário. Ver William H. Shea, “Literary Form and Theological Function in Leviticus,” em The Seventy Weeks, Leviticus, and the Nature of Prophecy, e. Frank B. Holbrook, Daniel and Revelation Committee Series (Washington, DC: Biblical Research Institute, General Conference of Seventh-day Adventist, 1986), pp. 131–168.
12 Yom Kippur está no centro da estrutura quiástica do livro, mostrando a sua centralidade nos serviços do santuário. Ver William H. Shea, “Literary Form and Theological Function in Leviticus,” em The Seventy Weeks, Leviticus, and the Nature of Prophecy, e. Frank B. Holbrook, Daniel and Revelation Committee Series (Washington, DC: Biblical Research Institute, General Conference of Seventh-day Adventist, 1986), pp. 131–168.
13 Duane A. Garret, “Feasts and Festivals of Israel,” Evangelical Dictionary of Biblical Theology, e. Walter A. Elwell (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1997).
14 Para aspectos da transferência de pecado ver Angel Manuel Rodríguez, “Transfer of Sin in Leviticus,” em The Seventy Weeks, Leviticus, and the Nature of Prophecy, e. Frank B. Holbrook, Daniel and Revelation Committee Series (Washington, DC: Biblical Research Institute, General Conference of Seventh-day Adventist, 1986), pp. 169–197.
15 Para uma explicação detalhada desses rituais, ver Alberto R. Treiyer, The Day of Atonement and the Heavenly Judgment: From the Pentateuch to Revelation (Siloam Springs, AR: Creation Enterprises International, 1992), pp. 27–76.
16 Rodríguez, “The Sanctuary,” 385–386.
17 Gane, Cult and Character, pp. 305–309.
18 Treiyer, The Day of Atonement, p. 69.
19 Rodríguez, “The Sanctuary,” p. 287.
20 Para um estudo completo deste tópico, ver Shea, Selected Studies, 1–30.
21 Charles L. Feinberg, “Day of Atonement,” The Zondervan Encyclopedia of the Bible (ZEB), ee. Merril C. Tenney e Moisés Silva (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2009), 1:442. Rodríguez também explica que esta representação “era ilustrada simbolicamente pelas duas pedras preciosas colocadas nos ombros do éfode do sumo sacerdote,” que continha os nomes das tribos de Israel (Êx 18:9–12) e as 12 pedras preciosas do peitoral sacerdotal. Rodríguez, “The Sanctuary,” p. 379.
22 Don F. Neufeld, e. Seventh-day Adventist Encyclopedia (SDAE), e. rev. (Washington, DC: Review and Herald Publishing Association, 1976), s.v. “Judgment.”
23 George R. Knight, e., Seventh-Day Adventists Answer Questions on Doctrine, Edição Anotada (Berrien Spings, MI: Andrews University Press, 2003), p. 281.
24 Hasel, “Divine Judgment,” p. 840.
25 Gulley, God as Trinity, p. 289.
26 Norman R. Gulley, Christ is Coming: A Christ-centerd Approach to Last-Day Events (Hagerstown, MD: Review and Herald, 1998), p. 415.
27 Richard M. Davidson, “Sanctuary Typology,” em Symposium on Revelation: Introductory and Exegetical Studies, Livro 1, e. Frank B. Holbrook (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, General Conference of Seventh-day Adventist 1992), p. 123.
28 Rodríguez, “The Sanctuary,” p. 400. A visão adventista do Juízo inclui a participação dos seres inteligentes do universo, que participam do processo de vindicação de Deus e do povo de Deus. Ver Clifford Goldstein, False Balances: The Truth about the Judgment, the Sanctuary, and your Salvation (Boise, ID: Pacific Press, 1992), pp. 83–90.
29 Para um estudo claro e simples das profecias de Daniel e da data do início do juízo, ver Clifford Goldstein, 1844 Made Simple (Boise, ID: Pacific Press, 1988). Ver, também, alguns detalhes exegéticos e teológicos em Hasel, “Divine Judgment,” pp. 833–846.
30 Ver Hasel, “Divine Judgment,” pp. 840–846.
31 Ellen G. White, Primeiros Escritos, p. 36.
32 Para uma explicação completa da visão adventista do Milênio, ver Erick Claude Webster, “The Millenium,” em Handbook of Seventh-Day Adventist Theology, e. Raul Dederen, Commentary Reference Series (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2000), pp. 927–946; Joel Badina, “The Millennium,” em Syposium on Revelation: Exegetical and General Studies, Livro 2, e. Frank B. Holbrook, Daniel and Revelation Committe Series (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, General Conference of Seventh-day Adventist, 1992), pp. 225–242.
33 Para uma explicação mais detalhada, consulte Hasel, “Divine Judgment,” p. 847.
34 George E. Ladd, The Presence of the Future: The Eschatology of Biblical Realism, e. rev. (Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Company, 1974), p. 69.
35 Meir Weiss, “The Origin of the ‘Day of the Lord’ –Reconsidered,” Hebrew Union College Annual 37 (1966): 48, 60.
36 Craig A. Blaising, “The Day of the Lord: Theme and Pattern in Biblical Theology,” Bibliotheca Sacra 169, nº 673 (2012): 3–19.
37 Greg A. King, “Day of the Lord,” Eerdmans Dictionary of the Bible (EDB), ee. David Noel Freedman, Allen C. Myers, e Astrid B. Beck (Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans, 2000), p. 324.
38 Hiers, “Day of the Lord,” TABD, 2:82.
39 Ibid.
40 Richard H. Hiers, “Eschatology,” Harper’s Bible Dictionary (HBD), e. Paul J. Achtemeier (San Francisco: Harper & Row, 1985), p. 276.
41 Embora esta interpretação seja possível, a ênfase não é necessariamente no sentido temporal porque o significado principal da preposição hebraica lifnê, conforme usada em ambos os versos, é “na presença de” (R. Laird Harris et al., Theological Wordbook of the Old Testament [Chicago, IL: Moody Press, 1999], p. 728), indicando que o momento em que eles acontecem é durante o Dia do Senhor e não durante um tempo anterior.
42 James M. Hamilton, God’s Glory in Salvation Through Judgment: A Biblical Theology (Wheaton, IL: Crossway, 2010), p. 267.
43 Por exemplo, embora em Amós 1:3-2:3 Deus julga as nações por atacarem outras nações, em Naum, Sofonias 3 e Zacarias 14 o juízo vem por causa do ataque ao povo de Deus. Conforme mencionado acima, a opressão dos reis e dos orgulhosos também está incluída neste tipo de juízo.
44 Randolph V.G. Tasker, The Biblical Doctrine of the Wrath of God (London: Tyndale Press, 1951), p. 45.
45 Joel Nobel Musvosvi, Vengeance in the Apocalypse, Andrews University Seminary Doctoral Dissertation Series (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 1993), p. 106.
46 Ladd, The Presence of the Future, p. 58.
47 King, “Day of the Lord,” EDB, p. 325.
48 O caráter escatológico dessas referências é tão claro que alguns estudiosos da Bíblia as consideram apocalípticas no seu gênero de profecia. Contudo, esta designação pode confundir o real significado e interpretação desses textos. Uma profecia local, comumente chamada de “profecia clássica”, pode ter uma aplicação escatológica, mas isso não significa que seja apocalíptica, porque a aplicação original/local permanece e, portanto, tem um duplo cumprimento em sentido tipológico. Ver Richard M. Davidson, “Interpreting Old Testament Prophecy,” em Understanding Scriptures: An Adventist Approach, e. George W. Reid, Biblical Research Institute Studies (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2005), pp. 192–200; Richard M. Davidson, “Biblical Principles for Interpreting Classical and Apocalyptic Prophecies,” (2006). https://static.squarespace.com/static/51784bc4e4b0cd137cf03ca6/t/517c3bdde4b065cfbf605262/1367096285615/principles.pdf (acessado em 11 de novembro de 2013); William G. Johnsson, “Biblical Apocalyptic,” em Handbook of Seventh-Day Adventist Theology, e. Raoul Dederen (Hagerstown, MD: Review and Herald Publishing Association, 2000), pp. 784–814.
49 Hans K. LaRondelle, How to Understand the End-Time Prophecies of the Bible: A Biblical-Contextual Approach, 2ª e. (Sarasota, FL: First Impressions, 2007), pp. 6–7.
50 Ranko Stefanovic sugere que a expressão “o dia do Senhor” em Apocalipse 1:10 deve ser considerada uma referência para este dia escatológico. Ver Ranko Stefanovic, “‘The Lord’s Day’ of Revelation 1:10 in the Current Debate,” Andrews University Seminary Studies 49, nº 2 (2011): 282.
51 Richard H. Hiers, “Day of the Lord”, The Anchor Bible Dictionary (TABD), e. David Noel Freedman (New York, NY: Doubleday, 1996), 2:77.
52 Como observado anteriormente, a teologia adventista estabeleceu isto especialmente através das profecias de Daniel. Ver Hasel, “Divine Judgment,” pp. 833–840.
53 Stefanovic, “‘The Lord’s Day’ of Revelation 1:10 ”: 282.
54 Gregory K. Beale, The Book of Revelation: A Commentary on the Greek Text (Grand Rapids, MI; Carlisle, Cumbria, UK: W.B. Eerdmans; Paternoster Press, 1999), p. 398.
55 Ibid.
56 Kenneth A. Strand, Interpreting the Book of Revelation: Hermeneutical Guidelines, with Brief Introduction to Literary Analysis, 2ª e. (Ann Arbor, MI: Ann Arbor Publishing, 1979), p. 57.
57 LaRondelle, How to Understand Prophecies, pp. 120–121; Ranko Stefanovic, Revelation of Jesus Christ: Commentary on the Book of Revelation, 2ª e., (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2009), pp. 223–226.
58 Donald G. Barnhouse, Revelation: An Expository Commentary (Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1971), p. 140.
59 J. Ramsey Michaels, Revelation, The IVP New Testament Commentary Series vol. 20 (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1997), Rev 6:17.
60 Ver, por exemplo, Jon Paulien, “The Seven Seals,” em Symposium on Revelation: Introductory and Exegetical Studies, Livro 1, e. Frank B. Holbrook, Daniel and Revelation Committe Seires (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, General Conference of Seventh-day Adventist 1992), pp. 236–237; C. Mervyn Maxwell, God Cares: The Message of Revelation for You and Your Family (Boise, ID: Pacific Press, 1985), pp. 190–191; LaRondelle, How to Understand Prophecies, p. 131. Stefanovic, Revelation, pp. 251–252.
61 O grande terremoto, embora incluído no sexto selo do Apocalipse, não faz parte dos sinais do Dia do Senhor no AT.
62 Uriah Smith, The Prophecies of Daniel and Revelation (Nashville, TN: Southern Publishing Association, 1944), pp. 441–448. White, O Grande Conflito, pp. 304, 306, 333, 334; Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 632; Francis D. Nichol, e., The Seventh-day Adventist Bible Commentary (Washington, DC: Review and Herald, 1957), 5:502; Richard P. Lehmann, “The Second Coming of Jesus,” em Handbook of Seventh-day Adventist Theology, e. Raoul Dederen, Commentary Reference Series (Hagerstown, MD: Review and Herald Publishing Association, 2000), p. 906.
63 Jon Paulien afirmou em 1994 que, em relação a esses sinais, os adventistas “precisam de uma abordagem sensata para com os eventos atuais” Jon Paulien, What the Bible Says About the End-Time (Washington, DC: Review and Herald Publishing Association, 1994), p. 157. George Knight declarou que “são sinais de que o fim está chegando, mas não são os verdadeiros sinais do fim . . . os verdadeiros sinais não são sinais de proximidade, mas sinais da vinda.” George R. Knight, Matthew: The Gospel of the Kingdom, The Abundant Life Bible Amplifier (Nampa, ID: Pacific Press Publishing Association, 1994), p. 236. Hans LaRondelle escreveu num artigo na Ministry em 1998 que “vários expositores adventistas contemporâneos admitem os problemas exegéticos com a antiga interpretação do sinal cósmico”, mencionando, depois, nomes como Marvin Moore e Samuele Bacchiocchi para apoiar este ponto. Hans K. LaRondelle, “Viewpoint: The Application of Cosmic Signs in the Adventist Tradition,” Ministry, setembro de 1998, p. 27. LaRondelle desenvolve essa ideia de forma mais ampla na segunda edição de seu livro How to Understand the End-Time Prophecies of the Bible e conclui que essas convulsões naturais não podem ser interpretadas como sinais dos tempos, então propõe um cumprimento futuro durante o último tempo de angústia, pouco antes da Segunda Vinda. LaRondelle, How to Understand Prophecies, pp. 339–344.
64 Para um estudo completo da temática do remanescente no AT, ver Gerhard F. Hasel, The Remnant: The History and Theology of the Remnant Idea from Genesis to Isaiah, Andrews University Monographs (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 1974), pp. 135–372.
65 Para uma revisão histórica do desenvolvimento desta ideia de remanescente no movimento adventista, ver o terceiro capítulo de Carmelo Martínez, “El concepto de remanente en la Iglesia Adventista del Séptimo Día: Razones subyacentes en el debate contemporáneo” (ThD diss., Universidad Adventista del Plata, Villa Libertador San Martín, Entre Ríos, Argentina, 2002).
66 Para a compreensão adventista do Remanescente, ver Hans K. LaRondelle, “The Remnant and the Three Angels’ Messages,” em Handbook of Seventh-Day Adventist Theology, ed. Raoul Dederen, Commentary Reference Series (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2000), pp. 857–892; General Conference of Seventh Day Adventists, Seventh-day Adventists Believe: A Biblical Exposition of Fundamental Doctrines (Silver Spring, MD: Ministerial Association, General Conference of Seventh-day Adventists, 2005).
67 Para um estudo desses e outros conceitos da visão escatológica adventista na Bíblia e em Ellen White, ver Fernando Chaij, Preparation for the Final Crisis: A Compilation of Passages from the Bible and the Spirit of Prophecy (Mountain View, CA: Pacific Press, 1966); Gulley, Christ is Coming, pp. 496–506. Marvin Moore, The Crisis of the End Time: Keeping Your Relationship with Jesus in Earth’s Darkest Hour (Boise, ID: Pacific Press, 1992); Keavin Hayden, The Shaking Among God’s People (Hagerstown, MD: Review and Herald, 1994).
68 Shea, Selected Studies, pp. 1–30.
69 Para Sião como referência ao templo, ver W. Harold Mare, “Zion”, The Anchor Bible Dictionary (TABD), e. David Noel Freedman (New York, NY: Doubleday, 1996), 6:1096.
70 John N. Oswalt, The Book of Isaiah. Chapters 1-39, The New International Commentary on the Old Testament (Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans, 1986), p. 306.
71 Douglas Stuart, Word Biblical Commentary: Hosea-Jonah, Word Biblical Commentary, vol. 31 (Dallas: Word, Incorporated, 2002), pp. 251–252; Ver, também, Raymond B. Dillard, “Joel,” em Evangelical Commentary on the Bible, e. Walter A. Elwell (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1996), Joel 2:28.
72 Alberto Treiyer sugere que as palavras hebraicas usadas para “afligir as vossas almas” são uma referência ao jejum porque são sempre usadas nesse contexto (Is 58:3,5; Sl 35:13). Treiyer, The Day of Atonement, p. 66.
73 Ibid., p. 312.
74 Adams, The Sanctuary Doctrine, p. 250
75 Na compreensão adventista, a cena do juízo de Daniel 7 é paralela ao final dos 2300 dias de Daniel 8:14, marcando o início do Dia da Expiação antitípico.
76 Richard Rice, The Reign of God: An Introduction to Christian Theology from a Seventh-Day Adventist Perspective, 2ª e. (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 1997), p. 197.
77 As palavras de Hasel, “salvação e juízo refletem as características gêmeas de misericórdia e justiça na natureza de Deus” (Hasel, “Divine Judgment,” p. 815), mas neste contexto parecem não ser apropriadas, porque colocam o juízo apenas no lado da justiça, como sendo a antítese do amor. O caráter de Deus é Amor, e sua justiça não é necessariamente uma “característica gêmea”, mas sim sua justiça e todas as demais qualidades de seu caráter são completamente afetadas e contidas por seu amor, e, portanto, quando Deus decide destruir os pecadores, é também uma demonstração de Seu amor.
78 Ivan T. Blazen, “Justification and Judgment,” em The Seventy Weeks, Leviticus, and the Nature of Prophecy, e. Frank B. Holbrook (Washington, DC: Biblical Research Institute, General Conference of Seventh-day Adventist, 1986), pp. 357–358.
79 Para uma explicação do Grande Conflito, ver Frank B. Holbrook, “Great Controversy,” em Handbook of Seventh-Day Adventist Theology, ed. Raoul Dederen, Commentary Reference Series (Hagerstown, MD: Review and Herald Publishing Association, 2000), pp. 969–1008.
80 Shea, Selected Studies, p. 14.
81 Shea destaca como os profetas maiores e menores contêm material extenso sobre juízos sobre as nações fora de Israel e declara que “este tipo de profecia fornece o pano de fundo para o juízo pronunciado sobre as nações bestiais em Daniel (Ibid, 1–2). Para um estudo sobre o juízo em Daniel 7, ver Arthur J. Ferch, “The Judgment Scene in Daniel 7,” em The Sanctuary and the Atonement: Biblical, Historical, and Theological Studies, ee. Arnold V. Wallenkampf e W. Richard Lesher (Washington, DC: Review and Herald, 1981), 157-176; Shea, Selected Studies, pp. 111–154.
82 Treiyer, The Day of Atonement, p. 207.
83 Roy Adams, The Sanctuary: Understanding the Heart of Adventist Theology (Hagerstown: Review and Herald, 1993), pp. 85–86.
84 Ibid., p. 99.
85 Por exemplo, para Treiyer, embora os pecados não perdoados sejam mencionados no Yom Kippur, eles não estão incluídos na purificação. See Treiyer, The Day of Atonement, pp. 157–167.
86 Hamilton, God’s Glory in Salvation, p. 57.
87 Este ponto dá uma luz renovada sobre os sinais cósmicos, que para alguns estudiosos consideram sem sentido se forem definidos em 1755, 1780 e 1833, porque ocorreram há 200 anos, e a Segunda Vinda ainda não ocorreu. Nesta visão, elas anunciam a chegada do juízo, e não apenas a segunda vinda de Cristo, e, portanto, essas datas são completamente adequadas como cumprimento da profecia.