A Doutrina da Personalidade do Espírito Santo como Ensinada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia até 1900

A Doutrina da Personalidade do Espírito Santo como Ensinada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia até 1900


Monografia de  Christy Mathewson Taylor apresentada em agosto de 1953

Tradução: Hugo Martins


CAPÍTULO I

INTRODUÇÃO

A doutrina da personalidade do Espírito Santo teve diversas interpretações na Igreja Adventista do Sétimo Dia propostas pelos seus primeiros pioneiros. Ao considerar as opiniões dos líderes desta denominação e a passagem do tempo, percebemos um desenvolvimento na compreensão do tema. Tanto quanto este estudo revelou, o desenvolvimento desta doutrina ao longo do seu período formativo nunca foi unificado ou analisado.

Objetivo e Delimitação do Estudo. O objetivo deste estudo é descobrir a progressão da atitude da Igreja Adventista do Sétimo Dia em relação à doutrina da personalidade do Espírito Santo. A delimitação do estudo inclui a origem das ideias ou dos primeiros pioneiros adventistas que construíram a fundação para esta denominação. Consideramos a influência dessas ideias à medida que afetaram o desenvolvimento da doutrina em estudo. A doutrina é traçada dos primórdios da organização da Igreja Adventista do Sétimo Dia até o final de 1900.

Importância do Estudo. Parece que o sucesso de qualquer movimento depende da unidade dos seus membros. No entanto, a Igreja Adventista do Sétimo Dia permaneceu ativa e bem-sucedida durante cinquenta anos sem unidade nesta doutrina. Quando tal desunião de pensamento existe numa organização cristã a respeito da Divindade, e da personalidade de seus membros, necessitamos de uma compreensão definida. A garantia desta compreensão e desta unidade que agora existe sobre o assunto tornam importante a análise do seu desenvolvimento.

Definição dos termos utilizados.

Trindade. O termo Trindade, conforme utilizado neste estudo, é definido como a união de três pessoas divinas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo em uma só Divindade, de modo que todos os três são um só Deus em natureza e essência, mas três pessoas quanto à individualidade.

Personalidade. O termo personalidade se refere a um indivíduo ou ser. Contudo, em um nível divino, reconhecemos nesta tese que o termo personalidade não inclui necessariamente forma ou corpo.

Trinitário. Um trinitário é definido neste estudo como alguém que acredita na doutrina da Trindade conforme declarada acima.

Ariano. Conforme usado neste artigo, o termo ariano se refere a alguém que não aceita Cristo como o Filho eterno de Deus, nem acredita que ele seja da mesma substância do Pai.

Unitário. Este estudo define o termo unitário como aquele que nega a doutrina da Trindade, acreditando que Deus existe apenas em uma pessoa.

Triteísmo. Triteísmo, conforme usado neste estudo, é definido como a opinião ou doutrina de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três Deuses distintos, sem unidade de personalidade ou substância.

Fontes Investigadas. A fim de traçar o desenvolvimento desta doutrina na Igreja Adventista do Sétimo Dia, foi necessário ir às fontes da história da denominação. Foram estudados os manuscritos e escritos publicados dos primeiros pioneiros do movimento, como Guilherme Miller, Joshua V. Himes, José Bates, Tiago White, Uriah Smith, e outros. Os escritos manuscritos de Ellen G. White, bem como as suas obras publicadas, também foram investigados para determinar que influência, se é que houve alguma, os seus escritos tiveram no desenvolvimento denominacional deste assunto.

Outras fontes principais foram os primeiros periódicos e folhetos publicados pela denominação adventista do sétimo dia, como Advent Review and Sabbath Herald, e The Signs of the Times. O Boletim Oficial da Conferência Geral e outros registros oficiais relevantes também foram estudados.

O Escritório de Publicações Ellen G. White forneceu acesso a cartas e publicações e o irmão D. E. Robinson, desse escritório, associado com muitos dos primeiros obreiros da denominação, deu informações úteis a partir de suas próprias experiências.

CAPÍTULO II

ORIGENS DOS PRIMEIROS PIONEIROS ADVENTISTAS

Os pais da Igreja Adventista do Sétimo Dia eram um grupo composto de estudantes da Bíblia com, a princípio, aparentemente pouco em comum.

Guilherme Miller, considerado o pai da denominação, foi criado em um ambiente religioso. Sua mãe era filha de um ministro que inseriu na vida de Guilherme a instrução religiosa recebida em seus primeiros anos. Durante três anos, ele serviu como oficial do Exército dos Estados Unidos. Posteriormente, ele se tornou um fervoroso estudante da Bíblia. A respeito de seu estudo, Francis D. Nichol escreve:

Evidentemente, ele estudou as escrituras com o objetivo de formular para si mesmo uma crença clara em todas as doutrinas bíblicas que afetavam a sua salvação. Em um pequeno caderno, ainda preservado, encontra-se uma declaração de crença em sua própria caligrafia datada como “Hampton, 5 de setembro de 1842.”[1]

Ele era um batista calvinista e, à exceção de um artigo relativo à sua crença na segunda vinda de Cristo, qualquer batista calvinista afirmaria livremente o credo dele pessoalmente estabelecido.

A formação e o estudo de Guilherme Miller o levaram a aceitar a doutrina da Trindade e a rejeitar a teoria unitarista a respeito da Divindade. Ele afirma no artigo dois de suas crenças:

Eu creio em um Deus vivo e verdadeiro, e que existem três pessoas na Divindade, como existe no homem o corpo, a alma e o espírito. E se alguém me disser como existe, eu lhe direi como as três pessoas do Deus Trino estão conectadas.[2]

No artigo, em três de sua declaração de crenças, ele continua com esta ideia:

Creio que Deus, por meio de seu Filho, criou o homem à imagem do Deus Trino com corpo, alma e espírito; e que ele foi criado como um agente moral, capaz de viver, obedecer ou transgredir as leis de seu criador.[3]

Ele continua mostrando compreender que o Espírito Santo teve uma parte ativa na salvação do homem caído.

Eu creio que por meio da atuação do Espírito Santo, os pecadores se tornam destinatários da misericórdia [divina] em conformidade com o plano divino, fundado na sabedoria e no conhecimento de Deus; cujos frutos são manifestados no destinatário por meio de obras de arrependimento e fé; e sem o qual nenhum homem, chegando a anos de discernimento e capaz de escolher entre o bem e o mal, pode ter interesse no sangue e na justiça de Cristo.[4]

Joshua V. Himes, um ministro cristão, foi grandemente influenciado pelas palestras e interpretações de Guilherme Miller a respeito do segundo advento de Cristo. Ele convidou Guilherme Miller para realizar uma convenção para pessoas com crenças semelhantes em sua igreja em Boston. A denominação de Himes era chamada de “Conexão Cristã.” Em um artigo sobre a Trindade e o Espírito Santo, ele afirma seu antitrinitarismo.

. . . eles entendem, quase unanimemente, a doutrina trinitária como antibíblica. Cremos que existe um Deus vivo e verdadeiro, o Pai todo-poderoso, que não tem origem, é independente e eterno, o Criador e Sustentador de todos os mundos; e que este Deus é uma inteligência espiritual, uma mente infinita, sempre a mesma, nunca variando.

Que o Espírito Santo é o poder e a energia de Deus, a santa influência de Deus.[5]

Nada foi encontrado que indicasse que ele abandonou esta crença após se unir aos primeiros adventistas.

José Bates passou por uma vida cheia de aventuras no mar. A vida difícil perto de seus companheiros, com palavrões e embriaguez, tornou-se repulsiva para ele. Pela sua própria firmeza de espírito, ele decidiu não se tornar como eles. Ele conseguiu isso sem qualquer tipo de incentivo religioso antes de se tornar cristão. Ele desejava sinceramente se tornar um cristão, mas tinha ideias errôneas a respeito do processo de conversão. Em março de 1826, em um culto de avivamento realizado por um ministro congregacional, ele se entregou a Deus e se uniu à Igreja Cristã. O nome “Cristã” tem sido usado por tantos grupos que a identificação é muito confusa. A “Igreja Cristã” à qual José Bates se filiou não era a “Conexão Cristã” da qual Joshua V. Himes era pastor. Em referência à igreja à qual José Bates se filiou, A. W. Spalding afirma:

A Igreja “Cristã” da Nova Inglaterra, naquela época, surge da secessão de alguns batistas sob [a influência de] Abner Jones, por volta de 1815, que, posteriormente, se juntou a grupos separatistas semelhantes das igrejas metodistas e presbiterianas no Sul e no Oeste.[6]

O pai de José Bates era diácono congregacionista e procurou sinceramente convencer seu filho de que seu lugar era com eles. Capitão Bates escreve sobre isso:

Meus pais eram membros de longa data na Igreja Congregacional, com todos os seus filhos convertidos até então, e esperavam ansiosamente que também me unisse a eles. Mas eles adotaram alguns conceitos fé que eu não conseguia entender. Citarei apenas dois: o modo de batismo e a doutrina da trindade. . . Respeitando a trindade, concluí que era impossível acreditar que o Senhor Jesus Cristo, o Filho do Pai, fosse também o Deus Todo-Poderoso, o Pai, um e o mesmo ser. Eu disse ao meu pai: “Se você puder me convencer de que somos um neste sentido, que você é meu pai e eu seu filho; e também que sou seu pai e você meu filho, então poderei crer na trindade.”[7]

José Bates teve um papel importante no movimento iniciado por Guilherme Miller. Ele participou da Conferência convocada por Guilherme Miller em Boston em 1840. Ele atuou ativamente nos conselhos dos líderes do movimento durante toda a sua vida.

Tiago White, assim como Joshua V. Himes, era membro da “Conexão Cristã”. Ele foi batizado aos quinze anos. Ele estava prestes a se tornar adulto quando ouviu falar pela primeira vez dos ensinamentos de Guilherme Miller. Após ouvir alguns oradores mileritas, ele aceitou os pontos de vista de Guilherme Miller e começou a pregar para eles, com sucesso. Ele cresceu em poder e reputação entre batistas, metodistas, congregacionistas e cristãos, entre os quais trabalhou. No verão de 1843, ele foi ordenado ao ministério na denominação [Conexão] Cristã.[8]

Como foi apresentado anteriormente neste artigo, a “Conexão Cristã”, [igreja] à qual Tiago White pertencia, rejeitava a doutrina da Trindade.

E. Robinson, intimamente associado à família White, declarou em uma entrevista que Tiago White nunca aceitou a doutrina da Trindade. Tiago White morreu em 1881.[9]

Urias Smith tinha apenas doze anos de idade durante os dias tensos de 1844, mas o movimento milerita com as suas mensagens da segunda vinda de Cristo o deixou preocupado. Em 1853, ele escreve:

No que diz respeito ao passado, eu diria que, embora muito jovem, estive presente nas mensagens de 1843–1844 e cri no significado delas. Em toda a dispersão e divisão que se seguiu com o passar daquele tempo, dei pouca atenção até depois da conferência de Washington, New Hampshire, no outono passado.[10]

Os antecedentes religiosos de Uriah Smith representam uma ampla variedade de pensamentos e crenças. “Alguns de seus ancestrais imediatos eram batistas, que desenvolveram uma inclinação para as visões mais liberais dos unitaristas, universalistas e amigos.”[11] Ele manteve a oposição unitarista em relação à doutrina da Trindade. Nos capítulos posteriores desta tese, apresentarei citações dos escritos de Urias Smith que mostram a tenacidade com que ele se apegou a esta visão.

O contexto dos primeiros pioneiros adventistas apresenta uma explicação para a rejeição da doutrina da Trindade, e, subsequentemente, da doutrina da personalidade do Espírito Santo, na prímeva Igreja Adventista.

CAPÍTULO III

ATITUDE ADVENTISTA EM RELAÇÃO À DOUTRINA DA TRINDADE

Na época do Movimento Adventista do início da década de 1840, havia no mundo cristão pouca concordância a respeito da Divindade. Adventistas geralmente negavam a doutrina da Trindade. Houve um amplo contexto histórico para isso.

Naquela época, líderes protestantes, em geral, estavam no meio de uma discussão acalorada a respeito da Trindade, alguns deles afirmando e outros negando a doutrina. Muitas igrejas congregacionais na Nova Inglaterra se tornaram unitaristas, ou congregações unitárias se separaram delas.

Os debates resultantes daquele período influenciaram grandemente os primeiros escritores adventistas a negar a Trindade antes ou depois de se tornarem adventistas. Esta tendência em rejeitar a doutrina da Trindade é justificada por um dos escritores adventistas: “As Escrituras ensinam abundantemente a pré-existência de Cristo e sua divindade, mas não falam absolutamente nada em relação a uma Trindade.” Esta declaração revela a crença do autor de que, visto que não é feita nenhuma referência bíblica direta à Trindade, é um erro crer nesta doutrina.[12]

A literatura produzida pelos primeiros adventistas contém muito pouco diretamente relacionado à doutrina da Trindade, ou à personalidade do Espírito Santo. O interesse e o entusiasmo pela recém-descoberta doutrina do Advento, do Sábado, da Expiação e as profecias absorveram tanto a atenção do grupo que outras doutrinas foram temporariamente negligenciadas. Uma forte comunhão cristã na mensagem do advento unia o grupo. A ausência de um credo sem dúvida permitiu o grupo não ter que se posicionar em alguns pontos. Há, contudo, em artigos sobre outros temas, referências feitas à doutrina da Trindade que indicam o pensamento predominante da época a respeito dela. O fato de pouca atenção ter sido dada a este tema indica que não havia qualquer dúvida nas suas mentes quanto à certeza da descrença do credo trinitário.

Um artigo de J. B. Frisbie, publicado numa edição anterior da The Advent Review and Sabbath Herald, discutiu a Trindade e os trinitários, e mostrou a crença de Frisbie de que a doutrina é um produto da filosofia pagã. Ele escreveu:

Citaremos alguns trechos para que o leitor possa ver o amplo contraste entre o Deus da Bíblia trazido à luz através da guarda do sábado, e o deus na escuridão através da guarda do domingo.

Catecismo Católico Resumido, do Reverendo John Dubois, Bispo de Nova York, p. 5. “Pergunta: Onde está Deus? Resposta: Deus está em toda parte. Pergunta: Deus vê e conhece todas as coisas? Resposta: Sim, ele vê e conhece todas as coisas. Pergunta: Deus tem algum corpo? Resposta: Não, Deus não tem corpo, ele é um Espírito puro. Pergunta: Existe mais de um Deus? Resposta: Não, existe apenas um Deus. Pergunta: Existem mais pessoas do que uma em Deus? Resposta: Sim, em Deus coexistem três pessoas. Pergunta: Quem são? Resposta: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Pergunta: Não são três deuses? Resposta: Não; o Pai, o Filho e o Espírito Santo são todos um e o mesmo Deus.”

A Religião Metodista, p. 8. “Existe apenas um Deus vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo e partes, de infinito poder, sabedoria e bondade; o criador e mantenedor de todas as coisas visíveis e invisíveis; e, na unidade da Divindade, existem três pessoas de uma só substância, poder e eternidade: Pai, Filho e Espírito Santo.”

Neste artigo, como a doutrina católica, somos ensinados que existem três pessoas de uma só substância, poder e eternidade, formando em todos um Deus vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo ou partes. Todavia, em tudo isto, não sabemos o que aconteceu como corpo de Jesus quando ascendeu, que “está em toda parte” ou em nenhuma parte. . . . Essas ideias estão de acordo com filosofias pagãs.[13]

Poucos meses depois, o mesmo jornal publicou um artigo que discutia a natureza de Cristo e criticava as opiniões trinitárias de um certo Sr. Fuller:

Sr. Fuller, embora trinitário, teve a honestidade de reconhecer, na conclusão de sua obra sobre a filiação de Cristo, que “na ordem da natureza, o Pai deve ter existido antes do Filho.”[14]

Outras críticas à doutrina da Trindade foram feitas por J. M. Loughborough, em 1861, quando ele respondeu à pergunta: “Que objeção séria existe à doutrina da Trindade?” Ele citou três objeções. Primeira, ele diz que é contrário ao bom senso. Segunda, ele afirma ser contrário às Escrituras. E, por fim, ela afirma que a origem da doutrina da Trindade é pagã.[15]

Nos anos seguintes, S. B. Whitney recebeu uma carta da Igreja Congregacional de Malone, Nova York. Esta carta afirmava que, uma vez que os adventistas rejeitaram a Trindade, eles se colocavam ao lado dos unitaristas e dos socinianos. Em resposta, Sr. Whitley disse que a carta que recebeu não continha nenhuma prova em apoio ao trinitarismo. Ficou evidente em sua resposta que ele não aceitava esta doutrina.[16]

Dezessete anos depois, em um artigo intitulado “Um Deus,” A. J. Dennis diz que a linguagem dos credos trinitários contém uma contradição de termos quando falam de três pessoas de uma só substância, poder e eternidade. Ele fala desta doutrina como uma impossibilidade e diz que embora haja muitas coisas misteriosas escritas na Bíblia, “podemos presumir com segurança que o Senhor nunca nos convida a crer em impossibilidades. Mas credos costumam fazer isso.”[17]

M. Canright foi por muitos anos ministro e escritor adventista. Ele foi um dos opositores mais enfáticos da doutrina da Trindade e da doutrina da personalidade do Espírito Santo. Em 1878 ele escreveu uma série de artigos intitulados como “A Personalidade de Deus” que foram publicados na Review and Herald. As suas declarações contra a crença trinitária se baseiam em um conjunto de textos que apresenta em repúdio a esta doutrina. Ele não conseguia entender como a doutrina da Trindade poderia ser conciliada com os textos citados. Essas ideias são enfatizadas por Canright quando ele diz:

“Todo e qualquer argumento dos trinitários para provar três Deuses em uma pessoa, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, todos eles de uma substância, e em todos os sentidos iguais entre si, e todos os três formando apenas um, contradiz a si mesmo, contradiz a razão e contradiz a Bíblia.”[18]

Urias Smith foi outro líder adventista do sétimo dia que apoiou firmemente a teoria ariana e desacreditou o trinitarismo. Ele expressa seu arianismo em seu livro Olhando para Jesus.

Somente Deus não tem começo. Nos primórdios do tempo, quando um começo poderia ser um período tão remoto para as mentes finitas é, essencialmente, a eternidade em que apareceu a Palavra. “No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus” (Jo 1:1). Esta Palavra não criada é o ser que, na plenitude dos tempos, se fez carne e habitou entre nós. Seu início não foi como o de nenhum outro ser no universo. É apresentado nas expressões misteriosas, “seu [de Deus] Filho unigênito” (Jo 3:16; 1 Jo 4:9), “o unigênito do Pai” (João 1:14) e “eu vim de Deus e aqui estou” (Jo 8:42).[19]

Até onde sabemos, Smith nunca aceitou a doutrina da Trindade. Ele morreu em 1903. Ele, no entanto, reconheceu uma relação entre os três seres. Num de seus sermões, ele se referiu aos três como “três grandes agentes” envolvidos com a obra de salvação.[20]

Ele tinha grande estima por esses três seres, mas hesitava em aceitá-los como iguais em divindade. Isto é mostrado em sua resposta em 1896 a uma pergunta de um leitor da Review and Herald. A pergunta era:

“As Escrituras ensinam louvor ou adoração ao Espírito Santo? Caso contrário, o último verso da doxologia contém um sentimento antibíblico?”[21]

Smith respondeu:

Não encontramos nenhuma passagem na Bíblia onde somos ordenados a adorar o Espírito Santo, como ordenado no caso de Cristo, ou onde encontramos um exemplo de adoração do Espírito Santo, como no caso de Cristo. No entanto, na fórmula do batismo, o nome “Espírito Santo” está associado ao do Pai e do Filho. E se o nome pode ser usado dessa forma, por que não poderia ser igualmente considerado parte da mesma Trindade no hino de louvor: “Louvado seja o Pai, o Filho e o Espírito Santo?”[22]

A seguinte declaração num artigo publicado em 1897 sobre a origem de Cristo e do Espírito Santo deixa claro que Urias Smith não os considerava equivalentes ao Pai. Ele explica sua teoria:

Assim, parece que por algum impulso ou processo divino, e não pela criação, conhecido apenas pela Onisciência, e possivelmente apenas pela Onipotência, o Filho de Deus aparece. Portanto, o Espírito Santo, o Espírito de Deus, o Espírito de Cristo, a inspiração divina e meio de seu poder, represente de ambos, também já existia.[23]

C. Wilcox também rejeitou o trinitarismo. Mesmo após muitos dos seus associados terem aceitado esta doutrina, ele permaneceu definitivamente antitrinitário. Em 1898, [a revista] Signs of the Times, da qual Wilcox era editor, publicou um editorial intitulado “A Unidade Divina,” que afirmou sua crença em “um só Deus, o Pai.” Ele aceitava Cristo como “abaixo de Deus, nosso Criador e Redentor,” mas a sua comparação do Espírito com a luz do sol revela que ele não combinou estes três numa Trindade divina. Ele também disse sobre o espírito: “Está no Pai, está em Cristo; está em cada membro da igreja de Cristo.”[24]

O relacionamento entre os três seres da Trindade foi discutido em editorial da Signs of the Times. Explica este relacionamento da seguinte forma:

O Espírito Santo traz consigo a cada alma e em cada alma a presença de Deus Pai e de Jesus Cristo, nosso Senhor. . . . O Espírito é um consolador porque traz a cada filho de Deus a presença do Pai e do Filho, aproximando-os da fé viva como se estes estivessem corporalmente, pessoalmente presentes.[25]

Com base nestas declarações, percebemos que a maioria dos líderes e escritores adventistas do século XIX não acreditavam na doutrina da Trindade, mas aceitavam a crença unitária de “Um Deus.”

CAPÍTULO IV

ESPÍRITO SANTO RECONHECIDO COMO INFLUÊNCIA DIVINA

Havia diversas interpretações entre os adventistas, tanto do primeiro como do sétimo dia, a respeito da natureza e função do Espírito Santo. Uns acreditavam que o Espírito opera habitando no coração humano, guiando a oração e a inclinação espiritual; outros acreditavam que ele tem o poder de influenciar pessoas em muitos lugares simultaneamente. Acreditavam que este poder, bem como o poder de habitar, vem de Deus Pai, por meio da divindade de Deus, e não de qualquer divindade pessoal do Espírito. Diversos homens, de diversas formas expressaram tais ideias a respeito do Espírito Santo na última metade do século XIX. Este capítulo apresentará em ordem cronológica as declarações desses homens transmitindo seu entendimento do Espírito Santo. O reconhecimento deles do Espírito Santo como uma influência divina aqui indicada constitui um passo significativo que posteriormente abre caminho para uma compreensão da personalidade do Espírito Santo.

Desde cedo, Urias Smith expressou sua crença na existência do Espírito Santo como o “princípio vital da igreja de Deus.”[26]

A habitação do Espírito Santo no homem e a intercessão do Espírito Santo pelo homem foram objeto de uma reimpressão de uma fonte não-adventista usada pela Review and Herald em 1859. Este artigo explica que quando o Espírito intercede pelos homens, não é por meio de qualquer súplica direta dele a Deus, o Pai, ou em nome de qualquer indivíduo —mas é derramando sobre esse indivíduo o espírito de oração e súplica. Desta forma, ele afirma que o homem por quem o Espírito ora é de fato o órgão de sua oração.

A oração passa, por assim dizer, do Espírito para aquele é o objeto dela. . . . Esses são chamados de gemidos do Espírito de Deus, porque, de fato, foi o Espírito Santo que os provocou no espírito do homem.[27]

Alguns anos depois, outro escritor afirmou a sua fé na existência do Espírito através da sua reação ao pensamento no título do seu artigo “Sem Espírito.”- Ele diz que as palavras não podem expressar o horror arrepiante que ele sente diante de tal pensamento. Este erro, afirma ele, atinge a própria raiz da religião e esmaga diante dela tudo o que é importante, deixando o homem totalmente destituído de toda bondade. “Quando retiramos o Espírito de Deus da religião da Bíblia, não vale a pena falar sobre o resto que resta.”[28]

Em 1862, D. Hildereth falou da intercessão do Espírito da mesma forma que Uriah Smith falou alguns anos antes. Ele disse: “Mas o Espírito intercede por nós: isto é, o Espírito irradia através de nós.”[29]

A onipresença do Espírito Santo foi compreendida e aceita. R. F. Cottrell salientou isso quando escreveu: “Onde os verdadeiros adoradores estão, seu Espírito está, assim podemos desfrutar de uma primavera pentecostal.”[30]

A realidade do Espírito Santo foi novamente enfatizada por Joseph Clarke em 1874 quando ele disse: “O Espírito de Deus é uma realidade. É uma realidade tão viva quanto o próprio Deus e é o grande agente motor de Deus na fundação e na continuação do Cristianismo no mundo.”[31]

Parece que a natureza divina do Espírito Santo nunca foi questionada pelos adventistas. Os primeiros adventistas não consideravam esta natureza divina um atributo pessoal do Espírito, mas sim um reflexo da divindade de Deus, e recebida apenas pela vontade e poder de Deus. Portanto, o Espírito Santo é considerado de natureza divina porque o Espírito procede da divindade.[32]

Por muitos anos, a concepção dos crentes da Igreja Adventista do Sétimo Dia a respeito da natureza do Espírito Santo era a de que não se poderia esperar saber exatamente o que é o Espírito, mas se poderia aprender algo sobre “sua” natureza e o papel que o Espírito desempenha na salvação humana. O Espírito é chamado de “representante divino de Cristo” e “primeiro-ministro de Deus neste mundo.” Um escritor falou do Espírito como “eterno em sua existência, em sua natureza terrível como os trovões do Sinai, mas suave como a pomba que o simbolizou no batismo de Jesus.” Ele também diz: “Vindo do Pai e do Filho, então também partilha de seus atributos”. Essas afirmações quase se aproximam do reconhecimento da personalidade.[33]

Em diversas ocasiões ao longo dos anos, a especulação sobre a natureza do Espírito Santo levou à discussão sobre a possibilidade de que o Espírito Santo pudesse ser um anjo ou os anjos como uma classe. Milton C. Wilcox publicou uma refutação dessa ideia escrevendo que, uma vez que o Espírito Santo é o poder na “criação, revelação e inspiração,” ele não poderia ser uma criatura ou ser criado como os anjos.[34]

A mesma opinião foi expressa de forma mais completa alguns meses depois por outro escritor que respondia a uma pergunta de um leitor da Signs of the Times. Ele falou do tema da natureza do Espírito Santo como algo muito solene, que deve ser abordado com prudência. Ele também expressou sua crença de que toda verdade revelada é importante e apresentou esta resposta:

Parece-nos claro que as Escrituras garantem plenamente a crença de que o Espírito de Deus é essencialmente divino, que foi o ato eficiente na obra da criação, que, por esse poder, ministrado pelo Filho de Deus, todas as coisas, incluindo os anjos, foram criadas, e que, consequentemente, o Espírito de Deus já existia e é superior a esses seres santos.[35]

Em 1891, a Signs of Times publicou um artigo sobre o Espírito Santo mostrando o pensamento da época a respeito da divindade do Espírito. O escritor disse:

O Espírito Santo é divino porque procede da divindade. Você não pode separar a divindade do Espírito de Deus e de Cristo, assim como não pode separar a divindade de Deus e de Cristo. É, portanto, a presença do Espírito nas palavras das promessas de Deus que nos permite receber a natureza divina dessas promessas.[36]

A onipresença do Espírito Santo foi novamente apresentada em 1898, desta vez por Milton C. Wilcox. Esta discussão revela mais do que a opinião do escritor a respeito da onipresença do Espírito. Menciona que Deus é uma pessoa, mas dá a entender que o Espírito não é. Ele disse: “Visto que Deus é uma pessoa, como ele está presente em todos os lugares? Deus está presente em todos os lugares pelo seu Espírito.”[37]

CAPÍTULO V

O ESPÍRITO SANTO SEM PERSONALIDADE

Durante a primeira metade do século XIX, surgiu uma acirrada discordância no pensamento religioso no que diz respeito à personalidade do Espírito Santo. O problema era discutido abertamente nos púlpitos protestantes, e prevaleceu um espírito de controvérsia que de fato se estendeu por todo o século XIX. Escritores adventistas do sétimo dia, em um primeiro momento, não se envolveram nesta controvérsia.

Por volta de 1870, J. H. Waggoner estava escrevendo artigos para a Review and Herald que posteriormente se tornaram o livro intitulado O Espírito de Deus, Seus Ofícios e Manifestações. Seria de esperar que, ao lidar tão diretamente com o Espírito Santo, alguma opinião a respeito da personalidade do Espírito fosse mencionada. Waggoner, não obstante, evitou esta questão nas primeiras páginas do seu livro, dizendo que embora seja muito controversa no mundo teológico, era uma questão que a Igreja Adventista do Sétimo Dia nunca preferiu abordar. Ele também disse que a discussão do tema da personalidade do Espírito Santo nunca será proveitosa até que todas as ideias sobre o significado da palavra “personalidade” sejam unificadas e padronizadas. Ele também explicou que este não era um tema de revelação direta. Sobre a crença adventista do sétimo dia e a concepção do Espírito Santo, Waggoner diz:

Não estamos apenas desejosos, mas ansiosos para deixar como a Palavra de Deus deixa. Com isso aprendemos que o Espírito de Deus é o poder temível e misterioso que procede do trono do universo, ator ativo na obra de criação e redenção.[38]

Parece que as suas opiniões sobre este ponto eram partilhadas pelos seus colegas ministros adventistas do sétimo dia. Embora se esperasse que outros escritores adventistas fizessem declarações diretas de crença, eles não se preocuparam em expressar seus pontos de vista sobre o tema da personalidade do Espírito Santo. Encontram-se, no entanto, em alguns desses escritos, indícios de uma tendência majoritária sobre o tema. Expressões como “santa influência”[39] e “emanando de Deus” demonstram que os autores não consideravam o Espírito um ser pessoal. A maioria dos escritores adventistas do sétimo dia usavam o pronome impessoal quando se referiam ao Espírito Santo.[40]

Review and Herald publicou em 1884 um artigo de Helen L. Morse se referiu ao Espírito simplesmente como o “Espírito de Cristo.” Esta citação é especialmente significativa devido ao uso do pronome impessoal.

Este querido e bendito Espírito. É nosso privilégio sermos guiados por ele, tê-lo atuando em tudo o que fazemos e sentir constantemente sua influência. . . . Aqueles que a sentiram não conseguem mais ficar sem ele; e todos os que a possuem, em alguma medida, desejam ainda mais.[41]

Em um discurso proferido na sessão da Conferência Geral de 1891, W. W. Prescott disse que a dádiva do Espírito Santo é a dádiva de Cristo, que a presença do Espírito Santo é a presença de Cristo, que o poder do Espírito Santo é o poder de Cristo em nós, e que a habitação do Espírito Santo é a habitação de Cristo em nós. Tudo isto, afirma ele, é porque o Espírito Santo é o verdadeiro representante de Cristo que habita em nós e é o “poder de Deus através de Cristo para realizar o plano de Deus a nosso respeito.”[42]

Ele cita Romanos 8:910:

“Vocês, porém, não estão na carne, mas no Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Mas se Cristo está em você, embora o corpo esteja morto por causa do pecado, o Espírito é vida por causa da justiça.”[43]

Ele então analisa dizendo que uma consideração cuidadosa deste versículo torna evidente que o Espírito de Deus, o Espírito de Cristo e Cristo são idênticos.

Alguns anos depois, em artigo da Review and Herald, o mesmo autor diz: “O Espírito Santo é o Espírito de Deus, o Espírito de sua vida. Portanto, o derramamento do Espírito é o derramamento da sua vida. É simplesmente mais vida.”[44]

Muitos escritores adventistas do sétimo dia se referiram ao Espírito Santo como a vida de Deus. Milton C. Wilcox o chamou de “vida de Deus” e em outra ocasião de “poderosa energia benéfica, ou vida de Deus.” Ele enfatizou esta crença em outro artigo intitulado “O Espírito da Vida,” explicando que assim como o homem finito é cercado por uma “aura” ou esfera de influência, que se estende muito além de si mesmo, às vezes capaz de controlar muitos, e como esta esfera é cultivada com sua própria personalidade, da mesma forma o Deus infinito é cercado por uma “esfera ilimitada, para cada parte da qual flui da grande fonte central, a vida/força de Deus, carregando consigo o poder e a personalidade de Deus.”[45]

Uriah Smith, em 1895, enquanto ainda servia como editor da Review and Herald, recebeu uma pergunta de um leitor a respeito da transmissão do amor de Deus a nós e do agente divino envolvido. Sua resposta combina os pontos de vista mencionados nas citações anteriores deste capítulo. Ele diz que Deus, Cristo e o Espírito Santo dificilmente podem ser separados nesta obra.

“Deus convence do pecado por meio de sua lei; o pecador cede; Cristo se apresenta como o único grande sacrifício através do qual se obtém o perdão; e o Espírito Santo é o santificador da alma. . . . O Espírito Santo é o representante de Deus e de Cristo, enviado para toda a terra (Ap 5:5). O Espírito Santo opera, mas é Deus e Cristo operando por meio dele.”[46]

Outro escritor importante, J. H. Loughborough, explica o Espírito de Deus como a presença do Senhor. Ele diz:

“O Espírito de Deus é mencionado nas Escrituras como o representante de Deus — o poder pelo qual ele opera, o agente pelo qual todas as coisas são sustentadas. Isto é claramente expressado pelo salmista. . . .” (Sl 139:7–10). Aprendemos com esta linguagem que, quando falamos do Espírito de Deus, realmente falamos de sua presença e poder.[47]

O texto bíblico, “Porque três são os que testificam no céu, o Pai, a Palavra e o Espírito Santo: e estes três são um,” foi usado pelos trinitários em apoio à sua doutrina, e, portanto, foi o tema de muitos questionamentos feitos aos antitrinitários. Urias Smith foi chamado para responder na Review and Herald uma pergunta relativa a este texto. Um leitor perguntou: “Se o Espírito Santo não é uma pessoa, o que significa 1 João 5:7?” Sua resposta foi breve. Ele disse: “1 João 5:7 é uma interpolação.” Smith estava muito convicto em apontar a inutilidade do texto.[48]

O editor da Signs of the Times, M. C. Wilcox, também recebeu esta pergunta. Ele concordou com Smith quanto à origem do texto, mas deu uma explicação mais completa:

O texto citado, como cremos, é considerado espúrio por todos os estudiosos. Alford diz: “As palavras — O Pai, a Palavra e o Espírito Santo e estes três são um. E há três que dão testemunho na terra — estão ausentes em todos os manuscritos gregos até o século XVI, todos os pais gregos, todas as versões antigas e na maioria dos pais latinos.” E “Não há um pingo de razão para supor que sejam genuínos. Até mesmo a suposta citação nos primeiros pais latinos, pesquisando minuciosamente, não encontramos.”[49]

A explicação sobre a origem do texto é historicamente correta. Esses homens estudaram minuciosamente qualquer texto que pudesse defender a Trindade ou a personalidade do Espírito Santo. A interpolação deste texto no século XVI serviu para justificar no pensamento deles a ideia de que o Espírito Santo não tem personalidade.

Este capítulo revela as várias ideias sustentadas pelos homens desta denominação a respeito da verdadeira personalidade do Espírito Santo. Embora o Espírito Santo fosse considerado tendo natureza divina e como o agente ativo na salvação, o antitrinitarismo dos primeiros adventistas não reconhecia do Espírito Santo como qualquer coisa que não fosse a santa influência do Pai.

CAPÍTULO VI

NEGAÇÕES ENFÁTICAS DA PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO

Houve ministros da Igreja Adventista do Sétimo Dia que deram estudo especial à doutrina do Espírito Santo. Isto é indicado pela presença de artigos sobre o Espírito Santo que aparecem nos periódicos da denominação. Alguns desses homens acreditavam que o Espírito Santo é uma pessoa divina na Divindade, mas eram muito poucos até o final do século XIX. A maioria naquela época acreditava apenas que o Espírito é uma influência divina procedente de Deus, sem personalidade individual.

De 1878 a 1891, houve cinco artigos notáveis ​​publicados em periódicos denominacionais que negavam enfaticamente a personalidade do Espírito Santo. Este capítulo apresentará esses artigos e alguns outros defendendo a mesma opinião.

M. Canright, por muitos anos um renomado escritor e ministro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, escreveu uma série de artigos publicados na Signs of the Times.[50] O título “O Espírito Santo Não É Uma Pessoa, Mas Uma Influência que Procede de Deus” resume concisamente a posição defendida no artigo.

Ele introduz o tema se referindo à posição de igualdade com Deus que os trinitários dão ao Espírito Santo. A ideia de que o Espírito Santo é uma pessoa individual e inteligente como o Pai e o Filho era especialmente absurda para o Sr. Canright.[51]

Para provar seu ponto de vista, ele entra em uma longa discussão sobre os Espíritos de Deus Pai, Cristo Filho, e do Espírito Santo. Considerando os três membros da Divindade como Espíritos, ele conclui que os trinitários na verdade adoram seis Espíritos, ou pessoas.

Outro fato que ele registra como importante para a questão é que o Espírito Santo nunca é mencionado na Bíblia como uma pessoa, ou como tendo um trono, como o Pai e o Filho têm.[52]

Ele diz que a adoração ou o amor do Espírito Santo nunca foi exigido ou referido como foi ao Pai e ao Filho.

Não há, ressalta ele, nenhum indício de que exista amor ou devoção entre o Espírito Santo e os outros membros da Divindade, como é atribuído ao Pai e ao Filho. Nem há nada na Bíblia indicando que o Espírito Santo ama o homem.[53]

Canright afirma ainda que “Toda ilustração referente ao Espírito Santo é inconsistente com a ideia de ser uma pessoa.”[54]

Para fundamentar sua afirmação, ele discute o “derramar”, ser “batizado com” e o “beber” do Espírito Santo.

Ele então inicia uma discussão sobre as “sete lâmpadas de fogo” mencionadas em Apocalipse 4:5, com uma pergunta sobre como tal ilustração pode ser aplicada a uma pessoa. A declaração seguinte, que revela desconhecimento da sintaxe grega, apresenta outro de seus argumentos:

Outro fato que tem forte influência nesta questão é que a palavra espírito, do grego Pneuma, é sempre neutra, ou seja, nem masculina nem feminina. Todos os pronomes referentes ao Espírito Santo são neutros, exceto quando o Espírito Santo é personificado, como o Consolador (grego, Parakletos). Aqui, obviamente, teria que ser masculino. Se o Espírito Santo é uma pessoa, os pronomes a ele referentes deveriam estar no masculino, o que nunca acontece.[55]

Após uma apresentação completa de uma série de evidências em apoio aos seus pontos de vista, Canright cita uma ilustração que retrata sua concepção do Espírito Santo. Ele diz que o Espírito de Deus pode ser adequadamente ilustrado pelos raios do sol. Vemos este grande orbe de luz brilhando nos céus. Sabemos que é um globo material. Inúmeros raios de luz são constantemente lançados, iluminando e aquecendo toda a Terra. Vemos e sentimos o seu calor: não podemos viver sem ele; ainda assim, ninguém consegue explicar os raios do sol. Mas sabemos que eles não são uma pessoa. A melhor explicação que podemos dar é que a luz é uma influência poderosa que procede do sol. Canright diz: “Assim também é o Espírito Santo. É uma influência que procede do Pai.”[56]

Urias Smith, que nunca aceitou a doutrina da personalidade do Espírito Santo, recebeu uma pergunta de um leitor da Review and Herald sobre a natureza do Espírito Santo. Smith respondeu que este Espírito é o Espírito de Deus e o Espírito de Cristo. Ele diz que “A Bíblia usa expressões que não podem ser harmonizadas com a ideia de que se trata de uma pessoa como Pai e Filho. Pelo contrário, demonstra-se uma influência divina de ambos.”[57] É o meio pelo qual o Pai e o Filho têm conhecimento e poder em todo o Universo quando não estão pessoalmente presentes, de acordo com Smith.

Além das ideias apresentadas por Canright, Uriah Smith observou que se o Espírito Santo fosse uma pessoa, não seria incomum que “ele” aparecesse em forma corporal; e ainda assim, quando apareceu, a Bíblia o notou como peculiar.[58]

O artigo publicado na Review and Herald em 1891, intitulado “O Espírito Santo É Uma Pessoa?” abordou o tema de maneira diferente, mas chegou à mesma conclusão. T. R. Williamson escreveu que somente examinando cada passagem das Escrituras que se refere a um tema, pode-se confiar nela como um verdadeiro ensinamento cristão. Ele diz:

Ao pesquisarmos as ocorrências do termo “Espírito Santo”, parece impossível concluir se referir ama pessoa ou que qualquer outra ideia além de uma influência.[59]

Em apoio a esta conclusão, o escritor salienta que a Bíblia nunca chama o Espírito Santo de pessoa; portanto, se o Espírito Santo é uma pessoa, a ideia só pode ser inferida. Torna-se o único exemplo na Bíblia onde a compreensão da personalidade depende apenas de uma inferência, em vez de uma revelação específica da personalidade. Ele ilustra seu ponto de vista chamando a atenção para Satanás, chamado na Bíblia de serpente e dragão, mas sua personalidade é claramente retratada.[60]

A experiência pentecostal dos cento e vinte discípulos é usada para apoiar a visão de Williamson. Ele diz que “se o Espírito Santo é uma pessoa, então deve ter havido cento e vinte Espíritos Santos, caso contrário, como poderiam tantos ser preenchidos por uma única pessoa?”[61]

Williamson refere-se à declaração de Cristo: “Eu e meu Pai somos um,” e pergunta por que o Espírito Santo não foi mencionado neste texto se ele é um membro igual da Divindade. Ele pergunta: “Por que ignorar a terceira pessoa da Trindade?” Ele diz que só pode haver uma resposta:

O Espírito Santo é simplesmente uma influência de Deus, uma manifestação de seu poder, que permeia todo o universo, assim como o ar cobre a terra e faz com que cada átomo de matéria em cada mundo fique repleto da presença de Jeová, o Pai, e do Senhor Jesus, o Filho glorioso do Pai.[62]

Em 1897, Uriah Smith foi novamente chamado para responder a uma pergunta envolvendo este tema. A pergunta era: “Poderia o anjo mencionado em Apocalipse 18:1 ser o Espírito Santo aparecendo pessoalmente entre os homens?” A resposta de Smith foi enfaticamente negativa, mas a explicação que dele para refutar esta ideia inclui uma negação da personalidade do Espírito Santo. Ele diz que sempre que o Espírito apareceu em forma corporal, esteve sob diferentes símbolos, como línguas de fogo, uma pomba e lâmpadas de fogo, demonstra que o Espírito não tem personalidade uniforme ou a forma seria sempre a mesma. Ele também diz:

Existem várias expressões a respeito do Espírito Santo indicando que ele não pode ser considerado como uma pessoa, tal como ser “derramado” no coração e “derramado” sobre toda a carne.[63]

Em um artigo publicado na Signs of the Times em 1898, a importância da obra do Espírito é enfatizada por Milton C. Wilcox. Ele diz: “Sem o Espírito, a vida e a luz de Cristo não serviriam para nada.”[64]

Ele fala do Espírito como alguém que transporta o poder de Deus para cada alma que o receberá. Ele diz que o Espírito é impessoal porque é mencionado como sendo derramado sobre toda a carne, como estando presente em toda parte no universo de Deus, e, mesmo assim, pessoal, também, porque “ele” traz a vida e o poder de Deus em todas as suas obras, e a presença de Deus para a criança da fé.

Chega ao crente como pessoa, a pessoa de Cristo Jesus, falando dele e para ele, testemunhando dele e para ele. É a força vital da Divindade, pela qual todas as suas obras são realizadas, mas entrando no coração e na vida do crente não apenas como um agente de poder, mas como uma presença divina de amor, conhecimento e companheirismo.[65]

Em outro artigo, o mesmo escritor apresenta novamente o Espírito Santo como o fluir da vida de Deus, comparável ao sangue que o batimento cardíaco envia a todas as partes da estrutura física do homem. Ele também ilustra o Espírito como um telégrafo divino pelo qual o governante do universo está em comunicação simpática com todos os seus filhos. Ele também o chama de raio X divino, pelo qual ele vê não apenas através das paredes de ferro, mas também o que há no interior do homem.[66]

Portanto, esses homens explicaram a posição deles em relação a esta doutrina e apresentaram suas razões concluindo que o Espírito Santo não tem personalidade individual, mas é uma influência divina que emana de Deus.

CAPÍTULO VII

A DOUTRINA DA TRINDADE DEFENDIDA

Havia alguns adventistas do sétimo dia que estudavam a doutrina da Trindade e que, apesar do fato da maioria dos seus colegas terem sido antitrinitários, manifestaram crer nela.

Já em 1876, certo escritor se referiu às três pessoas da Divindade como tendo parte na ressurreição de Cristo. Ele explicou que o poder do Espírito nunca esteve adormecido, atuando não apenas quando se moveu sobre a face das águas, mas também na ressurreição de Cristo. Em suas próprias palavras:

Alguns podem ficar surpresos ao descobrir que, em alguns casos, a ressurreição é atribuída ao próprio Cristo, como se ele tivesse ressuscitado pelo seu próprio poder. Em outros ocasiões, o poder é atribuído a Deus Pai. Todavia, novamente, lemos que Cristo foi ressuscitado pelo Espírito Santo. Agora, tudo isso é verdade.[67]

Nos quinze anos seguintes, não houve nada escrito a respeito da Trindade ou que revelasse os pensamentos daquela época a respeito dela.

No ano de 1888, realizou-se uma sessão da Associação Geral em Minneapolis, Minnesota, que provou ser, em alguns aspectos, um ponto de virada no pensamento denominacional. Diversas questões discutidas estavam em processo de amadurecimento naquela época. Este amadurecimento pareceu abrir caminho para um estudo mais aprofundado da doutrina da Trindade, já que, após 1888, a doutrina passou a ser cada vez mais discutida. A tendência para o trinitarismo estava começando, como observamos nos artigos da época. Embora as primeiras declarações não representassem uma aceitação definitiva da doutrina da Trindade no seu sentido pleno, houve, no entanto, uma transição de ideias observada após esta conferência. Um escritor da Review and Herald tratou da declaração de Efésios 4:4–6 que diz:

Há somente um corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança para a qual vocês foram chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.[68]

Ele então observa: “É digno de nota que nesta passagem, como em muitas outras nas Escrituras, o Espírito é tratado como distinto do Pai e do Filho.”[69] Mais adiante no artigo, ele chama a atenção para o relacionamento entre os membros da Trindade, dizendo: “Aqui, a inspiração direciona nossa atenção para este agente misterioso [o Espírito Santo] como meio de comunhão com Deus e Cristo.”[70]

O reconhecimento mais significativo do trinitarismo aconteceu quando a denominação publicou um panfleto de quatorze páginas intitulado “A Doutrina Bíblica da Trindade” como uma das edições da Bible Student’s Library. Esta  era uma publicação mensal dedicada à investigação e exposição da doutrina bíblica.

Este tratado, publicado em 1892, foi uma reimpressão de um artigo escrito em 1889 por Samuel T. Spear, D. D., batista e trinitário. Spear assumiu uma posição muito franca em relação à Trindade. Ele diz:

Deus, neste plano, é apresentado aos nossos pensamentos sob os títulos pessoais de Pai, Filho e Espírito Santo, com diversidade em ofícios, relações e ações para com os homens. Esses títulos, e seu significado especial, conforme usados ​​na Bíblia, não são intercambiáveis. O termo “Pai” nunca é aplicado ao Filho, e o termo “Filho” nunca é aplicado ao Pai. Cada um tem sua própria aplicação, seu próprio uso, e seu próprio sentido.

A distinção assim revelada na Bíblia é a base da doutrina do Deus Tri-pessoal. . . . Esta doutrina, tal como defendida e afirmada por aqueles que a adotam, não é um sistema de triteísmo, ou a doutrina de três deuses, mas é a doutrina de Um Deus subsistindo e agindo em três pessoas, com a ressalva de que o termo “pessoa”, embora talvez o melhor que pode ser usado, não deve, quando usado nesta relação, ser entendido em qualquer sentido que o tornaria inconsistente com a unidade da Divindade, e, portanto, não deve ser entendido no sentido comum quando aplicado aos homens.[71]

Ele explica ainda mais a diferença entre trinitários e triteístas, e fala do uso da Trindade na fórmula batismal. Ele diz que há um elemento distinto de trindade nos três títulos pessoais da Divindade, e que embora isso implique algum tipo de distinção entre as pessoas assim designadas, “a linguagem coloca todos eles no mesmo nível de divindade.”[72]

Spear diz que Paulo cria na Trindade e usa Efésios 2:18 como fundamento para esta afirmação.

O acesso às personalidades da Trindade é explicado pelo escritor ao se referir novamente a Efésios:

O acesso é através do primeiro nomeado, [Espírito Santo], pelo segundo, [Cristo] e no terceiro [Pai]. A doutrina da Trindade, como em outros lugares derivada da Bíblia, está aqui incidentalmente implícita como existindo na mente do apóstolo. Na verdade, o elemento da trindade, em certo sentido não contraditório com a unidade essencial, é claramente ensinado nas Escrituras com referência a Deus.[73]

Nenhum escritor adventista havia, até então, defendido publicamente a doutrina, mas a Pacific Press Publishing Association, uma editora denominacional, estendeu-se em 1892 para além das expressões doutrinárias denominacionais anteriores, usando de um jornal completamente trinitário em sua principal série de panfletos. Deve-se concluir destas circunstâncias que o pensamento trinitário passou a predominar na equipe da Pacific Press Publishing Association naquela época. Não sabemos quais foram as pessoas envolvidas na aprovação da publicação do documento de Spear. Wilcox ainda era editor do Signs of the Times, que também publicada na Pacific Press. Declarações dele citadas em um capítulo anterior demonstram que ele não havia aceitado o trinitarismo naquela época.

Outro indício de uma crença crescente no relacionamento pessoal do Pai e do Filho e do Espírito Santo foi dado em sermão de Alonzo T. Jones na sessão da Conferência Geral de 1895. Jones serviu como coeditor da Review and Herald por muitos anos. Ele descreveu o Espírito Santo como representante pessoal de Deus e disse que assim como Cristo conta o que ouve do Pai, o Espírito Santo não fala de si mesmo, mas do que ele ouve. A respeito da família celestial, ele diz:

Jesus é aquele que está na família desde os primórdios [da eternidade], a quem foi confiado o nosso cuidado, e quem nos conta todas estas coisas. . . . Ele tem algo para nos dizer, tem algo para nos mostrar; e dá o Espírito Santo como seu representante pessoal, trazendo-nos a sua presença pessoal, assim nos revelando estas coisas, e por meio dele ele nos fala o que tem a dizer.[74]

N. Haskell, um influente ministro e escritor adventista do sétimo dia, achava que o relacionamento entre a Trindade era um assunto tão além da compreensão do homem que discuti-lo é inútil e errado. Mesmo isso, mostra-nos que ele acreditava em alguma forma de relacionamento entre os três, indo mais além do que muitos escritores adventistas foram. Ele diz:

Comprometer-se a explicar esta relação divina entre Deus, Cristo e Espírito Santo é errado; pois são mistérios que dominam a mente em sua pesquisa e nos levam ao imenso desconhecido. Somos obrigados a reconhecer que não podemos explicar a operação do poder divino ou a manifestação da sabedoria divina.[75]

Alonzo T. Jones sentiu que esta unidade não é um mistério para aqueles que recebem o Espírito Santo. Ele escreveu sobre isso em um editorial na Review and Herald:

Aquele que coopera com o Espírito Santo,  batizado com o Espírito Santo, está familiarizado com a unidade divina do Pai e do Filho, e está ligado a essa unidade divina. E esta unidade do Espírito com o Pai e o Filho é tão preciosa que ele preferiu morrer a ser separado dela. E todos os que conhecem esta unidade do Espírito são um, onde e com quem quer que estejam; eles são um, como o Pai e o Filho são um; visto que a comunhão deles no Espírito é a comunhão do Pai e do Filho, são um; visto que a comunhão deles no Espírito é a comunhão do Pai e do Filho. Por um Espírito todos eles são batizados em um corpo; e esse corpo é o corpo de Cristo, em quem Deus — sim, toda a plenitude da Divindade corporalmente — habita.[76]

Em outro editorial, Alonzo T. Jones diz: “Deus é um, Jesus. Cristo é um, o Espírito Santo é um e estes três são um; não há dissidência nem divisão entre eles.”[77]

A partir disso, podemos dizer que faltava pouco para Jones ser um completo trinitarismo.

Os dez anos de 1889 a 1899 mostram uma tendência específica em direção ao trinitarismo. Havia, ainda, no entanto, alguns antitrinitários em posições de influência na denominação.

O uso do artigo Spear foi muito significativo. Indica uma mudança de visão sobre a doutrina da Trindade.

CAPÍTULO VIII

A DOUTRINA DA PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO DEFENDIDA

Na época em que a apresentação da doutrina da Trindade pelo Dr. Spear foi publicada pela Pacific Press Publishing Association, a doutrina da personalidade do Espírito Santo ainda estava engatinhando no círculo adventista do sétimo dia.

Opositores à doutrina acreditavam que o Espírito Santo é apenas uma influência que emanava de Deus. Conforme apresentado no capítulo seis desta tese, alguns negaram enfaticamente a personalidade do Espírito.

Seria lógico esperar que a aceitação da doutrina da Trindade precedesse e preparasse o caminho para uma atitude mais favorável em relação à doutrina da personalidade do Espírito Santo. E aconteceu exatamente assim entre os adventistas. Mas os poucos que se agarraram tenazmente às opiniões antitrinitárias não aceitaram a doutrina da personalidade do Espírito Santo.

A aceitação da Trindade e da personalidade do Espírito Santo pelos adventistas do sétimo dia não ocorreu simultaneamente. A atitude para com o Espírito Santo na época da tendência para o trinitarismo é melhor demonstrada pelas palavras finais do panfleto intitulado “A Doutrina Bíblica da Trindade,” que diz:

Assim também a tríplice consciência do Deus trino —uma consciência para Deus Pai, outra e uma consciência diferente para Deus Filho, e uma terceira e diferente consciência para Deus, o Espírito Santo— é outra especulação a respeito da qual não sabemos, e, neste mundo, pelo menos, nunca saberemos completamente para podermos afirmar ou negar. O modo exato pelo qual a Trindade revelada é que um fato é e deve ser para nós um mistério perfeito, no sentido de nossa total ignorância sobre esse ponto. Não precisamos, para acreditar no fato revelado, compreender desse modo.[78]

C. Tenny foi um ministro adventista do sétimo dia que escreveu muitos artigos na Review and Herald. Ele foi muito vago sobre a personalidade do Espírito Santo.[79] Em 1883, ele usou o pronome impessoal ao se referir ao Espírito Santo. Em 1896, ele fala do Espírito Santo como uma existência inteligente e independente, desta vez, usando o pronome pessoal.[80]

Neste último artigo, ele demonstra de forma confusa que o Espírito Santo é uma personalidade, embora não conseguisse descrevê-la adequadamente. Ele disse que as figuras apresentadas em Apocalipse, Ezequiel e outras Escrituras, e a linguagem usada em referência ao Espírito Santo, levam à crença de que ele é algo mais do que uma emanação da mente de Deus. Ele também diz do Espírito:

Ele é mencionado como uma personalidade e tratado como tal. Ele está incluído nas bênçãos apostólicas e é mencionado por nosso Senhor como agindo de forma independente e pessoal, como mestre, guia e consolador. Ele é um objeto de veneração e uma inteligência celestial, presente em todos os lugares, e sempre presente.[81]

A mudança no uso do pronome impessoal para o pronome pessoal ao falar do Espírito Santo é outro ponto significativo ao considerar este assunto. Em quase todas as primeiras citações, o pronome impessoal é usado. Citações posteriores usam o pronome pessoal.

Em resposta à pergunta: “Você acha que o Espírito de Deus é uma pessoa ou é simplesmente o poder pelo qual Deus opera e que ele concedeu ao homem para usá-lo?” Sra. M. I. Henry, uma renomada escritora denominacional, anteriormente metodista, escreveu em 1898: “Os pronomes usados ​​em conexão com o Espírito indicam que ele é uma pessoa, a personalidade de Deus, fonte de todo poder e vida.”[82]

Este mesmo autor também diz que só existe um Espírito no universo e que o Espírito que foi força ativa na criação foi o mesmo Espírito derramado no dia de Pentecostes.[83]

A. Underwood, outro escritor da Review and Herald, chegou em 1898 à conclusão de que uma compreensão mais plena do Espírito deve ser alcançada. Ele falou da importância do tema:

Não podemos recebê-lo pelo que ele é, a menos que saibamos algo sobre quem e o que ele é. Devemos, também, sentir necessidade dele e fazer a preparação necessária da nossa parte para recebê-lo.[84]

Na edição seguinte da Review and Herald, Underwood declara sua crença na personalidade do Espírito Santo. Ele adverte contra acreditar “simplesmente numa influência, quando precisamos tanto daquele que exerce a influência e o poder.”[85] O Espírito Santo é o “representante pessoal de Cristo” encarregado da obra de enfrentar e derrotar Satanás. Ele explica a opinião equivocada quanto à personalidade do Espírito Santo como um esquema de Satanás. Ele diz: “Cuidemos para que Satanás não nos leve a dar o primeiro passo na destruição de nossa fé na personalidade desta pessoa da Divindade, o Espírito Santo.” Underwood é um exemplo de alguém que mudou de ideia em relação à personalidade do Espírito Santo. Ponderando sobre suas ideias do passado, ele diz:

Agora, para estranho a mim que já acreditou que o Espírito Santo fosse apenas uma influência, em vista da obra que ele faz. Mas queremos a verdade porque é verdade, rejeitamos o erro porque é erro, e, independentemente de quaisquer pontos de vista ou dificuldade que tivemos ou temos, quando vemos o Espírito Santo como uma pessoa.[86]

Ele explica sua mudança de interpretação se referindo ao estudo que fez e às conclusões a que chegou. Ele não conseguia entender como um Espírito poderia ser uma pessoa até ler que “Deus é Espírito” (Jo 4:24), e que Cristo “é espírito vivificante” (1 Co 15:45), e os anjos são chamados de “espíritos” (Hb 1:7, 14). Ele disse que “sabendo que todos estes são pessoas, pude compreender melhor como o Espírito Santo pode ser uma pessoa.”[87]

A tendência em direção à crença na personalidade do Espírito Santo mostrada nos artigos de Tenny, Henry e Underwood é ilustrada ainda pelo uso na Review and Herald, o periódico da Igreja Adventista, de artigos de fontes não-adventistas. Um artigo publicado em 1899 sustentava que o Espírito Santo é uma pessoa, embora esteja ao mesmo tempo onipresente.

Andar no Espírito deve ser sempre andar com o Espírito, pois, embora ele seja onipresente, devemos reconhecer sua personalidade e honrá-lo pela obediência aos seus mandamentos. Em outras palavras, se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.[88]

A importância da doutrina da personalidade do Espírito Santo foi enfatizada em 1900 em outro artigo não-adventista, reimpresso na Review and Herald. Comparou a rejeição de Jesus pelos judeus da antiguidade à rejeição do Espírito Santo. “Adoramos o Pai e o Filho, mas não daremos o lugar de poder e autoridade ao seu representante, o bendito Espírito Santo.”[89]

Por volta de 1900, o Espírito Santo ocupava um lugar de honra e a personalidade atribuída a ele pelos principais escritores adventistas do sétimo dia

CAPÍTULO IX

A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO NOS ESCRITOS DE ELLEN G. WHITE

A consideração de qualquer doutrina adventista do sétimo dia não estaria completa sem apresentar os respectivos ensinamentos de Ellen G. White a respeito. A palavra dela tem maior peso do que qualquer um dos líderes da denominação. Não há registo de que ela tenha ocupado uma posição oficial na denominação, mas as suas instruções foram de maior importância do que as dos presidentes da Associação Geral. A confiança que os líderes depositaram nela se deveu à crença de que Deus falou com eles por meio dela através inspiração única, paralela à inspiração dos escritores da Bíblia.

A Sra. White escreveu abundantemente sobre a importante posição e obra do Espírito Santo, mas ela não foi levada a dar informações de Deus sobre o Espírito Santo como uma personalidade distinta antes da década de 1890.

Como observado no capítulo anterior deste artigo, a doutrina da personalidade do Espírito Santo recebeu mais consideração após a sessão da Conferência Geral de 1888. A primeira referência direta da Sra. White à natureza do Espírito Santo foi escrita em 1892. Ela escreveu:

A obra do Espírito Santo é imensamente grande. É dessa fonte que sobrevêm poder e eficiência ao obreiro de Deus; e o Espírito Santo é o Consolador, como a presença pessoal de Cristo à alma. Quem olha para Cristo com simples fé, semelhante à de uma criança, torna-se participante na natureza divina mediante a atuação do Espírito Santo.[90]

Ela reconhece, aqui, o Espírito Santo como um agente divino, a presença pessoal de Deus.

Seus escritos sobre o Espírito Santo nunca tratam diretamente da personalidade do Espírito Santo. Qualquer referência feita à personalidade [do Espírito Santo] é secundária em relação a algum outro ponto de importância que ela enfatiza. Ela nunca enfatizou a personalidade do Espírito, nem encorajou especulações a respeito, mas, em vez disso, exortou que fosse dada atenção ao recebimento do poder de Deus, essencial para a Salvação.

Em 1896, a Sra. White escreveu:

Nenhum raciocínio humano, do maior douto, pode definir a atuação do Espírito Santo na mente e caráter dos homens; entretanto, podem-se ver os efeitos na vida e nos atos  . . . O Espírito Santo é um agente livre, operante, independente.[91]

Essas duas sentenças destacam dois fatos importantes sobre o Espírito Santo; primeiro, ele trabalha na mente e no caráter dos homens; e segundo, o Espírito Santo deve ser uma personalidade para ser uma “agente livre, operante, independente.”

Somente em 1897, que, pela primeira vez ,a Sra. White chamou o Espírito Santo de “a terceira pessoa da Divindade.” Ela disse: “O príncipe da potestade do mal só pode ser mantido em sujeição pelo poder de Deus na terceira pessoa da Divindade, o Espírito Santo.”[92]

No livro O Desejado de Todas as Nações, publicado em 1898, a Sra. White explica mais detalhadamente sua compreensão da natureza e da obra do Espírito Santo.[93] Quando Cristo esteve nesta terra, ele estava preparado para o conflito com Satanás pela habitação do Espírito Santo.[94] Os cristãos devem receber este mesmo poder divino para servirem a Deus corretamente. Pelo Espírito Santo, o cristão usufrui o poder da Onipotência.[95]

Ao pecado só se poderia resistir e vencer por meio da poderosa operação da terceira pessoa da Divindade, a qual viria, não com energia modificada, mas na plenitude do divino poder. É o Espírito que torna eficaz o que foi realizado pelo Redentor do mundo É por meio do Espírito que o coração é purificado Por Ele torna-se o crente participante da natureza divina.[96]

No mesmo livro, a Sra. White é explícita a respeito da personalidade do Espírito Santo:

O Espírito Santo é o representante de Cristo, mas despojado da personalidade humana, e dela independente. Limitado pela humanidade, Cristo não poderia estar em toda parte em pessoa Era, portanto, do interesse deles que fosse para o Pai, e enviasse o Espírito como Seu sucessor na Terra.[97]

Não há evidência de que Ellen G. White tivesse uma concepção clara da personalidade do Espírito e tenha evitado comentários. O Senhor não lhe deu luz clara sobre este tema até que tivesse ganho atenção, e, então, as suas declarações claras, independentemente de qualquer agitação, resolveram silenciosamente a questão em favor do conceito de três personalidades.

CAPÍTULO X

RESUMO E CONCLUSÃO

A doutrina da personalidade do Espírito Santo surge inevitavelmente da doutrina da Trindade. Os pioneiros da Igreja Adventista do Sétimo Dia não a estudaram como uma doutrina individual, mas sim como parte da doutrina da Trindade. Aqueles, e eram muito poucos, que acreditavam em um Deus Trino prontamente acreditavam que o Espírito Santo era um ser pessoal, a terceira pessoa da Trindade. Por outro lado, aqueles que tendiam ao arianismo ou ao unitarismo conferiam ao Espírito a posição de influência, de natureza divina porque procedia de Deus, onipresente porque Deus assim o quis, mas impessoal porque era simplesmente a “aura” ou esfera de influência de Deus.

A maioria dos primeiros pioneiros da denominação adventista do sétimo dia tendia ao unitarismo, demonstrado pela formação deles e por algumas referências à crença trinitária. Havia, no entanto, alguns que eram trinitários, mas a diferença ou crença neste ponto não era fonte de antagonismo para os primeiros crentes [adventistas].

Houve duas razões para isso. Primeira, existia grande liberdade de pensamento entre os primeiros adventistas na maioria dos temas. Descobriu-se que as duas tendências de pensamento relativas à Trindade existiam simultaneamente. Segundo, o pequeno grupo de crentes adventistas estava centrado e entusiasmo pelas doutrinas do Segundo Advento, do Sábado, da Expiação e das profecias. Portanto, durante muitos anos não houve tentativa de unificar a diferença de opinião a respeito da Trindade em um princípio denominacional.

Quando o tema era discutido, percebemos que as posições eram predominantemente arianas. Uma das primeiras declarações de crença publicadas pelos Adventistas do Sétimo Dia diz:

Que existe um Deus, um ser pessoal e espiritual, o criador de todas as coisas, onipotente, onisciente e eterno, infinito em sabedoria, santidade, justiça, bondade, verdade e misericórdia; imutável e presente em todos os lugares por seu representante, o Espírito Santo (Sl 130:7).[98]

Com esta visão como uma declaração denominacional de crença, o Espírito Santo foi naturalmente considerado, como foi afirmado, apenas um representante de Deus. Nessa época, e nos anos seguintes, alguns líderes adventistas do sétimo dia se manifestaram enfaticamente contra a doutrina da personalidade do Espírito Santo.

Muitos dos ensinamentos da denominação foram discutidos na sessão da Conferência Geral de 1888. Embora nem a doutrina da Trindade nem a personalidade do Espírito Santo tenham sido consideradas nesta conferência, a maturidade de ideias alcançada sobre outros temas abriu o caminho para um estudo mais aprofundado destas doutrinas.

Esse estudo causou uma mudança gradual no entendimento da crença, pois, nos anos imediatamente após esta conferência, os artigos escritos sobre a Trindade são predominantemente favoráveis ​​à doutrina. Apenas quatro anos após conferência de 1888, um panfleto intitulado “A Doutrina Bíblica da Trindade,” escrito por um trinitário não-adventista, foi publicado por uma importante editora denominacional. Este panfleto é especificamente trinitário. A posição foi solidificada pela declaração clara de Ellen G. White em O Desejado de Todas as Nações, em 1898, chamando o Espírito de “terceira pessoa da Divindade.” Dali em diante, a doutrina da Trindade foi aceita com muito pouca ou nenhuma influência ariana prevalecendo.

Esta aceitação do Deus Trino estabeleceu a crença no Espírito Santo como a terceira pessoa da Trindade, mas a natureza individual e a personalidade do Espírito ainda permaneceram com dúvidas. Alguns tinham a opinião de que esta era uma questão além da compreensão humana, um mistério eterno de Deus, com o qual o homem não deve se preocupar ou especular. Por pouco tempo, essa forma de encarar o problema foi satisfatória, mas logo a questão retornou. Então, alguns escritores da Igreja Adventista do Sétimo Dia chegaram à conclusão de que era importante uma compreensão melhor e mais ampla do Espírito. Para mais estudo e discussão, foi publicado um artigo aceitando plenamente a personalidade do Espírito Santo. Alguns escritores que anteriormente se opunham à doutrina agora a apoiavam e afirmavam que não entendiam como anteriormente acreditavam que o Espírito Santo era apenas uma influência.

Ellen G. White, uma escritora inspirada da denominação, não se posicionou em nenhum dos lados da questão até que os seus irmãos crentes tivessem alcançado uma posição correta através do estudo da Bíblia. Somente depois endossou a doutrina da personalidade do Espírito Santo e declarações claras sobre este ponto esclareceram o pensamento denominacional. Isto foi semelhante à maneira pela qual o Espírito de Profecia confirmou as outras doutrinas da denominação.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia está hoje comprometida com a doutrina da Trindade e da personalidade do Espírito Santo. A atual declaração de suas crenças fundamentais declara:

Que a Divindade, ou Trindade, consiste no Pai Eterno, um ser pessoal e espiritual, onipotente, onipresente, onisciente, infinito em sabedoria e amor; no Senhor Jesus Cristo, o Filho do Pai Eterno, por meio de quem todas as coisas foram criadas e por meio de quem a salvação das hostes redimidas será realizada; no Espírito Santo, a terceira pessoa da Divindade, o grande poder regenerador na obra de redenção (Mt 28:19).[99]


NOTAS

[1] Francis D. Nichol, The Midnight Cry, p.36

[2] Tiago White, Life of Willliam Miller, p. 59.

[3] Ibid., p. 60.

[4] Loc. cit.

[5] Joshua V. Himes, “Christian Connection,” Encyclopedia of Religious Knowledge, p. 362.

[6] Arthur W. Spalding, Captains of the Host, p. 668.

[7] Joseph Bates, Autobiography of Joseph Bates, pp. 204–205.

[8] Spalding, op. cit., p. 53.

[9] Tiago White, “Mutual Obligations,” The Advent Review and Sabbath Herald, 37:25, 6 de junho de 1871, p.196. Doravante designado como Review. Esta referência apresenta uma exposição dos pontos de vista de Tiago White, mas nada é afirmado a respeito da Trindade.

[10] Uriah Smith, “A Letter to the Review and Herald,” Review, 4:2, 9 de junho de 1853, p. 16.

[11] Richard Julian Hammond, The Life and Work of Uriah Smith, p. 7.

[12] J. H. Waggoner, The Atonement, p. 173.

[13] J. B. Frisbie, “The Seventh-day Sabbath not Abolished,” Review, 5:7, 28 de fevereiro de 1854, p. 50.

[14] J. M. Stephenson, “The Atonement,” Review, 6:14, 14 de novembro de 1854, p. 105.

[15] JN Loughborough, “Questions answered,” Review, 18:23, 5 de novembro de 1861, p. 184.

[16] S. B. Whitney, “Both Sides,” Review, 19:14; 4 de março de 1862, pp. 110–111.

[17] A. J. Dennis, “One God,” The Signs of the Times, 5:21, 22 de maio de 1879, p. 162.

[18] M. Canright, “The Personality of God,” Review, 52:10, 29 de agosto de 1878, p. 73. Este artigo está reproduzido por completo no Apêndice A.

[19] Uriah Smith, Looking Unto Jesus, p. 10.

[20] Urias Smith, “The Spirit of Prophecy,” General Conference Bulletin, 4:9, 14 de março de 1891, p. 147.

[21] Uriah Smith, “In the Question Chair,” Review, 73:43, 27 de outubro de 1896, p. 685.

[22] Ibid.

[23] Uriah Smith, “The Mind of Christ,” Review, 74:11, 16 de março de 1897, p.168; Looking unto Jesus, p. 10.

[24] M. V Wilcox, “The Divine Unity,” Signs of the Times, 24:51, 22 de dezembro de 1898, p. 816.

[25] Editorial (M. C. Wilcox foi o editor), “The Spirit and Body of Christ,” Signs of the Times, 24:39, 29 de setembro de 1898, p. 614.

[26] Uriah Sinith, “The Spirit of God,” Review, 13:13, 17 de fevereiro de 1859, p. 100.

[27] Reimpressão, “Intercession of the Spirit,” Review, 14:8, 14 de julho de 1859, p. 63.

[28] E. Goodrich, “No Spirit,” 19:9, Review, 28 de janeiro de 1862, p. 68.

[29] D. Hildreth, “A Comforting Promise,” Review, 19:18, 1 de abril de 1862, p. 141.

[30] R. F. Cottrell, “The Beginning of the End,” Review, 43:1, 16 de dezembro de 1873, p. 5.

[31] Joseph Clarke, “Be filled with the Spirit,” Review, 43:13, 10 de março de 1874, p. 103.

[32] J. E. Waggoner, Gifts of the Spirit, p. 23.

[33] J. E. Swift, “Our Companion,” Review, 60:28, 3 de julho de 1883, p. 42.

[34] Milton C. Wilcox, “Manifestations of the Holy Spirit,” Signs of the Times, 15:27, 15 de julho de 1889, p. 422.

[35] C. P. Bollman, “The Spirit of God,” Signs of the Times, 15:42, 4 de novembro de 1889, 663.

[36] A. J. Morton, ”The Spirit of Christ, How Received,” Signs of the Times, 17:42, 26 de outubro de 1891, p. 342.

[37] M. C. Wilcox, “The Spirit of Life,” Signs of the Times, 24:22, 2 de junho de 1898, 342.

[38] J. H. Waggoner, The Spirit of God, Its Offices and Manifestations, p. 2.

[39] Helen L. Morse, “The Spirit of Christ,” Review, 61:12, 18 de março de 1884, p. 180.

[40] Asa Smith, “Discerning the Spirit,” Review, 68:37, 22 de setembro de 1891, p. 590.

[41] Morse, loc. cit.

[42] W. W. Prescott, “Christ and the Holy Spirit,” The General Conference Bulletin, 1:21, 27 de dezembro de 1895, p. 632.

[43] Romanos 8:9–10.

[44] W. W. Prescott, “To Him that Overcometh,” Review, 76:16, 11 de abril de 1899, p. 244.

[45] M. C. Wilcox, “The Spirit of Life,” Signs of the Times, 2 de junho de 1898, p. 342.

[46] Uriah Smith, “In the question chair,” Review, 72:47, 19 de novembro de 1895, p. 745.

[47] J. N. Loughborough, “The Spirit of God,” Review, 75:38, 13 de setembro de 1898, p. 600.

[48] Uriah Smith, “In the Question Chair,” Review, 68:43, 10 de maio de 1891, p. 697.

[49] Milton C. Wilcox, “The Question Corner,” Signs of the Times, 23:19, 13 de maio de 1897, p. 296.

[50] D. M. Canright, “The Holy Spirit not a Person, but an Influence Proceeding from God,” Signs of the Times, 4:28, 25 de julho de 1878, pp. 218 e 236. Este artigo está reproduzido por completo no Apêndice A.

[51] Ibid., p. 218.

[52] Loc. cit.

[53] Ibid., p. 219.

[54] Loc. cit.

[55] Ibid., p. 236.

[56] Loc. cit.

[57] Urias Smith, “Nature of the Holy Spirit,” Review, 67:42, 28 de outubro de 1890, p. 664.

[58] Loc. cit.

[59] T. R. Williamson, “The Holy Spirit, Is It a Person?” Review, 68:40, 13 de outubro de 1891, p 627. Este artigo está reproduzido por completo no Apêndice B.

[60] Williamson, loc. cit.

[61] Loc. cit.

[62] Loc. cit.

[63] Uriah Smith, “In the Question Chair,” Review, 74:12, 23 de março de 1897, p. 188.

[64] Milton C. Wilcox, “The Spirit, Personal and Impersonal,” The Signs of Times, 24:33, 18 de agosto de 1898, p. 518.

[65] Loc. cit.

[66]Milton C. Wilcox, “The Spirit, Personal and Impersonal,” The Signs of Times, 23:37, 23 de setembro de 1897, p. 577.

[67] N Downer, “The Power of the Holy Ghost,” Review, 47:14, 6 de abril de 1876, p. 11.

[68] Efésios 4:4–5.

[69] Lee. S. Wheeler, “The Communion of the Holy Spirit,” Review, 68:16, 21 de abril de 1891, p. 244.

[70] Loc. cit.

[71] Samuel T. Spear, “The Bible Doctrine or the Trinity,” Bible Student’s Library, panfleto número 90, p.14.

[72] Loc. cit.

[73] Loc. cit.

[74] Alonzo T. Jones, “The Third Angel’s Message,” General Conference Bulletin, 1:15, 27 de fevereiro de 1895.

[75] Stephen N. Haskell, “The Holy Spirit,” Review, 76:48, 28 de novembro de 1899, p. 774.

[76] Alonzo T. Jones, “Editorial,” Review, 76:3, 17 de janeiro de 1899, p.40.

[77] Ibid., 76:2, 10 de janeiro de 1899.

[78] Samuel T. Spear, “The Bible Doctrine or the Trinity,” Bible Student’s Library, panfleto número 90, p.14.

[79] G. C. Tenny, “The Comforter,” Review, 60:43, 30 de outubro de 1883, p. 613.

[80] G. C. Tenny, “The Comforter,” Review, 3:23, 9 de junho de 1896, p. 362.

[81] Loc. cit.

[82] Sra. SMI Henry, The Abiding Spirit, p. 271.

[83] Ibid., p. 31.

[84] R. A. Underwood, “The Baptism of the Holy Spirit,” Review, 75:18, 3 de maio de 1898, p. 278.

[85] Loc. cit.

[86] Loc. cit.

[87] Loc. cit.

[88] Reimpressão, “Walking in the Spirit,” Review, 76:6, 24 de janeiro de 1899, p. 82. Nenhum autor foi mencionado nesta reimpressão.

[89] Reimpressão, “The Third Person,” Review, 77:3, 9 de janeiro de 1900, p. 34.

[90] Ellen G. White, “The Perils of the Last Dais,” Review, 69:47, 22 de novembro de 1892, p. 738.

[91] Ellen G. White, “Operation of the Holy Spirit Made manifest in the Life,” Review, 5 de maio de 1896, p.272.

[92] Ellen G White, Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, Série A, Número 10, p. 37.

[93] Ellen White, O Desejado de Todas as Nações, p. 123.

[94] Ibid., p. 189.

[95] Ibid., p. 352.

[96] Ibid., p. 671.

[97] Ibid., p. 669.

[98] Two cent tract, Steam Press of the Seventh-day Adventist Publishing Association, Battle Creek, Michigan, 1874.

[99] The Seventh-day Adventist Yearbook, 1953.

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