O Que Os Adventistas Podem Aprender com Os Judeus sobre O Sábado?

O Que Os Adventistas Podem Aprender com Os Judeus sobre O Sábado?


Jacques Doukhan é Professor de Hebraico, Professor de Exegese do Antigo Testamento e Diretor do Instituto de Estudos Judaicos-Cristãos na Andrews University. Autor de diversos livros como “The Mystery of Israel,” “On the Way to Emmaus”, “Israel and the Church;” escreveu, também, a Lição da Escola Sabatina de Provérbios do 1º Trimestre de 2015.


Tradução: Hugo Martins

O artigo “O Que Os Adventistas Podem Aprender com Os Judeus sobre O Sábado?” (Original em inglês: “What Can Adventists Learn from the Jews about the Sabbath?”), por Jacques Doukhan, fora publicado, inicialmente, em 2011 na revista Spectrum,® Community through Conversation, spectrummagazine.org.  Usado com permissão.


Introdução:

Por Que Os Adventistas Deveriam Aprender com Os Judeus sobre O Sábado?

1. Uma Razão Histórica

A rejeição antissemita do sábado do sétimo dia pelo cristianismo tradicional desempenhou um papel crucial na separação judaico-cristã (ver Samuel Bacchicochi sobre o testemunho cristão primitivo e Mordechai Arad para o testemunho rabínico primitivo). A redescoberta do sábado pelos cristãos deve, portanto, obrigá-los a se reconectar com os judeus em seu entendimento sobre o sábado. Os judeus, não obstante, têm uma experiência histórica do sábado muito maior do que os adventistas. Paradoxalmente, embora os adventistas tenham agora se tornado o grupo humano de maior número a guardar o sábado, o sábado permanece no mundo como um testemunho associado aos judeus. E, como resultado, o testemunho judeu sobre o sábado parece muito maior no mundo do que o [testemunho] dos adventistas. Ainda hoje quando dizemos “sábado”, as pessoas geralmente pensam “judeus”. O sábado tem sido definido como “a essência do judaísmo” (Abraham Heschel).

É, também, significativo que, ao longo da história cristã (incluindo o movimento adventista), o retorno à experiência do sábado era frequentemente acompanhado com alguma conexão com os judeus (ver artigos em The Sabbath in Scripture and History [O Sábado nas Escrituras e na História], 210, 217, 223, 225, 244, 255; ver, também, mais recentemente, as afirmações teológicas, e, ainda, os esforços litúrgicos feitos pelos teólogos adventistas: e.g., Fritz Guy, Sigve Tonstad, Jo Ann e Dick Davidson, e Mary-Ellen Colon).

2. Uma Razão Teológica Filosófica

Diferente do pensamento filosófico grego, que alcança a verdade diretamente por meio do processo racional e espiritual, o pensamento hebraico (bíblico) alcança a verdade somente por meio do testemunho necessário de outra pessoa humana. Pois, no pensamento grego, a verdade é, essencialmente, um conceito abstrato e pode se chegar a ela por si só; no pensamento hebraico, por outro lado, a verdade está essencialmente relacionada a um evento histórico ou à pessoa histórica; é, essencialmente, uma experiência. Sendo assim, do Israel bíblico à encarnação de Jesus Cristo, humanos necessitaram do testemunho de outros humanos para ter acesso à verdade divina (ver Claude Tresmontant, Essay on Hebrew Thought [Ensaio sobre O Pensamento Hebraico]). O argumento frequentemente usado pelos adventistas do sétimo dia de que o sábado veio de Deus através do evento da criação, ainda antes do Sinai, para justificar a sua independência dos judeus, é, portanto, suspeito. A referência direta piedosa a Deus, enquanto negando o princípio bíblico acima da dependência humana, é presunçosa, e pode, de fato, mascarar o velho preconceito antissemita: eles não querem ter nada a ver com os judeus, exatamente a motivação que levou os cristãos primitivos a rejeitar o sábado (ver, entre outras, a dissertação de Bacchicochi, e, mais recentemente, The Lost Meaning of the Seventh Day [O Significado Perdido do Sétimo Dia] de Sigve Tonstad).

3. Questionamentos

Uma vez que os adventistas chegaram à verdade do sábado, se por si mesmo, por meio do gênio de sua busca espiritual ou estimando, com humildade, o testemunho judeu: há algo sobre o sábado que eles podem ter deixado para trás? O que os adventistas podem aprender dos judeus que eles ainda não tenham aprendido ou compreendido muito bem?

História I: Celebrar Versus Guardar

Se o diagnóstico do rabino sobre os adventistas estiver correto, podemos perguntar a nós mesmos: por que os adventistas abordaram o rabino como “guardando” o sábado em contraste com o “celebrando” dos judeus? De fato, para os judeus, “o objetivo principal do sábado é criar um ambiente de prazer e satisfação” (Irving Greenberg, The Jewish Way [O Jeito Judaico de Ser], p. 163). Esta mitsvah fundamental do sábado é derivada pelos rabinos de Isaías 58:13: “se você chamar delícia [‘oneg].” Suponho que esta ênfase adventista no “guardar”, em vez de “celebrar”, é devido ao contexto cristão dos adventistas do sétimo dia, que sentem a necessidade de defender a sua posição contra outros cristãos: adventistas guardam o sábado do sétimo dia enquanto outros cristãos têm o perdido de vista em razão de serem guardadores do domingo. Na verdade, se você perguntar a um adventista do sétimo dia “o que é o sábado para você?”, ele ou ela provavelmente responderá: “não é o domingo”. Esta ênfase em “guardar” se deve, também, à preocupação adventista em ser obediente às leis de Deus em lugar da tradição dos homens. A dimensão sagrada vertical de guardar o mandamento é aqui enfatizada em detrimento da dimensão de celebrar/regozijar-se.

Neste documento, tentarei, então, sugerir, fazendo referência ao testemunho judeu do sábado, uma lição de celebração e regozijo do sábado que os adventistas podem aprender com os judeus. Delimitar-me-ei no que eu tenho identificado como as cinco principais categorias de celebração/deleite do sábado, a saber, 1) Beleza, (2) Alimentação, (3) Relacionamento, (4) Graça, (5) Esperança.

1. Beleza

A experiência do sábado é (deve ser), antes de tudo, uma experiência sensitiva, algo para apreciarmos esteticamente por meio de todos os nossos sentidos. Isto envolve os sentidos visuais: a beleza de sua [própria] casa e da casa de oração, o acender das velas, a arrumação especial da mesa como uma bela toalha de mesa e a melhor prata e porcelana, as flores, vestir roupas bonitas, etc. Isto envolve os sentidos auditivos: a música e a poesia. Isto envolve os sentidos olfativos: a fragrância da mitra ou outras ervas aromáticas que nós cheiramos bem como os aperitivos para a nossa refeição. O deleite da beleza é a primeira mistvah, o primeiro requerimento/mandamento para o sábado. Contudo, beleza não é apenas a primeira apreensão cronológica da experiência sabática, a primeira imediata; permanecerá, também, sempre, incluída em todas as outras categorias de deleite. Pois beleza abre um caminho contínuo para todas as outras experiências restantes que ocorrem no sábado.

A Aplicação Adventista do Sétimo Dia

Fazer do sábado belo é consistente com a afirmação adventista da fé na Criação. Como podemos proclamar a mensagem da Criação (Ap 14:7) e não fazer de nossas casas, de nossas igrejas e dos nossos serviços de adoração sabáticos algo belo? Como podemos cantar um hino sem nenhuma poesia ou com uma qualidade musical miserável e afirmar honrar o sábado? Parece, realmente, que o interesse estético associado ao sábado não é uma prioridade no pensamento adventista que tende a se focar na certeza da verdade doutrinária do sábado (o dia correto), em vez de na beleza de sua experiência. Paradoxalmente, por perder essa experiência de beleza, podemos perder a essência da verdade doutrinária. Em outras palavras, um sábado vivido em um ambiente ruim, sem a sensibilidade da beleza, é inconsistente com o próprio propósito do sábado, que é, supostamente, reviver em nossas mentes, e em nossos corpos, o sentido da beleza da Criação.

2. Alimento

O alimento é o elemento mais importante para a santificação do sábado. Os rabinos antigos nos contam que, por comer os alimentos no sábado, experimentamos um “gostinho” do Jardim do Éden. Seu aroma único, seu sabor, é algo que não pode ser duplicado.

História 2: O Sabor do Sábado

O deleite do alimento é tão importante que é recomendado comer pouco na sexta, e, assim, começar o sábado com um grande apetite, e deleitar-se, então, com o alimento ainda mais. A mitsvah do alimento deleitoso no sábado é também ilustrada nesta leitura mística de Êxodo 16:25: “‘Comam-no hoje’, disse Moisés, ‘pois hoje é o sábado do Senhor’.” A frase pode ser lida em hebraico como “comer o dia, pois o dia é sábado”, significando comer o próprio dia! O sábado é para ser supostamente tão delicioso que pode ser unicamente experienciado comendo e saboreando o seu gosto. Celebrar o sábado implica, então, o deleite de pães especiais, bebidas e refeições que são particularmente associados ao sábado. É, portanto, imperativamente proibido jejuar no sábado. Marcião conhecia este requisito de tal modo que ele ordenou os seus discípulos a jejuar no sábado intencionando propagar, claramente, seu desprezo pelo sábado judaico.

A Aplicação Adventista do Sétimo Dia

É interessante destacar que a primeira vez que o verbo hebraico ntn, “dar/presentear” ocorre em conexão com os humanos é na estória da criação em relação à dádiva do alimento pelo criador (Gn 1:29). É, também, digno de nota que quando Daniel, um exemplo a ser seguido na tradição adventista, precisou justificar a sua dieta vegetariana quando ele citou exatamente esse texto (Dn 1:12). O sábado é, também, o aniversário da dádiva do alimento. A celebração da criação no sábado só faz sentido se você se deleitar com boa comida no sábado. Precisamos rever, aqui, nossos cardápios em nossos lares, em nossas cantinas escolares e nas festas em nossas igrejas. Bem como para o hábito adventista de jejuar no sábado, que é muito problemático. Não podemos, por um lado, louvar o Senhor pela criação, e pela dádiva do alimento, e, então, jejuar; isto é falta de educação e um insulto ao Deus da Criação.

3. Relacionamento

O sábado é um momento especial em que entramos em um relacionamento especial com Deus. O primeiro dia da humanidade foi marcado por esta comunhão divina humana. “Quando experimentamos a santidade do Shabbat, alcançamos os mais altos níveis de da‘at: de conhecer a Deus. E o mais alto nível de da‘at (consciência) que podemos alcançar é compreender que Deus é incompreensível” (Nachman of Breslov, Likutey Maharan ll. 83). Por se referir à noção de da‘at, o conceito hebreu de “conhecimento”, os rabinos têm em mente um relacionamento especial com Deus, um relacionamento de amor. A associação do sábado com o termo qadash (“santo”) é significante nesta conexão: a ideia básica é que este dia é separado para um relacionamento especial de amor com Deus. E este relacionamento vertical, ainda, é acompanhado com um relacionamento horizontal. Não é divertido celebrar sozinho. Mesmo celebrar com Deus implica estar com as pessoas. Este é o porquê do sábado ser o dia quando nos reunimos com a comunidade e nos deleitamos na companhia de amigos e da família. Aprender, comer e rir juntos é uma atividade importante do sábado. Guardo memórias agradáveis daquelas sextas-feiras à noite quando nos reuníamos para uma grande refeição de sábado e minha bonita mãe vestia seu avental azul de sábado; irmãos e irmãs agitados ficavam rindo e discutindo acaloradamente enquanto meu pai orava e labutava para criar um ambiente de santidade.

É também uma tradição para casais casados celebrar o Shabbat com relação sexual. É uma mitsvah do sábado especial fazer amor na noite de sexta-feira. Cabalistas ensinam que nessa noite, ocorre a união santa entre o lado masculino Deus, a justiça, e o lado feminino da graça de Deus, Shekhinah. Os textos bíblicos chaves para ler no sábado são Provérbios 31:10–31 e Cantares, dois textos que promovem e exaltam o relacionamento conjugal.

A Aplicação Adventista do Sétimo Dia

A Bíblia apoia o paradigma apenas sugerido. É interessante que a seção sábado (7ª), na primeira estória da criação (Gn 2:1–3), é paralela à seção casal (7ª), na segunda estória da criação (Gn 2:18–24). Provérbios 8:30, que marca a sétima seção da reflexão sobre a Sabedoria na Criação, corresponde a seção do sábado da estória da criação, e enfatiza o deleite. O termos “deleite” e “regozijo” repetem duas vezes. O conceito é primeiramente introduzido como uma experiência diária, uma alusão às respostas diárias de Deus para as suas criações diárias; “E Deus viu que ficou bom.” O termo hebraico para “bom” (tov) pode ser traduzido como “deleitoso”, “agradável”. Então, os termos “deleite” e “regozijo” estão se focando em seres vivos, e especialmente os filhos dos homens. É importante destacar que o mandamento do sábado está localizado no centro do Decálogo, prensado entre a seção lidando com o relacionamento com Deus (mandamentos 1–3) e a seção lidando com o relacionamento com os humanos (mandamentos 5–10), e funciona como uma articulação das duas seções. O sábado é, em si, o único mandamento que se refere explicitamente a ambos os relacionamentos: com Deus e com os humanos (ver meu artigo em Shabbat Shalom). A qualidade do relacionamento vertical (sua religião) depende da qualidade do relacionamento horizontal; e, reversalmente, você pode se relacionar com o outro humano à medida que você tem aprendido a se relacionar com o Outro divino.

Pode acontecer algumas vezes, em nosso zelo por Deus, que estejamos tão preocupados em fazer a obra sagrada de Deus do sábado, que podemos negligenciar ver e regozijar a maravilha da presença de Deus, e, até mesmo, observar e regozijar a face humana um do outro. Precisamos aprender a valorizar e tirar um tempo para estar com o Outro e com cada outro em vez de apenas fazer coisas sagradas juntos.

4. Graça

Sábado é o tempo em contato com a eternidade, o tempo em que temos tempo. O tempo do dia de sábado é expandido para além das fronteiras do dia normal. Judeus começam este tempo sagrado antes do pôr-do-sol e terminam após o pôr-do-sol. No sábado, é-nos requerido mudar o ritmo, andar vagarosamente e a passos curtos. É proibida a pressa (Shabbat 113ab). No sábado, dormimos mais, e paramos de fazer as coisas. Pois é o dia que nos lembra de Deus fazendo coisas para nós que não fizemos nada. Sábado é o dia de receber e de se alegrar com o que Deus tem feito por nós. As 39 categorias de trabalhos proibidos no sábado estão modeladas nos tipos de obras envolvidas na construção do Templo (Shabbat 49b), cuja construção está modelada, em si, na Criação. Por colocar o fazer da semana na perspectiva de não fazer no sábado, a tradição judaica sugere uma teologia específica de trabalho: não é o sábado que serve ao trabalho, mas é o trabalho que serve ao sábado. O sábado não é apenas o dia de descanso que merecemos por nosso trabalho duro durante a semana (“graças a Deus é sexta-feira!”), mas, também, para nos refrigerar, a fim de garantir um trabalho mais eficiente. O sábado é o objetivo, o propósito principal da semana. O nome hebraico dos dias reflete esta filosofia como um todo. Os dias da semana não têm nenhuma identidade; eles existem somente em conexão com o sábado. O domingo é chamado de o primeiro dia até o sábado; segunda-feira é chamado de o segundo dia até o sábado, e assim por diante. Somente o sábado tem um nome e existe por si só. O sábado não é um apêndice, um dia qualquer no final de semana. É o tempo mais importante da semana, seu clímax para o qual a semana toda é orientada. O que podemos fazer, o que podemos dar, então, para fazer do sábado sábado? “Nada!” Não é o que fazemos, ou a contribuição que damos, que faz o sábado; é o que Ele faz, o que Ele dá que faz do sábado sábado. Esta interpretação tem sido registrada na liturgia judaica do sábado. A oração judaica da Amidah, que é recitada diariamente, muda no sábado. Enquanto o coração desta oração durante a semana é feito de pedidos, no sábado, os pedidos são substituídos por louvores, e uma ênfase é colocada em receber. A manhã de sábado é passada pesquisando, estudando e debruçando na parashah da semana. O coração do serviço da manhã é a leitura da Torah, que envolve a congregação inteira. No sábado pela tarde, na maioria das tradições judaicas, estudamos e discutimos os capítulos do Pirkey Avot (“Ética dos Pais”). De acordo com a tradição judaica, o estudo é mais importante do que a oração, pois quando oramos, estamos falando; enquanto estudamos, Deus está falando e estamos recebendo. Estudar é, então, vivido na tradição judaica como um deleite que é parte da adoração. O Talmud se refere a aprendizagem como a grande alegria do Shabbat: “Disse o Rabino Gerachya: ‘O Sábado foi dado somente para alegria.’ Disse o Rabino Hagai: ‘O Sábado foi dado somente para aprendizagem’” (Pesiqta Rabbari).

A Aplicação Adventista do Sétimo Dia

Os adventistas não têm aprendido o valor de receber e desfrutar a dádiva; eles foram educados e programados para fazer e oferecer sacrifícios a Deus. No Sábado, os adventistas estão ocupados fazendo e oferecendo. O sábado é cheio de atividades sagradas: trabalho missionário, coral, ensaios, todos os tipos de comissões, etc. Enquanto fazemos e o “bem”, e a obra sagrada, pensamos que isto é apropriado no sábado. Uma má compreensão da abordagem de Jesus para com o sábado tem levado muitos adventistas a acreditar que está tudo bem em fazer carpintaria, reparar encanamento e limpar casas no sábado conquanto seja para fazer o “bem” para Deus. Eu ouvi, como uma justificativa para esta abordagem, que este é o “sábado do Evangelho” versus o “sábado dos judeus” (o fraseado já soa suspeito para mim). Esta ânsia de fazer coisas para Deus no sábado vai contra a lição da graça contida no sábado; mais importante do que o que você faz para Deus é o que Deus faz por você. De qualquer forma, estas atividades sagradas nos impedem de deleitar na qualidade eterna deste tempo e de pensar e estudar. Por algumas razões, estudar (e pensar?) não tem valor, ou, pelo menos, não é uma prioridade na tradição adventista, e certamente não é uma experiência deleitosa. Até em nossas escolas sabatinas, os únicos momentos em que supostamente estudamos e pensamos, pouco se aplica em experiências de estudar e pensar. São frequentemente ocasiões para um piedoso blá-blá-blá jogado fora um com o outro cheio de si, testemunhos centrados e combinados com referências superficiais às Escrituras. Não é nem preciso dizer que esta tendência vai contras os ideais adventistas que encorajam, pelo contrário, pesquisa minuciosa, aprendizado e o pensar na Palavra de Deus (Ver E. G. White, Educação, p. 189).

5. Esperança

A categoria da esperança engloba todas as outras; levar-nos-á, portanto, à nossa conclusão. Todas as experiências de deleite e celebração associadas com o sábado devem nos levar para além da ordem presente e apontar para outra ordem.

História 3: O Shabbat. Um Antegozo do Reino

O filósofo judeu Hermann Cohen viu na alegria do sábado “o símbolo da alegria” que caracterizará os tempos messiânicos (Religion der Vernunft [Religião da Razão], p. 540). A mitsvah de deleitar-se no sábado é tão importante na tradição judaica que é dada como uma condição para o reino de Deus (ver “The Bone of the Three Shabbat Meals” [O Cerne das Três Refeições do Shabbat]).

A tradição judaica ensina que no sábado se adquiri um suplemento da alma (nefesh yeteira), que pode ser traduzido como “um suplemento do deleite”, e dá uma sensação de outra ordem. De acordo com a tradição rabínica, os dois tempos estão tão próximos em qualidade, que se Israel fosse capaz de viver e desfrutar completamente de um sábado apenas, então o Messias viria (Exodus Rabbah 25:12).

A Aplicação Adventista do Sétimo Dia

Os adventistas do sétimo dia já carregam esta associação de ideias em seu nome. Não é por acaso que o sábado desempenha um papel importante na escatologia adventista. A associação do sábado que enfatiza o valor do deleite da Criação, com a esperanças nos novos céus e nova terra, deve nos ensinar a lição da necessidade desta tensão. Por um lado, o sábado foca no valor e na beleza desta criação e nos insta receber e deleitar com as dádivas do Deus da criação, para amar um ao outro e tomar desta criação na terra. Por outro lado, o sábado nos obriga a pensar e viver de acordo com as categorias de Deus e nos inspira um novo cântico dos céus, que alimenta o nosso sonho do outro Reino no Céu. O sábado deve, portanto, ser tratado com duas ênfases. A ênfase em “guardar” deve ser considerada em harmonia com a ênfase em “celebrar”. É certamente significativo termos duas versões do mandamento do sábado nas Escrituras. Uma [versão] exortando a “guardar” (Dt 5), que implica a obrigação para a santidade dentro da referência vertical à ordem divina; e a outra exortando a “lembrar” (Êx 20), que “conota comemoração do sábado como um dia de celebração” (Moshe Weinfeld, Deuteronomy 1–11, 302) e implica a satisfação plena de nossa humanidade como uma dádiva do Criador (Ec 8:15). De acordo com a tradição judaica, as duas versões do sábado foram ouvidas simultaneamente, para que não fosse possível distinguir uma da outra. Pois não se pode celebrar o sábado sem guardá-lo; nem guardá-lo sem celebrá-lo. Na verdade, as duas experiências, “guardar” e “celebrar”, devem ser vividas em relação próxima uma com a outra. A experiência existencial humana e a sagrada esperança escatológica devem andar de mãos dadas e não negar ou não desprezar uma a outra. Quando os adventistas do sétimo dia forem capazes de viver essa tensão completamente, então o Messias virá.

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