O Dom Profético

O Dom Profético

Uma Outra Visão do Cuidado de Deus por Sua Igreja


* Artigo originalmente escrito para a Adventist Review e uma reprodução do original, em inglês, encontra-se postado no site oficial da Associação de Geral da IASD.


 

Por Gerhard Pfandl

Quando Arão e Miriã rebelaram-se contra a liderança de Moisés, Deus disse a ele: “Ouvi, agora, as minhas palavras: Se entre vós há profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos” (Nm 12:6). Durante os tempos do Antigo Testamento, a dádiva da profecia estava em ação. A primeira pessoa a ser chamada de “um profeta” na Bíblia foi Abraão (Gn 20:7). Na história de Israel, Moisés foi o maior dentre os profetas; ele se comunicava com “Deus face a face” (Dt 34:10).  Disse ele, um pouco antes de sua morte, aos israelitas: “O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás” (Dt 18:15). Esta profecia fora inicialmente cumprida através de Josué e os profetas que se seguiram. Encontrara o ápice do seu cumprimento na aparição do Messias que era o profeta que guiaria o povo de Deus da escravidão do pecado para a Canaã celestial.

Os escritores do Novo Testamento, assim como outras pessoas mencionadas no Novo Testamento tinham a dádiva da profecia. (Mt 11:14; Lc 1:67; At 13:1; 15:32; 21:8-10). Paulo escrevera aos Efésios que a dádiva da profecia permaneceria na igreja “até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus” (Ef 4:13). No livro de Apocalipse, assim, a igreja remanescente no tempo do fim é dito ter “o testemunho de Jesus” (Ap 12:17) que, de acordo com Apocalipse 19:10 é “espírito da profecia.”

O Que É O “Espírito da Profecia”?

O termo “espírito da profecia” ocorre uma única vez em toda a Bíblia, a saber em Apocalipse 19:10; mas os leitores nos dias de João sabiam exatamente o que João quisera dizer com esta frase. Eles estavam familiarizados com esta expressão, que fora frequentemente usada na tradução aramaica do Antigo Testamento. Por exemplo, Gênesis 41:38, na paráfrase aramaica do Antigo Testamento, diz: “Disse Faraó aos seus oficiais: ‘Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus?’” Em Números 27:18 o Senhor disse a Moisés: “Toma Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito, e impõe-lhe as mãos.”

Para os Cristãos primitivos, o “espírito da profecia” era uma referência ao Espírito Santo que concede o dom profético aos mensageiros de Deus. Isto, também, torna-se evidente quando comparamos Apocalipse 19:10 com Apocalipse 22:8,9.

A situação, em ambas as passagens, é a mesma. João cai aos pés do anjo para adorá-lo. As palavras da resposta do anjo são quase idênticas, até a diferença é significativa. Em 19:10, os irmãos são identificados pela frase “que mantêm o testemunho de Jesus.” Em 22:9, estes irmãos são, simplesmente, chamados de “profetas.”

De acordo com o princípio de interpretação “Escrituras com Escrituras”, chega-se à conclusão que o “espírito da profecia,” em 19:10, não é dado aos membros da igreja em geral, mas apenas aqueles que foram chamados por Deus a ser profetas. Que esta não é uma interpretação puramente adventista, pode-se aferir dos escritos de outros eruditos. O erudito luterano Herman Strathmann, por exemplo, trata acerca da frase “testemunho de Jesus” em 19:10: “De acordo com o texto paralelo de 22:9, os irmãos, aqui referidos, não são os crentes em geral, mas os profetas… Este é ponto do verso 10c. Se eles têm a marturia Iesou [o testemunho de Jesus], eles têm o espírito de profecia, isto é, eles são profetas…, como o anjo, que, simplesmente, põe-se a serviço do Soberano. Em síntese, podemos dizer que um dos sinais identificadores da igreja remanescente, que de acordo com a profecia viria a existir após o período dos 1260 dias, isto é, após 1798, é o testemunho de Jesus, que é o espírito de profecia ou o dom profético.  A Igreja Adventista do Sétimo Dia, desde os seus primórdios, tem acreditado que, no cumprimento de Apocalipse 12:17, o espírito de profecia manifestara-se na vida e obra de Ellen G. White.

Provando um Profeta

Como sabemos que o dom profético, no caso de Ellen White, era genuíno e não uma contrafação? A Bíblia provê vários elementos para testarmos o dom profético.

  1. Sonhos e Visões – Números 12:6 Nas Escrituras, profetas genuínos tinham sonhos e visões proféticas. Durante seus 70 anos de ministério (1844-1915), Ellen G. White teve, aproximadamente, 2000 visões e sonhos proféticos.
  1. Estar em Concordância com a Bíblia – Isaías 8:20. O que um profeta clama ter recebido de Deus deve estar em harmonia como o restante da Palavra de Deus, porque Deus não se contradiz (Sl 15:4; Ml 3:6). Embora Ellen G. White não fora uma teóloga formada, suas mensagens estão em harmonia com as Escrituras.
  1. Testemunhar a Jesus – 1 João 4:1-2. Qualquer um familiarizado com os escritos de Ellen White, tais como os livros O Desejado de Todas As Nações ou Caminho a Cristo, terá que admitir que ela não apenas assimilou tudo o que a Bíblia ensina sobre Jesus, mas, constantemente, guiava as pessoas a Ele como seu Senhor e Salvador.
  1. Profecia Cumprida – Jeremias 28:9. A prova de um verdadeiro profeta recai, em parte, no cumprimento de suas predições. Embora obra de Ellen White não consistia, primariamente, de predizer o futuro, ela fizera um número de predições que têm sido cumpridas de um modo memorável.
  1. O Teste dos Frutos – Mateus 7:20. O teste dos frutos leva tempo. Ellen White viveu e trabalhou por 70 anos sob os olhares críticos de milhões de pessoas, amplamente céticas, questionadoras, desconfiadas e, em alguns casos, hostis. Qualquer falha ou inconsistência era, e ainda é, exposta com grande satisfação por seus oponentes. Todavia, os frutos de sua vida e de sua obra atestam a sua sinceridade, o seu zelo e a sua piedade Cristã.

Enquanto falsos profetas possam passar por um ou dois destes testes, um verdadeiro profeta passará por todos eles. Ellen White, certamente, passou. A graciosa orientação divina mediante o dom profético de Ellen White deveria tornar-nos   mais conscientes da responsabilidade que nós, como a igreja remanescente, temos e impulsionar-nos a completar a obra a qual Deus tem nos dado.

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