Judeus e Cristãos: Uma Missão Impossível?


Tradução: Hugo Martins


O artigo “Judeus e Cristãos: Uma Missão Impossível?” (Original em inglês: Christians and Jews: Mission Impossible?), uma entrevista dada por Jacques Doukhan, fora publicado, inicialmente, em outubro de 1998 na revista Ministry,® International Journal for Pastors, www.MinistryMagazine.org.  Usado com permissão.


Nesta entrevista, Jacques Doukhan expõe informações importantes para os cristãos sobre como relacionar-se com o povo judeu.

John Graz: Você tem dedicado sua vida para um melhor entendimento entre judeus e cristãos. Esta não é uma “Missão Impossível”?

Jacques Doukhan: Sinto um fardo especial quanto as relações judaico-cristãs. É uma “Missão Impossível”? Eu não sei.

É certamente um desafio por muitos motivos: por causa da dolorosa e vergonhosa história entre eles; por causa de tantos preconceitos e de tanta ignorância; e o pior de tudo, por causa de tanta indiferença de ambos os lados. O fato de ter dedicado minha vida a esse esforço, no entanto, implica que eu acredito valer a pena. Há sempre a esperança de não ser uma “Missão Impossível”.

É, também, minha profunda convicção de que, em certa medida, a natureza e o destino tanto do judaísmo quanto do cristianismo dependem da qualidade do relacionamento entre eles. É significativo que ambos têm, muitas vezes, construído sua própria identidade em relação ao outro. Por meio deste relacionamento, judeus e cristãos podem, portanto, não apenas aprender a amar e respeitar um ao outro, mas, também, descobrir um do outro algo importante a respeito de sua própria identidade. Isto é importante não apenas por razões históricas e psicológicas, mas, também, pela questão mais vital: a salvação. Eu suponho que a principal razão para dedicar a minha vida a esta relação não é meramente teológica ou acadêmica. Para mim, é uma questão existencial. Eu tenho carregado a tensão judaico-cristã em minha vida.

JG: Você cresceu em uma família judia, mas você e seu pai aceitaram a Jesus como seu Messias. Isso significa que você experimentou, pessoalmente, em sua vida, as tensões entre estas duas fortes identidades. É possível ser judeu e cristão?

JD: Meu pai estava em sua jornada para se tornar um rabino quando uma série de circunstâncias dramáticas nos confrontaram com a possibilidade de Jesus ser o Messias judeu.

Para ele, e também para mim, esta descoberta foi traumática. Foi um choque para toda a nossa família e para a comunidade sefardita de nossa pequena cidade de Constantino (Argélia). Minha mãe nunca aderiu. Ela se opôs e pelejou contra arduamente. Muitos membros da família de ambos os lados intervieram. Vários amigos e os rabinos vieram e falaram conosco. Não foi uma escolha fácil. Meu pai batalhou muito, pois ele permaneceu fiel a sua identidade judaica. Ele ainda frequentava a sinagoga e observava as festas judaicas. Meu pai sempre se considerou um judeu.

É nesse contexto em que eu fui exposto à mensagem cristã. Foi por meio de meu pai, e com meu pai, através de seus questionamentos e sofrimentos que eu aprendi a descobrir a personagem de Jesus o Messias. Como meu pai, eu nunca rejeitei minhas raízes. Eu mergulhei a fundo na tradição judaica e meu pai insistiu em manter em mim a valores Judaicos, o estudo intenso das escrituras hebraicas, a importância da ética, a reverência para com o sábado, a afirmação da vida, etc. Como um garoto judeu, frequentei a escola hebraica a partir dos cinco anos de idade. Mas eu quis ir mais longe, então eu, extensivamente, estudei o idioma hebraico, os rabinos e, até mesmo, a moderna literatura hebraica na Universidade de Estrasburgo onde obtive um doutorado em estudos judaicos e hebraicos sob a orientação do filósofo judeu André Neher. Participei, até mesmo, de um yeshiva por vários anos. Eu queria aprender o máximo que pudesse a fim de assegurar que eu estava fazendo a escolha certa. No percurso desta jornada espiritual, eu não apenas aprendi com meu pai, mas compreendi, também, a paixão da batalha de minha mãe.

Então, para a sua pergunta, “É possível ser judeu e cristão?”, eu sou o primeiro a responder que sim. Lembre-se, os primeiros cristãos eram judeus, e para eles as duas identidades não eram mutuamente exclusivas. Jesus, Paulo, Pedro e João nunca rejeitaram suas raízes Judaicas. Considerando a profundidade da pergunta, a verdade, por assim dizer, é possível ser judeu e cristão. Pode, até mesmo, ser considerado um ativo valioso, entretanto difícil [de obter]. Há um provérbio ídiche, “Shwer zu sein hayid” (“é difícil ser judeu”), porém é mais difícil ser um judeu e um cristão [ao mesmo tempo]. E por ser difícil, e, de certo modo, insuportável, reconhecer e abraçar os valores e a verdade de um povo quando este passa a ser, também, o seu opressor.

JG: suponho eu que quando um judeu ouve a palavra de Jesus, ele não pensa na pessoa de Jesus, mas do que os “cristãos” têm feito: pogrons e campos de concentração. Em outras palavras, há qualquer esperança de reconciliação após Auschwitz?

JD: Você acabou de tocar no ponto mais sensível. Como o ex-presidente estadunidense Bill Clinton disse uma vez: “é difícil dissociar a mensagem do mensageiro.” Por causa da dolorosa e vergonhosa história que você evocou, o nome de Jesus tem estado associado na consciência judaica com a memória do massacre, da discriminação e da rejeição por 2.000 anos, o sistemático “ensino do desprezo”, tudo culminando no campo de Auschwitz. Muitos cristãos ainda não compreendem a natureza dessa conexão; e, conscientemente ou não, eles continuam a nutrir suas mentalidades com o velho ensino venenoso e pregando a maldição contra os judeus que são acusados do mais horrível crime da humanidade, o deicídio: o assassinato de Deus.

Enquanto isso, há teologia da substituição que nega aos judeus e a Israel o direito até mesmo de ser Israel, uma vez que o “verdadeiro Israel” é um outro povo. (Esta teoria tem sido denunciada como um “holocausto espiritual”.) Anda em conjunto com todos os tipos de ideias estranhas que os cristãos ainda mantêm sobre os judeus: o mito da conspiração judaica, a associação do povo judeu com o engano e o dinheiro, etc. Eu estou, aqui, referindo-me a velha besta chamada de “antissemitismo”.

Você me perguntou se há esperança de reconciliação após Auschwitz. Enquanto os cristãos, quem quer que sejam eles e a qualquer comunidade que eles pertençam, não compreenderem e reconhecerem sua responsabilidade após Auschwitz, enquanto ele ainda estiverem alimentando a fornalha e seguindo na mesma direção, enquanto eles mantiverem em seus corações ideias e sentimentos antissemitas, não há esperança de reconciliação. Com Auschwitz, a história judaico-cristã chegou a um caminho sem volta. Após Auschwitz, não é mais aceitável pensar, agir ou sentir de acordo com os elementos que produziram Auschwitz. Ter esperança em uma reconciliação após Auschwitz requer, então, ter esperança em uma “conversão” genuína por parte dos cristãos. Enquanto os cristãos não abandonarem este pecado do antissemitismo seriamente, enquanto eles não estiverem prontos para voltar atrás, arrepender-se e reconhecer as suas raízes judaicas, não há esperança de reconciliação. Como resultado, pode-se, até mesmo, dizer que não há esperança para qualquer outra reconciliação e eu quero, aqui, dizer, especialmente, a reconciliação cristã com o próprio Deus de Israel.

A relação entre as duas conexões é tal que um teólogo cristão chegou ao ponto de denunciar o antissemitismo como um pecado contra o Espírito Santo, isto é, um pecado imperdoável. Isto pode parecer exagerado para muitos que ainda não compreenderam a hedionda natureza deste pecado e suas implicações, e isso é simplesmente porque ficaram acostumados demais com ele.

JG: Em um de seus livros, você explica como é difícil para um judeu que crê em Jesus ser aceito como judeu pelos judeus. O que dizer dos cristãos? É fácil para um judeu se tornar um membro da família cristã? Você se sente bem-aceito entre nós?

JD: é verdade que nos últimos anos alguns judeus que se identificaram como cristãos tiveram sua aplicação para a cidadania israelense negada. Isto nem sempre é assim; e alguns especialistas em política pensam que esta lei pode mudar em um futuro próximo. Devo, também, acrescentar que, de acordo com a lei judaica (Halakhah), um judeu permanece judeu em qualquer situação, mesmo se ele se identifica como cristão. Ironicamente, os nazistas demonstraram a verdade desta observação. O antissemita Drummond costumava dizer: “Quando um judeu se torna cristão, temos um cristão a mais, mas não temos um judeu a menos.”

Até onde sei—e você me fez uma pergunta pessoal—devo dizer que, apesar da desaprovação deles, minha família e meus amigos judeus nunca me rejeitaram como um judeu. Eles me consideram como um rebelde, mas eles me respeitam, mesmo quando, às vezes, têm raiva de mim.

Quanto a minha integração na sociedade Cristã, isto é mais complexo. Eu nunca omiti minha identidade judaica; eu a tenho afirmado em minhas palestras, em meus escritos e em minhas conversações privadas. E ela é claramente perceptível em minha vida profissional: eu tenho escolhido lecionar hebraico e estudos judaicos; Estou envolvido no diálogo judaico-cristão e sou um membro da Sociedade de Estudos Judaicos. Eu sou o diretor do recém-criado Instituto de Estudos Judaico-Cristãos na Andrews University. Eu sou o editor de dois periódicos judaico-cristãos (Shabat Shalom e L’Olivier). Tudo isto testemunha fortemente da minha identidade judaica.

Ademais, o simples fato de fazer-me esta pergunto naqueles termos sugere que, de alguma forma, tenho permanecido como um estrangeiro. Então, minha resposta para a sua questão deve ser ambivalente. Sim, eu me sinto bem-aceito; sinto que sou um de vocês. Mas sendo um judeu em uma sociedade cristã, eu estou constantemente, em cada passo de minha vida, sendo lembrado do problema judaico-cristão: piadas “inocentes”, declarações teologicamente generalizadas, risadas provocadoras e, também, algumas experiências desagradáveis sempre tocando na mesma ferida. Mas eu tenho muitos bons amigos, e você é um deles, com os quais posso me sentir a vontade, em qualquer situação, e com os quais esta questão se torna irrelevante.

JG: As palestras públicas que você leciona ao redor do mundo são muito bem-sucedidas. 80% dos participantes são judeus. Como você pode explicar isso?

JD: Eu tenho lecionado no mundo todo, em muitas cidades na França, na Suíça, no Canadá, e, mais recentemente, na Austrália. Fico sempre impressionado com o grande interesse que muitos judeus, e cristãos também, têm, hoje em dia, nos temas que eu estou debatendo. É sempre difícil explicar o sucesso, especialmente se você estiver pessoalmente envolvido. Penso, no entanto (falando em termos humanos), que a presença de tantos judeus é, talvez, devido tanto ao meu contexto pessoal quanto acadêmico, a meus estudos em Jerusalém e a meus escritos. As pessoas ficam intrigadas.

Também é verdade que as minhas apresentações como um professor universitário propicia-me uma imagem mais neutra, e, por conseguinte, menos suspeita. Eu também acho que muitos judeus assistem minhas palestras precisamente por causa dos temas que escolho falar e porque eu estou discutindo questões que dizem respeito a eles, assim como a mim. E, ademais, em minhas palestras, não estou me dirigindo apenas a judeus, estou, também, falando aos cristãos. Por causa das questões estarem inter-relacionadas, tenho descoberto que o meio mais efetivo de me comunicar com este grupo é por meio da relação com o outro grupo.

Minhas palestras giram em torno da tensão judaico-cristã e eu confronto os dois lados. Falar somente aos judeus tornar-se-ia ofensivo e sempre suspeito. Ao mesmo tempo, este método não é uma estratégia adequada para atrair os judeus. Eu apresento minhas considerações e minha mensagem com honestidade e franqueza, mas, também, com paixão e convicção profundas. Faço, também, de tal modo, para que novas perspectivas e ideias sejam sugeridas. Embora mantenho o respeito com os pontos sensíveis religiosos e culturais, trago questões teológicas acaloradas tais como a Torah, o Sábado, o Messias, a condição das pessoas na morte, mas toco, também, que questões humanas tais como o antissemitismo, o Holocausto, Israel e o diálogo interconfessional.

Lembro-me que em uma de minhas palestras, uma estudante de doutorado de teologia católica romana viera até mim perplexa. Ela nunca ouviu sobre o que eu estava falando e queria ouvir mais. Recordo, também, de um jovem israelita que ficara pasmo com minhas explicações e pediu-me por alguma literatura que pudesse ajudá-lo entender mais profundamente. Houvera, certa vez, uma senhora judia polonesa, uma sobrevivente de Auschwitz, que derramou lágrimas e com quem eu tive uma longa conversa. Relembro, também, de uma senhora presbiteriana que ficara surpresa e “muito desapontada” que minhas palestras não foram amplamente divulgadas nas associações judaico-cristãs.

JG: Como a comunidade judaica costuma reagir a suas palestras?

JD: Devo dizer que a aceitação é ambivalente. Primeiramente, eles ficam desconfiados. Alguns furiosos. Mas após minha primeira palestra e conversas particulares, tenho descoberto que ele se tornam mais atentos e interessados. Em Marselha, fui convidado, até mesmo, a falar na rádio judaica. Eu não fui apenas entrevistado, mas meu livro fora, ali, divulgado e algumas de minhas palestras foram ao ar. Um rabino comprou vários vídeos de minhas palestras sobre “Sábado e Esperança”. Em Melbourne, fui entrevistado em uma estação israelita e pude falar em hebraico sobre os temas que estava palestrando. A entrevista fora transmitida pelo país onde muitos israelitas vivem.

JG: Diversas organizações cristãs estão tentando converter judeus. A reação dos judeus é muito forte contra isso. É possível compartilhar a esperança de Jesus sem ferir a sensibilidade deles?

JD: Hoje, após Holocausto e séculos de esforços cristãos para eliminar os judeus do cenário da história, qualquer tentativa aberta de “converter” o povo judeu desencadeará reações fortes. Cristãos que queiram compartilhar com os judeus “a esperança de Jesus” devem, portanto, primeiramente, perguntar a si próprios quais são seus motivos reais. Por que eles querem “converter” judeus? Pretendem eles transformá-los em sua imagem e, assim, erradicar a sua identidade judaica?

Então, para a sua difícil pergunta, respondo, simplesmente, sim; é possível para os cristãos compartilhar esta esperança com os judeus. Mas, como você mesmo diz, isso deve ser feito sem ameaçar a identidade judaica deles. A riqueza e a beleza da sua herança judaica devem ser respeitadas.

Outra questão, os cristãos devem, honestamente, perguntar a si próprios como relacionar o conteúdo desta esperança que estamos conversando. Estou, realmente, trazendo aos judeus algo que enriquecê-los-á ou empobrecê-los-á? Eles, verdadeiramente, preciso do que pretendo compartilhar com eles? Esta pergunta pode chocar alguns cristãos que dificilmente veem quaisquer outros valores e verdades fora do seu próprio conjunto de valores e hábitos de pensar. Esta questão é importante, no entanto, pois é uma forma de testar se temos ou não o direito de fazer tal abordagem. Por meio desta pergunta, o cristão é compelido a repensar, a testar suas convicções, estar certo de sua fé cristão não ser uma mera fachada de cultura; que é, de fato, uma experiência rica, vital e profunda que tem uma qualidade universal. Em outras palavras, a conversão do cristão é um pré-requisito para a conversão do judeu.

JG: Temos que nos tornar judeus para sermos aceitos pelos judeus?

JD: Não, não é isso o que eu quis dizer. Naturalmente, o apóstolo Paulo sugere a seguinte abordagem: “grego para com os gregos e judeu para com os judeus”. Mas, por assim dizer, ele não implica que temos de mudar a nossa identidade a fim de sermos capazes de alcançar os judeus. Um homem não precisa se tornar uma mulher a fim de ser capaz de alcançar mulheres e vice-versa. Os gregos sabiam que Paulo era judeu. Ele não podia esconder isso. Mas, pelo menos, ele poderia tentar falar a língua deles e compreender cultura deles e começar por aquele ponto, mesmo se isso significasse referir-se a um deus pagão, como foi o caso em Atenas. Porém, uma vez mais, ele não bancou o grego; ele não se disfarçou de nobre grego. Ele permaneceu um judeu e se dirigiu ao povo levando em consideração a cultura e o contexto social deles.

JG: Você está se referindo ao princípio “missiológico” de contextualização?

JD: Sim. Mas, frequentemente, faz-se confusão com este princípio: você não poder ser, naturalmente, o que você não é. Caso contrário, torna-se, muitas vezes, uma piada, uma piada de muito mal gosto e a mensagem, por conseguinte, não é transmitida; ou, se for, é recebida como uma farsa. Não será levada a sério. Tenho observado que, muito rapidamente, a brincadeira é desmascarada e o resultado é catastrófico. Assim, para os judeus, a pretensa audiência, esteja certo de que eles têm facilmente detectado o que é uma farsa. Ou sentir-se-ão ofendidos e furiosos ou rirão de você.

Esta atitude não tem nada a ver com o princípio da contextualização como entendido pelo apóstolo Paulo, para não mencionar o problema ético. Você não pode testemunhar da verdade enquanto não sendo verdadeiro. Este é o senso comum. Continue sendo você mesmo, mas, ao mesmo tempo, não os force a tornar-se uma duplicação mecânica sua. Respeite a diferença deles; deixe-os continuarem sendo judeus. A verdadeira comunicação, então, funcionará, e vocês serão capaz de ouvir e aprender um com o outro.

JG: O que pode ser feito para melhorar a conexão entre judeus e cristãos?

JD: Há muito a ser feito. E essa obra, é claro, diz respeito tanto a judeus quanto a cristãos. É por isso que temos o periódico Shabat Shalom. Título do periódico já é sugestivo do programa e da filosofia por detrás dele. Queremos promover um melhor entendimento entre nós e os judeus. Almeja a reconciliação judaica, Shalom, a paz. E enraíza este ideal na âncora comum do Sábado. Shabat Shalom é um periódico patrocinado pela Igreja Adventista do Sétimo dia. Judeus e adventistas do sétimo dia não estão cientes dos pontos em comum que eles compartilham uns com os outros. Além do Shabat (Sábado), há a visão holística da vida, as diretrizes alimentares, a importância das Escrituras, etc.

Judeus e adventistas do sétimo dia precisam saber mais um sobre o outro. Esta é a razão pela qual Shabat Shalom contém entrevistas com rabinos e personalidades judaicas famosas, tais como o agraciado com o Prêmio Nobel Elie Wiesel, assim como cristãos e, especialmente, personalidades Adventistas do sétimo dia como o Dr. B. B. Beach. Este periódico trata de vários temas, tais como “Sofrimento”, “Sábado”, “Lei”, “Esperança”, etc., a partir de uma perspectiva judaico-cristã. Não somente judeus, mas cristãos também, e especialmente os adventistas do sétimo dia, devem ler o jornal e, em seguida, compartilhá-lo com um amigo judeu ou cristão. Esta leitura ajudará a criar um cenário para uma discussão mais abrangente.

JG: Poderia sugerir algumas poucas medidas para nos ajudar nesta empreitada?

JD: Eu tenho pelo menos sete:

1. Trabalhe, seriamente, dentro de sua alma, de sua mente e sua boca para purificar-se de qualquer tipo de preconceito antissemita. Faça amizade com um judeu.

2. Criar oportunidades para uma interação. Organize eventos culturais de interesse judaico-cristão em ocasiões especiais, como um festival Judaico, uma sexta-feira à noite, um aniversário nacional (Dia do Holocausto). De tempo em tempos, frequente eventos organizados pela comunidade judaica. Seja membro de uma associação judaico-cristã.

3. Introduza, em sua liturgia, cânticos e, até mesmo, leituras de inspiração judaica. Esses, diversas vezes, aprimorará seu entendimento e a comunicação de sua verdade. Convide amigos judeus.

4. Evite o uso de imagens de jesus e de “cruzes”. Esses sinais são, frequentemente, interpretados pelos judeus como marcas de idolatria. Quanto à cruz, na mente judaica, ela está sempre associada com uma memória dolorosa de opressão. Tenha em mente que é a cruz memorando a crucificação que inspirou as Cruzadas (derivado da palavra cruz) e os pogrons. Além disso, o gosto cristão tradicional por “cruzes” pode sugerir uma preocupação mórbida com a morte que fere a sensibilidade judaica natural de afirmar o valor da vida.

5. Organize workshops em sua comunidade para criar uma “consciência judaica” (convide um especialista; ver nº 7).

6. Promova o Shabbat Shalom. Leia, deleite-se e compartilhe com seus amigos judeus e cristãos.

7. Contacte os serviços do recém-criado Instituto de Estudos Judaico-cristãos na Andrews University. Workshops, livros, panfletos e vídeos estarão disponíveis em breve.

JG: Dr. Doukhan, você acha que um dia um bom judeu será capaz de usar o nome de Jesus sem se sentir profundamente machucado?

JD: Definitivamente sim. E eu acredito que o dia já chegou. Naturalmente, eu sou um exemplo dentre muitos outros. Paradoxalmente, após o Holocausto e a criação do Estado de Israel, mais e mais judeus são capazes de dissociar Jesus do testemunho cristão ofensivo. É interessante que muito mais tem sido escrito a respeito de Jesus em hebraico nos últimos trinta anos do que nos dezoito séculos anteriores. Junto a cristãos que começam a reconsiderar suas raízes judaicas e aprendem a amar a lei do Deus de Israel, muitos Judeus começam a perceber que Jesus pertence à sua herança Judaica e, como tal, merece a atenção deles. Sim, eu acredito que não há razão para acreditar que nossa tarefa seja, de fato, uma “Missão Impossível”.

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