João Huss: Um Homem com Uma Missão

João Huss: Um Homem com Uma Missão


Michael W. Campbell leciona História da Igreja e Teologia Sistemática no Adventist International Institute of Advanced Studies nas Filipinas. Ele é um especialista em Estudos Adventistas. Algumas das classes que ele leciona incluem aquelas relacionadas à história, à teologia e ao estilo de vida da Igreja Adventista do Sétimo Dia, e, naturalmente, Ellen G. White. Ele é casado com Heidi, e o casal tem dois filhos. Eles amam viajar, observar os pássaros e ajudar os Aventureiros.


Tradução: Hugo Martins

O artigo “João Huss: Um Homem com Uma missão” (Original em inglês: Jan Hus: A Man on a Mission), por Michael W. Campbell, fora publicado, inicialmente, em novembro de 2015 na revista Ministry,® International Journal for Pastors, www.MinistryMagazine.org.  Usado com permissão.


Em 6 de julho de 1415, em Constança, Alemanha, a catedral estava cheia ao máximo. O clima estava pesado quando Jacob Balardi Arrigoni, bispo de Lodi, pregou sobre o texto “para que o corpo do pecado seja destruído” (Rm 6:6). Cardeais, repletos de mitras, sentaram-se em um semicírculo ao redor de um homem acorrentado, seu corpo definhava de fome depois de ter passado um ano na prisão. Santo Imperador Romano, Sigismundo, ocupava o trono régio. Na nave, uma variedade de vestes sacerdotais estavam postas sobre uma mesa.

Para o homem acorrentado, uma decisão esperava por ele: abjurar ou ir para a fogueira.

Além do que, a catedral era a fogueira esperando ser acesa.

Anos Primitivos

João Huss nasceu em 1370, em uma casa no campo, no sul da Boêmia (hoje uma parte da República Checa).­[1] Seu pai morreu quando Huss ainda era uma criança. Ele foi criado por sua mãe, que inculcou nele a piedade e o influenciou a entrar para o sacerdócio. Quando um estudante, ele, certa vez, usou o último dinheiro que dispunha para obter uma indulgência, um certificado assegurando o perdão dos pecados.

Para a maioria, sua vida prímeva era incomum com a exceção, talvez por sua fome por educação. Huss obteve um grau em mestrado em 1396 da Universidade de Praga e tornou-se muito melhor conhecido quando, em 1402, foi designado como pregador da Capela Belém em Praga, uma igreja fundada em 1391 para facilitar a pregação no vernáculo.

Dois fatores impactaram os cidadãos de Praga. Missionários valdenses primitivos fizeram circular cópias das Escrituras no vernáculo, e dois missionários andarilhos primitivos desenharam figuras contrastando entre a entrada humilde de Jesus em Jerusalém em uma mula e toda a pompa cercando uma comitiva papal.[2] Igualmente importante foram cópias dos escritos de um reformador inglês. “Wyclif, Wyclif,” destacou Huss em dos manuscritos prímevos, “você confundirá muitas pessoas.”[3] Huss equilibrava sua pregação com uma destacável carreira acadêmica, mas a vida para os cidadãos em Praga estava bem polarizada.

Cisma Papal

Debates sobre Wyclif foram ofuscados pelo Cisma Papal (1378–1417) quando papas rivais anatematizaram um ao outro. Embora Huss nunca desempenhasse um papel direto no conflito, dois homens próximos a ele tiveram um papel ativo, que, por sua vez, impactaram Huss.

O primeiro foi o Rei Václav IV (Wenceslaus), que era um governante fraco e impopular, com um temperamento ímpio, cercado de conselheiros incompetentes, um deles bêbado e duas vezes aprisionado.[4] Seu reino (1378–1419) espirava gradualmente em declínio com a exceção de sua segunda esposa, Žofie, que deu a seu marido, na ocasião de seu casamento, um vagão cheio de malabaristas e ilusionistas. Rainha Žofie escolheu Huss como seu confessor, assistia seus sermões na Capela Belém, e usava de sua influência para avançar a reforma e proteger Huss.

A segunda pessoa a influenciar Huss foi Zbyněk, que, em 1402, na idade de 25 anos, venceu outros adversários para obter o arcebispado de Praga por 2800 guldens. Entretanto, como um piedoso militar, ainda lhe faltava instrução teológica e era, portanto, inapto à administração eclesiástica. Os escritos de Wyclif foram declarados heréticos antes que ele tomasse posse. Conforme o Cisma Papal se arrastava, o interesse sobre heresia na Boêmia crescia como um grande preocupação do papado.

Václav, por sua vez, esperava que se ele apoiasse o pretendente papa certo, ele poderia reconquistar o título de Santo Imperador Romano, um título perdido em 1400. Em 1409, ele deixou de apoiar o papa romano, Gregório XII, para apoiar o mais novo eleito papa de Pisa, Alexandre V. A missão de Zbyněk era simples: eliminar a heresia e ajudar Václav a reconquistar seu título, mas, depois que o rei mudou de aliado papal, Zbyněk se recusou a reconhecer Alexandre V.

Huss era um pregador carismático e poderoso. Conforme a batalha acirrada se seguia, ele condenava a corrupção papal. Em 1405, ele denunciou supostas aparições do sangue de Cristo durante a Comunhão como fazendo parte de uma série de boatos intencionais. Huss ridicularizava o poder que os próprios sacerdotes clamavam ter. Ele não se acovardava para enfrentar abusos. “Esses sacerdotes merecem ser lançados no inferno,” advertia ele, porque eles eram “fornicadores, parasitas, avarentos e carnes de porco. Eles são beberrões cujas barrigas rosnam com grande bebedeira e são glutões cujos estômagos estão cheios até que seus queixos duplos estivem caídos.” Naturalmente, a simonia (a compra e a venda de privilégios eclesiásticos) era a pior heresia, afirmava ele, e um pecado contra o Espírito Santo.[5] No processo, Huss voltava-se para a Bíblia como o referencial para todos os aspectos da doutrina e estilo de vida cristãos.

Huss usava o termo “as gorduras do Senhor” para denunciar a simonia e a prática de comprar ofícios espirituais. Sua denúncia inequívoca colocou ele em maus lençóis com seu próprio bispo, Zbyněk, que era acusado de comprar o arcebispado. Huss estava, também, em maus lençóis com muitos de seus congêneres clericais que coletavam taxas antes de administrar os sacramentos. Alguns clérigos compravam, até mesmo, múltiplas posições eclesiásticas sem jamais terem servido ao povo. Pior de tudo, as Escrituras estavam ofuscadas pela tradição da igreja.

Huss confrontou o arcebispado: “Com é que fornicadores e, semelhantemente, outros sacerdotes criminosos andam livremente . . . enquanto sacerdotes humildes . . . são enjaulados como hereges e sofrem exílio pela proclamação do evangelho?”­[6]

Tal confrontação direta fez Zbyněk se tornar o seu pior inimigo. Zbyněk enviava, frequentemente, espias para ouvir os sermões de Huss. Certa vez, Huss abordou um espia do púlpito: “Hey, você no banco, anote isto, sua cobra, e vá para longe daqui,” ele disse quem era o infiltrante quando ele apontou em direção à residência arquiepiscopal.[7] Huss foi posteriormente citado diante de uma inquirição, mas, com sucessos, se defendeu com apoio popular da rainha e do público.

Zbyněk reclamou, agora, ao Papa Alexandre V, que promulgou uma bula papal ordenando uma investigação sobre heresia e demandando que a pregação das Escrituras em capelas privadas parassem imediatamente. Huss discursou publicamente contra a bula, o que provocou ainda mais hostilidade de Zbyněk. Em reação, em 16 de julho de 1410, mais de 200 obras de Wyclif foram incineradas.­

Chamo de uma atitude pobre,” respondeu Huss. “Tais fogueiras jamais removeram um pecado dos corações dos homens. O fogo não consome a verdade. É sempre a marca de uma mente pequena que assopra sua fúria em objetos inanimados. Os livros que foram queimados são uma perda para o povo inteiro.”[8]

O rei e o arcebispo aumentaram o cerco, o que culminou em um decreto de excomunhão contra Huss em fevereiro de 1411. Por fim, Zbyněk foi forçado a recuar e retirar todas as acusações sobre Huss. No processo que era supostamente para vindicar Huss, o arcebispo mudou, estrategicamente, a declaração pública final para a cidade de Bolonha. O rei, temendo ser uma armadilha, impediu Huss de ir. “Se alguém quiser acusá-lo de qualquer crime, que o faça, aqui, em nosso reino. . . . [N]ão parece correto entregar este útil pregador à discriminação de seus inimigos.”[9] Parece que, de forma semelhante, a Rainha Žofie preparou a medida protetiva de Václav.

Indulgências

A política na Itália se viu em uma nova onda de indulgências. Em 1412, o Papa João XXIII (um dos três papas que emergiram durante o Cisma Papal) proclamou uma cruzada contra o rei de Nápoles, que tinha se apoderado de Roma. Para arrecadar fundos para esta nova empreitada, o papa começou uma venda em larga escala de indulgências. A receita arrecadada na Boemia seria dividida com o rei, mesmo quando Václav evitou lucrar com a empreitada. Praga tornou-se, rapidamente, um centro de indulgências.

Huss, uma vez mais, foi um arauto, usando as Escrituras para condenar essas indulgências. Huss ficou incrédulo que uma guerra santa fora planejada intencionando assegurar o poder do papado. Agora, Huss foi convocado para comparecer diante do mais novo arcebispo de Praga eleito, Albík. “Mesmo que o fogo para queimar meu corpo fosse posto diante de meu olhos,” declarou desafiadoramente, “Eu não obedeceria.”[10] O rei ordenou Huss a submeter-se a autoridade eclesiástica.

Huss tinha, até agora, tentado reformar a igreja por dentro. Mas agora, tudo tinha mudado. “Em curtas palavras, a instituição papal é cheia de veneno, o anticristo em si, o homem do pecado, o líder do exército do Demônio, um braço de Lúcifer, o pároco chefe do demônio, um simples idiota que poderia ser um demônio amaldiçoado no inferno, e um ídolo mais horrível do que uma tora pintada.”[11]

Protestos tornaram-se tensos em Praga. A pregação de Huss acendeu o povo. Três protestantes foram degolados, tornando os primeiros mártires hussitas. A situação inteira foi um embaraço para Rei Václav, que denunciou a Huss como um agitador. Até mesmo a Rainha Žofie foi incapaz de amenizar. As condições para a reconciliação eram simples: Huss devia concordar que o papa é a cabeça da igreja e deve ser obedecido. Huss se recusou a se conciliar e foi excomungado pela quarta vez. Praga foi posta sob interdito (nenhuma ordenança ou serviços da igreja poderiam tomar lugar), e, em 15 de outubro de 1412, Huss foi para o exílio voluntariamente. “Eu sou um fugitivo,” destacou para um amigo.[12]

O Concílio

Posteriormente, em 1414, o Papa João XXIII convocou um concílio em Constança com dois propósitos: acabar com o Cisma Papal e erradicar a heresia. Huss aceitou um convite para participar do concílio. Em 11 de outubro de 1414, ele fez sua vontade e partiu, cavalgando em seu cavalo Rabštýn. Amigos lhe tinham avisado que isso era uma armadilha, mas o Imperador Sigismundo, meio-irmão de Václav, prometeu-lhe um salvo-conduto. Nesse meio tempo, um arauto anunciou que havia um homem perigoso acorrentado a um vagão que poderia ler mentes. A publicidade criou oportunidades para Huss de compartilhar a sua fé. Em cada pousada que ele ficava, ele deixava uma cópia impressa dos Dez Mandamentos.­[13]

Quando Huss logo chegou em Constança, o local do concílio, em uma de suas mais antigas cartas ainda existentes, ele enfatizou o alto custo da comida.[14] Isto pode ter, ao menos parcialmente, refletido em sua preocupação com dinheiro porque ele pegou emprestado fundos para pagar pela viagem. Durante este período prímevo, suas cartas para seus amigos são um tanto divertidas. Ele gostava de fazer piadas com o seu nome “Hus” (que significa “ganso”), destacando que “o ganso ainda não está cozido e não teme ser cozido.”[15] Em uma semana ele foi preso.

Agora, com Huss posto em uma escura e pútrida prisão dominicana, ele ficou doente. Em algumas de suas cartas, ele pedia por roupas quentes e comida. Huss estava começando a passar fome e teria morrido doente se não fosse um médico papal realocá-lo em alojamentos melhores. Quando ele se recuperou, ele pediu por uma Bíblia diversas vezes para seus amigos. Seu coração ansiava estudar as Escrituras. Doloroso para Huss era o fato de que ele estava privado da Comunhão.[16] Huss reconheceu quão grave sua situação era, advertindo amigos a não abrirem suas cartas até que eles estivessem certos de sua morte.[17]

Huss orava a Deus para dar-lhe forças para permanecer fiel a Cristo e às Escrituras, e apesar de qualquer julgamento que o concílio pudesse determinar, ele regularmente destacava que todos os humanos devem responder diante do juízo divino de Deus.[18] Conforme o concílio prosseguia, pode-se perceber que umas das contribuições teológicas mais profundas que prepararam o caminho para a Reforma Protestante um século depois: ele afirmava que era Cristo, não o papa, que permanecia como a verdadeira cabeça da igreja.[19] Um estudo exaustivo das Escrituras finalmente o levou a condenar a igreja que ele inicialmente esperava reformar. Ele reconheceu que nem todo crente era por direito um membro da Igreja Católica. De fato, uma pessoa deve ser “da igreja” ou um membro genuíno da igreja de Cristo, mesmo que não seja uma parte da Igreja de Cristo. Huss amadureceu sua compreensão da igreja. Ele desenvolveu, portanto, uma eclesiologia distintiva aparte de Roma e pavimentou o caminho para Reforma Protestante.­­­[20]

Uma vez que Huss fazia esta distinção entre a igreja romana e Cristo, não era muito difícil ver que mortais, incluindo papas e concílios, podem errar. Huss defendia a autoridade bíblica. As Escrituram deveriam e devem reinar supremamente sobre toda autoridade humana. “Por esta verdade [de fé], em razão de sua certeza, um homem deve arriscar as sua vida. E, desse modo, um homem não está restrito a crer que nos dizeres dos santos que estão distantes das Escrituras; nem deveria ele crer em bulas papais, a não ser quando o que elas dizem esteja, simplesmente, fundamentado nas Escrituras.”­­[21]

Juntas, a visão da igreja por Huss combinada com sua compreensão acerca da autoridade suprema das Escrituras, representavam uma reprimenda mordaz à igreja romana e à sua hierarquia. A vida de Huss demonstra a progressão gradual de um homem que descobriu a sua missão. Ele acreditava que toda a autoridade deveria repousar tão somente na Bíblia. Nesse sentido, “Huss não era um teólogo original.”­[22] Em vez disso, sua habilidade cai em tomar as ideias de Wyclif como uma rejeição radical de um sistema de poder defeituoso que tinha se desenvolvido dentro da igreja. Desse modo, Huss serviu quase como um “ensaio geral” para reformadores posteriores, especialmente Martinho Lutero, que fazia, frequentemente, referência a Huss.[23]

O Ganso Cozido

Conforme o Concílio de Constança continuava com seus procederes, Huss tentou, inicialmente, refutar acusações e se defender, mas ele era, sistematicamente, calado por padres do concílio que o denunciaram como arrogante ou teimoso. Um deles, um bispo polonês, gritava: “não o permita se retratar; mesmo que ele se retrate, não será por muito tempo.”­[24]

A sessão final ocorreu em 6 de julho. Trinta acusações foram apresentadas contra o herético réu. Algumas eram simplesmente bizarras—insinuaram, até mesmo, que Huss acreditava ser o quarto membro da Divindade. Huss, naturalmente, rejeitava tais acusações grotescas, mas ele era incapaz de defender a si mesmo. Por fim, Pierre d’Ailly, o cardeal que presidia, deu a Huss uma última oportunidade. Huss respondeu pedindo a eles para provar seus erros da Bíblia. Os bispos o acusaram de ser “obstinado em heresia.”­[25] Do início ao fim, Huss manteve sua crença fundamental na primazia das Escrituras.

A Huss, agora, fora ordenado a ficar em silêncio. Ele dobrou seus joelhos no chão de pedra. Seus livros foram condenados a fogueira. Huss orou alto a Cristo para perdoar seus juízes e acusadores. Uma última vez, o concílio ofereceu: “Retratar-se ou morrer.”

O Bispo de Lodi, depois, pregou seu sermão acerca de destruir o corpo do pecado, seguido de sete bispos que colocaram vestimentas sacerdotais sobre Huss. Ele foi destituído. Por sua vez, cada bispo rasgou as vestimentas de seu corpo dizendo: “Oh amaldiçoado Judas . . . tomamos de você o cálice da redenção.” Eles concluíram, finalmente, com as palavras: “Nós entregamos tua alma ao Demônio.” Coroado com uma mitra de papal com a inscrição “Este é Um Heresiarca”, ele fora, então, levado pelas ruas de Constança ao local da morte. Huss foi amarrado na fogueira com corrente fuliginosa e madeira pilhada até o seu queixo.

Huss proferiu suas últimas palavras: “Deus é minha testemunha que . . . a intenção principal de minha pregação, e de todos os meus outros atos ou escritos, era, tão somente, que eu pudesse converter os homens de seus pecados. E nessa verdade do Evangelho que eu escrevi, ensinei e preguei de acordo com com os dizeres e as exposições dos santos doutores, eu estou desejando, alegremente, morrer hoje.” Conforme as chamas e a fumaça se levantavam, sua voz podia ser ouvida cantando: “ Jesus, filho do Deus vivente, tenha misericórdia de mim.”[26] Por último, o ganso foi cozido.

Uma Missão em Prol das Escrituras

Durante toda a sua vida, Huss desenvolveu uma teologia do sofrimento. Ele era intensamente leal à igreja, o que é bastante irônico desde que fora a igreja que o condenara a morte. “Ele ligou sua consciência à verdade e se recusou a se desviar do caminho da verdade, sem se importar com o custo ou a consequência, sem se importar com a segurança pessoal ou com o destino final.”[27] Para Huss, as Escrituras eram a fonte de toda a verdade acerca de Jesus Cristo. E como um homem com uma missão, ele exaltou a Jesus Cristo que sofreu por ele como seu modelo verdadeiro. De fato, era algo pequeno e um privilégio sofrer por Cristo. “Não tema morrer por Cristo se você almeja viver com Cristo,” ele admoestou a um sacerdote.[28] Como um homem com uma missão, isso significou que ele permanecia ao lado da verdade, não importava as consequências.

Nas semanas e nos dias finais que resultaram em sua morte, Huss foi atormentado por uma série de sonhos. Em alguns deles, ele era caçado por presságios e pensamentos obscuros. Em um desses sonhos, ele viu um grupo de pintores que vieram e destruíram os muros de sua amada Capela Belém onde havia cenas bíblicas pintadas. Quando os vândalos destruíram a obra de arte, ele viu um outro grupo de pintores que repintaram as cenas em cores ainda mais vívidas.[29] Ele acreditava, do início ao fim, que se ele fizesse a vontade de Deus, Ele poderia poupar a sua vida assim como ele tinha feito com muitos outros indivíduos na história da salvação. Ademais, ele sabia, também, que possivelmente Deus tinha um propósito em tomar a sua vida. Durante a sua execução, registraram ele dizer: “Agora, vocês estão queimando um ganso, mas, em um século, você terão um cisne que vocês não poderão nem assar nem cozinhar.”[30]

Ele deu origem a um movimento. Ele rejeitava qualquer doutrina ou prática não encontrada na Bíblia. Similarmente, ele denunciou o abuso de poder dentro da igreja. Sua insistência teimosa na primazia das Escrituras fez um visitante papal rotulá-lo como o o mais perigoso herege desde que Cristo veio a esta terra![31] Huss coloca a autoridade da Bíblia acima da igreja. Portanto, talvez, o maior tributo a este homem com uma missão foi a tradução da Bíblia em tcheco, a Bíblia Kralice, que é usada, ainda, hoje.


Notas
[1] Algumas da informações biográficas básicas são construídas de Thomas A. Fudge, The Memory and Motivation of Jan Hus, Medieval Priest and Martyr (Turnhout, Belgium: Brepols Publishers, 2013); The Trial of Jan Hus: Medieval Heresy and Criminal Procedure (New York: Oxford University Press, 2013); Jan Hus: Religious Reform and Social Revolution in Bohemia (London: I. B. Tauris, 2010).
[2] Ver Ellen G. White, O Grande Conflito. White baseou seu relato de Huss nos historiadores do século 19 J. H. Merle d’Aubigné and J. A. Wylie.
[3] Thomas A. Fudge, “To Build a Fire,” Christian History 68, no. 4 (2000): 10–18.
[4] Jonathan Hill, The History of Christian Thought: The Fascinating Story of the Great Christian Thinkers and How They Helped Shape the World as We Know It Today (Downers Grove, IL: IVP Academic, 2003), p. 172.
[5] The Letters of John Hus, trad. Matthew Spinka (Manchester: Manchester University Press, 1972), pp. 5–6.
[6] João Huss ao Arcebispo Zbyněk, 6 de julho de 1408, em The Letters of John Hus, p. 22.
[7] Citado por Fudge, “To Build a Fire.”
[8] Ibid.
[9] Ibid.
[10]Ibid.
[11]Ibid.
[12] The Letters of John Hus, p. 92.
[13] Ibid., pp. 126–132.
[14] Ibid., p. 130.
[15] Citado por Fudge, “To Build a Fire.”
[16] Ver The Letters of John Hus, pp. 135, 153–55.
[17] Ibid., p. 121.
[18] Ibid., p. 148.
[19] Cp. The Letters of John Hus, pp. 96–101. Para um análise exaustiva da eclesiologia de Huss, ver Matthew Spinka, John Hus’ Concept of the Church (Princeton, NJ: Princeton University Press, 1966).
[20] Gregg R. Allison, Historical Theology: An Introduction to Christian Doctrine (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2011), pp. 576–577.
[21] John Hus, De Ecclesia, tr. David S. Schaff (New York: Scribner’s, 1915), citado por Allison, Historical Theology, p. 84.
[22] Hill, The History of Christian Thought, p. 175.
[23] Ibid., p. 176.
[24] Citado por Fudge, “To Build a Fire.”
[25] Ibid.
[27] Fudge, The Memory and Motivation of Jan Hus, p. 247.
[28] The Letters of John Hus, p. 170.
[29] Ibid., p. 149.
[30] Hill, The History of Christian Thought, p. 176.
[31] The Letters of John Hus, p. 161.

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