As Contribuições de Ellen G. White para A Igreja Adventista do Sétimo Dia

As Contribuições de Ellen G. White para A Igreja Adventista do Sétimo Dia


Gerhard Pfandl serviu como Pastor na Áustria e na Associação Californiana. De 1977 a 1989 foi Professor de Religião no Seminário Bogenhofen na Áustria. Antes de juntar-se ao quadro do Biblical Research Institute em 1999, serviu por sete anos como Secretário de Campo na Divisão Pacífico Sul em Sidney na Austrália. Pfandl publicou mais de 120 artigos acadêmicos e populares em Alemão e Inglês e é o autor de diversas Lições da Escola Sabatina e de livros como The Time of the End in the Book of Daniel e Daniel: The Seer of Babylon.


Tradução: Hugo Martins

O artigo “As Contribuições de Ellen G. White para A Igreja Adventista do Sétimo Dia” (Original em inglês: Ellen G. White’s contributions to the Seventh-day Adventist Church), por Gerhard Pfandl, fora publicado, inicialmente, em junho de 2016 na revista Ministry,® International Journal for Pastors, www.MinistryMagazine.org.  Usado com permissão.


As contribuições de Ellen G. White para a Igreja Adventista do Sétimo Dia têm sido imensuráveis em muitas áreas e durante a história da igreja, mas, particularmente, durante os anos prímevos. As seguintes contribuições estão entre as mais importantes.

Organização da Igreja

Durante os primeiros 20 anos de nossa igreja, não havia organização eclesiástica porque os mileritas e os primeiros adventistas eram contra qualquer organização eclesiástica. Eles consideravam todas as igrejas organizadas como pertencentes à Babilônia. Desde que não havia ministério remunerado, nossos pioneiros trabalhavam em diversos labores para se sustentarem. Tiago White, por exemplo, aparava grama, cortava madeira e trabalhou na construção de uma estrada de ferro para sustentar sua família. Ademais, qualquer um podia pregar, se se sentisse chamado; consequentemente, heresias proliferavam.

Também, os primeiros imóveis estavam em nomes de pessoas físicas. A questão da propriedade legalizada impulsionou, finalmente, a igreja em direção a uma organização formal. Em 1853, Tiago White admoestava os crentes a se organizarem, mas a resistência à organização era forte. Um ano depois, Ellen White escreveu: “O Senhor tem mostrado que a ordem evangélica tem sido demasiado receada e negligenciada. A formalidade deve ser banida, mas por fazê-lo não deve ser a ordem negligenciada. Há ordem no céu. Havia ordem na igreja quando Cristo esteve na Terra. . . .

“. . . De novo foi-me mostrado o perigo desses viajantes a quem Deus não chamou. . . .

“Vi que esta porta pela qual o inimigo entra para perturbar e levar à perplexidade o rebanho, pode ser fechada. Indaguei do anjo como poderia ser ela fechada. Disse ele: ‘A igreja precisa acorrer para a Palavra de Deus e estabelecer-se na ordem evangélica que tem sido subestimada e negligenciada.’”[1]

Mais seis anos se passaram antes que as primeiras igrejas fossem organizadas, em 1860, em Michigan. Um ano depois, a Associação de Michigan foi organizada, e, em 1863, a Conferência Geral. Nessa época, o total de membros girava em torno de 3500 crentes batizados. Hoje, a igreja tem mais de 18 milhões de membros em mais de 75 mil igrejas.

Publicações

Em 1848, Ellen White teve uma visão na casa de Otis Nichol em Dorchester, Massachusetts. Quando a visão terminou, ela disse ao seu marido, Tiago, “Tenho uma mensagem para ti. Deves começar a publicar um pequeno jornal e mandá-lo ao povo. Seja pequeno a princípio; mas, lendo-o o povo, mandar-te-ão meios com que imprimi-lo, e alcançará bom êxito desde o princípio. Desde este pequeno começo foi-me mostrado assemelhar-se a torrentes de luz que circundavam o mundo.”[2]

“Torrentes de luz que circundavam o mundo”! Como assim? Jesus estava voltando brevemente. Eles eram poucos em número. Não tinham membros abastados e nem grandes eruditos entre eles. O mundo estava incrédulo. E, ainda, aqui era uma jovem mulher que predisse que uma obra de publicações começaria pelos escritos de seu esposo e cresceria até alcançar o globo. Mais de seis meses se passaram antes que Tiago White pudesse até mesmo começar do zero; ele providenciou a impressão de mil cópias de um texto de oito páginas com dinheiro emprestado. Hoje, a igreja tem 63 casas publicadoras que produzem livros e revistas em mais de 360 línguas.

Reforma de Saúde e Obra Médico-Missionária

Nossos pioneiros, durante os primeiros 20 anos de nossa história, eram tudo, menos reformadores da saúde, exceto José Bates. Durante as Conferências Sabáticas de 1848, eles sentavam-se juntos para fumar seus cachimbos. Nesse ano, foi mostrado a Ellen White que o tabaco, o chá e café são prejudiciais, mas levou muitos anos para convencer os membros a dispensar o uso de tais substâncias prejudiciais.

Então, em 6 de junho de 1863, Ellen White teve uma visão de 45 minutos na qual a necessidade pela reforma de saúde fora mostrada: “Vi que era um dever sagrado zelar de nossa saúde, e despertar outros para seu dever. . . . Temos, porém, o dever de falar e de batalhar contra a intemperança de toda espécie — intemperança no trabalho, no comer, no beber . . .indicando-lhes então o grande remédio de Deus: água, água pura, para doenças, para a saúde, para limpeza e como regalo. . . .

“Vi que não devemos calar-nos a respeito do assunto da saúde, mas despertar as mentes para ele.”[3]

Dois anos depois, em 25 de dezembro de 1865, Ellen White teve uma visão em Rochester, Nova York, na qual foi a ela mostrado que a igreja deveria “providenciar um lar para os aflitos e aqueles que desejam aprender a cuidar de seu corpo, visando prevenir doenças. . . .

“Nosso povo deve ter uma instituição própria e sob seu controle, para benefício dos doentes e sofredores entre nós, os quais desejam saúde e vigor para poderem glorificar a Deus em seu corpo e espírito, os quais Lhe pertencem.”[4] Como resultado, um ano depois, em setembro de 1866 o Western Health Reform Institute [Instituto de Reforma de Saúde do Oeste], em Battle Creek, foi inaugurado. Hoje, a igreja cuida de 175 hospitais e sanatórios e 270 clínicas e ambulatórios ao redor do mundo.

Educação

Em 1872, Ellen White recebeu uma visão sobre princípios apropriados de educação. Pouco tempo depois, ela escreveu 30 páginas sobre o que lhe tinha sido revelado. “Necessitamos de uma escola na qual aqueles que entram no ministério pastoral possam pelo menos receber instrução nos ramos comuns de educação, e onde aprendam também com mais perfeição as verdades da Palavra de Deus para este tempo.”[5]

Em 24 de agosto de 1874, o Battle Creek College abriu as suas portas. Hoje, temos mais de 7000 escolas secundárias e primárias e mais de 100 faculdades e universidades. Adventistas do sétimo dia têm a maior rede educacional protestante no mundo. Por quê? Porque nossos pioneiros levaram muito a sério o que Deus dissera a eles por meio da profetiza da igreja remanescente.

Missão

Nas primeiras décadas de nossa história, eles acreditavam que a igreja estava cumprindo a ordem divina de ensinar a todas as nações pregando aos imigrantes na América do Norte. Uriah Smith escreveu em 1859: “não temos conhecimento que a Mensagem do Terceiro [Anjo] esteja, atualmente, sendo proclamada em qualquer país além do nosso. . . . Nossa pátria é composta por pessoas de quase todas as nações.”[6] Para alcançar essas nações nos Estados Unidos, publicações foram preparadas em diversas línguas.

Quando em 1864, M. B. Czechowski voluntariou-se para ir como missionário para a Europa, seu pedido foi rejeitado. Ele dirigiu-se aos Adventistas do Primeiro dia, e eles o enviaram para a Europa, onde ele pregou as mensagens dos três anjos e organizou grupos adventistas do sétimo dia. Enquanto isso, Ellen White educava a igreja sobre sua responsabilidade em escala mundial. Em 1871, ela escreveu: “Muito pode ser feito por meio do prelo, porém, mais ainda se poderá cumprir se a influência do trabalho dos pregadores vivos acompanhar as nossas publicações. . . .

“Quando as igrejas virem jovens zelosos e capazes para estender seus trabalhos às cidades e aldeias que nunca ouviram a verdade, e missionários prontificando-se para ir levar a verdade a outras nações, elas se animarão e se fortalecerão . . .”[7]

E, em 1874, ela teve um sonho extraordinário de dar a mensagem do terceiro anjo ao mundo. No nosso fora a ela revelado: “Estais alimentando ideias muito acanhadas quanto à obra para este tempo. Estais procurando planejar a obra de modo que possais abrangê-la em vossos braços. Deveis considerar perspectivas mais vastas. Vossa luz não deve ser posta sob o alqueire, nem debaixo da cama, mas no velador, para que alumie todos os que estão na casa. Vossa casa é o mundo. Vossa casa é o mundo. . . .

“. . . A mensagem irá com poder a todas as partes do mundo, ao Oregon, à Europa, à Austrália, às ilhas do mar, a todas as nações, línguas e povos.

. . . vossa fé é acanhada, muito pequena. Vossa concepção da obra necessita ser grandemente aumentada.”[8]

Em 1874, John N. Andrews tornou-se o primeiro missionário adventista do sétimo dia oficial. Ele e seus filhos foram para a Suíça, e, três anos depois, a família de John G. Matteson foi enviada para a Escandinávia. Por volta de 1890, missionários adventistas estavam trabalhando em 18 países.

Hoje, dos 238 países no mundo reconhecidos pelas Nações Unidas, os adventistas do sétimo dia têm uma obra estabelecida em 216.

Teologia

Mais de uma vez o conselho de Ellen White impediu a igreja de cometer sérios erros teológicos. Por exemplo, nos anos 1890 e no início do século vinte, o Dr. John Harvey Kellogg, diretor do Sanatório de Battle Creek, tentou introduzir o panteísmo na igreja. Em 1903, ele e seus seguidores, Dr. E. J. Waggoner, Elder A. T. Jones e Dr. David Paulson, chegaram a Washington para convencer o Concílio de Outono do Comitê da Conferência Geral a aceitar o livro de Kellogg, The Living Temple [O Templo Vivo], que tinha sido rejeitado anteriormente em razão de seu conteúdo panteísta.

Embora este item não estivesse incluído na pauta: “a atividade regular foi deixada de lado e um foi dado para tratar da filosofia panteísta.

. . . Durante o dia todo [os delegados] debateram sobre o assunto. . . . Cerca de nove horas da noite, o Ancião [A. G.] Daniells [o presidente da Conferência Geral, que se opunha ao livro] considerou que era hora interromper a reunião, mas ele não ousou trazer em votação. As pessoas estavam muito confusas e incertas, e eles não desejava dar um passo que solidificasse quaisquer conclusões. Ele encerrou, então, a reunião, e as pessoas de dirigiram aos seus alojamentos.

Dr. Paulson, que era um forte apoiador do Dr. Kellogg, juntou-se a Daniells. Enquanto os dois caminhavam juntos, eles continuavam a discussão do dia. Chegando ao local onde Daniells estava se hospedando, ficaram sob um poste de luz e conversaram por um tempo. Finalmente, Dr. Paulson apontou seu dedo em Daniells e declarou:

“Você está cometendo o maior erro de sua vida. Depois de todo este tumulto, em algum desses dias você acordará e se verá envolto em um mar de lama, e um outro estará tomando a dianteira.’ . . .

O Pastor Daniells esqueceu de seu cansaço e desânimo e respondeu com firmeza: ‘Eu não acredito em sua profecia. Em todo caso, preferiria estar envolto em uma mar de lama fazendo o que acredito em minha alma ser o correto do que andar com príncipes, fazendo o que minha consciência me diz ser errado.’ . . .

Depois de partir, Daniells entrou na hospedagem, onde ele viu . . . ‘duas mensagens da Senhora White [esperando por ele]. ‘. . . Ninguém é capaz de imaginar,’ contou Daniells, ‘o ímpeto com o qual eu li os documentos que chegaram do correio enquanto nós estávamos em meio às nossas discussões. Era o mais positivo testemunho em relação aos perigosos erros que eram ensinados em The Living Temple.’ . . . A mensagem viera no momento mais crítico. Conforme ele lia, seus olhos se debruçavam sobre aquelas palavras:

“Tenho algumas coisas a dizer aos nossos ensinadores em referência ao novo livro The Living Temple. Sejam cuidadosos em como vocês defendam a ideia desse livro no que diz respeito à personalidade de Deus. Quando o Senhor apresentava o assunto diante de mim, essas ideias não tinham a aprovação de Deus. Elas são uma armadilha que o inimigo tem preparado para esses últimos dias. . . .

“Nas visões noturnas, esse assunto foi, claramente, apresentado a mim diante de uma multidão. Um dos líderes estava discursando. . . . O orador segura The Living Temple dizendo: “Neste livro há afirmações que o próprio escritor não compreende.” . . .

Em um outro documento recebido da Irmã White direcionado aos ‘Líderes em Nossa Obra Médico-Missionária’ . . . ele leu:

“Após tomar, finalmente, sua decisão, sábia e cautelosamente, não faça qualquer concessão em qualquer ponto concernente ao que Deus tem claramente falado. Seja tão calmo quanto uma tarde de verão, mas tão firme quanto as rochas eternas.”[9]

Na manhã seguinte, os líderes da igreja reuniram-se para o concílio. Após a oração, o Pastor Daniells levantou-se disse aos irmãos que ele tinha recebido duas importantes mensagens da Irmã White. Todos ficaram ansiosos para ouvi-las. Ele sentou-se silenciosamente enquanto ele lia. Conforme palavra por palavra expondo a falsidade dos ensinamentos de The Living Temple era apresentada aos presentes, muitos améns em alta voz eram ouvidos e lágrimas escorriam abundantemente. Foi nesse momento em que a sorte mudou” e o panteísmo foi rejeitado.

Quando o Pastor Daniells enviou uma carta de agradecimento a Ellen White contando os eventos do dia, ele recebeu uma carta em resposta na qual ela explicou o porquê ele recebera as mensagens naquele exato momento:

“Um pouco antes de enviar os testemunho que você disse que chegara bem a tempo, tinha lido sobre um incidente de um navio em uma neblina indo de encontro com um iceberg. . . . Certa noite, uma cena foi claramente apresentada diante de mim. Um navio navegava sobre as águas em meio a forte neblina. Repentinamente, o vigia gritou: ‘Iceberg a vista!’ Vendo do mirante no alto do navio, era um gigantesco iceberg. Um voz com autoridade gritou: ‘vá de encontro!’ Não era um momento para hesitação. Era o momento para uma ação imediata. O engenheiro colocou a todo o vapor, e o homem no timão manobrou a embarcação para ir de encontro ao iceberg. Com uma colisão a embarcação acertou o iceberg. Houve um choque terrível, e o iceberg partiu-se em milhares de pedaços caindo com um som como de um trovão sobre o convés. Os passageiros foram violentamente chacoalhados pela força da colisão, mas nenhuma vida se perdeu. O navio foi afetado, mas não de modo que não pudesse ser reparado. Ele ricocheteava por causa da colisão, tremendo da proa à popa como uma criatura vivente. Seguiu-se, então, em direção ao seu caminho.

“Conhecia, muito bem, o significado desta representação. Foi-me dado ordens. . . .

“Este é o porquê você recebeu os testemunhos naquele exato momento. Nessa noite, levantei uma da manhã, escrevendo tão rápido quanto minhas mãos poderiam sobre o papel.”[10]

Conclusão

Deus usou Ellen White várias vezes para conduzir a igreja durante diversas crises. Embora tenha falecido em 1915, seus escritos continuam a guiar a liderança da igreja quando se depara com novos desafios. Seus escritos são, portanto, relevantes ainda nos dias de hoje. “Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis” (2 Cr 20:20).

[1] Ellen G. White, Primeiros Escritos, pp. 97, 100.

[2] Ellen G.White, Life Sketches of Ellen G.White (Mountain View, CA: Pacific Press Pub. Assn., 1915), p. 125.

[3] Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, 3:280.

[4] Ellen G. White, Testemunhos para A Igreja, 1:489–492.

[5] Ellen G. White, Fundamentos da Educação Cristã, pp. 45–46.

[6] Uriah Smith, “Nota dos Editores,” Advent Review and Sabbath Herald, 3 de fevereiro de 1859, p. 87.

[7] White, Life Sketches, p. 205.

[8] Ibid., pp. 208–209.

[9] Arthur L.White, Ellen G. White—The Early Elmshaven Years: 1900-1905 (Washington, DC: Review and Herald Pub. Assn., 1981), pp. 296–298.

[10] Ibid., pp. 299–301.

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