A Revelação, A Inspiração e A Autoridade das Escrituras


Ekkehardt Mueller é diretor associado do Instituto de Pesquisas Bíblicas da Associação Geral. Antes de se juntar ao instituto, o Pastor Mueller atuou como Pastor e Ministerial por mais de duas décadas. Atualmente, ela está muitíssimo envolvido em escrever artigos e lecionar classes ao redor do mundo. Ekkehardt adora jardinagem e pintura. Boa música é também um elemento importante no lar de  Ekkehardt, sendo sua esposa Geri uma professora de música. Quando seus filhos, Eike e Eno, estão em casa, o “quarteto” está completo.


Tradução: Hugo Martins

O artigo “A Revelação, A Inspiração e A Autoridade das Escrituras” (Original em Inglês: “The Revelation, Inspiration, and Authority of Scripture”), por Ekkehardt Mueller, fora publicado, inicialmente, em abril de 2000 na revista Ministry,® International Journal for Pastors, www.MinistryMagazine.org.  Usado com permissão.


Este artigo apresenta algumas abordagens alternativas àquelas apresentadas nos artigos de Richard Coffen: “A Fresh Look at the Dynamics of Inspiration” [Um Olhar Atualizado nas Dinâmicas da Inspiração] nas edições de dezembro de 1999 e fevereiro de 2000 da Ministry.

Uma mulher idosa estava se sentindo doente. Antes de ir para a cama, ela orou: “Querido Senhor, Você disse em Sua Palavra divina que Você faria o que quer que pedíssemos em Seu Nome. Portanto, eu peço a você que me cure se for da Sua vontade. Obrigado, Senhor”. Na manhã seguinte, ela acordou completamente saudável, agradeceu o Senhor e foi ao shopping. No caminho, ela encontrou-se com o pastor que estava conversando com um amigo. A senhora estava tão feliz com a resposta à sua oração que tinha que compartilhar a sua experiência. Entretanto, em vez de se juntar a mulher em sua alegria, o pastor respondeu: “Querida senhora, você não sabia que o texto em Marcos em que baseou a sua oração não é genuíno?”

A Bíblia, a revelação, a inspiração e a autoridade e a confiabilidade das Escrituras são questões debatidas acaloradamente em muitos círculos cristãos hoje. Em alguns casos, a possibilidade da revelação divina, assim como da inspiração, é, totalmente, rejeitada. Em outros, a revelação e a inspiração são reinterpretadas.[1] Tudo isso tem tido repercussões em círculos adventistas.

A discussão dessas questões é acalorada porque elas têm implicações profundas em pontos fundamentalmente importantes na teologia. Elas têm, também, um forte impacto nas crenças e na vida diária dos cristãos. Embora Jesus e a salvação por meio dEle formam o coração e a experiência de nossa teologia, é, primordialmente, unicamente, por meio das Escrituras que recebemos a informação necessária sobre Jesus e a redenção que Ele trouxe. É por meio da Bíblia que conhecemos Jesus e Seu ministério multifacetado em nossa causa. Nossa compreensão da natureza e do conteúdo das Escrituras molda nossa percepção de nosso Senhor e a compreensão que temos do discipulado.

Junto a essas implicações, nossa visão da natureza das Escrituras influenciará nossa seleção de um método hermenêutico, assim como os procedimentos exegéticos que empregamos quando examinamos a Bíblia.

Ademais, a missão da igreja é dependente da mensagem da igreja, que, por sua vez, é dependente de como se percebe a natureza e a autoridade das Escrituras. Ação social e envolvimento podem tornar-se insignificantes e podem, até mesmo, acabar por falta de uma fundamentação bíblica apropriada.

Este artigo foca, primariamente, na abordagem metodológica para o estudo da revelação, da inspiração e da autoridade das Escrituras. Não discutiremos essas como doutrinas bíblicas por si, mas, devido às limitações de espaço, daremos, unicamente, algumas breves definições. Este artigo tenta, portanto, deixar um caminho pavimentado pelo qual esses tópicos podem ser produtivamente estudados.

Definições

De acordo com o testemunho bíblico, a revelação especial[2] é um ato de Deus no qual Ele revela a seres humanos específicos 1) a Si mesmo, 2) verdades de várias naturezas e/ou 3) Sua vontade. Em vista da iniciativa e ação de Deus, esses humanos, chamados de profetas, têm acesso a uma experiência que, de certa forma, não está aberta aos humanos, e eles recebem conhecimento que, de certo modo, está indisponível.

De acordo com as Escrituras, inspiração é o ato de Deus no qual Ele capacita o profeta a transmitir fielmente a mensagem recebida. Por este processo, a mensagem proclamada torna-se uma palavra de Deus e não é, meramente, uma palavra humana. Para comunicar a revelação de forma confiável, inspiração é necessária. Ademais, revelação e inspiração não podem estar estritamente separadas ou ser facilmente distinguíveis uma da outra.

Falando acerca da autoridade das Escrituras, acreditamos que é “a revelação infalível de Sua vontade” [3] e que é o padrão para a vivência diária. Tudo tem de ser testado por Elas. Toda doutrina deve estar fundamentada nElas. As Escrituras têm prioridade e autoridade sobre todo pensamento, pesquisa e emoções humanos.

  1. Metodologia

Primeiro de tudo, precisamos estar a par do fato que nenhum estudioso e nenhum cientista trabalhará sem certas pressuposições. Em relação ao nosso tópico, alguns negarão, definitivamente, que existam tais coisas como inspiração e revelação divina. Outros afirmarão o oposto. Alguns dirão que possa haver inspiração divina. Relacionadas a essas pressuposições, estão aquelas que consideram a Bíblia um livro meramente humano, um livro meramente divino, uma mistura de ambos ou um livro com ambas as características ao mesmo tempo. As respectivas pressuposições influenciarão a pesquisa e as conclusões que derivam delas.

Segundo, há diversas abordagens à Bíblia, algumas das quais serão apresentadas e discutidas. Elas não são mutuamente exclusivas, mas podem ser combinadas umas com as outras. Uma opção é proceder indutivamente. Uma outra é trabalhar dedutivamente. Ademais, o pesquisador pode escolher estudar inspiração por meio de fontes extra bíblicas e chegar a conclusões que ele ou ela aplicar à Bíblia. Uma outra possibilidade é criar analogias intencionando demonstrar como a inspiração funciona e fazer deduções. Novamente, a respectiva abordagem definirá o resultado.

  1. Indutivo versus dedutivo

A questão principal é se proceder indutiva ou dedutivamente. Normalmente, uma abordagem indutiva é usada para a investigação do fenômeno bíblico. Lê-se, por exemplo, através dos evangelhos, compara-se um com o outro e detecta-se diferenças e a tão faladas discrepâncias. Estuda-se Crônicas e Reis e nota-se diferenças e divergências. Uma comparação da experiência de Paulo conforme registrado em Atos e em Gálatas parece revelar diferenças. Supostamente, até mesmo os relatos de conversão em Atos não correspondem. Uma abordagem indutiva busca por discrepâncias e toma notas desse fenômeno. Frequentemente, não se permite harmonização mesmo onde parece possível e viável. Preocupa-se em encontrar diferenças em vez de concordâncias e unidades. E tem, sempre, partes únicas de quebra-cabeça inteiro. Não obstante, baseada na informação coletada e interpretada, uma doutrina de inspiração é formulada. O problema com esta abordagem é que, frequente e amplamente, desconsidera o testemunho próprio das Escrituras. O ponto de partida não se dá com o que as Escrituras clamam ser, mas como o fenômeno dos textos bíblicos como vistos e interpretados por um ser humano racional do século vinte ou vinte e um.

A abordagem dedutiva começa com testemunho próprio das Escrituras, isto é, os textos que diretamente, ou indiretamente, se referem a revelação, a inspiração e a autoridade das Escrituras. A doutrina da inspiração, por exemplo, é formulada baseada nas afirmações das Escrituras e de suas referências numerosas a este tópico.

Provavelmente, a questão de “indutivo versus dedutivo” não é simplesmente uma questão de “um ou outro”. Ambas as abordagens são necessárias. Formular uma doutrina da inspiração, não se pode desconsiderar a fenômeno textual, e não se deve descartar o testemunho próprio das Escrituras. A Bíblia deve ser permitida falar por si mesmo.

Portanto, a questão é “como nós começamos?” ou “qual abordagem vem primeiro?” Em um juízo, é apenas legal ouvir uma testemunha primeiro ou levá-la seriamente antes de suas questões afirmadas. Em uma determinada escala, Heinrich Schliemann levou até mesmo os escritos a sério e escavou Troia, uma cidade anteriormente dita como fictícia.[4] Em razão da Bíblia afirmar revelação e inspiração, é viável começar dali e perguntar a si própria como o fenômeno pode estar reconciliado com esta asserção.[5]

  1. Uso de Fontes Extra Bíblicas

Outros, como a escola da “história das religiões”, tem feito uso de fontes extra bíblicas para interpretar as Escrituras; fontes tais como mitos babilônicos, cultos de mistério helenísticos e ideias do culto ao imperador romano.[6] Suas interpretações têm sido reler à Bíblia. Adventistas são muito hesitantes de usar este procedimento porque aceitamos o princípio das Escrituras sendo sua própria intérprete. Entretanto, de vemos ir mais além.

Estudar inspiração por meio de um profeta inspirado não canônico, Ellen G. White por exemplo, e reler a Bíblia a informação que tem sido selecionada, não é, baseando-se no princípio Sola Scriptura, aceitável. A Bíblia sustenta a si mesma, e a doutrina bíblica da inspiração deve ser derivada da Bíblia e somente pela Bíblia. Profetas não canônicos genuínos podem prover informações proveitosas, mas interpretar a Bíblia por meio dos processos envolvidos na inspiração de um profeta não canônico é um raciocínio circular.[7]

Embora a Bíblia não provê evidência para estágios de inspiração, isto é, um profeta sendo mais inspirado do que outro, a questão permanece se no caso ou não a inspiração funcionou, realmente, do mesmo modo em todos os profetas. O resultado é o mesmo na revelação, a mensagem de Deus, que é passada adiante fielmente, mas os processos não são necessariamente idênticos. A experiência de Jeremias em ditar a mensagem de Deus a Baruque enquanto sendo inspirado (Jr 36) é, obviamente, diferente da experiência de Lucas na informação colhida e sob a inspiração organizou-a em seu Evangelho.

  1. Uso de Analogias

Analogias podem ser extremamente úteis. São como descrições que trazem um ponto conhecido da audiência. Mas analogias, como parábolas, têm limitações. Elas não devem ser extrapoladas. Criar uma analogia e fazer deduções da analogia pode não mais corresponder à realidade.[8] Precisamos, portanto, ter cautela.

Umas das analogias mais comuns é o tão falado modelo encarnacional. Neste caso, as Escrituras são paralelas com Jesus Cristo. Há teólogos que negam o caráter divino das Escrituras. Há outros que omitem ou subestimam o fator humano. O modelo encarnacional enfatiza tanto o humano quanto o divino. Entretanto, após aceitar a última opção, uma questão permanece. Os lados divinos e humanos são complementares, até mesmo separáveis? Ou há uma unidade inseparável entre o humano e o divino?

No caso de Jesus, Cristãos afirmam que Ele era verdadeiramente Deus e tornou-se, também, verdadeiramente humano. O humano e o divino não podem ser separados em Jesus. Isto parece, também, ser verdade para as Escrituras. 2 Pe 1:21 aponta para uma cooperação entre o Espírito Santo e agentes humanos, reconhecendo o divino e o humano. Ademais, as Escrituras não foram criadas por humanos. Inspirados por Deus, os profetas falaram sobre Deus. Deus é a origem e o autor final das Escrituras.

Gerhard Maier sumariza isto em três pontos: 1) “‘Homens falam; isto é, representantes de pessoas ‘normais’ em um momento e em um lugar em particular, não ‘instrumentos’, escrevendo implementos ou algo semelhante; e eles usavam uma linguagem humana ‘normal’. . . . 2) Nenhum deles, por curiosidade, falaram de um ponto de vista de homens, mas ‘de Deus’; são enviados dEle, autorizados, procedendo de Seu ponto de vantagem e transmitindo uma mensagem dEle que nada mais é do que a mensagem ‘divina’. 3) Aquele que promoveu este estado peculiar das coisas é o ‘Espírito Santo’.” [9] Mensagens proféticas e escritos proféticos são as palavras do Senhor e são aceitas por Deus como tais.[10] Livros bíblicos são a palavra do Senhor.[11]

Portanto, o humano e o divino nas Escrituras não são complementares. Eles são integrados. Consequentemente, conjuntos diferentes de recursos intencionando estudar o lado humano e o lado divino da Bíblia não podem fazer justiça à natureza unificada, o caráter verdadeiramente encarnacional das Escrituras. E a propósito, muitos recursos do academicismo não são nem um pouco neutros. Eles estão ligados a pressuposições que de tal modo que quando essas pressuposições são eliminadas, os recursos em si, também, se desvanecem.[12]

A Posição de Jesus para com As Escrituras

Em todas essas questões, Cristãos se remetem, sempre, a Jesus Cristo, seu Senhor e Salvador. Ele é o grande exemplo deles. Como Jesus tratava as Escrituras em Seu tempo? Como Ele lidou com questões tais como revelação, inspiração e autoridade? Jesus proferiu declarações acerca das Escrituras e Ele usava as Escrituras abundantemente. Certamente, Ele não era ingênuo ou ignorante em relação às questões aqui levantadas e em outras partes. Aqui está a posição de Jesus em relação às Escrituras:

  • Jesus confiava nas Escrituras. Para Ele, o Antigo Testamento, Sua Bíblia, era a Palavra de Deus. Deus tem falado por meio de agentes humanos.
  • Jesus considerava os profetas como arautos confiáveis das palavras de Deus e aceitava a inspiração nos escritos do Antigo Testamento. Ele reconhecia, por exemplo, a validade de profecias preditivas do Antigo Testamento (ver Lc 24:17–27). Muitas dessas profecias Ele considerava terem se cumprido nEle.
  • Jesus aceitava a confiabilidade histórica das Escrituras, incluindo todos os eventos importantes na história de Israel, assim como a Criação e o Dilúvio.
  • Jesus as aceitava como o autor de um livro bíblico a pessoa identificada como tal no escrito.
  • Intervenções divinas na história, tais como milagres, não eram problemas para Jesus.
  • Jesus interpretava as Escrituras literal e tipologicamente. Métodos críticos para explanar a Bíblia eram estranhos a Ele. Embora Ele deva ter conhecido as tão faladas discrepâncias nas Escrituras, Ele não se focou nelas, nem mesmo as mencionou.
  • Jesus considerava as Escrituras como direcionadas não apenas aos leitores e ouvintes originais, mas, também, a Sua geração. Ele assumia, portanto, o fato que as Escrituras transcendem a cultura.
  • Jesus acreditava que uma compreensão da vontade de Deus e de Suas ações na história estão fundamentadas nas Escrituras. Sua perspectiva doutrinária era derivada do Antigo Testamento.
  • Portanto, para Jesus o homem, o mesmo Antigo Testamento era o Seu padrão de vida assim como o guia de Seu agir.
  • Jesus reconhecia, abertamente, o valor prático das Escrituras;
  • Jesus presumia que Seus contemporâneos conheciam as Escrituras.[13]

Um Conclusão Prática

Como podemos, então, como pastores tratar tais questões de revelação, inspiração e a autoridade das Escrituras? Aqui estão algumas sugestões:

  • Comece com uma atitude de confiança em vez uma posição de dúvida. Isto não exclui possibilidades.
  • Leve seriamente o testemunho próprio das Escrituras.
  • Não negue ou subestime problemas no texto bíblico, mas evite de demorar-se neles.
  • Seja precavido de posições extremas sobre inspiração pessoal, assim como inspiração mecânica.
  • Busque por soluções em relação ao fenômeno bíblico sem tentar harmonizá-los artificialmente.
  • Seja capaz de interromper avaliações. Se você não puder encontrar uma solução, não significa que não haja nenhuma.[14]
  • Use um método hermenêutico apropriado e ferramentas exegéticas adequadas que se harmonizem com o caráter da Palavra de Deus.
  • Viva a Palavra de Deus.
  • Proclame-a, capacitado pelo Espírito Santo.

    Notas

[1] Cp. Wolfhart Pannenberg, “The Revelation of God in Jesus of Nazareth,” J. M. Robinson e J. B. Cobb, Jr., Hrsg., em Theology as History, New Frontiers in Theology, Bd. 3 (New York: Harper and Row, 1967), 101-133; Gabriel Moran, The Present Revelation: The Search for Religious Foundations (New York: Herder and Herder, 1972), 38-40,130,227,299, 341; Gerhard Maier, Biblical Hermeneutics (Wheaton, 111.: Crossway Books, 1994), 97.

[2] Teólogos distinguem entre revelação geral, isto é, o que é encontrada, por exemplo, na natureza e o que chamamos de revelação especial.

[3] Fundamental Beliefs of Seventh-day Adventists, no. 1, in Seventh-day Adventist Church Manual (Hagerstown, Md.: Review and Herald Publishing Association, 1995), 7.

[4] Cp. Encyclopaedia Britannlca: Micropaedia (Chicago: Encyclopaedia Britannica, 1981), VIII: 965.

[5] Cp. Peter M. van Bemmelen, Issues in Biblical Inspiration: Sunday and Warfield (Berrien Springs, Mich.: Andrews University Press, 1987), 377-378.

[6] Essas foram propostas por Gunkel, Reitzenstein e Bousset.

[7] Por meio do critério bíblico, um profeto é declarado genuíno e inspirado. Este profeta, então, é usado para formular uma doutrina da inspiração da Bíblia.

[8] Pode ser útil para comparar a natureza das Escrituras com a natureza da luz. Entretanto, concluir que por esses aspectos diferentes de luz, diferentes recursos devam ser usados e aplicá-los às Escrituras, parece ser ir longe demais. Escrituras podem ser similares a luz, mas não é luz no sentido literal. Cp. Richard W. Coffen, “A Fresh Look at the Dynamics of Inspiration: Part 2,” Ministry, fevereiro de 2000, 21-22.

[9] Maier, 102.

[10] Ver Jr 36:1–6 e Jr 25:2–8.

[11] Ver Mq 1:1; Os 1:1; Sf 1:1.

[12] Ver, por exemplo, a crítica das formas que investiga o estágio oral do material, pequenas unidades que foram, por exemplo, criadas em uma fogueira ou em um processo funerário. Nenhuma revelação tomou lugar. Textos desenvolvidos junto a linhas evolucionárias.

[13] Referências podem ser encontradas em Ekkehardt Mueller, “Jesus and Scripture in the Gospels,” manuscrito não publicado, março de 1999.

[14] Ver Edwin R. Thiele, The Mysterious Numbers of the Hebrew Kings (Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1951).

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