A Guerra contra O Sábado e Sua Importância no Tempo do Fim


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Nascido na Inglaterra, Norman R. Gulley, Ph.D., já escreveu várias lições de adulto da Escola Sabatina, diversos artigos acadêmicos e livros populares tais como Christ Our Refuge [Cristo Nosso Refúgio]. Dr. Gulley destaca-se pela sua abordagem cristocêntrica para com qualquer doutrina, especialmente eventos relacionados aos dias finais. Como professor de Teologia Sistemática, Dr. Gulley leciona na Southern Adventist University. Ele e sua esposa Leona vivem em Collegedale, Tennessee.


Tradução: Hugo Martins

“A Guerra contra O Sábado e Sua Importância no Tempo do Fim” (Original em Inglês: “The Battle Against the Sabbath and Its Endtime Importance”) é uma publicação do Journal of the Adventist Theological Society, o detentor dos direitos deste artigo que permitiu a tradução e a publicação da tradução para o nosso site.

*Autor, também, do artigo “O Debate sobre A Justificação pela Fé: Evangélicos e Católicos.”


Deus e os princípios de Sua lei são eternos. A lei é uma manifestação externa de Seu caráter. Os dois são inseparáveis e imutáveis. Como Ellen G. White colocou: “Sua lei é invariável, inalterável, eterna, porque é a transcrição do Seu caráter.”[1] “‘Deus é amor.’ Sua natureza, Sua lei, são amor. Assim sempre foi; assim sempre será. ‘O Alto e o Sublime, que habita na eternidade,’ ‘cujos caminhos são eternos,’ não muda. NEle ‘não há mudança nem sombra de variação’.”[2]

O Deus imutável (Ml 3:6) expressa a Si próprio em Sua lei imutável (Mt 5:18, Lc 16:17). Não se pode mudar Sua lei, nem tão pouco Deus. Tanto Deus quanto Sua lei transcendem seres criados de tal modo que funcionam, de diferentes maneiras, para mudar seres humanos em vez de serem mudados por eles. A mudança vem a partir da lei expondo a fragilidade humana (Rm 7:7). A lei mostra as pessoas como elas realmente são (Rm 3:20). A lei expõe sua necessidade urgente de Deus.[3] A lei muda sua autoestima distorcida. Deus lhes muda para que possam ver seu verdadeiro valor próprio—nEle (Ef 1:3–4; 2 Co 3:18).

Lúcifer Ataca A Lei de Deus

O pecado originou em um ser inclinado a mudar a lei e reivindicar a supremacia de Cristo (cp. Is 14:12–15; Ez 28:13–15). “No conselho celestial os anjos insistiam com Lúcifer. O Filho de Deus apresentou perante ele a grandeza, a bondade e a justiça do Criador, e a natureza imutável, sagrada de Sua lei.”[4] Qual foi a resposta dele?

“Ao mesmo tempo em que, de sua parte, pretendia uma perfeita fidelidade para com Deus, insistia que modificações na ordem e leis do Céu eram necessárias para a estabilidade do governo divino. Assim, enquanto trabalhava para provocar oposição à lei de Deus, e infiltrar seu próprio descontentamento na mente dos anjos sob seu mando, ostensivamente estava ele procurando remover o descontentamento e reconciliar anjos desafetos com a ordem do Céu. Ao mesmo tempo em que secretamente fomentava a discórdia e a rebelião, com uma astúcia consumada fazia parecer como se fosse seu único intuito promover a lealdade, e preservar a harmonia e a paz.”[5]

Por detrás de sua pretensão, a inveja que tinha de Cristo consumia Lúcifer. Quão inexplicável! Tudo o que ele tinha vinha de Cristo. Ele ocupava o lugar de mais alta honraria entre os seres criados. Ele figura como o querubim da guarda no trono. Ele devia sua própria existência a Cristo. Pois Cristo criou tudo e todos (Cl 1:15–16; Hb 1:1–2). Até mesmo Lúcifer que chegou a um ponto que resultou inexoravelmente ao Calvário. Ele mataria Aquele que lhe deu a vida. Ele continuaria, na era cristã, a combater o sábado que relembra aos humanos de seu Criador (Êx 20:11). A rebelião inteira de Satanás é cristocêntrica. O Calvário e o domingo expõem seu ódio por Cristo. Domingo é a criação de Satanás, não um dia em honra a ressurreição de Cristo. Se consciente ou não, o domingo honra a obra de Satanás (mudança de mandamento, em vez da obra de Cristo (ressurreição). O domingo é o quarto mandamento de Satanás em lugar do mandamento do sábado do Cristo pré-encarnado (Dt 5:22). Em seu papel contrafeito como promotor da lealdade a Deus, Satanás reagiu contra os anjos que foram, realmente, leais.

“Rejeitando com desdém os argumentos e rogos dos anjos fiéis, acusou-os de serem escravos iludidos. A preferência mostrada para com Cristo declarou ele ser um ato de injustiça tanto para si como para todo o exército celestial, e anunciou que não mais se sujeitaria a esta usurpação dos direitos, seus e deles. Nunca mais reconheceria a supremacia de Cristo. Resolvera reclamar a honra que deveria ter sido conferida a ele, e tomar o comando de todos os que se tornassem seus seguidores; e prometeu àqueles que entrassem para as suas fileiras um governo novo e melhor, sob o qual todos desfrutariam liberdade. Grande número de anjos deram a entender seu propósito de o aceitar como seu chefe.”[6]

Desde que o tempo sido o propósito de Satanás “conseguir a abolição da lei,”[7] e ele tem “exerceu todo o seu poder e engano a fim de destruir Jesus.”[8] Ele odeia a lei porque ele odeia Cristo. Sua longa campanha política de engano tem sido para destituir a Cristo e Sua lei, para, então, tomar o seu lugar. No tempo do fim sobre o planeta terra, aparentar-se-á que ele teve sucesso. Com extensa artimanha, Satanás pretenderá ser Cristo e promover o Domingo. Aqui está o grande engano final—vindo como Cristo, mas com sua própria versão do quarto mandamento.

“O expediente de Satanás neste conflito final com o povo de Deus é o mesmo que empregou no início da grande controvérsia no Céu. Pretendia estar buscando promover a estabilidade do governo divino, enquanto secretamente aplicava todo o esforço para conseguir sua subversão. E da mesma obra que assim se estava esforçando por cumprir, acusava os anjos fiéis. Idêntica política de engano tem assinalado a história da Igreja de Roma.  Idêntica política de engano tem assinalado a história da Igreja de Roma.”[9]

A autoridade de Deus como Criador é citada em apenas um único mandamento, “sábado do SENHOR, teu Deus” (Êx 20:10). Um ataque contra o sábado é um ataque contra Deus. É, também, um ataque contra tudo o que o sábado representa. O sábado é um memorial da criação de Cristo (Êx 20:11), a libertação de Seu povo (Dt 5:15) e Seu relacionamento com o Seus seguidores (Ez 20:12). Colocar um sábado substituto (domingo) é a obra de um Cristo substituto (Satanás). Este é o ponto principal. Satanás odeia Cristo, quer depô-lo e arrancá-lo de Seu governo, e o faz, então, em parte, promovendo o Domingo como o sábado cristão. O advento vindouro de Satanás como Cristo para reforçar a sacralidade do domingo é o ataque final contra Cristo e Seu dia.

Neste artigo, veremos que pela história, Satanás tem promovido o domingo por, falsamente, ligá-lo a Cristo. Satanás tem escondido o fato que ele mudou o dia dando crédito a Cristo pela mudança. Com um engano ardiloso, Ele tem promovido sua obra contra Cristo como a própria obra de Cristo. No nome de Cristo, incontáveis cristãos lutarão pelo que acreditam ser o sábado de Cristo, não sabendo que é o sábado de Satanás. Consideraremos o que alguns pais da igreja primitiva pensavam acerca do Sábado, o pensamento de Agostinho, Aquino, Calvino e dois livros recentes. Consideraremos, então, o sábado como uma ordenança da criação, como uma crença cristã, o teste do tempo do fim e como se preparar para a crise vindoura encerrará nosso estudo.

O Sábado: Deslocado na História Cristã

O pais da igreja primitiva que falam do sábado incluem Justino Mártir, “Epístola de Barnabé”, Inácio, Tertuliano e Vitorino. Neste artigo, nossa referência a eles terá de ser, necessariamente breve.[10] Eles discutem diversos assuntos. Lidou-se com quando o sábado foi instituído. Foi na criação ou muito posteriormente na época de Israel? Justino Mártir acreditava que os seguidores de Deus antes de Moisés e Abraão “não observavam os sábados,”[11] e, portanto, não é uma ordenança da criação. Por outro lado, Tertuliano acreditava que fora guardado por Adão, Abel, Enoque, Abraão e Melquisedeque.[12] Barnabé acreditava que “o sábado é mencionado no início da criação.”[13] Havia, então, uma relativa diferença sobre quando o Sábado fora instituído. Isto deu origem a duas interpretações: uma que via o Sábado como relevante para todos os seres humanos, sendo dado na criação da raça; enquanto o outro grupo via o sábado como unicamente relevante para os Judeus porque fora instituído para essa nação apenas.

Junto a essas duas datas iniciais, Tertuliano acreditava que haviam dois diferentes sábados nas Escrituras, isto é, o “sábado temporal,” considerado humano, e o “sábado eterno,” considerado divino. O sábado temporal era meramente “temporário.” O sábado temporal prefigurava, meramente, o sábado eterno.[14] Aqui está o paradigma tipo/antítipo que tornar-se-ia uma evidência persuasiva para a natureza temporal do sábado do Antigo Testamento porque muitos concluiriam que ele apontava, meramente, para Cristo que veio para cumprir/substituir/transcender a ele.

Uma outra questão diz respeito ao que Cristo pensava do Sábado. Tertuliano sugere que Cristo violou o Sábado quando Ele escusou Seus discípulos famintos, após arrancarem algumas espigas de cereal, esfregá-las na mão e, então, comer. Ele qualificou esta declaração dizendo: “Cristo, de forma alguma, revogou o Sábado; Ele guardava a lei, tanto que no caso anterior fizera uma obra que era benéfica à vida de Seus discípulos, pois lhes indultara com o alívio da comida quando eles estavam fazendo, e no presente exemplo curou a mão ressequida. . . .”[15]

A tão aclamada “Epístola de Barnabé” (geralmente considerada escrita por um cristão em Alexandria, c. 130 E.C.) projetou os seis dias da criação na história, com cada dia da criação representando mil anos de tempo histórico. O autor diz:

“‘Ele terminou em seis dias.’ Isto implica que o Senhor terminou todas as coisas em seis mil anos, pois um dia para Ele é mil anos. . . . Portanto, meus filhos, em seis dias, isto é, em seis mil anos, todas as coisas estarão terminadas. ‘E Ele descansou no sétimo dia.’ Isto significa que quando Seu Filho, vier [novamente], destruirá a época do homem pecaminoso, e julgarás os ímpios, e mudará o sol, a lua e as estrelas, descansará Ele, então, no sétimo dia.”[16]

O futuro sétimo dia será seguido por um oitavo dia. Pondo palavras na boca do Senhor, o autor diz: “Farei um início no oitavo dia, isto é, um início de um outro mundo. Pelo que, também, guardamos o oitavo dia com alegria, o dia no qual, também, Jesus ressuscitou dos mortos.”[17] Aqui é uma referência prímeva à observância do domingo. Ignora o paralelo óbvio do sexto dia da criação e a sexta-feira da criação sendo seguida por uma celebração do sábado do Sétimo Dia, como o domingo sendo meramente o primeiro dia da semana. Em vez disso, inventa um oitavo dia, nunca encontrado nas Escrituras, e tenta-se identificar o primeiro dia da semana com algum oitavo dia sendo supostamente o início de um novo mundo. Entende que a história humana será de seis mil anos, o milênio será o sétimo dia, seguido pelo tempo da nova terra como o oitavo dia.

Interessantemente, o arranjo de tempo do autor de Barnabé e Tertuliano não sincronizam. Pois como pode o sábado eterno de Tertuliano funcionar do segundo advento em diante, quando a Epístola espera pelo novo mundo para o sábado do oitavo dia começar? O milênio fica no ar. Ainda que a Epístola de Barnabé faz referência aos Salmos com fonte para a ideia do oitavo dia (Sl 6, 12), não há tal referência. O “oitavo dia” é mencionado apenas vinte vezes nas Escrituras, e nem uma única referência apoia as visões imaginárias da Epístola de Barnabé e outros pais da igreja primitiva.

Agostinho de Hipona (354–430)

Agostinho foi o maior teólogo de seu tempo, e um dos maiores de os tempos. Seus escritos volumosos tornaram-se a base de teologia católica por séculos. Ele é, também, o teólogo mais citado pelos reformadores em sua tentativa de atacar a Igreja Católica, que fala da seletividade na obra [de Agostinho] por ambos os lados que buscaram a ele como autoridade. Por detrás disso está o fato que Agostinho tem ideias contraditórias em sua teologia.

Pelo tempo que nos dirigimos a Agostinho, temos nos distanciado do pensamento dos pais da igreja primitiva acerca do Sábado. Ainda que algum dos pensamentos de Agostinho encontra suas raízes neles, ele é muito mais claro em sua antipatia com o sábado. Agostinho disse a respeito do sábado: “não deveria ser guardado por um Cristão.”[18] Ele arrazoou que o sábado “profetizava”, meramente, o primeiro advento de Cristo. Após a vinda de Cristo na terra, o sábado não tinha mais utilidade do que qualquer outra profecia acerca do seu nascimento. Como Agostinho colocou: “O Senhor quebrantou o sábado; mas não foi culpado por isso. O que é isso que tenho dito? ‘Quebrantou Ele o sábado?’  Ele, a Luz que veio, estava removendo as sombras.”[19] Então, todos os milagres no sábado de Cristo e instruções acerca do sábado são tratados como um processo de remoção das sombras (o sábado) agora que a Luz viera. Assim como os sacramentos do pão e do vinho mostram a morte do Senhor até que Ele venha pela segunda vez, o sábado de Agostinho era um sacramento cumprido pelo primeiro advento de Cristo.[20]

Portanto, de acordo com Agostinho, Cristo substituiu o sábado quando ele veio. Mas quando Ele veio? Agostinho responde a esta questão por entender os dias da criação como tipos de períodos históricos.

“Pois esses dias não foram ordenados sem razão alguma, mas para que essa era corresse, também, em semelhante curso, antes de descansarmos em Deus. . . . Assim como Deus fizera o homem a sua própria imagem no sexto dia, concluímos, então, que o nosso Senhor Jesus Cristo viera na era sexta, para que o homem pudesse, novamente, ser formado segundo a imagem de Deus . . . O sexto dia começou com a pregação de João e dura até o fim; e após o fim do sexto dia, chegaremos ao nosso descanso.”[21]

Aparentemente, a humanidade ainda se encontra no sexto dia com o sábado no futuro pós-advento, pois o sábado da criação sendo iniciado-terminado pode, unicamente, ser compreendido no início-término da eternidade. Os períodos de tempo de Agostinho não concordam com os de Barnabé.

O sexto dia histórico de Agostinho iniciou um milênio antes do sexto dia histórico de Barnabé.

Para Agostinho, a criação registrada em Gênesis é mística, pois Deus, meramente, falara e as coisas vieram a existir por Seu poder onipotente durante os seis dias. A obra da criação foi fácil para Ele, como poderia possivelmente, então, necessitar do descanso do sábado do sétimo dia que se seguiu? Agostinho disse: “Como pôde ele requerer descanso após o mundo ser feito, como se regozijar-se no ócio após o trabalho, Ele que no comando nunca trabalhou?” Agostinho usa muito do antropomorfismo do descanso, não permitindo o termo “descansar” ter qualquer outro significado além de descansar do trabalho. Ele, aparentemente, não tem espaço para o significado de “descansar” como uma mudança da obra da criação para sua celebração, sem referência a qualquer trabalho. Ele, certamente, não tem espaço para o sábado ser uma celebração da obra da criação terminada por Cristo ou da redenção. Não apenas isso, Agostinho continua a conjecturar um significado não encontrado no texto. “Consequentemente, essas declarações são místicas, e estão fundamentadas nesta sabedoria que estamos almejando pelo descanso após esta vida, provido para nós que temos feito boas obras.”[22] Assim como a obra de Cristo promulgou descanso após ter sido completada, os cristãos, então, descansarão no dia eterno após sua vida de labutas. Novamente, o sábado é confinado ao futuro eterno.

Embora Cristo quisesse dizer que o sábado sacramental/tipológico não era para ser guardado pelos cristãos, mais do que deveriam sacrificar cordeiros,  Agostinho, paradoxalmente, (em vista do que tem sido dito até agora) admoesta ao cristãos serem ainda mais diligentes na observação do sábado do que os judeus. Ele disse: “‘Observar que o dia de sábado’ é ordenado a nós mais do que a eles porque é designado a ser espiritualmente observado. . . . Os cristãos observam o sábado espiritualmente, abstendo-se de trabalho servil. Por que abster-se se trabalho servil? Em vista do pecado.”[23] “Pois este é o sábado espiritual, não ter pecado. De fato, irmãos, é disso que Deus nos admoesta, quando Ele recomenda o sábado para nossa observação: ‘Não farás nenhum trabalho servil.’”[24] Para Agostinho, o sábado parece ser uma experiência de sétimo dia sem pecar.

Ele compreende os cinquenta dias da Páscoa ao dia que Moisés recebeu os Dez Mandamentos no Sinai como um tipo dos cinquenta dias entre a morte de Cristo e o Pentecoste. Ele reconhece que o Espírito Santo é chamado de “o dedo de Deus” (Lucas 11:20). Assim como Deus escreveu o Decálogo com Seu dedo em tábuas externas, o Espírito Santo, então, como o dedo de Deus, escreve “a nova lei” nas tábuas do coração.[25] A nova lei dentro do coração não inclui o sábado como um dia, mas como uma experiência.

Deve-se ter em mente que a guarda do sábado dos judeus, contemporâneos de Agostinho, estava, frequentemente, nos bastidores de seus comentários sobre o sábado. Como Inácio,[26] Agostinho fala da observância do sábado em contraposição à guarda do sábado judaico. Sua repulsa pelo sábado judeu o levou a reagir contra o sábado. Sua inclinação mística é vista no modo em que ele compara o sábado para os cristãos com o sábado para os judeus.

“Oh, este dia é o sábado o qual os judeus nesta época observam como um tipo de descanso corporal, lânguido e luxurioso. Eles se abstêm de labores e entregam-se a trivialidades; e embora Deus ordenasse o sábado, eles passam o dia em ações que Deus proíbe. Nosso descanso é das obras malignas, o deles de fazer o bem; pois é melhor arar do que dançar. Eles se abstêm do bem, mas não de trivialidades, de labores. Deus nos proclama um sábado. Mas que tipo de sábado? Considere, primeiro, onde se encontra. Encontra-se no coração, dentro de nós; pois muitos são preguiçosos com seus membros, enquanto estão atribulados na consciência. . . . Esse regozijo na tranquilidade de nossa esperança é o nosso sábado. Este é o tema de louvor e cântico neste Salmo, como um cristão encontra-se no sábado de seu próprio coração, isto é, na calma, na tranquilidade e na serenidade de sua consciência, sem tribulações; ele nos diz, aqui, portanto, de onde os homens não serão atribulados, e ensina-te a guardar o sábado em teu próprio coração.”[27]

Este sábado existencial, em lugar do semanal, ignora a singularidade do sábado. Pois em cada dia os cristãos deveriam estar tranquilos enquanto descansam em Cristo. Agostinho projeta o sábado, então, para o futuro e no interior, para o eterno e no interno, para o escatológico e no existencial. Ele o faz à custa das afirmações históricas presentes do sábado. Ele as ignora. Isto é reminiscente das escolas de interpretação profética preterista e futuristas posteriores que ignoram o historicismo. Ademais, Agostinho pode, até mesmo, mesclar esses dois horizontes (escatológico/existencial). Por exemplo, nos últimos parágrafos de A Cidade de Deus, ele fala do sábado perpétuo dizendo: “Será o grande sábado que não terá noite, cujo Deus celebrara entre Suas primeiras obras, como está escrito: ‘E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.’ Pois nós mesmo seremos o sétimo dia, quando estivermos cheios e renovados com a bênção e a santificação de Deus.”[28]

Tomás de Aquino (1224–1274)

O ataque de Satanás contra Cristo é feito de uma maneira cristã. Que tamanha tragédia tantos cristãos terem, através dos séculos, rejeitado o sábado no qual eles pensavam estar apoiando a Cristo. Pense na tremenda ironia: eles se esforçaram para estar na verdade em Cristo apenas para ajudar Seu inimigo. Encontramos, aqui, o fronte enganador de Satanás: revestir o domingo com o manto de Cristo com o propósito de enganar, do mesmo modo que ele vestir-se-á como Cristo no tempo do fim. Iludidos pelo manto cristão, a imensa maioria dos cristãos caem em terreno inimigo sem saber disso. Os pais da igreja primitiva e Agostinho caíram na armadilha, mas e Aquino e Calvino?

Aquino junta-se a Agostinho como o mais importante teólogo para a teologia católica. Ele compara as leis antigas com as novas. “A Nova Lei é compara com a Antiga como o perfeito com o imperfeito . . . a Nova Lei dá o que a Antiga Lei prometia.”[29] Para Aquino, a Antiga Lei apontava, meramente, para a Nova Lei, como a sombra à substância. Disse ele:

“A realidade encontra-se em Cristo. Portanto, a Nova Lei é chamada ‘a lei da realidade’; enquanto a Antiga Lei é chamada de ‘a lei da sombra ou da figura.”[30]

Aquino, aqui, está comparando a Antiga Lei, incluindo o sábado, como meramente uma sombra que fora projetada por sua realidade em Jesus Cristo. Guardar o sábado do sétimo dia não seria melhor do que sacrificar o cordeiro na era cristã.

Entretanto, incomum a muitos desde o seu tempo, Aquino compreendia o porquê Jesus, aparentemente, quebrantava o mandamento do sábado. Enquanto muitos estudiosos acreditam que Cristo quebrantava a lei para mostrar que Ele transcendia a lei, Aquino via de modo diferente. Escreve ele:

“Mas realmente, aboliu a lei do sábado como supersticiosamente a entendiam os Fariseus, pensando que a gente se devia abster mesmo das obras da salvação, nesse dia, o que ia contra a intenção da lei.”[31]

Aquino fala do descanso de Deus no sétimo dia como um cessar “de criar novas criaturas.”[32] Em vista de Deus não ter de precisar das criaturas que Ele fez, Aquino pode dizer: “Por isso não se diz que, feitas as obras, nelas repousou, como se delas precisasse, para a sua beatitude; mas, sim que repousou delas, isto é, em si mesmo, pois a si se basta e satisfaz o seu próprio desejo.”[33] Ele acreditava, também, que “Deus descansou ao nos dar o descanso.”[34] Todavia, o fato mais importante, para nosso propósito, é o foco de Aquino em Cristo tomar o lugar da Antiga Lei, incluindo o sábado. Para Aquino, Cristo, e não o sábado do sétimo dia, tem significado para os Cristãos.

João Calvino (1509-1564)

Calvino acreditava que não havia mandamento que Deus exigisse mais severa obediência do que o mandamento do sábado. Ele concorda com aquele que afirmam que o sábado do AT era típico de Cristo, e, como todos os outros tipos, encontrava seu cumprimento em Cristo. Cristo “é a verdade, por cuja presença se desvanecem todas as figuras; o corpo, a cuja visão são deixadas para trás as sombras. Ele é, digo-o, o verdadeiro cumprimento do sábado.”[35] Mas ele diz que sito é unicamente a metade do significado do Sábado: Pois:

“Primeira, pois o celeste Legislador quis que sob o descanso do dia sétimo prefigurasse ao povo de Israel um repouso espiritual, pelo qual devem os fiéis descansar de suas próprias atividades para que deixem Deus neles operar. Segunda, quis ele que um dia fosse estabelecido no qual se reunissem para ouvir a lei e realizar os atos de culto, ou, pelo menos, o qual consagrassem particularmente à meditação de suas obras, de sorte que, por esta rememoração, fossem exercitados à piedade. Terceira, ordenou um dia de repouso no qual se concedesse aos servos e aos que vivem sob o domínio de outros para que tivessem alguma relaxação de seu labor.”[36]

Como outros antes deles, Calvino faz distinção entre o significado do sábado como “mistério que principalmente se delineia: o referente ao perpétuo descanso de nossos labore,” da parte cerimonial do sábado. Ele afirma que “pela vinda do Senhor Jesus Cristo o que era aqui cerimonial foi abolido.” Mas porção existencial do sábado continua todos os dias de nossas vidas. É uma experiência diária. “Portanto, que esteja longe dos cristãos a observância supersticiosa de dias.”[37] Desse modo, Calvino rejeita o sábado semanal. Qual, então, é o propósito do mandamento do sábado? Calvino entende seu propósito em prover um dia para adoração pública e um dia para o descanso laboral.[38]

Calvino rejeitava qualquer continuação do sétimo dia como um dia santo dado a humanidade para guardar. O sétimo dia era identificado com as superstições judaicas. Um outro dia foi escolhido pelos cristãos para colocar distância entre eles e os judeus. Todavia, por que o domingo foi escolhido? Calvino diz:

“Contudo, não foi sem alguma razão que os antigos escolheram o dia do domingo para pô-lo no lugar do sábado. Ora, como na ressurreição do Senhor está o fim e cumprimento daquele verdadeiro descanso que o antigo sábado prefigurava, os cristãos são advertidos pelo próprio dia que pôs termo às sombras a não se apegarem ao cerimonial envolto em sombras.”[39]

Ele continuou a dizer que “Nem a tal ponto, contudo, me prendo ao número sete que obrigue a Igreja à sua servidão, pois nem haverei de condenar as igrejas que tenham outros dias solenes para suas reuniões, desde que se guardem da superstição.”[40] Então, o conselho de Calvino era: escolha qualquer dia que preferir desde que esteja liberto da superstição, pois a distinção entre o sétimo dia e dia de descanso era, unicamente, tipológica.[41]

Sumário

Em nosso breve apanhado geral desses líderes eclesiásticos, Agostinho, Aquino, e Calvino, notamos algumas diferenças, mas, também, um tema se desenvolvendo. O tema é que Cristo é o antítipo do sábado do sétimo dia, assim como Ele é o antítipo de todos os tipos cristológicos no AT. Ainda que o sábado seja visto como revestido com mais do mero valor tipológico, é o tipo que designa quão temporário e cumprido/transcendido por Cristo ele é. Temos visto que o engano ardiloso de Satanás tem sido fingir promover a Cristo, enquanto que por detrás desse pretexto ele ataca Cristo e Seu sábado. Este é um argumento contundente que se repete em tempos vindouros. Delimitaremos nossa atenção a dois livros recentes.

Os Livros de Ratzlaff/Carson

Um livro publicado recentemente, intitulado “O Sábado em Crise,”[42] rejeita o sábado do sétimo dia como um dia a ser guardado como santo pelos cristãos. A tragédia é que o livro foi escrito por Dale Ratzlaff, um antigo ministro adventista do sétimo dia.[43] D. A. Carson escreveu o prefácio. Carson editou o livro “Do Sábado para O Dia do Senhor,”[44] um volume escrito por um grupo de estudiosos na Universidade de Cambridge. A obra foi, essencialmente, uma resposta ao livro, “Do Sábado para O Domingo,”[45] do adventista Samuele Bacchiocchi. O livro de Ratzlaff é uma versão popular da tese elementar encontrada no tomo mais erudito de Carson.[46]

Há três interpretações[47] concernentes ao sábado hoje: 1. Sabatismo dominical, que considera o domingo como o sábado cristão (transferência/modificação). Esta interpretação alega que o sábado do AT foi transferido para o domingo no NT, como modificação das regulações da guarda do sábado. 2. Sabatismo sabático, que considera o sábado semanal como a continuação do sábado bíblico (reformação/continuação). Esta interpretação, defendida pelos adventistas do sétimo dia, acredita que o sábado do AT era guardado por Jesus, que reformou o guarda do sábado por dispensar a regras humanos que o sufocavam. Este sábado reformado do AT continua a ser o sábado do NT. 3. Não sabatismo, que considera o sábado como tendo culminado em Cristo (cumprimento/transformação). Esta interpretação alega que o sábado do AT foi cumprido por Jesus, e que o simbolismo do sábado sinaítico tem sido transformado em outros símbolos na nova aliança. Os livros de Ratzlaff/Carson correspondem a esta visão não sabatista. A interpretação deles, embora diferentes em alguns detalhes, está, essencialmente, em concordância como os teólogos da igreja, Agostinho, Aquino e Calvino. Todos substituem o sábado com Cristo.

A tese não sabatista é esta: o sábado do quarto mandamento é apenas para Israel,[48] é, essencialmente, diferente do sábado da criação,[49] e é, meramente, um tipo do descanso-salvação que Cristo trouxera.[50] Portanto, assim como o sacerdócio, sacrifícios e profecias messiânicas, o sábado sinaítico encontrara tanto sua realidade[51] quando o seu cumprimento em Cristo.[52] O sábado, então, tem passado de uma transformação do descanso físico para a salvação em vez da transferência do sábado para o domingo.[53]

Por detrás de suas teses, os livros de Carson e Ratzlaff postulam uma diferença radical entre a antiga aliança e seu sábado, e a nova aliança e Cristo.[54] Entretanto, tal distinção entre as duas alianças não colocam em xeque a unidade do Antigo e do Novo Testamento e a unidade do plano da salvação? Deus muda? Ele é diferente no Novo Testamento e sua aliança do que Ele era no Antigo Testamento e sua aliança? A Bíblia é clara que Deus não muda (Ml 3:6). Ele, “ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre” (Hb 13:8).

De fato, a nova aliança é a mesma aliança eterna (Gn 17:13; Hb 13:20), com a antiga aliança sendo um recurso pedagógico temporário usado por Deus para libertar pessoas da escravidão, com uma visão de prepará-los para entrar na aliança eterna, que, em contraste com a antiga aliança, é chamada de a nova aliança. Este é a interpretação do “período histórico”, onde o novo é realmente mais velho que o antigo, mesmo que a antiga aliança seja um período histórico que precede a nova aliança como período histórico.

Há uma outra forma de olhar para as duas alianças. Esta é a interpretação “existencial” ou “experimental”. Aqui, a antiga aliança é uma resposta legalista ou baseada em obras a Deus, enquanto que a nova aliança é uma resposta de fé ou relacional a Ele. Nesta visão, Davi, que se deleitava na Lei de Deus (Sl 119:70), tinha a experiência da nova aliança, embora vivendo no período histórico da antiga aliança; assim como alguns crentes legalistas na Galácia (Gl 1:6–9) experenciavam a antiga aliança enquanto vivendo no período da nova aliança.

Portanto, se a nova aliança é a mesma aliança eterna, ambas são, então, o mesmo plano da salvação. Sábado, salvação e aliança eterna, cada um revela a vontade de Deus estar com a humanidade. Todos os três estão igualmente incluídos no evangelho eterno. Como tal, o sábado é uma ordenança da criação e não está ligado a antiga aliança passageira e temporária. Os livros de Carson/Ratzlaff falham em relacionar a nova aliança com a aliança eterna e o sábado com a criação. Relacionando o sábado unicamente com uma aliança temporal, uma dicotomia não bíblica entre a lei no AT e o evangelho no NT é feita.

Deve ser observado que enquanto nenhum escritor do NT duvida da importância da nova aliança, nenhum deles falam contra o sábado do sétimo dia, ou falam de sua substituição por meio da salvação de Cristo. Dada a sacralidade do sétimo dia (Êx 20:8–11), a pena de morte por falhar em guardá-lo no passado (Êx 31:14), o cativeiro babilônico resultou, em partes, pela quebra do sábado (Jr 17:17–27), e o apoio dos profetas ao sábado (Ez 20:12–24; 22:8, 26; 23:38; Is 56:2–6; 58:13–14; Ne 10:31; 13:15–22), esperar-se-ia um claro anúncio de qualquer mudança no sábado se tal fosse uma parte do evangelho das boas novas. Nenhum mandamento para abandonar o sábado do sétimo dia ou guardar qualquer outro dia existe no NT. Igualmente significante, Cristo nunca sugerira uma mudança de Seu sábado, o qual Ele guardava (Mc 1:21; 3:1; Lc 4:16–27; 13:10). Mesmo que Ele tivesse instituído a Ceia do Senhor para substituir a Páscoa (Mt 26:17–30), até mesmo designando o copo como “nova aliança no meu sangue” (Lc 22:20, cp. vv. 7–20).

Apesar desses fatos, a lei na antiga aliança, nos livros de Carson/Ratzlaff, é substituída pelo Espírito Santo na nova aliança.[55] O sábado é substituído pela Santa Ceia.[56] As distinções moral/cerimonial da lei não são consideradas a base bíblica autoevidente para qualquer continuidade/descontinuidade.[57]Em outras palavras, o sábado como lei moral não permanece para os cristãos baseando-se na lei moral (Decálogo).[58] O sábado é, até mesmo, colocado na categoria cerimonial.[59] Enquanto o quarto mandamento, na história, é dicotomizado como moral (tempo para Deus) e cerimonial (tempo da semana), como o “descanso” moral permanecendo, mas o “sétimo” cerimonial não;[60] esses livros veem a missão histórico-salvífica de Jesus como cumprindo/transformando, transcendendo/substituindo o sábado da antiga aliança.[61]

“Em resumo, o descanso físico do sábado do Antigo Testamento tem se tornado a descanso salvífico do verdadeiro sábado . . . a guarda do sábado agora demandada, é cessação da confiança em suas próprias obras (Hb 4:9–10).” Os antigos sábados têm sido “suplantado”, “transformado”.[62] A missão de Cristo trouxe o verdadeiro descanso sabático do tempo do fim no curso da história,” [63] descartando a lei no eclipse,[64] tornando-a obsoleta,[65] para que Ele ensinasse uma nova lei sabática,[66] e Sua ressurreição “cumpre o descanso intencionado pela sábado do Antigo Testamento.”[67]

Pelo menos, os livros de Ratslaff/Carson tentam entender o sábado à luz de Cristo, mesmo que sua tentativa seja uma falha sombria. Mas, ao menos, eles tentaram. Isso é mais do os judeus fizeram no tempo de Cristo com todas as suas seiscentas halakot, ou leis feitas por homens, para guardar o sábado. Os judeus inclinaram-se a tentar obter sua própria salvação por meio do sábado, não viram o Salvador por meio do sábado. Ao menos os livros de Ratslaff/Carson fizeram a tentativa. Mas, como veremos posteriormente, eles perderam de vista o aspecto mais importante da relação entre o sábado e o Salvador.

Carson e Ratzlaff negam que o sábado seja uma ordenança da criação,[68] afirmando que começa, tão somente, com Israel. Eles afirmam que sábado da criação era diferente em qualidade (descanso diferente) e em tempo (permanente, não um dia) dos sábados sinaíticos.[69] Isto é reminiscente do “sábado eterno” e do “sábado temporal” de Tertuliano. Eles notam que não há menção de tarde e manhã em conexão com o sétimo dia (Gn 2:2), como houvera com os outros seis dias (Gn 1:5, 8, 13, 19, 23, 31). Eles acreditam que o sétimo dia criação ficou em aberto, que o descanso sabático continuou até a queda. A missão salvífica de Cristo era uma nova criação por meio de Sua morte e ressurreição. Assim com a semana da criação foi concluída em um sábado terminado em aberto, a recriação de Cristo,[70] então, traz este “descanso divino de Gênesis 2:2–3.”[71] Afirma-se que “a verdade provada no Novo Testamento é a fé em Jesus. Não é o sétimo dia da aliança sinaítica.”[72] A guarda do sábado por Cristo é descartada como não sendo um exemplo válido cristãos,[73] mesmo que Ele estivesse rejeitando a halakah em vez do mandamento como fora dado por Deus.[74] Afirma-se que  o Concílio de Jerusalém (At 15) não requereu aos gentios guardar o sábado.[75]

Sumarizando ponto-chave do livro de Ratzlaff, por exemplo, vê o sábado da criação como descanso permanente (não um sétimo dia). Este sábado permanente fora interrompido pelo pecado, representado pelo sábado sinaítico, e restaurado com descanso de Cristo. O descanso de Cristo, agora, tem chegado; substitui o sábado do sétimo dia. As passagens bíblicas são interpretadas dentro desta conjuntura.[76]

Ratzlaff compara o sábado com um mapa. Esta analogia ajuda a perceber a consistente tentativa de Satanás de revestir a falsidade com a verdade, apresentar a Cristo como a razão para substituir o sábado, quando a todo o tempo Satanás é a razão pela mudança. Aqui está a analogia:

“O mapa e o guia da trilha tiveram funções importantes. Mas quando se chega no destino, é o momento de esquecer o mapa e olhar o local. É, então, assim com o sábado. Em vez de buscar guardar um dia santo, vamos ignorar o dia e caminhar em direção aos braços do nosso Santo Criador. Vamos entrar, ‘hoje’ em companheirismo, em um ‘descanso’ que continua para aqueles que creram.”[77]

O único meio de caminhar em direção aos braços de nosso Criador é trilhar o caminho do sábado, que é o memorial da Sua criação. Não há ‘ou um ou outro’ aqui. Não é Cristo ou o sábado. Em nenhum lugar nas Escrituras são os dois mutuamente exclusivos. Nós vamos a Ele pelo descanso (Mt 11:28), que é o único meio de experienciar o descanso sabático. Vamos a Ele, precisamente, para que possamos guardar todos os Seus mandamentos, incluindo o mandamento do sábado. Desobediência, incluindo a desobediência do sábado, é furto do descanso (Hb 4:3–11). Quando caminhamos em direção aos braços de nosso Santo Criador, caminhamos em direção aos braços do “Senhor do sábado” (Mt 12:8). “O que Deus ajuntou não o separe o homem” (ou o maligno), é um conselho bom tão maritalmente quanto teologicamente (Mt 19:6).

Sábado como Uma Ordenança da Criação

Embora Carson e Ratzlaff neguem o sábado como uma ordenança da criação,[78] estudiosos do passado têm apoiado a ordenança da criação do sábado. Por exemplo, Filo descreveu o sábado como “‘o nascimento do mundo’ e ‘o festival de não apenas uma única cidade ou país, mas do universo.’” Vimos que Tertuliano e Barnabé acreditavam que o sábado fora instituído na criação. Outros defendendo o sábado como uma ordenança da criação incluem Martinho Lutero,[79] João Calvino,[80] Alfred Edersheim,[81] C. F. Keil e F. Delitzsch,[82] Gordon J. Wenham,[83] Robert L. Dabney,[84] Roger T. Beckwith e Wilfrid Stott,[85] John Skinner,[86] John P. Lange[87] e James G. Murphy,[88] apenas para citar alguns, juntamente com The Bible Commentary,[89] e A Commentary, Critical, Experimental and Practical on the Old and New Testaments.[90]

Alguns estudiosos contemporâneos defendem, também, o sábado como uma ordenança da criação. Por exemplo, R. Alan Cole diz: “É altamente semelhante que as origens do sábado (como as origens do dízimo e da circuncisão) remontam a muito além da lei, mesmo que não haja nenhuma evidência bíblica direta para sua observância.”[91] Walter Elwell diz: “a conjuntura do sábado no relato bíblico da criação implica que é um daqueles mandamentos do AT que são para todos os homens, e não apenas para Israel.”[92] Alguns outros eruditos incluem D. A Rausch,[93] J. C. McCann Jr.[94] e J. H. Sailhamer.[95] Gordon J. Wenham declara: “a ideia do sábado é tão antiga como a criação em si.”[96] O fato do maná não cair aos sábados antes que os mandamentos fossem dados no Sinai (Êx 16), o termo “Lembra-te” do dia de sábado no quarto mandamento (Êx 20:8), ambos pressupõem um mandamento do sábado antes do Sinai.[97] As evidências sustentam o sábado como uma ordenança da criação. Não basta dizer que não há relato bíblico que os patriarcas guardassem o sábado. É igualmente verdadeiro que não há evidência bíblica que eles não guardassem o sábado. Argumentos de silêncio não são suficientes para chegar a um veredito, pois eles podem ser usados como evidência para conclusões opostas. Na melhor das hipóteses, tais argumentos cancelam um ao outro. Ainda mais importante é o fato que o relato bíblico se refere a guarda do sábado antes do Sinai. A conclusão lógica é perguntar-se de onde viera essa deferência do sábado. Envolveu um milagre de Deus, isto é, maná não caindo no sétimo dia. Desse modo, a santidade do sábado antes do Sinai é mostrada como sustentada pela ação de Deus em suprir uma dupla quantidade de maná na sexta para que o sétimo dia pudesse ser um dia de descanso. Parecia que tal prática está enraizada na bênção de Deus do sábado no fim da semana da criação (Gn 2:3).

O fato do sétimo dia não ter a designação usual “tarde e manhã” (Gn 2:3), como os outros seis dias da criação, de modo algum sugere que fosse, meramente, um sábado eterno interrompido pelo pecado a ser restaurado após a consumação, como alguns sugerem. Embora o relato da criação não faça menção do termo “sábado”, nem de um mandamento do sábado, a ação de Deus de abençoar o sétimo dia (Gn 2:2) deve ser compreendida no contexto de Suas outras duas bênçãos aos animais (Gn 1:22) e ao homem (Gn 1:28). Como J. G. Murphy discerniu: “o ato solene de abençoar e santificar é a instituição de uma ordem perpétua de descanso no sétimo dia: do mesmo modo que a bênção aos animais denotaram uma perpetuidade de auto-multiplicação, e a bênção ao homem indicou ainda mais uma perpetuidade do domínio sobre a terra e seus produtos.”[98] Subsequentes mandamentos do sábado identificam o sétimo dia da criação como o dia que Deus abençoou e separou Seu santo sábado (e.g., Êx 20:11, 31:15).

No tomo de Carson, A. T. Lincoln admite: “se a hipótese do sábado como uma ordenança da criação pudesse ser estabelecido, qualquer que fosse, então, a natureza temporária do sábado como parte da aliança mosaica, o apelo ainda poderia ser feito para a permanência da ordem para um dia de descanso como inerente a humanidade feita à imagem de Deus.”[99] A Bíblia declara o sábado do sétimo dia como uma ordenança da criação, dada a humanidade como um memorial eterno para celebrar as obras concluídas de Cristo (cp. Mc 2:27).

Em minha opinião, a falha mais séria dos livros de Carson e Ratzlaff é sua dicotomia não bíblica entre a obra de Cristo como criador e Sua obra como redentor, com a resultante descontinuidade entre o sábado do Antigo e do Novo Testamento. As Escrituras são claras que o Cristo que viera como Salvador da humanidade no NT é o mesmo que criara a humanidade como relatada no AT (Hb 1:1–3; Cl 1:15–17). Ambas são ações de Cristo como dons a toda a humanidade. Ambas foram dons criativos, criação do nada (ex nihilo) antes do pecado e da criação sem a contribuição humana após o pecado. A humanidade não fizera contribuição para quaisquer ações de Cristo. Ambas foram suas ações, realizadas pelo Seu poder, voluntária e decididamente como dons a toda a raça. Foi o mesmo Cristo que criara o sábado. Ele o abençoou e o separou dos outros seis dias, como um símbolo da diferença entre os dias laborais do homem e Sua necessidade de descansar na obra de Cristo. O sábado comparado com os seis dias da criação era um poderoso tipo significando que a obra do homem tem um limite. Humanos podem fazer coisas incríveis, mas nenhum humano pode criar a si mesmo, nem salvar a si mesmo. O sábado se seguiu a ambos os dons, pois Cristo criou os humanos na sexta-feira da criação e os redimiu na sexta-feira da crucifixão. O primeiro dia completo que seguiu ambas as criações por Cristo foi o sábado: celebrar a obra terminada de Cristo, e descansar nessa obra.

O que está faltando nos livros de Ratslaff/Carson, assim como na teologia de alguns líderes da igreja do passado (Agostinho, Aquino e Calvino) é o significado cristológico mais profundo dos atos de Cristo tanto na criação quanto na salvação em relação à celebração do sábado de Sua obra. O calço colocado entre o Antigo e o Novo Testamento falha em fazer justiça ao evangelho eterno revelado através das Escrituras. E a separação de Cristo do sábado falha em reconhecer o significado salvífico do sábado através das Escrituras. Leitores interessados em acompanhar o desvendar do significado do sábado através das Escrituras podem ler meu artigo “How to Survive the Coming Sunday-Law Crisis” (“Como Sobreviver A Chegada da Crise da Lei Dominical”) no Journal of the Adventist Theological Society, 2/1, Spring 1991. Em outras palavras, enquanto os autores pensam estar exaltando a Cristo rejeitando o sábado do sétimo dia, eles rejeitam, realmente, o significado de Cristo como Criador-Redentor.

O domingo tem, tradicionalmente, sido reconhecido como o sábado cristão por aqueles que acreditam que substituiu o sábado judaico em honra à ressurreição de Cristo. Esta é, de longe, a visão prevalecente dos cristãos por toda a literatura, dos tempos mais antigos até o presente. Esta ligação do domingo com o grande evento salvífico de Cristo é um exemplo a mais de revestir um ataque contra o sábado do sétimo dia com um manto cristão. A maioria dos Cristãos tem adquirido a identidade sem parar de pensar mediante as compreensões cristológicas que esta visão menospreza. Mas nem todos veem o domingo desse modo. É interessante que eruditos escrevendo no livro de Carson concluem que “é quase impossível crer que o domingo foi estabelecido como o Dia do Senhor, como uma santa convocação, e como uma resposta cristã à ordenança da criação na Palestina tão logo após a Ressurreição. Os argumentos contra esta posição são virtualmente conclusivos.”[100] Posteriormente, a mesma obra declara: “não se pode afirmar que o Novo Testamento em si provê garantia para a crença que, desde a Ressurreição, Deus designou o primeiro dia a ser observado como o sábado.”[101] Concernente ao sábado, admite-se que “Não há razão teológica convincente ou bíblica do porquê tem que ser o domingo.”[102]

Em contraste em ligar o domingo com a ressurreição de Cristo, e, portanto, enraizar o domingo em um evento do NT, a Teologia do Domínio liga o domingo com o sábado judaico do AT. Defensores da Teologia do Domínio estão argumentando em favor de uma restituição de todas as leis sabáticas em conexão com o domingo, incluindo o decreto de morte do sábado. Forças operando, agora, ao redor do mundo estão levando ao cumprimento de Apocalipse 13. Nesse capítulo, João prediz que os Estados Unidos guiarão o mundo para reverenciar e adorar a Igreja Católica (Ap 13:11) e para implementar sua observância dominical com um decreto de morte (Ap 13:14–15). Nunca antes desta época tinha existido uma lei sabática global. Paradoxalmente, a lei será promovida como um memorial da ressurreição de Cristo, mas propagada com impulso do AT. É necessário que o adventista do sétimo dia esteja preparado para dar uma razão do porquê o sétimo dia ainda é santo, e estar preparado para permanecer firme na verdade. Permanecer firme quando o mundo inteiro se prostra diante de uma imagem moderna sobre a planície de Dura (Dn 3:4–30) necessitará não apenas de saber o porquê o sétimo dia é o dia correto, mas o que significa observá-lo como sagrado. Para isto, agora, nos voltamos.

O Sábado Cristão

Cristo começou Seu ministério em um sábado (Lc 4:16), proclamando Sua missão de libertar os oprimidos e prisioneiros e anunciar “proclamar o ano da graça do Senhor” (Lc 4:18–19). Como Samuele Bacchiochi destaca, a maioria dos comentaristas se referem a esse ano como o Jubileu ou o Ano Sabático.[103] Cristo citou Isaías 61:1–2 clamando que “Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir” (Lc 4:21). Bacchiochi faz uma pergunta crucial sobre este cumprimento. Cristo viu o sábado como tipo que encontrou o seu cumprimento nEle ou Ele identificou Sua missão com o sábado?[104] Eu acredito que o sábado era um tipo de redenção. A cada semana trazemos alívio dos fardos do trabalho. Liberta os trabalhadores por um dia. Assim, o sábado semanal faz compreender a missão de cristo em libertar aqueles sobrecarregados com o pecado.

Mesmo que o sábado não fosse um tipo no sentido que encontrou seu cumprimento no antítipo e em seguida não tivesse mais sentido. Em Sua proclamação, Cristo identificou a Sua missão com a essência do sábado. Ele viera trazer descanso às pessoas cansadas do pecado e das doenças. Ele viera libertá-los nEle. Ele demonstrou por meio de milagres a total liberdade que Ele tinha a oferecer. E Ele escolhia, frequentemente, um sábado para realizar essa cura (Lc 4:31–37, 38–40; Mt 12:9–21; Lc 13:10–17; Jo 5:1–18; 9:1–41) para que a libertação física pudesse dar algum vislumbre da salvação espiritual que Ele viera oferecer. Cristo deu o sábado e a salvação para a humanidade. Ele ilustrou o dom da salvação por meio de milagres no sábado.

O dom sabático da liberdade deteriora-se em um dia de trabalho nos dias de Cristo. Haviam cerca de seiscentas halakot, ou regulações feitas por homens que que sufocavam o dia com cargas legalistas. O sábado não era mais um convite para libertar o fatigado. Tornara-se um instrumento de aprisionamento. Em forte contraste, Cristo veio libertar os prisioneiros, e ilustrou sua obra libertadora por meio do sábado. Ele veio ilustrar a essência esquecida do sábado (cp. Mt 5:17–19). Como Sua missão, o Sábado veio para libertar os prisioneiros.

Cristo estava bem ciente da lei cerimonial. Ele sabia que era um tipo de Si mesmo. A função do templo/santuário terrestre viera a ter um fim no Calvário. Os sacrifícios vieram a um fim em Seu sacrifício, a circuncisão deu lugar ao batismo adulto. O Concílio de Jerusalém (At 15:1–29) realizou-se para considerar o encargo dos fariseus que os gentios deveriam ser circuncidados de acordo com a lei de Moisés (v. 5). Pedro relatara ao Concílio que os gentios tinham recebido o Espírito Santo sem estarem circuncidados de acordo com a lei de Moisés (vv. 7–11). Paulo e Barnabé contaram das maravilhas e dos sinais miraculosos que Deus fizera entre os gentios (v. 12). Mas em lugar algum lemos que sábado foi substituído pelo domingo.

Tipos encontram o seu cumprimento em Cristo, a quem apontavam, e em Quem eles encontravam seu significado. E esses incluíam sábados cerimoniais, sábados que estavam conectados com festivais tais como a Festa dos Pães Asmos (Lv 23:6–8), Festa das Semanas (Lv 23:15–16, 21), Festa das Trombetas (Lv 23:24–25), Dia da Expiação (Lv 23:28, 32) e as Festa dos Tabernáculos (Lv 23:24, 39). Esses sábados cerimoniais vieram a um fim com as festas cerimoniais de quais eles eram uma parte.

O cessar desses sábados cerimoniais é o conteúdo da declaração de Paulo em Colossenses 2:16–17: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.” Paulo, claramente, não estava falando da lei moral dos Dez Mandamentos. A separação do dia de sábado—“um dia entre sete” para se descansar—do dia sétimo especificado, designando primeiro moral e o segundo cerimonial, não tem fundamentação bíblica ou teológica.

O sábado do sétimo dia deve ser mais do que um tipo. O fato que Cristo via o sábado em um contexto muito mais amplo é visto quando Ele diz: “O Filho do Homem é o Senhor do Sábado” (Mt 12:8; Mc 2:28; Lc 6:5). Cristo, também, disse: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Mc 2:27 [NVI]). Cristo não disse que o sábado fora feito para os judeus, mas para a humanidade. Cristo, claramente, está rejeitando os confins nacionais postos sobre o sábado por pensadores humanos e corretamente o põe em seu contexto global. Isto equivale dizer que o sábado é uma ordenança da criação. O sábado, como compreendido por Cristo rompe as barreiras das tradições e das nações e é, solidamente, posto em seu contexto mais amplo como transcultural e transgeracional.

Como Gerhard Hasel expressou:

“O Filho do Homem, como Senhor, determina o verdadeiro significado do sábado. As atividades sabáticas de Jesus não são nem provocações danosas nem mero protestos contra restrições legalistas rabínicas, mas são o reino de Deus no qual é ensinado ao homem o significado original do sábado como o proléptico semanal recorrente ‘dia do Senhor’ no qual Deus manifesta seu reinado de salvação e de cura sobre o homem.”[105]

O Novo Testamento corrobora esta conclusão, pois o significado secundário de Hebreus 4 declara que ainda permanece um descanso sabático do sétimo dia (katapausis) para o povo de Deus (vv. 4–5), e Hebreus foi escrito em 70 E.C., aproximadamente quarenta anos após a crucifixão de Cristo (a qual estudiosos parecem descontinuar o sábado por ser um tipo) e a ressurreição (a qual estudiosos parecem mudar o sábado para o primeiro dia). Hebreus 4 nega a possibilidade de qualquer uma dessas razões tanto para o fim do sábado quanto a sua mudança. Hebreus 4 concorda com a ligação de Cristo de sábado como raça humana inteira sem exceção relativa para os períodos do Antigo e do Novo Testamento.

O sábado cristão é o dia feito sagrado santo por Cristo na criação do mundo. Foi Cristo que criou o planeta e Adão e Eva. Foi ele que descansou no sétimo dia, separando-o como santo. Foi este sétimo dia dado a humanidade que Cristo guardou enquanto vivia na terra como o Deus-homem. Ele não guardou o sábado porque ele era um judeu, ainda que isto possa ser dito acerca de Sua circuncisão e a observância da Páscoa. Em contrapartida, Ele guardava o sábado como Ele guardava todos os Dez Mandamentos. Nisto Ele é um exemplo para todos os humanos e não apenas os judeus. É o mesmo sábado que Cristo guardou que será eternamente guardado na nova terra (Is 66:22–23). O Concílio de Jerusalém (At 15:1–29) não diz nada acerca da mudança de mudar o sábado para o domingo.

O Teste do Sábado no Tempo do Fim

Dale Ratzlaff rejeita o sábado tanto como o selo de Deus como uma verdade de provação no tempo do fim. Ele diz: “Em nenhum lugar no Novo Testamento encontra-se este tipo de evangelismo ensinado ou praticado. Em contrapartida, o evangelismo no Novo Testamento é sempre uma proclamação das boas novas do evangelho de Jesus Cristo!” Ademais, continua ele: “O ‘método evangelístico tradicional’ adventista do sétimo dia, como mencionado acima, destrói o evangelho. Tira o evangelho do centro põe a observância do sábado como “o teste probatório.”[106]

É Ratzlaff que tira o sábado do seu contexto evangelístico, e extrai as boas novas acerca de eventos vindouros. Ademais, nenhuma leitura cuidadosa de Apocalipse 13–20 pode escapar do fato que a besta e sua imagem é fator significante em um teste de fim do tempo sobre o evangelho de Cristo. Consideraremos esta dimensão omitida do evangelho nesta seção e veremos que o sábado é, de fato, a essência do evangelho no tempo do fim. Não há evangelho sem o sábado, nem sábado sem o evangelho. Os dois estão, indissociavelmente, combinados nas Escrituras e nos eventos do tempo do fim. Um ataca contra um é um ataque aos dois. Este é um problema sério do livro de Ratzlaff que ele ignora por completo. Enquanto tentando defender o evangelho, ele rejeita o sábado de Cristo que o magnifica. O fato triste no tempo do fim é que a separação do sábado de Cristo leva, inexoravelmente, à separação dEle, ou a rejeição de Cristo leva a rejeição de Seu sábado.

Satanás já clamou oferecer uma existência mais exaltada àqueles que libertassem a si mesmo de Cristo. Isto tomou lugar nos céus, no Éden e será, novamente, oferecido no tempo do fim.

“Até ao final da controvérsia no Céu, o grande usurpador continuou a justificar-se. Quando foi anunciado que, juntamente com todos os que com ele simpatizavam, deveria ser expulso das habitações de bem-aventurança, o chefe rebelde confessou então ousadamente seu desdém pela lei do Criador. Reiterou sua pretensão de que os anjos não necessitam ser dirigidos, mas que deveriam ser deixados a seguir sua própria vontade, que sempre os conduziria corretamente. Denunciou os estatutos divinos como restrição à sua liberdade, declarando ser de seu intento conseguir a abolição da lei; que, livres desta restrição, as hostes do Céu poderiam entrar em condições de existência mais elevada, mais gloriosa. Concordantemente, Satanás e sua hoste lançaram a culpa de sua rebelião inteiramente sobre Cristo. . . .”[107]

No Éden, Satanás disse a Eva que tronar-se-ia como Deus se ela comesse do fruto (Gn 3:5). “ . . . enquanto comia, pareceu-lhe sentir um poder vivificador, e imaginou-se a entrar para uma esfera mais elevada de existência.”[108] No tempo do fim, “Por meio do espiritismo Satanás aparece como benfeitor da humanidade, curando as doenças do povo e pretendendo apresentar um novo e mais elevado sistema de fé religiosa; ao mesmo tempo, porém, ele opera como destruidor.”[109]

Através do grande conflito esta experiência mais exaltada tem sido igualada com liberdade da Lei de Deus. Como, acima, destacado, nos céus, Satanás “confessou então ousadamente seu desdém pela lei do Criador. . . . Denunciou os estatutos divinos como restrição à sua liberdade . . .”[110] Ademais, no tempo do fim, Satanás virá impôr sua lei dominical com um decreto de morte (Ap 13:11–15)!

“O último grande conflito entre a verdade e o erro não é senão a luta final da prolongada controvérsia relativa à lei de Deus. Estamos agora a entrar nesta batalha – batalha entre as leis dos homens e os preceitos de Jeová, entre a religião da Bíblia e a religião das fábulas e da tradição.”[111]

No tempo da grande tribulação, Satanás virá como Cristo e reinará no planeta terra. Ele tem sempre almejado tomar a posição de Cristo e receber a adoração devida a Ele apenas. Ele governará sobre bilhões de humanos como o Salvador, quando ele tem, na realidade, lhes roubado a vida eterna. “Ao mesmo tempo em que aparece aos filhos dos homens como grande médico que pode curar todas as enfermidades, trará moléstias e desgraças até que cidades populosas se reduzam à ruína e desolação.”[112] Ele enviará tornados, saraivadas, dilúvios, terremotos “em toda parte e sob milhares de formas” e declarar “que os homens estão ofendendo a Deus pela violação do descanso dominical; que este pecado acarretou calamidades que não cessarão antes que a observância do domingo seja estritamente imposta; e que os que apresentam os requisitos do quarto mandamento, destruindo assim a reverência pelo domingo, são perturbadores do povo, impedindo a sua restauração ao favor divino e à prosperidade temporal.”[113]

Quando os anjos cessarem de segurar os ventos de guerra no tempo do fim (Ap 7:1–3), tribulações sem precedentes derramar-se-ão sobre o planeta. Tais desastres incluirão desastres naturais e colapso moral. “Os que honram o sábado bíblico serão denunciados como inimigos da lei e da ordem, como que a derribar as restrições morais da sociedade, causando anarquia e corrupção, e atraindo os juízos de Deus sobre a Terra.”[114]

“Comunicações por parte dos espíritos declararão que Deus os enviou para convencer de seu erro os que rejeitam o domingo, afirmando que as leis do país deveriam ser obedecidas como a lei de Deus. Lamentarão a grande impiedade no mundo, apoiando o testemunho dos ensinadores religiosos de que o estado de rebaixamento da moral se deve à profanação do domingo. Grande será a indignação despertada contra todos os que se recusam a aceitar-lhes o testemunho.”[115]

Após o encerrar da provação, Satanás causará devastação. “O mesmo poder destruidor exercido pelos santos anjos quando Deus ordena, será exercido pelos maus quando Ele o permitir. Há agora forças preparadas, e que aguardam apenas o consentimento divino para espalharem a desolação por toda parte.”[116]

A Trindade da impiedade de Satanás,[117] o dragão (paganismo, Ap 12:4), a besta (catolicismo, Ap 13:1–3) e o falso profeta (protestantismo apostatado, Ap 13:11–12) enganará as nações por meio de milagres e traze-lhes-á para a batalha do Armagedom (Ap 16:12–16). O verdadeiro cristo, então, é descrito como um cavaleiro branco em um cavalo branco vindo para a guerra (Ap 19:11); “Então vi a besta, os reis da terra e os seus exércitos reunidos para guerrearem contra aquele que está montado no cavalo e contra o seu exército” (Ap 19:19). Aqui estão os dois lados. Aqueles que seguem a contrafação de Cristo, os que impõem o domingo, e aqueles que seguem o Cristo genuíno, os que guardam o sábado. “A questão do sábado será o ponto controverso no grande conflito final em que o mundo inteiro será envolvido.”[118] A questão do sábado “agitará o mundo inteiro,”[119] quando todo o mundo maravilhar-se e seguir a besta (Ap 13:3). “ A substituição da lei de Deus pelas dos homens, a exaltação, por autoridade meramente humana, do domingo, em lugar do sábado bíblico, é o derradeiro ato do drama. Quando essa substituição se tornar universal, Deus Se revelará. Ele Se erguerá em Sua majestade para sacudir terrivelmente a Terra.”[120]

No conflito vindouro: “O mundo todo há de ser instigado à inimizade contra os adventistas do sétimo dia, porque eles não rendem homenagem ao papado, honrando o domingo, instituição desse poder anticristão.”[121] “Como o sábado se tornou o ponto especial de controvérsia por toda a cristandade, e as autoridades religiosas e seculares se combinaram para impor a observância do domingo, a recusa persistente de uma pequena minoria em ceder à exigência popular, fará com que esta minoria seja objeto de ódio universal.”[122]

“Virá o tempo em que, por defendermos a verdade bíblica, seremos considerados traidores.”[123]

“A riqueza, o talento e a educação hão de aliar-se a fim de cobri-los de ignomínia.  Juízes perseguidores, pastores e membros de igreja, hão de conspirar contra eles. De viva voz e com a pena, com ameaça, escárnio e zombaria, hão de tentar derrotar a sua fé.”[124] “Satanás tem milhares de meios de agressão disfarçados, que serão usados contra o leal povo de Deus que guarda os mandamentos, para compeli-los a violentar a consciência.”[125] “Todo o que nesse dia mau se dispuser a servir a Deus com destemor, segundo os ditames de sua consciência, necessitará de coragem, firmeza e do conhecimento de Deus e Sua Palavra; pois os que forem fiéis a Deus serão perseguidos, seus motivos impugnados, desvirtuados seus melhores esforços e seus nomes repudiados como um mal.”[126]

O que acontecerá quando esta crise alcançar os adventistas do sétimo dia? “. . . a grande proporção dos que agora permanecem genuínos e verdadeiros, demonstrar-se-á metal vil. . . .”[127] Muitos, então, sairão dessa igreja que “talvez pareça como prestes a cair, mas não cairá. Ela permanece, ao passo que os pecadores de Sião serão lançados fora no joeiramento —a palha separada do trigo precioso. É esse um transe terrível, não obstante importa que tenha lugar.”[128]

Como Preparar-se para A Crise Vindoura

Para sobreviver à provação do sábado, necessitamos experienciar o descanso sabático: a provação do sábado vai muito além de números. Transcende que dia é o sétimo. Atinge a essência do sábado em si. O sábado ensina a “distinção entre o Criador e Suas criaturas.”[129] Isto é, precisamente, o que Satanás tem se recusado a reconhecer desde o começo de sua rebelião. No tempo do fim, Satanás procura substituir o seu Criador quando vier imitando a Cristo e promovendo o domingo.

Os santos do tempo do fim não se preocuparão acerca da oposição em escala mundial contra eles. Isto porque a guarda do sábado é mais do que um dia—é uma experiência. Eles guardam o sábado de Cristo e podem, então, descansar nEle. Eles experienciam o descanso sabático em um Criador a quem apenas pode fazê-los suportar todas as coisas. Eles reconhecem que eles não fizeram nada para entrar neste mundo, nem podem fazer nada para ganhar o direito a entrar no mundo vindouro. Cristo tem feito por eles o que eles nunca poderiam ter feito por eles mesmos—Ele lhes criou e lhes redimiu. O sábado é descansar nesta dupla obra terminada de Cristo.

Isto é o porquê o Sábado segue-se a sexta-feira da criação (Gn 2:2) e a sexta-feira da crucifixão (Lc 23:54–24:1). Propriamente compreendidos, ambos os sábados foram tempo de celebrar a obra terminada de Cristo: Sua obra terminada da criação e Sua obra terminada da redenção. É descansar nessas obras de Cristo que é a verdadeira essência do descanso sabático. Descansamos nEle como nosso Criador-Redentor. O Salmo 91 fala deste descanso durante os eventos finais no planeta terra. “Aquele que habita no abrigo do Altíssimo e descansa à sombra do Todo-poderoso pode dizer ao Senhor: ‘Tu és o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio.’  Ele o livrará do laço do caçador e do veneno mortal. Ele o cobrirá com as suas penas, e sob as suas asas você encontrará refúgio; a fidelidade dele será o seu escudo protetor. Você não temerá o pavor da noite, nem a flecha que voa de dia, nem a peste que se move sorrateira nas trevas, nem a praga que devasta ao meio-dia. Mil poderão cair ao seu lado, dez mil à sua direita, mas nada o atingirá. Você simplesmente olhará, e verá o castigo dos ímpios. Se você fizer do Altíssimo o seu abrigo, do Senhor o seu refúgio, nenhum mal o atingirá, desgraça alguma chegará à sua tenda” (Sl 91:1–10).

Há muitos textos do AT contendo referências tipológicas à batalha final entre a verdade e o erro. É bom ler tais textos até fixá-los na memória para dar-nos coragem quando enfrentarmos o tempo quando o sábado “será o grande ponto em litígio.”[130] Esses textos incluem Josué 10:7–14 e Jó 38:22–23, que indicam que Deus usa saraivada como um arma contra os inimigos de Seu povo. Ap 16:17–21 mostra que Ele usará, novamente, na sétima praga. Diversos textos falam de Deus fazendo os inimigos se matarem uns aos outros, e.g., em Juízes 7:19–14; 20 Samuel 2:23–22; 19 Crônicas 24:8–38; Isaías 1:2, 14:23–2; Ezequiel 22:20–19; Ageu 31:9. Outras batalhas que tipificam o Armagedom incluem Juízes 4–5; 1 Reis 18:16–40; Isaías 34:8–10; Jeremias 25:12–15, 29–38 e Zacarias 14:13. Finalmente, Isaías 63:1–6 é típico da descrição do Armagedom em Apocalipse 19:14–21. Todos esses textos partilham um fato comum: sem Cristo a vitória é impossível. Em batalhas passadas, o povo de Deus estava completamente desfalcado. Eles sentiam-se sem socorro, mas descansavam em seu único Ajudador. Esta é a essência do descanso sabático na batalha vindoura.

O êxodo do Egito é um tipo de êxodo deste mundo durante os eventos finais: era importante para os filhos de Israel reconhecer sua necessidade absoluta de Deus para escapar. Tanto Deus quanto eles têm uma parte. A parte deles era infinitesimalmente pequena, mas essencial. Deus disse ao líder: “pise na água e Eu farei o resto”. Israel entrou no Mar Vermelho e o atravessou em chão seco, enquanto Deus abriu as águas para uma travessia segura. Quando eles atravessavam o caminho em meio às paredes de água, com o maior exército do mundo lhes perseguindo, eles poderiam, unicamente, procurar a Deus por sobrevivência. Se no caso eles sabiam ou não, eles experienciaram a essência do sábado—experienciaram a distinção entre o Criador e eles mesmos como criaturas.

No êxodo final, os santos de Deus terão todo o suporte terrestre tomado deles. Eles não poderão comprar nem vender (Ap 13:17), o mundo é contra eles (Ap 13:3, 12), e um decreto de morte cairá sobre suas cabeças (Ap 13:15). Tudo o que eles podem fazer é descansar em Deus, compreendendo que é da Sua alçada fazer-lhes prosseguir. A alçada deles é confiar nEle completamente. Eles clamarão como Israel clamou no tempo de Jeosafá: “Ó nosso Deus, não irás tu julgá-los? Pois não temos força para enfrentar esse exército imenso que vem nos atacar. Não sabemos o que fazer, mas os nossos olhos se voltam para ti” (2 Cr 20:12). Deus respondeu: “Não tenham medo nem fiquem desanimados por causa desse exército enorme. Pois a batalha não é de vocês, mas de Deus. . . . Vocês não precisarão lutar nessa batalha. tomem suas posições, permaneçam firmes e vejam o livramento que o Senhor lhes dará, ó Judá, ó Jerusalém” (2 Cr 20:15, 17).

Foi, assim, no Êxodo. “Moisés respondeu ao povo: Não tenham medo. Fiquem firmes e vejam o livramento que o Senhor lhes trará hoje, porque vocês nunca mais verão os egípcios que hoje veem” (Êx 14:13–14). Tudo o que Israel tinha que fazer era seguir a instrução de Deus para cruzar adiante. Ele fez o resto. Ele protegeu Seu povo (Êx 14:19). “Mas os israelitas atravessaram o mar pisando em terra seca, tendo uma parede de água à direita e outra à esquerda. Naquele dia o Senhor salvou Israel das mãos dos egípcios” (Êx 14:29–30), e confundiu os egípcios. “Fez que as rodas dos seus carros começassem a soltar-se, de forma que tinham dificuldade em conduzi-los. E os egípcios gritaram: “Vamos fugir dos israelitas! O Senhor está lutando por eles contra o Egito” (Êx 14:25), e “Ninguém sobreviveu” (Êx 14:28). Ele lutou poderosamente por Israel em uma libertação que foi rápida, completa e final.

Sem surpresas o Israel libertado cantou o cântico de Moisés: “Cantarei ao Senhor, pois triunfou gloriosamente. Lançou ao mar o cavaloe o seu cavaleiro! O Senhor é a minha força e a minha canção; ele é a minha salvação! Ele é o meu Deus e eu o louvarei, . . . Senhor, a tua mão direita foi majestosa em poder. Senhor, a tua mão direita despedaçou o inimigo. Em teu triunfo grandioso, derrubaste os teus adversários. Enviaste o teu furor flamejante, que os consumiu como palha.  Pelo forte sopro das tuas narinas as águas se amontoaram. As águas turbulentas firmaram-se como muralha; as águas profundas congelaram-se no coração do mar. . . . Com o teu amor conduzes o povo que resgataste; com a tua força tu o levas à tua santa habitação” (Êx 15:1, 2, 6–8, 13).

Após o êxodo, Cristo adicionou uma nova razão para a guarda do sábado além de lembrarem dEle como Criador. Ele disse: “Lembra-te de que foste escravo no Egito e que o Senhor, o teu Deus, te tirou de lá com mão poderosa e com braço forte. Por isso o Senhor, o teu Deus, te ordenou que guardes o dia de sábado” (Dt 5:15). Compreendido corretamente, a dependência completa de Cristo no êxodo é a essência do sábado: descansar nEle.

O meio para preparar-se para a crise vindoura é lembrar-se que Cristo é nosso Criador e Redentor. Necessitamos entrar no abrigo da presença de Deus, permanecermos nEle, e permitir a Ele aprofundar nosso relacionamento com Ele através do estudo bíblico, comunhão e por meio da plenitude do “Espírito de Cristo” (Rm 8:9). Não somente até compreendermos a distinção entre nós e nosso Criador, até que não encontremos nada louvor em nós, enaltecê-lO e nos preparar para o céu, realmente, descansaremos nEle. Descansar nEle é o coração do Evangelho. São as boas novas que nEle somente está nosso e nosso merecimento para os céus.[131] “Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever” (Lc 17:10). Foi-se a confiança em obras, em posição e em título. Temos nos tornado como crianças (Mt 18:3)—confiando em Cristo apenas. Guardar o sábado é mais do que guardar um dia, é ser guardado por Cristo nesse dia. É um dia que nos relembra que Ele significa tudo para nós. É um dia no qual encontramos somente nEle nosso valor próprio. Que nos conta que Ele nos fez e nos redimiu. Nos importamos com Deus.

O Israel Moderno virá às margens do Mar Vermelho quando a lei dominical e o decreto de morte moverem-se contra eles, e o mundo inteiro cercar-lhes como o inimigo. Agora, o êxodo tipológico tem encontrado seu antítipo cósmico. Um agravo em escala mundial, incluindo o “tempo de angústia como nunca houve” (Dn 12:1), virá sobre o remanescente de Deus. Todo suporte terrestre ter-se-á acabado. Eles terão unicamente Aquele a quem podem agarrar-se. Como Jacó agarrou-se a Cristo (Gn 32:22–26). Cristo prometeu aos santos: “Nunca o deixarei, nunca o abandonarei”  (Hb 13:5) pois “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mt 28:20). Permanecendo conosco na fornalha ardente final (Dn 3:25): “Ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, ele mesmo lhes providenciará um escape, para que o possam suportar” (1 Co 10:13). Ele prometeu: “Visto que você guardou a minha palavra de exortação à perseverança, eu também o guardarei da hora da provação que está para vir sobre todo o mundo, para pôr à prova os que habitam na terra” (Ap 3:10). Escuridão será a noite do fim deste mundo, mas o livramento será mais brilhante e glorioso. Ele permanecerá conosco nas fossas e abrirá um caminho nos eventos finais.

Os santos atravessarão o chão à seco como Cristo como Cristo fez com as águas devastadoras prontas para destruir o remanescente. Libertação virá e o santos cantarão “um cântico novo diante do trono, dos quatro seres viventes e dos anciãos. Ninguém podia aprender o cântico, a não ser os cento e quarenta e quatro mil que haviam sido comprados da terra” (Ap 14:3). Este “canto, pois é o de sua experiência – e nunca ninguém teve experiência semelhante. . . . ‘Estes são os que vieram de grande tribulação;’ passaram pelo tempo de angústia tal como nunca houve desde que houve nação; suportaram a aflição do tempo da angústia de Jacó; permaneceram sem intercessor durante o derramamento final dos juízos de Deus.”[132]

O que é este cântico que eles cantam? Eles cantam o cântico de Moisés e do Cordeiro. “Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus todo-poderoso. Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações. Quem não te temerá, ó Senhor? Quem não glorificará o teu nome? Pois tu somente és santo. Todas as nações virão à tua presença e te adorarão, pois os teus atos de justiças e tornaram manifestos” (Ap 15:3–4). Como o Antigo Israel após o êxodo, eles não cantam sobre eles mesmos. Eles cantam sobre Cristo. Eles adoram e louvam a Ele somente. Isto revela quão opostos são de Satanás. Enquanto sabem a distinção entre o Criador e criaturas, Satanás nega este fato. Os perdidos são aqueles que tentam tomar o lugar de Deus e perdem o seu próprio lugar. Os salvos reconhecem o lugar de Cristo e ficam contentes com o deles. Eles não tentam ser Deus. Eles descansam em seu Criador-Redentor. Eles guardam o sábado de Cristo porque Ele lhes protege.

A diferença crucial entre os salvos e os perdidos é este entendimento e aceitação da distinção entre Cristo e eles. Os salvos experienciarão esta distinção em seu descanso nEle. Isto é o que terão no êxodo final, nos eventos finais. Esta é a essência do sábado. Esses são os que descansam em Cristo apenas e durante a eternidade cantarão sobre Ele e sua experiência no tempo do fim (Ap 14:3). Se seu é digno cantar no Monte Sião (Ap 14:1–3), ou nos Céus (Hb 12:22–23), ou na nova terra, deve, então, ser digno de continuar adiante. É desta perspectiva que precisamos considerar os eventos finais, pois eles serão um descanso sabático nEle que fará os santos cantarem na vida porvir o cântico de libertação.

Central para a libertação no Mar Vermelho e nos eventos finais é a libertação do Calvário: Cristo, ali, não ficou livre das águas. Ele sucumbiu à morte que merecemos. Tornou-se o inimigo em nosso lugar. Foi como se Ele tivesse se tornado o exército egípcio e a besta babilônica. Ele que não tinha pecado, tornou-se pecado por nós (2 Co 5:21), tomou nosso lugar, morreu a nossa morte (Rm 4:25), para que pudéssemos atravessar o chão à seco. Sem surpresas, cantaremos, para sempre, o cântico de Moisés e do Cordeiro, o cântico de libertação. Descansar em Sua salvação é o coração do Evangelho e essência do sábado. Todas as tentativas de mudar o sábado, mesmo por meio de um viés cristão, são tentativas rebeldes de salvar a si mesmo, atravessar com suas próprias forças, e negar ao Salvador a distinção correta entre Ele como Criador-Redentor e os humanos como Suas criaturas dependentes.


Notas

[1] Ellen G. White, Signs of the Times, 12 de março de 1896.

[2] Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p.33.

[3] Ellen G. White coloca desta maneira: “A lei faz o pecado parecer excessivamente pecaminoso. Condena o transgressor, mas não tem poder para salvá-lo ou restaurá-lo. Sua alçada não é perdoar. O perdão vem por meio de Cristo, que vivia a lei na humanidade. A única esperança do homem está no Substituto provido por Deus, que deu o Seu Filho, para que pudesse reconciliar o mundo consigo,” Advent Review and Herald, 25 de julho de 1899.

[4] Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 36.

[5] Ibid., p. 38.

[6] Ibid., p. 40.

[7] Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 499.

[8] Ibid., p. 501.

[9] Ibid., p. 591.

[10] Para maiores detalhes, ver Samuele Bacchiocchi, From Sabbath to Sunday (Rome: The Pontifical Gregorian Univeristy Press, 1977), pp. 27-29.

[11] Justin Martyr, The Ante-Nicene Fathers, (daqui em diante ANF), (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1989), 1:208.

[12] Tertullian, ANF, 3:155

[13] Barnabas, ANF, 1:146.

[14] Tertullian, Ibid.

[15] Ibid., 3:363.

[16] Barnabas, ANF, 1:146.

[17] Ibid., 1:147.

[18] Augustine, Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church, ed. Philip Schaff, (Edinburgh: T & T Clark, 1987), 5/93, (daqui em diante aparecerá como NPNF).

[19] Augustine, NPNF, 6:515-516.

[20] Ibid., 7:115, 132.

[21] Ibid., 8:456–457.

[22] Ibid., 7:132.

[23] Ibid., 7:24.

[24] Ibid., 7:247.

[25] Ibid., 5:95–96.

[26] Disse Inácio: “‘Ele virá e nos salvará.’ Portanto, não guardemos mais o sábado conforme o modo judeu que se regozija em dias de ociosidade; pois ‘Aquele que não trabalha, não coma.’ Diz, pois, os oráculos [sagrados]: ‘Com o suor do teu rosto, comerás o teu pão.’ Mas que cada um de vocês guardem o sábado de forma espiritual, regozijando-se em meditação na lei, não em ociosidade do corpo, admirando os feitos de Deus e não comendo coisas preparadas no dia anterior, não usando bebidas aquecidas, e andando dentro de um espaço prescrito, não encontrando deleite em danças e aplausos que não têm qualquer sentido. E de acordo com a observância do sábado, que cada amigo de Cristo guarde o Dia do Senhor como um festival, o dia da ressurreição, a rainha e chefe de todos os dias [da semana),” Ignatius, ANF, 1:62–63.

[27] Augustine, NANF, 8:453.

[28] Ibid., 2:511.

[29] Thomas Aquinas, St. Thomas Aquinas Summa Theologica (Westminster, MD: Christian Classics, 1981), 2:1110, (Q. 107, Art. 2).

[30] Ibid.

[31] Ibid.

[32] Ibid., 1:354, (Q. 73 Art. 2).

[33] Ibid.

[34] Ibid.

[35] John Calvin, Institutes of the Christian Religion (London: James Clarke & Co., Ltd., 1962), trad. Henry Beveridge, 1:340, (2.8.30).

[36] Ibid., 1:339, (2.8.28).

[37] Ibid., 2:341, (2.8.30).

[38] Ibid., 1:342, (2.8.32).

[39] Ibid., 1:343, (2.8.34).

[40] Ibid.

[41] Ibid., 1:344, (2.8.34).

[42] Dale Ratzlaff, Sabbath in Crisis (Applegate, CA: Life Assurance Ministries, 1989-1990).

[43] Ibid., p. 310.

[44] D. A. Carson, ed, From Sabbath to Lord’s Day, A Biblical, Historical and Theological Investigation (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1982). Nesse mesmo ano, a Igreja Adventista do Sétimo Dia publicou sua própria contribuição: Kenneth A Strand ed., The Sabbath in Scripture and History (Washington D.C.: Review and Herald, 1982). Essas contribuições não fazem referência uma a outra, mas alguns dos argumentos encontrados em “From Sabbath to Lord’s Day” são respondidos em “The Sabbath in Scripture and History.”

[45] Samuele Bacchiocchi, From Sabbath to Sunday, A Historical Investigation of the Rise of Sunday Observance in Early Christianity (Rome, Italy: The Pontifical Gregorian Univ. 1977).

[46] No Journal of the Adventist Theological Society 2/1, pp. 153-154, fiz referência a esses livros destacando a necessidade de um artigo separado (nota de rodapé 6). O presente artigo é, em parte, para satisfazer esta necessidade.

[47] Dale Ratzlaff, Sabbath in Crisis, pp. 274-277.

[48] Dale Ratzlaff, p. 41. O sábado originou-se em Israel, (D. A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, pp. 23-24), não foi uma ordenança da criação, p. 34, cp pp. 349-350; e é transcendido por Cristo, p. 364.

[49] Dale Ratzlaff, Sabbath in Crisis, pp. 245-263. Gênesis 1–2 não institui um sábado semanal (D.A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, p. 198).

[50] A nova aliança interpreta, modifica e transforma as leis da antiga aliança (incluindo o sábado), com referência a Cristo como o centro da nova aliança (Sabbath in Crisis, p. 81).

[51] O sábado está comparado a um mapa que serve meramente como guia de orientação ao destino. Com Sua chegada, não tem mais serventia (Sabbath in Crisis, p. 267). Com referência óbvia a Hebreus 4:9, Ratzlaff clama: “O descanso ‘sabbatismos’ (em grego) da nova aliança é melhor do que o descanso ‘sabbaton’ (em grego) da antiga aliança, pois lida com a realidade da antiga aliança unicamente prefigurada. Move-se da observância para a experiência (Dale Ratzlaff, Sabbath in Crisis, p. 268). “Jesus vê a lei como essencialmente profética dEle e de Seu ministério” (D.A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, p. 84). “A vida, a morte, a ressurreição e os ensinamentos de Cristo jogam a lei em segundo plano” (From Sabbath to Lord’s Day, p. 126). A lei do AT era transitória, imperfeita e inferior a Cristo (op. cit., pp. 376-377). “Cristo traz a realidade espiritual; Sua obra cumpre o propósito do sábado, e Cristo cumpre o propósito pelo qual o sábado existiu. A realidade do descanso soteriológico suplanta o sinal” (op. cit. p. 215).

[52] Dale Ratzlaff, Sabbath in Crisis, pp. 223-236, 293; D. A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, pp. 113, 369, 373-374.

[53] [parcial]Dale Ratzlaff, Sabbath in Crisis, pp. 265; D. A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, pp. 134–135, 214, 216, 374. Cp. p. 282. Aqueles que negam qualquer ligação entre o domingo e o quarto mandamento incluem Tyndale, Peter Helyn, J. A. Hessey e Willy Rordorf. Entre aqueles que aceitam o domingo como ligado ao quarto mandamento são Roger Beckwith e Wilfrid Stott (Ver Roger T. Beckwith and Wilfrid Stott, The Christian Sunday, A Biblical and Historical Study (Grand Rapids, MI: Baker, 1980), pp. vii-x.

[54] Cp. “Não se pode caminhar entre duas direções; ou se é um discípulo de Jesus ou um discípulo de Moisés” (Dale Ratzlaff, Sabbath in Crisis, p. 128, cp. p. 135, cp. p. 138).

[55] Ibid., pp. 187-188. cp. A ressureição cumpre/substitui o sábado (D. A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, p. 205).

[56] Dale Ratzlaff, Sabbath in Crisis, p. 265. “Não mais deve-se ‘lembra-se do dia de sábado para santificá-lo,’ mas FAÇAM ISTO EM MEMÓRIA DE MIM(Sabbath in Crisis, p. 274), cp. “É, portanto, possível que, no Quarto Evangelho, o próprio Jesus substitui o sábado” (D.A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, p. 84).

[57] D. A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, p. 68, cp. pp. 79–80.

[58] Todavia, Ratzlaff afirma: “os princípios morais sobre os quais a leis Aliança Sinaítica baseavam-se estão incluindo nos princípios morais da nova aliança” (Ibid. p. 264).

[59] Ibid., p. 69. A lei sabática não é uma lei moral, p. 85. Comparece com o fato que os escritos do segundo século acreditavam que o mandamento do sábado, embora no Decálogo, era classificado com as ordenanças cerimoniais que se encerraram quando Cristo as cumpriu (p. 267–268). “Os escritores deste período têm uma atitude para com o Decálogo, mas uma atitude diferente para com o sábado” (p. 378). “A maioria dos escritores do segundo século parecem ter estado em sintonia em seu instinto de tratar o sábado como uma instituição mosaica temporária” (p. 381).

[60] Por exemplo, Tomás de Aquino (D. A. Carson, pp. 305-307). As distinções morais/cerimoniais do quarto mandamento originaram-se com Tomás de Aquino. Para mais detalhes históricos, ver Samuele Bacchiocchi, Divine Rest for Human Restlessness, (Rome, Italy: Tesar, 1980), pp. 45–57.

[61] Dale Ratzlaff, Sabbath in Crisis, p. 293; D. A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, pp. 113, 205, 373-374; cp. p. 84.

[62] D. A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, p. 215.

[63] Ibid., p. 346.

[64] Ibid., p. 126.

[65] Ibid., p. 378.

[66] Ibid., p. 202.

[67] Ibid., p. 205.

[68] D. Ratzlaff, Sabbath in Crisis, p. 21; D. A. Carson, Sabbath to Lord’s Day, pp. 28, 34, 198; cp. p. 65.

[69] D. Ratzlaff, Sabbath in Crisis, pp. 22-23, 245-246, 263; D.A. Carson, Sabbath to Lord’s Day, pp. 349-351.

[70] D. Ratzlaff, Sabbath in Crisis, p. 20; D.A. Carson, Sabbath to Lord’s Day, pp. 348.

[71] D. A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, p. 215. cp. D. Ratzlaff, Sabbath in Crisis, pp. 245-246.

[72] D. Ratzlaff, Sabbath in Crisis, p. 333;

[73] Ibid., p. 88.

[74] Ibid., p. 115; D. A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, pp. 73, 76, 345, 361-362; cp. um exceção, p. 364.

[75] D. A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, pp. 117-118, 366, 375; Cp. D. Ratzlaff, Sabbath in Crisis, p. 218.

[76] Por exemplo, Ratzlaff usa as palavras dos fariseus: “Discípulo dele é você! Nós somos discípulos de Moisés!” (Jo 9:28) para dizer: “Não se pode caminhar entre duas direções; ou se é um discípulo de Jesus ou um discípulo de Moisés” (p. 135). Ele diz: “Este é um verso chave neste capítulo e um verso muito importante em nosso estudo do sábado” (p. 135). Aqui, sua pressuposição não o impede de tomar a linguagem emprestada daqueles em erro para corroborar sua afirmação.

[77] Dale Ratzlaff, Sabbath in Crisis, p. 267.

[78] “O sábado não é visto como uma ordenança universal para toda a humanidade, mas como uma instituição específica para Israel. Como um símbolo da aliança, era para durar enquanto durou a aliança” (Harold H. P. Dressler in D. A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, p. 34). Keil e Delitsch negam um mandamento do sábado pré-sinaítico (Commentary on the Old Testament, trad. James Martin, (Grand Rapids MI:Eerdmans, 1986), Vol. 2, p. 119). “A evidência, portanto, nos leva à conclusão que enquanto a noção do descanso de Deus em Gênesis 2 foi tratada escatologicamente pelos escritores bíblicos, não era compreendida por eles como sendo uma ‘ordenança da criação’” (A. T. Lincoln em D. A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, p. 351).

Lincoln argumenta que o sábado não é mais imperativo do que o casamento, pois o “casamento pode ser considerado ordenança da criação (Gn 1:28; 2:24), mas não é imperativo a todos os homens e a todas as mulheres em todos os momentos, . . . pois o celibato é . . . ao menos uma opção igual para obedecer a Deus (Mt 19:10) e Paulo o considera preferível (1 Co 7)” (p. 347). Assim fazendo, Lincoln falha em distinguir entre obediência e liberdade de escolha. O sábado nas escrituras nunca é apresentado como opcional, o casamento sim. Calvino disse, corretamente, a respeito do mandamento do sábado: “De fato, não há mandamento cujo a observância o Todo Poderoso mais enfaticamente reforça” (John Calvin, Institutes 1:339 (2-8-29). Wilfred Stott concorda: “Nenhum outro mandamento é tão fortemente enfatizado como este, mostrando o tamanho da importância que tem na história de Israel e levando a pena de morte ao seu infrator (Êx 31:14; cp. 35:3; Nm 15:35–36)”  (e. Colin Brown, The New International Dictionary of New Testament Theology, (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1986 3:405).

[79] Martin Luther, Luther Works, ed. J. Pelikan, (St. Louis, MI: Concordia, 1958) 1:79–82.

[80] John Calvin, Genesis (Grand Rapids, MI: Baker, 1989) 1:106.

[81] Alfred Edersheim, Old Testament Bible History (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1982), p. 113.

[82] C. F. Keil and F. Delitzsch, Commentary on the Old Testament, 10 vols., Vol. 1, pp. 69-70.

[83] John Skinner, Word Biblical Commentary, ee., David A. Hubbard, Glen W. Barker, (Waco, TX: Word, 1987), pp. 34-36.

[84] John P. Lange, Lectures in Systematic Theology (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1980), p. 376.

[85] James G. Murphy, This is the Day. The Biblical Doctrine of the Christian Sunday (Greenwood, SC: Attic, 1978), p. 2.

[86] International Critical Commentary, ee., S. R. Driver, A. Plummer, C. A. Briggs, Genesis (Edinburgh: T & T Clark, 1963) 1:35.

[87] Commentary on the Holy Scriptures, Critical, Doctrinal and Homiletical, Genesis, trad., P. Schaff, (Grand Rapids, MI: Zondervan, npd) 1.196-197.

[88] Barnes Notes, A Commentary on the Book of Genesis (Grand Rapids, MI: Baker, 1983) 1:71.

[89] The Biblical Commentary, e., F. C. Cook, (Grand Rapids, MI: Baker, 1981) 1:37.

[90] A Commentary, Critical, Experimental and Practical in the Old and New Testaments, ee., Robert Jamieson, A. R. Fausset, D. Brown, (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1982) 1:28–29.

[91] R. Alan Cole, Exodus, Tyndale OT Commentary, e., D. J. Wiseman, (Leicester, England: InterVarsity, 1972), p. 158.

[92] Baker Encyclopedia of the Bible, e., Walter A. Elwell, (Grand Rapids, MI: Baker, 1988), p. 1874.

[93] D. A. Rausch, Evangelical Dictionary of Theology, e., Walter A. Elwell, (Grand Rapids, MI: Baker, 1987), p. 964.

[94] J. C. McCabb, Jr., The International Standard Bible Encyclopedia (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1988), p. 249.

[95] J. H. Sailhamer, The Expositor’s Biblical Commentary, e., Frank E. Gaebelein, Genesis, (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1990) 2. 38-39.

[96] Gordon J. Wenham, Word Biblical Commentary, ee., D. A. Hubbard, G. W. Barker, (Waco, TX: Word, 1987) 1:36.

[97] Um comentário afirma que o registro do sábado de gênesis é um mandamento: “E descansou Deus no sétimo dia de toda a Sua obra que fizera; e ordenou Deus (ao homem) abençoar e adorar no sétimo dia, e ordenou (ao homem) santificá-lo” (Robert Jamieson, A.R. Fausset, D. Brown, A Commentary critical, Experimental and Practical on the Old and New Testaments, pp. 28-29).

[98] J. G. Murphy, Barnes Notes. A Commentary on the Book of Genesis (Grand Rapids, MI: Baker, 1983) 1:71.

[99] D. A. Carson, From Sabbath to Lord’s Day, p. 346.

[100] M. Max B. Turner em From Sabbath to Lord’s Day, pp. 133-134.

[101] A. T. Lincoln em From Sabbath to Lord’s Day, p. 386.

[102] Ibid., p. 404.

[103] Samuele Bacchiocchi, From Sabbath to Sunday, p. 20.

[104] Ibid., p. .21.

[105] Gerhard F. Hasel, “Sabbath,” The Anchor Bible Dictionary, ed. David Noel Freedman, New York, NY: Doubleday, 1992) 5:855.

[106] Dale Ratzlaff, The Sabbath Crisis, p. 304.

[107] Ibid., p. 499.

[108] Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 56.

[109] Ibid., p. 589.

[110] Ibid., p. 499.

[111] Ibid., p. 582.

[112] Ibid., p. 589.

[113] Ibid., p. 590.

[114] Ibid., p. 592.

[115] Ibid., p. 591.

[116] Ibid., p. 614.

[117] Ibid., p. 588. A besta e o falso profeta são, também, mencionados em Ap 19:20 e 20:10.

[118] Ellen G. White, Testemunhos para A Igreja, 6:352.

[119] Ellen G. White, Evangelismo, p. 236.

[120] Ellen G. White, Testemunhos para A Igreja, 7:141.

[121] Ellen G. White, Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 37.

[122] Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 615.

[123] Ellen G. White, Testemunhos para A Igreja, 6:394.

[124] Ellen G. White, Testemunhos para A Igreja, 5:450.

[125] Ellen G. White, Eventos Finais, p. 147.

[126] Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, pp. 431–432.

[127] Ellen G. White, Eventos Finais, p. 180.

[128] Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, 2:380.

[129] Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 437.

[130] Ellen G. White, Eventos Finais, p. 124.

[131] Ellen G. White, O Desejado de Todas As Nações, p. 300.

[132] Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 649.

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