A Antiguidade das Escrituras: Os Profetas

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A Antiguidade das Escrituras: Os Profetas


Escrito por: Christopher Eames

Traduzido por: Hugo Martins

“Traduzido e Republicado com a permissão de Watch Jerusalem”


A Antiguidade das Escrituras: Os Profetas

A datação da Bíblia é um tópico controverso. Os tradicionalistas dizem que a Torah foi escrita por Moisés; os Salmos, a maioria por Davi; Provérbios por Salomão; os Profetas—por quem o nome aparece no título. Daniel? Sexto século A.E.C.

Revisionistas, por outro lado, dizem que a Torah foi escrita após o cativeiro Babilônico—junto com o restante, realmente. Daniel? Segundo século A.E.C. Livros com nomes individuais foram mais provavelmente escritos por múltiplos escritores desconhecidos.

Este é um debate polêmico. Podemos realmente saber a resposta? Quão antigos e autênticos são os escritos bíblicos? Este artigo continua a nossa série de três, examinando a evidência arqueológica, estilo linguístico, conteúdo textual e obras contemporâneas relacionadas a esta questão. O Tanakh, ou Antigo Testamento, é dividido em três seções principais: a Torah (Lei), os Profetas e os Escritos. Nesta segunda parte, examinaremos os Profetas, analisando alguns dos livros bíblicos que se encaixam nesta categoria.

O Livro de Isaías

O livro de Isaías—tradicionalmente datado como do oitavo século A.E.C.—tem enfrentado uma grande quantidade de escrutínio. É normalmente considerado pelos revisionistas como sendo a obra de pelo menos dois autores (o segundo escrevendo do capítulo 40 em diante), ou, talvez, até mesmo, por cinco escritores diferentes.

A lógica central contra a datação tradicional para o livro de Isaías é que não é possível que um profeta possa predizer o futuro. Por exemplo, Isaías profetiza o nome do futuro rei Ciro e a destruição precisa da Babilônia cerca de 150 anos antes. Assim, o livro deve ter sido escrito em uma data posterior. Essa suposição tem causado alguns críticos a identificar mudanças no estilo de escrita ao longo do livro, afirmando eles provar ser uma falsificação posteriormente escrita. Poderia ser este o caso?

A verdade é que essas supostas mudanças no estilo não podem realmente ter qualquer credibilidade. Isaías 1:1 afirma que o profeta estava escrevendo e trabalhando durante os reinos de cinco sucessivos reis. Ele estava profetizando por cerca de 60 anos. Naturalmente, haveria uma mudança em seu estilo de escrita. Pesquisa tem sido feita no que diz respeito a mudanças no estilo de escrita. Como um artigo do Tomorrow’s World, em janeiro de 1971, declarou:

O fato é que o estilo de escrita de um autor talentoso deve e tem de mudar conforme os anos se passam. . . . Análise literária tem afirmado que Paulo escreveu somente 5 de suas 14 epístolas, que Ian Fleming não escreveu James Bond e que as obras de Graham Greene e G. K. Chesterton tiveram “mais de um autor.”

Tem-se concluído, por tal parâmetro, que Ulysses de James Joyce foi escrito por 5 autores diferentes. Isto é, naturalmente, ridículo, mas é a conclusão que devemos chegar se aplicarmos a esses outros autores os mesmos parâmetros revisionistas a Isaías.

Mudança na forma pode ser deliberada ou não intencional por vários meses e anos—mas isto não é levado em conta para com a autoria de Isaías. Qualquer especialista dir-lhe-á que para começar a ter uma noção real de autoria com base no estilo de escrita, você precisa de um corpo de trabalho muito maior do que a de Isaías.

Historiadores clássicos antigos, e escritores primitivos, remontando acerca de 200 A.E.C., deram a Isaías atribuição completa pelo livro—não apenas a metade dele. É interessante—e tão típico—que após mais de 2.200 anos, nós, hoje, nos sentimos mais sábios do que aqueles que viveram próximos a tal período de tempo antigo.

De fato, muita evidência estilística pode ser dada para mostrar que Isaías escreveu o livro inteiro. Um estudo comparativo exaustivo disto poder ser encontrado em The Indivisible Isaiah [O Isaías Indivisível] de Rachel Margalioth. Não entraremos em detalhes sobre as especificidades disto aqui.

Não há dúvida de que Isaías teve foi um profeta antigo. Mesmo aqueles que tentam datar tardiamente o livro, apenas conseguem entre o sexto para e o quinto século A.E.C. A escrita de Isaías é de um estilo hebraico antigo e ele descreve, com precisão, o ambiente e a política de seu tempo. Essas coisas têm sido atestadas por meio da arqueologia.

Uma das principais teorias para Isaías é que a segunda metade foi escrita por um cativo da babilônia por volta de 540 A.E.C. Mas isso é ridículo quando se considera o texto dentro da segunda metade de Isaías. Descrições precisas são dadas da terra de Israel, incluindo descrições de diversas árvores nativas—paisagem que um cativo na Babilônia, por pelo menos 46 anos em cativeiro, não teria sido capaz de retratar. Ademais, a segunda metade de Isaías descreve o requerimento por sacrifícios no templo. Isso, claro, seria redundante se fosse uma admoestação escrita em 540 A.E.C., após a destruição do templo. Além disso, este texto critica a idolatria canaanita, como oposta a idolatria babilônica—um tópico que para esse momento teria sido bastante redundante.

[O Grande Rolo de Isaías, um dos rolos antigos de 2000 anos de idade encontrado no extremo norte do Mar Morto (Domínio Público)]

Nossa versão completa mais antiga de Isaías provém dos Manuscritos do Mar Morto, datando c. 125 A.E.C. Enquanto os críticos disputam uma data mais tardia do que a tradicional para o livro de Isaías, até mesmo este manuscrito completo data bem antes do cumprimento de diversas profecias de Isaías—muitas já cumpridas e muitas outras ainda a serem cumpridas. De fato, o próprio Isaías reconheceu que seu livro foi escrito primariamente ser preservado para o tempo do fim, quando a parte principal das profecias seriam cumpridas! (Em Isaías 30:8, “dias vindouros” deveria ser lido “últimos dias.” Jeremias e Daniel também fizeram o mesmo—veja Jeremias 30:1 e Daniel 12).

Tentando re-datar o Livro de Isaías para escritores fantasmas posteriores, surgem diversos problemas textuais e históricos. Aceitando o livro como escrito por Isaías, por outro lado, não surgem problemas—a menos que você não acredite na profecia.

O historiador Josefo, do primeiro século E.C., declara que o Rei Ciro profetizado, quando entrou em cena no quinto século A.E.C., leu, realmente, as profecias futuras em Isaías nas quais ele era especificado pelo nome (Isaías 44:27 e 28; 45:1-4). (A propósito, Josefo também escreveu que a Alexandre O Grande fora mostrado que as profecias de seu reino no livro de Daniel quando ele chegou a Jerusalém no quarto século A.E.C.—daí a favorabilidade que ele mostrou para com os judeus.) Todos esses pontos adicionam evidência cumulativa para a escrita tradicional antiga de Isaías.

Tentando re-datar o Livro de Isaías para escritores fantasmas posteriores, surgem diversos problemas textuais e históricos. Aceitando o livro como escrito por Isaías, por outro lado, não surgem problemas—a menos que você não acredite na profecia.

O Livro de Ezequiel

A datação tradicional do livro de Ezequiel não é difícil: datas são fornecidas ao longo do livro quando certas visões foram recebidas (durante o cativeiro no início do sexto século A.E.C.); e o livro inteiro foi virtualmente escrito por uma única pessoa, em um estilo autobiográfico.

A contenção com Ezequiel é, como de costume, as profecias—por isso alguns o datam entre o quarto e o terceiro séculos A.E.C. Profecias notáveis estão contidas ao longo do livro de Ezequiel, tal como a queda de Tiro. Isto ocorreu de forma espetacular cerca de 250 anos depois, durante o quarto século A.E.C.

Ezequiel foi escrito (se considerarmos as datas tradicionais) dentro de um período de tempo muito mais curto do que Isaías—por volta de 20 anos—mas provavelmente compilado de forma contínua, ao invés de ser juntado aqui ou ali. Há muita repetição e unidade ao longo do texto. Ezequiel demostra conhecimento de obras anteriores, como a Torá, e menciona até mesmo o Profeta Daniel, que, de acordo com a datação tradicional, estava em cena na época. (Isto põe em problemas os estudiosos que tentam re-datar Daniel para o segundo século A.E.C., mas ainda afirmam Ezequiel como uma obra do quarto século. Abordaremos Daniel em nosso próximo artigo nesta série). O hebraico de Ezequiel também demonstra um estilo transicional na linguagem—não totalmente do estilo clássico primitivo (como Isaías), mas não totalmente de um estilo tardio. Este estilo transicional adéqua-se perfeitamente com a data tradicional de Ezequiel estando em cena.

Realmente, devido ao estilo de escrita e organização de Ezequiel, muitos estudiosos aceitam que o livro é autêntico. Mas um grande número deles acreditam que anotações posteriores foram feitas por escritores posteriores, explicando, assim, algumas das profecias contidas em suas páginas. Mas poderia isto realmente ter acontecido? Talvez em uma pequena escala em comunidades isoladas, adicionando seus próprios pensamentos, mas para o sistema religioso judaico principal central, controlando os livros sagrados? Teriam eles realmente permitido que o texto original fosse modificado e, então, se tornado aceito e disseminado como sagrado? Os judeus, até este dia, são notoriamente sistemáticos acerca dessas coisas—preservando cada “jota” e “til” originais—e justamente por isso!

Josefo provê confirmação, juntamente com a tradição judaica, de que toda a Bíblia Hebraica foi concluída e canonizada durante o quinto século A.E.C. Este esforço foi impulsionado principalmente por Esdras. Durante e após esse período, houve uma autoridade religiosa judaica estrita e cuidadosamente estabelecida tratando minuciosamente das Escrituras. Isto é conhecido na história secular. Ele é conhecido no Novo Testamento, onde é afirmado que as escrituras do Antigo Testamento foram todas acuradamente preservadas nas mãos dos judeus (Rm 3:1–4, 2 Tm 3:16–17). A ideia de que “pseudo-escritores” tentariam inserir obras espúrias na coleção das reverenciadas, meticulosamente copiadas e preservariam os manuscritos originais é absurda.

Na verdade, isso já foi tentado. É chamado de apócrifo. Seu nome significa “escondido” ou “espúrio”—por uma boa razão. A autoridade religiosa centralizada estava ali para manter esses tipos de obras bem distantes.

O texto acima foi uma amostra dos profetas maiores. Vamos dar uma breve olhada em alguns dos profetas menores. Muita informação desta seção é baseada na pesquisa do fantástico livro de Crag Davis Dating the Old Testament [(Datando O Antigo Testamento) ver aqui].

O Livro de Amós

Amós é um profeta fácil de situar em termos de datação. Ele lista os reis os quais ele fora contemporâneo—junto com um fenômeno interessante. Amós começou a escrever “dois anos antes do terremoto” (Amós 1:1).

Com base no reinado dos reis, o livro de Amós é tradicionalmente datado entre c. 790 e 750 A.E.C. Mas podemos ser mais específicos porque, como Amós descreveu, um terremoto ocorreu em Israel em c. 760 A.E.C. Este terremoto absolutamente catastrófico tem sido testemunhado em diversos sítios arqueológicos em Israel e arredores. Camadas ocupacionais desse período de tempo mostram evidência de pisos colapsados e paredes inclinadas. Peritos têm sido capazes de conjecturar, pela evidência, o alcance: aproximadamente 8.2 de magnitude!

Josefo provê confirmação, juntamente com a tradição judaica, de que toda a Bíblia Hebraica foi concluída e canonizada durante quinto século A.E.C.

Ademais, Amós descreve um Israel em tempos de prosperidade e riqueza—antes do revés e da queda da nação no fim do oitavo século A.E.C. Termos hebraicos antigos são usados neste livro em consistência com datação tradicional do período de tempo do oitavo século A.E.C. Especificamente, se o grande terremoto ocorreu em 760 A.E.C., os escritos de Amós podem, então, ser datados até 762 A.E.C. E então, assim como ele profetizou, a queda de Israel ocorrera, espetacularmente, 40 anos depois.

Jonas

O livro de Jonas é um caso único porque a sua mensagem destina-se aos gentios assírios. Tradicionalistas dizem que foi escrito por Jonas por volta do oitavo século A.E.C. Alguns minimalistas acreditam que foi escrito por volta de 450 A.E.C., como uma espécie “resposta voraz” a Esdras e a Neemias proibindo casamento inter-racial com os gentios.

A despeito da data, que indícios este livro provê? Contém uma descrição um tanto detalhada da cidade assíria de Nínive. A Bíblia descreve Nínive como uma enorme cidade com a extensão equivalente a “três dias de viagem” (Jonas 3:3). Arqueologia mostra que Nínive e seus arredores se estendiam por cerca de 96 kilômetros—equivalendo a 32 kilômetros por dia, ou três dias de viagem. As escavações revelaram que a cidade de Nínive era uma área de, pelo menos, 7 km²—permitindo abarcar 120.000 habitantes (Jonas 4:11).

[Portão Mishqi de Nínive. Este portão foi destruído por uma milícia de demolição do ISIS. (Lachicaphoto/Creative Commons)]

Davis escreve sobre a precisão das descrições da população de Nínive dada no livro de Jonas:

Uma inscrição assíria antiga indica que a cidade de Calah, Assíria, que não era tão grande quanto Nínive, tinha 69574 habitantes em 879 A.E.C. Isto significa que a população de Nínive (120000), em Jonas 4:11, 100 anos depois, é uma estimativa correta.

Em relação à acurácia geográfica, ele continua:

Jonas saiu da cidade, e assentou-se ao oriente da mesma (Jonas 4:5) [esta era uma direção incomum se ele tivesse meramente pretendido retornar à terra de Israel]. Nínive estava localizada à margem oriental do Rio Tigre com colinas ao leste da cidade. Isto daria a Jonas um bom ponto de vista para a cidade, bem como ver com antecedência qualquer exército inimigo [do qual Jonas teria esperado cumprir a maldição—Jonas 3:4] que precisaria se aproximar de Nínive de seu lado do Rio. Esses pontos de precisão parecem incomum para uma alegoria pós-exílica.

Há, portanto, outros detalhes precisos no livro de Jonas, tais como a declaração de que os assírios fizeram até mesmo seus animais prantearem (Jonas 3:7–8). Esta tradição assíria de ter seus animais participando no pranto é registrada pelo historiador Heródoto do quinto século A.E.C.

Além disso, a escrita usada por Jonas indica um estilo autêntico. Não há termos persas—como se esperaria de uma obra mais tardia—e o uso de alguns termos aramaicos remete aos marinheiros no navio de Jonas que falavam aramaico. Assim, a evidência existente aponta para a datação tradicional de cerca de 760 A.E.C. Se fraudes pós-exílicas tivessem sidas tão precisamente escrito este livro 300 anos depois, teria sido um milagre como Jonas na barriga do peixe.

O Livro de Ageu

O profeta Ageu é talvez o escritor veterotestamentário mais incontestado de todos. Praticamente todos aceitam seu livro como legítimo, datando por volta de 520 A.E.C., assim como o livro detalha.

Nós tratamos dele aqui porque ele pode nos contar acerca de outros livros da Bíblia—particularmente a Torah.

Ageu mostra uma familiaridade com a Torá, bem como com as leis de pureza (Ageu 2:11-14). Entretanto, de acordo com a “hipótese documentária” acadêmica principal para a escrita da Torah, essas não foram supostamente escritas senão 20 a 100 anos depois de Ageu por um fraudulento “Escritor P” Se isso fosse verdade, eles não poderiam ter aceitado a tradição e a prática conhecidas por judeus, tais como Ageu. Assim, Ageu ajuda a provar uma data antiga para a Torah e ajuda a mostrar o quão confuso e frágeis são as teorias dos críticos.

[Magnificente painel de tijolo brilhante pertencente ao Palácio de Dario (522-486 A.E.C), o construtor original de Susa (Carole Raddato/Creative Commons)]

Ageu é claramente datado ao período antes do templo estar terminando, durante o reino de Dario I—e até mesmo as datas de sua escrita pode ser estimada com boa precisão: 29 de agosto, 17 de outubro e 18 de dezembro.

Somente Faz Sentido

Como se vê, há evidência para dizer que faz sentido para uma autoria tradicional, antiga, dos Profetas. Aqueles que fazem o contrário, não possuem evidência para isso. Primariamente, eles assim procedem por causa de sua própria convicção de essas profecias não poderiam ter sido escritas antes dos eventos. Mas não há evidência existente para afirmar que os Profetas não poderiam ter sido escrito quando o texto descreve. E há diversos fatores que confirmam ter sido.

Naturalmente, crer no relato literal significa crer na profecia. Significa acreditar em um Deus que é capaz de predizer o futuro. Um Deus que declara “desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” (Isaías 46:10). E esse é um passo muito grande para os críticos—e parece que nenhuma evidência pode mudar isso.

Mas, conforme o tempo passa, a evidência continua a favorecer a autoria tradicional, antiga, da Bíblia. Veremos isso, no continuar de nossa série, examinando a terceira parte do Tanakh: Escritos.

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