1 Timóteo 2:12 — Uma Análise Terminológica


Ángel Manuel Rodríguez começou a trabalhar no Adventist Biblical Research Institute em 1992; em 2001 assumiu o posto de diretor da instituição, cargo que ocupou até a sua aposentadoria em 2011. Seus interesses especial incluem Santuário, Expiação e Teologia do Antigo Testamento. Rodríguez escreveu diversos artigos e livros como “Teologia do Remanescente”.


Tradução: Hugo Martins

O artigo “1 Timóteo 2:12 — Uma Análise Terminológica” (Original em Inglês: “1 Timothy 2:12”), por Ángel Manuel Rodríguez, fora publicado, inicialmente, pelo Adventist Biblical Research Institute.  Usado com permissão.


Para compreendermos este texto [1 Tm 2:12], teremos que fazer um estudo terminológico, um exame do termo grego que Paulo usa aqui e como aparece em outros lugares no Novo Testamento. Isto não é difícil porque a forma verbal hēsycházō (“ficar em silêncio”, “ficar calmo”) é usada apenas 5 vezes; a forma substantiva hēsychía (“silêncio”, “descanso”) é usada 2 vezes; e o adjetivo hēsýchios (“calmo”, “tranquilo”), apenas 2 vezes.

O verbo é usado para expressar três ideias principais. Primeira, manter o silêncio para evitar um confrontação aberta (Lc 14:4). Segunda, ficar em silêncio para por um fim, ou sob controle, a uma discussão ou confrontação (At 11:18; 21:14). Terceira, no sentido de ficar inativo, descansar. Isto se encontra ilustrado em Lucas 23:56, onde as mulheres “no sábado, descansaram [ficaram em silêncio], segundo o mandamento.” (Isto tem um conteúdo ético. É, para Paulo, uma virtude cristã; algo que todos os crentes devem buscar [1 Ts 4:11]. A vida cristã deve ser uma vida silenciosa/calma—livre de controvérsias sem sentido ou ofensas a Deus).

Por estudar os diferentes usos do verbo, podemos extrair as seguintes conclusões: o verbo é usado na maior parte do tempo em contextos nos quais há tensões e/ou contendas. Em alguns outros, implica que por meio do silêncio uma atitude ofensiva é evitada. O verbo designa um modo de falar que interfere na interação social; em outras palavras, um tipo específico de silêncio e não necessariamente uma ausência total de fala.

A igreja em Jerusalém ouvia a Pedro, e como resultado, eles mantiveram silêncio (pararam de questioná-lo) “glorificaram a Deus…” (At 11:18). Desde que o verbo não significa necessariamente a ausência de palavras, mas, em vez disso, ausência de falas controversas, o verbo pode ser usado para expressar as ideias de mansidão e tranquilidade, tornando, portanto, a comunicação real possível.

O substantivo é usado, basicamente, do mesmo modo. Primeiro, refere-se ao silêncio põe um fim a uma linguagem contenciosa (At 22:2). Segundo, evita uma fala descontinuada e contenciosa (1 Tm 2:11–12). Designa, finalmente, a mansidão da vida cristã que evita causar divisão na comunidade dos crentes.

É neste último uso que encontramos, também, no caso do adjetivo (“tranquilo”, “quieto”). De acordo com Pedro, mulheres devem adornar-se com um “espírito manso e tranquilo” (1 Pe 3:4). Mas, de acordo com 1 Timóteo 2:2, este tipo de mansidão deve ser uma caraterística de todos os crentes. Eles devem viver uma vida “tranquila e mansa.”

Tendo examinado a evidência neotestamentária, podemos, agora, ter uma visão mais acurada de 1 Timóteo 2:11–12. Não há dúvidas de que Paulo está preocupado com as controvérsias na igreja. No verso 8, ele exorta os homens a orar “sem ira e sem animosidade.” No caso das mulheres, o apóstolo está preocupado também com comportamentos e atitudes que possam causar divisões.

Para evitar problemas, ele exorta-lhes a aprender “em silêncio, com toda a submissão” (v. 11), algo esperado de um discípulo ou uma discípula do primeiro século. A implicação é que as mulheres são descritas, aqui, como estudantes, discípulas, e estão sendo lembradas de suas obrigação como tais. Paulo está proibindo a fala de uma estudante que prejudica o processo de aprendizagem, protegendo, portanto, o direito dos outros de ouvir e aprender. A frase “esteja, porém, em silêncio” (v. 12) não significa que ela deva ficar sem falar, mas que as falas controversas são inaceitáveis porque elas criam fadiga. Isto concorda perfeitamente com o uso do substantivo e do verbo no descanso do Novo Testamento.

Por que Paulo especificou as mulheres? Possivelmente porque alguma delas tinham se tornado o alvo de falsos ensinadores e suas instruções (2 Tm 3:6). Como resultado, eles estavam trazendo controvérsias na igreja. Paulo proíbe este tipo de fala divisiva e controversa quando ele diz que ”a mulher aprenda em silêncio.”

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